Ainda a manipulação estatística

Ainda em relação a esta suposta manipulação estatística que afinal não o foi, convém ler este artigo do Pedro Romano, no Desvio Colossal, que explica de forma mais clara o que tentei expôr aqui.

No post anterior, lancei algumas hipóteses sobre o que poderia explicar a subida de trabalhadores com horário efectivo de trabalho inferior a 10 horas semanais. Entre essas hipóteses, estavam empregos no turismo, nas colheitas ou simplesmente o abrandamento do número de horas dos trabalhadores independentes. O Pedro Romano abriu uma segunda possibilidade: aquele aumento se dever ao facto de empregados a tempo inteiro simplesmente trabalharem menos horas. Os dados do INE parecem confirmar essa possibilidade. Observe-se o gráfico abaixo

tempocompl

Fonte: INE

Como se pode observar, todo o crescimento no número de trabalhadores com horário efectivo de trabalho inferior a 10 horas se concentra entre os trabalhadores a tempo completo. Ou seja, trabalhadores normais, com horário completo mas que, por qualquer motivo, não precisam de trabalhar mais de 10 horas por semana no período de Verão. O INE não fornece dados para entender onde se concentra este efeito, mas muito provavelmente o sector da educação será um dos grandes contribuidores. Afinal, não existem muitos outros sectores onde prevaleçam contratos a tempo completo mas cuja carga de trabalho decresça de forma tão brutal no Verão. O que o Ricardo Paes Mamede terá descoberto, inadvertidamente, é que os professores da escola pública não têm trabalho suficiente no Verão.

6 pensamentos sobre “Ainda a manipulação estatística

  1. economista

    O Departamento de Relações Internacionais de um Banco para analisar o seu mercado de serviços , decidiu fazer uma estatística do seu movimento interno de export-import , fazendo a comparação com as estatísticas nacionais do INE . Desistiu . Concluiu que os números nacionais não eram credíveis .
    Assim , hoje apetece invocar o castigat ridendo mores , vendo estas inocentes elites masturbarem-se com as noticias sobre as nossa exportações quando sobre as quais se desconhece até a suja rentabilidade . E isto a par de um (des)Governo , mentiroso compulsivo que com a sua vergonhosa , desonesta e permanente propaganda politica se masturba com falsas variações ao ritmo das décimas ou centésimas . E isto só pega num Povo que não sabe português nem matemátca … Verdade ???

  2. k.

    “economista em Janeiro 10, 2014 às 15:50 disse:
    O Departamento de Relações Internacionais de um Banco para analisar o seu mercado de serviços , decidiu fazer uma estatística do seu movimento interno de export-import , fazendo a comparação com as estatísticas nacionais do INE . Desistiu . Concluiu que os números nacionais não eram credíveis .”

    Qual o banco?
    Porque não eram crediveis, e porque não são crediveis, segundo o banco?

  3. jo

    O horário dos professores é sempre de 40 horas. Não são é todas horas letivas. O horário não se suspende durante os períodos de paragem de aulas, as tarefas é que são outras.
    Do mesmo modo não podemos considerar que uma pessoa que trabalhe 40 horas tenha um horário efetivo de 0 horas porque está de férias, ou que um motorista quando não está a conduzir não esteja a trabalhar, por ex..
    A explicação tem de estar noutro lado

  4. lucklucky

    “A explicação tem de estar noutro lado”

    Também me parece.
    Há ainda o caso dos pequenos agricultores que foram obrigados a registar-se nas finanças.

  5. José Silva vaz

    Quando a interpretação das estatísticas sobretudo a nível de emprego , duração do trabalho necessita de interpretações especulativas estamos muito mal….A complexidade é sempre gerada pela necessidade de abandalhar a leitura das ditas estatísticas com o fim de demonstrar uma qualquer ideia politicamente interessante ..É o que se faz de há muito tempo a esta parte

  6. Francisco Miguel Colaço

    Povão,

    A incapacidade de a esquerda perceber conceitos simples de matemática é a coisa menos sazonal que existe. Houve 122 mil novos empregos criados em 2013 contra 100.000 destruídos. O problema de Passos Coelho não é de mentir. É de não ter distinguido claramente que estava a falar de novos empregos, ou pelo menos tendo em conta apenas o II e III trimestre. Meteu as mãos pelos pés, é bem certo, mas não mentiu.

    Eventualmente poderemos chamar à escarralhada neo-totalitária e socialista mentirosa crónica, mesmo conhecendo a sua incompetência recheada de vaidosa desonestidade. E, sem reticências, digo e afirmo e concluo que não é possível encontrar provas concretas de vida inteligente nos BE, no PCP, no PS e nos similares neo-totalitários; e esta existe, mas é tão raramente encontrada nos partidos da maioria, que sou tentado a usar a distribuição de Poisson para a descrever estatisticamente.

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