Eppur si muove!

Para além de outras virtudes, o artigo de Ricardo Campelo de Magalhães (que não subscrevo na íntegra) tem o mérito de fazer saltar alguns coelhos da toca. Um deles é esta ideia, que aparece pela pena de João Miguel Tavares num comentário ao seu próprio artigo:

“(…) Mas isso não torna esta lei menos justa quando olhada da perspectiva de crianças que hoje em dia não têm o mesmo direito das outras, que é verem legalmente reconhecidos dois progenitores que elas tratam como tal.”

Ora o ponto continua a ser este. Por mais voltas que se lhe dê continua a haver este pequeno problema: os progenitores não são aqueles que a lei reconhece como tal, mas a moça e o moço que, juntando os trapinhos ou não, juntaram, com sexo ou sem ele, aquela coisa de que se fazem as criancinhas.

Não se trata de Direito Natural, nem de preconceitos religiosos, nem nenhuma dessas coisas medonhas de outros tempos. Trata-se apenas de conseguirmos aceitar a realidade tal como ela é. E, por vezes, a vida é madrasta.

5 pensamentos sobre “Eppur si muove!

  1. “(…) Mas isso não torna esta lei menos justa quando olhada da perspectiva de crianças que hoje em dia não têm o mesmo direito das outras, que é verem legalmente reconhecidos dois progenitores que elas tratam como tal.”
    Coitadinhas das crianças que são obrigadas a viver com essa preocupação legal premente.
    Ainda por cima, crianças que vivem com os avós… https://pt.wikipedia.org/wiki/Progenitor

  2. Luís Lavoura

    Este argumento aplica-se contra toda e qualquer adoção e coadoção, seja ela por homossexuais ou heterossexuais.
    Por este argumento, jamais se aceitaria qualquer adoção: os pais reconhecidos pela lei seriam sempre e somente os biológicos.
    Ou seja, por este brilhante argumento pura e simplemente não haveria adoções.
    (O que aliás seria ótimo para certos setores de negócio em Portugal, que teriam mais clientela, paga pelos contribuintes.)

  3. povão

    !º Exemplo

    A Constituição permite a perigosa adoção e o casamento . Em relação à co-adopção veremos …
    E a cegueira do 25 de Abril está alastrando…
    (a cegueira do PS , o errado oportunismo eleitoral do PSD e os “maricas” do CDS)
    A CO-ADOPÇÃO – Como defender os Direitos das Crianças . Como defender os Direitos das Minorias segundo Isabel Moreira … esta fofa Isabel do PS virou fufa e deixou o marido .
    Suponhamos que este hibrido é fertilizável e decide produzir um filho “in-vitreo”.Entretanto casa com a fufa Maria. Duas mães . Pai omisso . A fufa Maria co-adopta este menor o que faz cessar todos os laços familiares do menor com a família de Isabel (vd. Lei da Co-adopção) . Entretanto a Isabel falece . Posteriormente falece o ex-avô Adriano , pai de Isabel . Assim , o menor já não herda a fortuna do ex-avô Adriano . E mesmo que herdasse , haveria sempre o perigo desta fortuna ser desbaratada pela fufa Maria que entretanto havia encetado relações duvidosas , pondo até em perigo não só aquela fortuna como também o próprio menor. Chama-se a esta chafurdice “defender os Direitos das Crianças” !…
    Abre Núncio !!!
    2º Exemplo
    Henrique tem relações sexuais com Maria e emigra desconhecendo a posterior gravidez de Maria . Desconhecem o seu paradeiro decorridos 10 anos até ao regresso de Henrique à sua à sua terá natal . Entretanto a Maria havia registado o filho Francisco com pai incógnito . Posteriormemnte casa com Xavier que irrevogavelmente co-adopta o Francisco . Após o seu regresso confirma que Francisco é seu filho biológico . QUID JURIS ???
    3º Exemplo
    João casa com Maria e têm uma filha Joana . Maria falece e João assume-se homossexual e casa com Malaquias que irrevogavelmente co-adopta a Joana . João falece .
    Malaquias desbarata a fortuna herdada por Joana . Joana ainda menor é engravidada por Malaquias . E tudo isto aos olhos dos impotentes “ex-avós” maternos e paternos da Joana . Quid Juris ?
    4º Exemplo
    Alberto e Laura casam e têm o filho Manuel . Alberto falece . Laura assume-se como lésbica e casa com Odete que irrevogavelmente co-adopta o Manuel .
    Laura falece . Ainda menor , Manuel engravida a Odete . Quid Juris ?
    P.S.
    Não nos parece que exista aqui um direito à adoção(ou co-adopção) por casais homossexuais da mesma forma que não existe para os casais heterossexuais. O direito à adoção deve ser da criança e não dos adultos e é sobre esta perspetiva que deve ser analisado e decidido quem pode ou não adotar(ou co-adoptar) , sejam casais homossexuais ou casais heterossexuais …

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