Folgo em saber que não é só o FMI que se engana

Há pouco mais de um ano, um grupo de ilustres personagens lideradas por Mário Soares publicava uma “Carta Aberta” (aqui republicada pelo também signatário Daniel Oliveira) do qual destaco os seguintes parágrafos.

No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.

O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.

28 pensamentos sobre “Folgo em saber que não é só o FMI que se engana

  1. RR

    Com receitas extraordinárias,e como tal irrepetíveis, provenientes do perdão fiscal, é uma verdadeira consolidação orçamental,

  2. Miguel Noronha

    O perdão fiscal é sensivelmente igual à diferença entre o defice acordado e o verificado. É uma receita significativa mas mesmo sem ele teria sido cumprido o objectivo.

    CORRECÇÃO: As estimativas apontam que o défice tenha ficado 1748 milhões abaixo do acordado e a receita do perdão fiscal terá sido 1253 milões. Cerca de 2/3 do primeiro valor.

    Já agora, como recordo o António Costa no DE, o valor estimado para este era 700 milhões e muitos (incluido o sindicatos dos trabalhadores dos impostos, que costumam ter uma boa noção destas coisas) dizia que era inatingível a 2 ou 3 meses do fim do ano.

  3. Miguel Noronha

    Contas do Paulo Trigo Pereira seria 5.33% para um objectivo de 5.5% incrito no OE 2013. O valor verificado foi 4.56%.

  4. RR

    Acabei de ler o texto dele no Público.De muito boa qualidade .Uma última questão: o Eurostat pode admitir no défice em contabilidade nacional,a inclusão das receitas do perdão?

  5. JgMenos

    Algum do dinheio do perdão fiscal vai ser devolvido; ceio que houve pagamentos que não interromperam a reclamação judicial
    De qualquer modo de boa conta externa o que se traduz numa não despesa pelo avbaixamento dos juros que mais que compensará.

  6. jo

    Pensava que o défice para 2013 era 3%.
    Se quiser o número da lotaria desta semana também lho posso dar, mas só na próxima terça-feira.

  7. Miguel Noronha

    ” o Eurostat pode admitir no défice em contabilidade nacional,a inclusão das receitas do perdão?”
    Não faço ideia mas não li nada em contrário.

  8. Miguel Noronha

    “Pensava que o défice para 2013 era 3%.”
    Foi renegociado com a “troika” e no OE2013 já se previa 5.5%. Mas presumo que esteja a critica os que não altura disseram que mesmo assim era um objectivo irrealista.

  9. Luís Lavoura

    Eu creio (posso estar enganado) que o Orçamento de Estado que foi apresentado “há pouco mais de um ano” não foi, de facto, cumprido. O que foi cumprido foi um Oçamento Intercalar apresentado alguns meses mais tarde.

  10. PeSilva

    Miguel Noronha:
    “Foi renegociado com a “troika” e no OE2013 já se previa 5.5%.”

    A sério?
    Ops ….

    Orçamento do Estado para 2013:
    2.ª Opção — Finanças públicas e crescimento:
    a estratégia orçamental
    2.1 — Estratégia de consolidação orçamental
    2.1.1 — Revisão dos limites quantitativos do Programa
    de Ajustamento Económico
    Na sequência das Conclusões do Eurogrupo de julho,
    durante o quinto exame regular ao Programa de Ajustamento
    Económico, foi acordado com os nossos parceiros
    internacionais a revisão dos limites quantitativos para o
    défice orçamental.
    Tais limites, em percentagem do PIB, passaram para
    5 % em 2012, 4,5 % em 2013 e 2,5 % em 2014. Desta
    forma, foi adiado por um ano o cumprimento do limite de
    3 % para o défice orçamental previsto no procedimento
    europeu que visa evitar défices orçamentais excessivos.

  11. tina

    Bem lembrado!

    “Atirar o país para o abismo”, “aprofundar a recessão”, ahahahahahaha!

    É muito divertido como a Internet está a apanhar tanta gente em falso! Talvez daqui para a frente deixe de haver menos verborreia e mais cuidado com o que se diz.

  12. Lucio

    O Daniel Oliveira, mais conhecido pelo Azeitona Vermelho, acerta sempre,
    É uma inteligência e um poço de sabedoria, Nunca hesita a dizer um disparate e raramente se engana.
    O rapaz tem futuro,
    BMW já tem, come do bom e do melhor, não fora a bebida e tinha lugar garantido no M, da Agricultura a apanhar nabos

  13. Pisca

    É bom vir ao Insurgente de vez em quando, para saber que Portugal é um Paraíso e dentro em pouco ainda vamos ser melhor

  14. PeSilva

    Miguel Noronha
    “Lamento infomá-lo mas no OE2013 o limite acordado já era 5.5%”

    A seguinte frase é do OE de 2013:
    “Tais limites, em percentagem do PIB, passaram para 5 % em 2012, 4,5 % em 2013 e 2,5 % em 2014. ”

    Mas se o Miguel diz que está errada, quem sou eu para desdizer …
    Fica o link: http://dre.pt/pdfgratis/2012/12/25201.pdf
    (pág 7)

    Já agora, convém informá-los que se enganaram nos números …

  15. PeSilva

    Já agora:
    As metas foram revistas para:

    (em Setembro 2012)
    2012: 5%
    2013: 4,5%
    2014: 2,5%

    (em Março 2013)
    2013: 5,5
    2014: 4%

  16. PeSilva

    RR
    “PeSilva,sem a recapitalização do Banif,o défice seria de 4,5”

    Não estou a contestar nada a não ser a frase do Miguel Noronha:
    “Foi renegociado com a “troika” e no OE2013 já se previa 5.5%.”
    O que não é verdade, pois no OE estava previsto um défice de 4,5%.

    Não deixa de ser curioso que quem ataca os erros dos outros, mesmo quando se lhes prova que erraram não o admitem.
    Os dados estão todos ai, mas o Miguel virá dizer-me que estão errados, foram os tipos do DR que se enganaram, assim como todos os jornais que apenas noticiaram a revisão para 5,5% apenas em Março de 2013.

  17. PeSilva

    RR
    “PeSilva,sem a recapitalização do Banif,o défice seria de 4,5″

    Mas se quiser ser picuinhas, ainda hoje a ministra das finanças disse que o défice de 2013 sem medidas extraordinárias seria de 5,2% Como o previsto era de 4,5%, o défice previsto não foi cumprido.
    Como a carta referida é da altura de uma meta de 4,5% … este post é apenas ilógico.

  18. Brytto

    Seja como for, já se cumpriu em 2013 o défice ambicioso defendido para 2014 pelo deputado Seguro, ou seja, “pelo menos 5%”. Estou certo que deve estar muito satisfeito com esta performance do PAÍS 🙂

  19. Rogerio Alves

    Sem surpresa. A maior parte dos comentadores progronostica, como se sabe, sempre a verdade absoluta. Tomara eles ter o bom-senso do João Pinto que o aconselha a fazer no fim do jogo. Mas eles, na verdade, querem lá saber. O mais distinto desses, quanto a mim, é o Pedro Marques Lopes que – para cúmulo e para que as pessoas percebam bem a sua iluminada mensagem – repete sempre o que diz (e com outra inflexão na voz). Às vezes, mais do que uma vez. Ultimamente só diz que o défice de 2014 de 4% não se vAI cumprir. Não se vai cumprIR.

  20. Rodrigo

    Factos são factos. Objetivo alcançado. Parabens. Foi conseguido à custa de um “brutal aumento de impostos”. O resto está por fazer. Custa-me dizer isto mas é a verdade. Nada de efectivamente relevante foi feito para sustentar a descida do deficit nos anos vindouros.

  21. José Silva vaz

    Se tivessem apertado um bocadinho mais nos impostos até já não haveria deficit, a menos que como é costume nestas coisas alargassem um pouco mais o perímetro de consolidação como se costuma dizer.E talvez com um pouco mais de esforço da riquíssima classe média dos reformados e porque não dos desempregados teria também sido possível por em muito melhor ordem as contas dos Bancos , limpando-os desse lixo tóxico que são os títulos da dívida que de uma maneira ou outra foram obrigados a engolir…Quanto a tudo o mais nada foi feito nem poderia ser já que está tudo a preceito para poder continuar a obra que há vários anos tem vindo a ser desenvolvida pelo arco da governação …Só podemos estar de parabéns

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