Porquê Hemingway?

A minha educação literária foi e é muito influenciada por Hemingway. Porquê? One word: “Fiesta” (ou “The sun also rises”, com uma fabulosa adaptação para o cinema, de 1957, com a Ava Gardner a representar uma estonteante Lady Brett Ashley).  A capacidade de Hemingway para compor uma história e omitir menções directas ao problema central  (a impotência sexual de Jake em “Fiesta”)  foi o que me conquistou. Mas, agora que leio o “Jardim do paraíso” (confesso que por mim, o filme de Jonh Irvin seria censurado por violar a memória de Hemingway com base no nível de foleirice intrínseca), percebo que não foi apenas isso mas, também, a facilidade com que este suicidazinho me manipula quando, no fim de uma página descritiva e quase – sublinhe-se o “quase” – boring, prestes a virar a página, leio a seguinte frase “no café pegou no jornal e pediu um fine à l’eau porque se sentia vazio e deprimido por ter feito amor”. Caramba.

(Ah, claro, depois vi o Clive Owen – suspiro prolongado – a representar um sensualíssimo e brutal Hemingway e percebi que adorava “Papa” porque me apresentou a Martha Gellhorn, uma mulher que “amava a Humanidade mas detestava pessoas”.)

2 pensamentos sobre “Porquê Hemingway?

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