Livrarmo-nos dos Miró ou não nos livrarmos dos Miró?

Não tenho uma opinião definitiva sobre esta questão da venda dos Miró. O meu coração diz-me que o melhor é despacharmos aquilo tudo rapidamente, ficarmos com o dinheiro que se conseguir (estamos ainda mais ou menos falidos) e pronto. Mas, racionalmente, não sei se a melhor opção não seria algo parecido com o que o José Meireles Graça propõe.

(Não é que concorde com o José Meireles Graça nesta opinião de que o que veio depois do impressionismo foi o descalabro. Eu, que sou dada às artes visuais, aprecio muito quase tudo o que veio a seguir ao impressionismo. Kirchner, Klee, Kandinsky, Piet Mondrian, Georgia O´Keefe, são alguns dos meus pintores favoritos. Compraria o surrealismo todo e simplesmente adoro pop art e hiper-realismo. Raramente desgosto de algo pintado com aguarelas ou que venha da América Latina. Até ao realismo socialista acho piada. Tenho algumas aversões estéticas, no entanto, e as coisas que Miró pintou são, para mim, verdadeiramente repelentes – seguidas de perto pelas de Lucian Freud e Paula Rego.)

Que fique claro, portanto, que em nenhum momento devo ser confundida com os maluquinhos que vêem grande benefício em dotar o estado de dezenas de Mirós. Quando muito, guardamos uma meia dúzia e enviamo-los, como castigo, para exposição no gabinete de Mário Soares, Jorge Sampaio, de António Costa, para as salas do grupo parlamentar do BE e outros locais semelhantes. De resto, considero que a prova definitiva de que algo de muito estranho se passava no BPN é mesmo esta decisão de andar a comprar Mirós às dúzias (comprar um poderia ter sido erro por um entusiasmo momentâneo, comprar dois faz soar todos os alarmes, comprar dezenas de Mirós é algo que nem consigo qualificar) e se o Banco de Portugal, a AR, os governos ou o ministério público tiveram conhecimento deste facto, foi criminoso não agirem de imediato.

Em suma, apesar da provação que seria manter tantos Miró no país por longos anos, penso que se deve ponderar qual a solução financeiramente mais proveitosa e escolhê-la.

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14 thoughts on “Livrarmo-nos dos Miró ou não nos livrarmos dos Miró?

  1. Comunista

    Estes posts sobre o Miró mostram uma coisa, que o insurgentismo é uma manada, pensam todos a mesma coisa e até tem aversões artísticas iguais.

  2. Penso que os Miró não foram comprados pelo BPN, penso que foram obtidos pelo BPN após um empréstimo concedido a um estrangeiro não ser tido pago e foram tomados porque eram a garantia do empréstimo.
    Para mim os Miró são falsos, porque é ao que esta estória cheira.

  3. Maria João Marques

    Bom, se foi assim, Joaquim, emprestar dinheiro a uma pessoa que compra dezenas de Mirós, e aceitá-los como garantias, também é uma decisão de gestão catita, é sim senhor.

    Comunista, nós, na realidade, somos um exército de clones. Estamos simpresmente mascarados (como na Missão Impossível) de pessoas diferentes.

  4. k.

    Arte é apenas um tipo de investimento; Tem uma valorização potencial, com o risco associado. Tendo também valor de mercado, são garantias reais.
    Portanto há racionalidade económica neste tipo de investimentos; Creio que é cambridge que tem dinheiro investido em vinho (literalmente).

    Ora obviamente no BPN provavelmente compraram aquilo por provincianismo, mas isso é outra questão.

    A questão é que de facto, é um activo do BPN: Deve o estado alienar esse activo? Se sim, deve alienar agora, ou esperar até obter um melhor preço?

    Se não decidir alienar, por motivos culturais, qual é exposição que terá nos museus Portuguese? Que relevância lhe será dada? Qual o valor cultural, no panorama cultural Português?

    Como sou muito salomónico, digo que se venda o Miró – e se use o dinheiro para repartriar obras portuguesas em mãos estrangeiras 😛

  5. Gonçalo Vaz de Carvalho

    A sra. Maria João Marques deixou clara a sua infinita cultura! O que vale é que as pessoas ainda acham piada aos seus comentários. Excepto quando são repelentes. Estes deviam ser enviados, como castigo, para exposição no gabinete de Miguel Relvas, personagem que a sra. devia ter como tutor cultural para continuar a saga de tão brilhantes afirmações.

  6. João Bettencourt

    Por uma questão de prestígio, que os vendam todos! Ao ver fugazmente o catálogo da Christie’s apercebi-me do imenso valor desta operação: como uma velha família ilustre caída na desgraça, vendemos os nossos tesouros artísticos para pagar as nossas dívidas. Isto sim é classe! Só tenho pena de não termos gastado a massa em arte e cultura, em vez de betão.

  7. Maria João Marques

    k, claro que são garantias e valem dinheiro, por isso mesmo se devem vender, agora ou mais tarde. aliás, acho mesmo ótimo que haja gente disposta a pagar muito dinheiro pelos quadros, para nos conseguirmos ver livres daquilo fazendo bom negócio. estou a dar a minha opinião subjetiva sobre Miró, que recomenda a venda, e até poderia concordar que se vendessem os Miró e se comprassem quadros decentes (e não vejo que tenham de ser necessariamente portugueses) com o dinheiro – mas parece que o dinheiro faz falta para pensões e coisas parecidas. mas não estou a brincar quando digo que não emprestaria dinheiro a quem compra Mirós às dezenas. para mim só um lunático faz isso.

  8. Rogerio Alves

    A única coisa que pode estar em causa é a oportunidade (ser real ou não). Ou seja, se se achar que os quadros de Miró são importantes a nível cultural e patrimonial não se devia ter esperado que um acaso os tivesse atirado para o nosso colo. TInhamo-los comprado na altura exacta em que se consideraram importantes. Porque o preço não está em questão, suponho: o mercado da arte deve estar bem estabelecido e a Christie’s ou a Sotheby’s devem conseguir sempre os preços de mercado. A única coisa que pode contrariar o que exponho é se o acaso de os termos recebido é irrepetível e nunca, de outra forma, os poderíamos obter (parto, recordo, do princípio que os quadros de Miró são relevantes no contexto da nossa política cultural).

    Termino, noutra nota: estou um pouco surpreendido pelo valor dos 80 e tal quadros de Miró ser de apenas 30 ou 40 milhões. Miró é daqueles 20 ou 25 pintores que, no mercado da arte, cujas obras são capazes de arrebatar dezenas de milhões nos leilões. Imagino que as obras em questão sejam obras menores, talvez a maior parte sejam simples desenhos…não sei, não faço ideia, acho apenas curioso…

    Quanto à minha opinião pessoal sobre Miró, não vem, claro, para o caso.

  9. Rui Cepêda

    O melhor é livrarem-se deles e depressa, porque além de maus podem ser falsos. Depois do impressionismo há muita coisa boa. Também há quem diga que depois de Bosch não se inventou nada,e aqui com mais razão. Curiosamente o fabuloso Dali lembra-o um pouco, acho eu. A Paula Rego é repelente mas não é má pintura.
    À sua lista acrescentaria Gauguin, Cezanne e Magritte. Gosto também do Klint, se exceptuarmos o “Kiss” e a “Adéle” que enxameiam os consultórios de dentistas, etc..

  10. Rogerio Alves

    Apesar do que se diz, gostos discutem-se, sim. E arte também. E os gostos de cada um relativamente à arte. No entanto, aqui no Insurgente e para o tema em causa (sublinho, para o tema em causa) – e perdoem-me a presunção – não quero saber muito da opinião de cada um sobre Miró.

    E espero que também não queiram saber a minha seja sobre Miró, Dali, Vermeer, Geoges Latour ou Waterhouse. ou whatever.

    Não aqui, não sobre o recuperação do dinheiro gasto com o BPN. É que, no fim de contas, é isso que se quer – recuperar o dinheiro – . Mas até, por redução ao absurdo (mas tão costumeiro na nossa política), não me admirava quem licitasse os Miró fosse a nossa Secretaria do Estado da Cultura.

    Já vimos isso, ainda ontem, quando o FCT fica com dinheiro extra (para subsidiar mais bolsas) pois o Ministério da Economia ajuda com dinheirito do bolso deles para a participação no ESA que está a cargo do FCT.

    Será que eles não sabem que todo esse dinheiro vem de um lado só? Que esse dinheiro todo que eles têm à disposição é NOSSO!!!!

  11. Gonçalo Vaz de Carvalho

    É interessante como a sra. Maria João Marques faz com que o meu comentário ainda esteja à espera de moderação, bem após outros tantos terem sido publicados, e continue com a sua maravilhosa saga.

    “Eu, que sou dada às artes visuais, aprecio muito quase tudo o que veio a seguir ao impressionismo”
    “que recomenda a venda, e até poderia concordar que se vendessem os Miró e se comprassem quadros decentes”

    A sorte do país é ter tão valiosa e culta comentadora. Se por valor, decência e cultura se considerar “escrever o que lhe vem à tola”.

  12. Pingback: Notícias da ditadura de juízes (aquela onde vivemos) | O Insurgente

  13. Paulo Martinho

    “O meu coração diz-me que o melhor é despacharmos aquilo tudo rapidamente, ficarmos com o dinheiro que se conseguir (estamos ainda mais ou menos falidos) e pronto.”
    Os que no final do sec XIX propunham a FUNDIÇÃO da custódia de Belém não teriam dito melhor.
    Euzinho, “que fique claro, portanto, que em todos os momento devo ser confundido com os maluquinhos que vêem grande benefício em dotar o estado de dezenas de Mirós” e admirador de Miró, Lucien Freud e Paula Rego, entre outros.

  14. Carlos Gonçalves

    caros amigos
    Tomei conhecimento de uma entrevista que um falsificador de arte deu a uma revista alemã.
    A revista brasileira Veja, também já falou nele (http://www.istoe.com.br/reportagens/195045_O+GRANDE+GOLPE+DAS+ARTES)
    O que achei curioso na entrevista, é que a determinada altura, o confesso falsificador, diz que fez umas falsificações do Miró para Portugal (!!!) e chama-nos inclusivé de estupidos (o que não é de admirar)
    Deixo-vos o link, para, a entrevista.
    http://forgedmiro.pen.io/

    Bom trabalho

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