Manias da comunidade feminina insurgente*

pg wodehouseComo dizia o Lord Goring, a única coisa sensata a fazer com um bom conselho é passá-lo a outra pessoa. Ora qualquer conselho meu seria inevitavelmente bom, pelo evito dá-los, sabe-se lá onde vão parar. Mas abro aqui uma exceção, que se tratam de coisas importantes. Vale a pena irem ler o que a Graça tem escrito no Rua Direita. Aqui têm uns mimos sobre o P. G. Wodehouse – e é condição necessária para entrar na sociedade secreta insurgente uma leve obsessão pelos livros de P.G. Wodehouse, somos obrigados a revelar quais os títulos preferidos de cada um (os meus são Aunts Aren´t Gentlemen e The Mating Season), está em avaliação a criação entre os insurgentes de um banco de segredos semelhante ao do sindicato dos mordomos, e já enviámos para os vários grupos parlamentares uma proposta de lei de criminalização das traduções de P.G. Wodehouse e para o internamento compulsivo de qualquer pessoa que leia o autor noutra língua que não a original. E já que estou em maré de dar conselhos, recomendo vivamente que se adquiram as novas edições da Everyman, que são lindas (está um exemplo ali em cima) e têm os livros todos, Wooster & Jeeves, Blandings Castle, Psmith e muitos etc.

Para manter o nível depois do P.G. Wodehouse, de que poderia a Graça escrever de seguida? Acertaram: sobre o Colin Firth. De resto, sobre o primeiro avistamento de Colin Firth da minha vida, no Valmont, de Milos Forman (que claro que já teve direito a post meu noutros lados). E a maior evidência que alguma vez poderei apresentar de que os adolescentes são parvos é a minha preferência, nesses anos felizmente já ultrapassados, pelo Vicomte de Valmont de John Malkovich em vez do de Colin Firth. Quanto à cena do lago que a Graça refere: caros leitores (ou, pelo menos, leitoras) dirijam-se a este post aqui da sociedade secreta.

*(que estou certa que a Daniela e a Elisabete estão inteiramente de acordo com a Graça e comigo).

7 pensamentos sobre “Manias da comunidade feminina insurgente*

  1. Muito bom e muito melhor que aventais e outros ritos iniciáticos.

    Só não acho necessária a criminalizarão da leitura em tradução. Os tradutores às vezes fazem milagres.

    Claro que não sei se será o caso, porque não fiz outra coisa que não fosse ler no original, claro.

  2. Surprese

    A assumida preferência por Valmont é escandalosa para uma mãe de família.
    Mas o que seria a vida sem sal e pimenta?

  3. Pingback: Bárbara | O Insurgente

  4. António

    Cara Maria João,
    a propósito de Valmont e da troca de cumprimentos da Graça para consigo, permita-me que lhe ofereça a transcrição de duas cartas, quais blogues do século XVIII (o francês do texto é coevo, podendo haver ainda uma ou outra gralha):

    «Lettre XII
    Cécile Volanges à marquise de Merteuil
    Maman est incomodée, madame; elle ne sortira point, & il faut que je lui tienne compagnie: ainsi je n’aurai pas l’honneur de vous accompagner à l’opéra. Je vous assure regrette bien plus de ne pas être avec vous que le spectacle. Je vous prie d’en être persuade. Je vous aime tant! Voudriez-vous bien dire à M. le chevalier Danceny que je n’ai point le recueil dont il m’a parle, & que s’il peut me lapporter demain, il me fera grand plaisir? S’il ient aujourd’hui, on lui dira que nous n’y sommes pas; mais c’est que maman ne eut recevoir personne. J’espere qu’elle se portea mieux demain.
    J’ai l’honneur d’être, &c.
    De … ce 13 août 17…

    Lettre XIII
    La marquise de Merteuil à Cécile Volanges
    Je suis très-fâchée, ma belle, & d’être privée du plisir de vous voir, & de la cause de cette privation. J’espere que cette occasion se retrouvera. Je m’acquitterai de votre commission aiprés du cevalier Danceny, qui sera sûrement três-fâche de savoir cotre maman malade. Si elle veut me recevoir demain, j’irai lui tenir compagnie. Nous attaquerons, elle & moi, le chevalier le Belleroche [(aparece em nota) C’est le même dont il est question dans les lettres de madame de Merteuil] au piquet; & en lui gagnat son argent, nous aurons, pour surcoît de plaisir, celui de vous entendre chanter avec votre aimable maître, à qui j ele proposerai. Si cela convient à votre maman & à vous, je réponds de moi & de mês deux chevaliers. Adieu, ma belle; mês compliments à ma chere madame de Vounges. Je vous embrasse bien tendrement.
    De … ce 13 août 17…»

    In: Les liaisons dangereuse ou letters…, par M. C. de L, Tome I, A Geneve, 1784, p. 35,36

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