Abram alas para o Banco de Fomento!

“Apoios do Estado às empresas somam 4,5 mil milhões”, diz o Jornal de Negócios. O “governo mais liberal de sempre” lançará o Banco de Fomento na segunda metade do ano, pela mão do putativo futuro líder do CDS. Daqui a uns anos, quando começarmos a pagar os investimentos do Banco de Fomento, alguém irá culpar o capitalismo. Mas é preciso avançar com o Banco de fomento rapidamente: as PPPs não conseguiram estimular a economia o suficiente.

(Nota: para quem não sabe, um banco de fomento é uma instituição dedicada a alimentar negócios com poucas probabilidades de sucesso, especialmente se pertencerem a pessoas ligadas ao poder. Quem quiser entender os efeitos de bancos controlados por objectivos puramente políticos é fazer uma pesquisa por Fannie Mae e Freddie Mac)

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26 pensamentos sobre “Abram alas para o Banco de Fomento!

  1. k.

    Quando é que o governo admite que estava errado e abandonou “a austeridade”?

    PS: tendo em conta que ambas as entidades foram criadas durante o “new deal” nos EUA, e tendo em conta que estamos numa depressão tão grande ou maior actualmente, parece-me uma estratégia apropriada.

  2. Rogerio Alves

    Gostei do artigo: é curto e certeiro. O banco de fomento é um sinal bem trágico que Portugal pouco mudou (pelo menos, a classe política pouco mudou) e que os liberais no governo são tão escassos que qualquer Paulo Portas ou Pires de Lima facilmente acaba com ele. Ainda não é desta que o país muda verdadeiramente. Mas temos de nos satisfazer com o que há. O próxiimo (governo) vai ser pior…

  3. “o New Deal prolongou a depressão dos EUA em cerca de 7 anos.”

    Lendo o artigo, não se percebe muito bem se o problema, para os autores, que o governo tenha intervido demais ou de menos; embora digam “our work shows that the recovery would have been very rapid had the government not intervened”, parece que a intervenção que eles criticam (o NIRA) durou só dois anos, e que nos outros 5 o que houve foi uma relutância em aplicar as leis anti.trust (não aplicar leis anti-trust agora conta como intervenção?).

  4. Mas, por contra-intuitivo que pareça, acho que há uma ligação entre o liberalismo ocasional deste governo e o seu “banco de fomento”: ambos derivam de uma visão que acha que o problema da economia está do “lado da oferta” (por um lado, isso joga bem com políticas de cortes orçamentais, porque acham que não é aumentando a procura que se sai da crise; por outro, é consequente com a ideia que acha que o problema das empresas é não terem acesso ao crédito – já alguém que ache que o problema está na procura, provavelmente achará que não há nenhuma “falha de mercado” no crédito, e que o problema é mesmo haver poucos negócios viáveis a que emprestar dinheiro)

  5. miguelmadeira, a procura interna estava inflaccionada pelo recurso ao crédito externo, facto que pode ser observado olhando para o endividamento do estado, das famílias e das empresas. Essa situação não era e não é sustentável. A contração da procura foi a consequência e não a causa desta crise, que exige reformas fortes do lado da oferta. Os keynesianos recusam-se a perceber tal coisa, o que é compreensível: para eles, a economia começa e termina na procura quando, em boa verdade, começa na oferta. Eu não produzo por produzir, produzo para poder trocar por bens e posteriormente consumir.

    Este banco de fomento não resolve nada: reforça o canal de crédito, dando a falsa ilusão que as famílias e as empresas não terão de se capitalizar com recurso a capitais próprios, domésticos ou estrangeiros. É preciso poupança e, para isso, o Estado tem de ser sair do caminho.

  6. castanheira antigo

    O problema não está nem no lado da procura nem no lado da oferta . A falta que se sente quer numa quer noutra são apenas sintomas da verdadeira doença .
    Os políticos , numa visão de curto prazo e também de interesse próprio , que coincide com ideologia socialista , tentam tratar os sintomas , mas esse tratamento agrava ainda mais a doença ( é o caso deste banco de fomento).
    A doença é constituída por :
    1º Altas taxas de impostos genericamente considerados e a consequente caça ao capital por parte do estado, obrigando aquele a ficar quieto , surdo e mudo , tendo como consequência a falta de investimento e a falta de criação de postos de trabalho.
    2º Justiça inoperante impossibilitando que os contratos contraídos e não cumpridos , sejam resolvidos em tempo útil.
    3º Burocracia infinita , que obriga qualquer produtor a ter que pedir a uma infinidade de burocratas que nunca nada produziram e estão instalados princepescamente nas câmaras , nos ministérios e noutros organismos estatais licenças que são sistematicamente adiadas e obstruídas.

  7. José Silva vaz

    Então o que é que esperavam do irrevigável e do ministro do milagre económico?estes dois e todos os outros que nós governam depois de nos empobrecerem vão dar continuidade ao socialismo socrático só que agora vaão beneficiar outros amigos…como dizia o outro..É a vida

  8. castanheira antigo, esses três pontos que refere, e que estão correctos, afectam fundamentalmente a oferta. Os impostos condicionam a capacidade das famílias pouparem e reinvestirem em capital; a justiça trôpega afasta o capital estrangeiro e a burocracia penaliza as empresas eficientes. Claro que também gerará externalidades do lado da procura, mas é essencialmente um garrote às empresas.

  9. Rui

    Tudo depende da qualidade dos projetos que se venham a apoiar. A verdade é que o acesso ao crédito para uma empresa com um projeto exportador viável e competitivo (especialmente se for de pequena ou média dimensão) em Portugal é efetivamente mais difícil e com condições mais onerosas do que noutros países da europa central. Isto coloca Portugal em desvantagem face a outros países como destino de investimento, não existe um “level plaing field”, algo em que a Europa não devia, mas está claramente a falhar.

    Contudo aqui o busilis da questão está na forma de seleção dos projetos a apoiar, se serão realmente projetos viáveis e competitivos, ou se serão mais uns resorts em reservas naturais e apoio camuflado a grandes empresas/bancos/empresas publicas.

    Infelizmente a verdade é que os níveis de confiança no profissionalismo e isenção de pessoas em cargos de responsabilidade é muito baixo atualmente pelo que é difícil confiar que será possível seleccionar efetivamente projetos competitivos e viáveis que gerem mais valias para o país, em vez de ser uma forma camuflada de esbanjar dinheiros públicos e animar a economia de forma estéril no período pré-eleitoral e eleitoral….

  10. Rui

    Mário Amorim Lopes,
    Permita-me discordar, mas o que disse não é verdade.

    Quanto a “investidores de risco” em Portugal, não pude deixar de sorrir….Para a EDP, CTT, mesmo a TAP com alguma dificuldade, existem investidores (mas esses não são propriamente de risco…).

  11. k.

    “Mário Amorim Lopes em Janeiro 28, 2014 às 18:36 disse: ”

    Li; De facto, muito divertido!

    Agora, se quer um estudo sério, leia este:

    http://www.nber.org/papers/w3546.pdf?new_window=1

    Verá que a causa do referido prolongamaneto foi a obstinada política do Fed, e uma aversão a medidas expansionárias,
    Curiosamente, muitos paralelos entre a crise Europeia de hoje..

  12. k.

    Mário Amorim Lopes em Janeiro 28, 2014 às 22:17 disse:

    Pois, é esse o problema de Portugal.. um projecto pode ser interessante, mas é impossivel demonstrar que será rentável: Existe risco.
    Em Portugal, as instituições financeiras são completamente aversas ao risco, portanto a não ser que o seu projecto esteja ligado a captar uma qualquer renda, esqueça.

  13. k., esse artigo do Brad De Long, assumidíssimo Keynesiano (não que isso lhe tire valor, acho até interessante que os economistas assumam a sua posição ideológica), é mais uma crítica à teoria dos RBCs do que propriamente uma defesa do New Deal. O diagnóstico foi mal feito. A depressão de 1929 começou quando o Fed decidiu subitamente cortar liquidez, temeroso que uma bolha estivesse para acontecer. E isso levou aos bank runs e à contração imediata da procura.

  14. k.

    A depressão de 29 começou com o crash bolsista, e subsequente desestabilização do sistema financeiro – porque o fed não teve uma politica expansionista.

    Não defendo todas as politicas do new deal, é certo – mas afirmar que estas “atrasaram a recuperação em 7 anos” é completamente exagerado;
    A verdadeira causa não são essas politicas, foi sim a falta de uma politica expansionária do FED

    Outro ponto:
    “k., esse artigo do Brad De Long, assumidíssimo Keynesiano”
    Da página da wikipedia dele, aparentemente ele assume-se como um “free trade neo liberal”.
    De facto, a generalidade dos “keynesianos” não o são – simplesmente levaram com esse “rótulo” porque a ciencia económica propõe uma politica expansionária e contraciclica, e isso não entra na narrativa poltica conservadora.

  15. Surprese

    Parece-me que mesmo neste fórum, frequentado por pessoas cultas e conhecedoras, existe algum desconhecimento sobre como funciona um organismo público.

    O Banco de Fomento irá financiar projectos cujos promotores sejam amigos/conhecidos de quem tem a caneta para assinar, ponto final.

    Esqueçam a valia dos projectos, esqueçam a falta de apetência para o risco da banca comercial (verdade), esqueçam a fraca difusão do capital de risco e de business angels… Tudo isso são justificações para os políticos (alguns) fazerem o que mais gostam: ‘dar’ dinheiro dos outros a quem lhes financia as campanhas ou arranja bons tachos.

    A isto chama-se capitalismo de compadrio.

  16. Andre

    Cuiriosamente, fiz uma análise no final de 2012 aos activos bancários espanhois e às perdas identificadas aquando do bail out aos bancos espanhois. Os campeões nacionais das perdas foram das cajas, bancos geridos por administrações nomeadas por políticos.
    Na alemanha os landesbank foram igualmente campeões das perdas no sector bancário. E finalmente temos em Portugal a CGD, outra instituição que só não é mais campeã das perdas porque temos um caso de fraca gestão no sector privado, a saber o BCP. Penso que isto diz tudo o que há a saber sobre bancos do sector público, seja qual for a sua função.

  17. lucklucky

    ” Da página da wikipedia dele, aparentemente ele assume-se como um “free trade neo liberal”.”

    Isso é completamente falso. É só ler o que ele escreve e quem ele defende.

  18. JS

    A “nova Europa”. Apenas foi preciso criar uma “nova” instituição capaz de controlar as “novas” relações financeiras entre a “nova Europa” e um “velho protectorado”, um tal “Portugal”.
    Entretanto tira-se o desasjustado impecilho, “a velha CGD”, “o velho sistema”, do circuito.
    “The King is dead god save the King”

  19. «” Da página da wikipedia dele, aparentemente ele assume-se como um “free trade neo liberal”.”

    Isso é completamente falso. É só ler o que ele escreve e quem ele defende.»

    Em norte-americanês, “neoliberal” é o equivalente a “terceira via” na Europa (Blair e afins…), correspondente no essencial à política de Bill Clinton (combinando acordos de comércio livre com politicas internas moderadamente redistributivas)

  20. Pingback: Acerca do “banco de fomento”. | O Insurgente

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