Bebida Oficial Insurgente: Gin Tónico

gin tónico 2O Rui Carmo bem tentou aliciar-nos para o Bushmill´s, mas foi clamorosamente rejeitado. Se alguma vez notarem que as opiniões insurgentes estão assim um tanto desconchavadas, a culpa é do gin tónico. Não é tanto pelo efeito do álcool (já estamos mais ou menos imunes), é mesmo porque nos entregámos às drogas: the gin and tonic is not just a drink; it’s a drug.

(Nota: eu também gosto de gin fizz, mas como a Simone de Beauvoir também apreciava a bebida, o preconceito insurgente contra os apoiantes soviéticos e contra os franceses levou a que esta bebida nem sequer chegasse à fase das candidaturas oficiais. Fica a denúncia.)

Livrarmo-nos dos Miró ou não nos livrarmos dos Miró?

Não tenho uma opinião definitiva sobre esta questão da venda dos Miró. O meu coração diz-me que o melhor é despacharmos aquilo tudo rapidamente, ficarmos com o dinheiro que se conseguir (estamos ainda mais ou menos falidos) e pronto. Mas, racionalmente, não sei se a melhor opção não seria algo parecido com o que o José Meireles Graça propõe.

(Não é que concorde com o José Meireles Graça nesta opinião de que o que veio depois do impressionismo foi o descalabro. Eu, que sou dada às artes visuais, aprecio muito quase tudo o que veio a seguir ao impressionismo. Kirchner, Klee, Kandinsky, Piet Mondrian, Georgia O´Keefe, são alguns dos meus pintores favoritos. Compraria o surrealismo todo e simplesmente adoro pop art e hiper-realismo. Raramente desgosto de algo pintado com aguarelas ou que venha da América Latina. Até ao realismo socialista acho piada. Tenho algumas aversões estéticas, no entanto, e as coisas que Miró pintou são, para mim, verdadeiramente repelentes – seguidas de perto pelas de Lucian Freud e Paula Rego.)

Que fique claro, portanto, que em nenhum momento devo ser confundida com os maluquinhos que vêem grande benefício em dotar o estado de dezenas de Mirós. Quando muito, guardamos uma meia dúzia e enviamo-los, como castigo, para exposição no gabinete de Mário Soares, Jorge Sampaio, de António Costa, para as salas do grupo parlamentar do BE e outros locais semelhantes. De resto, considero que a prova definitiva de que algo de muito estranho se passava no BPN é mesmo esta decisão de andar a comprar Mirós às dúzias (comprar um poderia ter sido erro por um entusiasmo momentâneo, comprar dois faz soar todos os alarmes, comprar dezenas de Mirós é algo que nem consigo qualificar) e se o Banco de Portugal, a AR, os governos ou o ministério público tiveram conhecimento deste facto, foi criminoso não agirem de imediato.

Em suma, apesar da provação que seria manter tantos Miró no país por longos anos, penso que se deve ponderar qual a solução financeiramente mais proveitosa e escolhê-la.

O meu texto de hoje no DE, à volta dos convites ao consenso para as obras públicas prioritárias

Com incursão até à China – muito adequado, que hoje começa o Ano do Cavalo.

«Acordo para Gastar

O exemplo mais gritante de desbarato de recursos escassos em obras públicas inúteis vem do outro lado do mundo.

Sucedeu na China, durante o Grande Salto em Frente, com a barragem do Rio Amarelo, que pretendia tirar o sedimento das suas águas, e o reservatório dos Túmulos Ming. Depois de enormes fundos gastos, a primeira levou a que o sedimento no leito do Rio Amarelo duplicasse e a segunda foi abandonada por estar no local errado.
Não nos comparamos com a China de há 60 anos, mas temos também recursos finitos, uma dívida pública colossal a pagar e compromissos internacionais sobre contas públicas a cumprir. O facto de os políticos não se poderem dar ao luxo de construírem, ou promoverem a construção, de todos os seus devaneios com aço e cimento é o maior benefício desta situação financeira apertada.

Um dia talvez seja contabilizado o que foi mal gasto em obras públicas desnecessárias. Só um exemplo: entre 2001 e 2008, em estudos, assessorias e consultadorias com o TGV, que não será construído, gastou-se mais de 90 milhões de euros.»

O resto está aqui.

Esclarecendo o mal-entendido

Miro23Por um motivo completamente alheio às minhas intenções, surgiu o rumor nesta caixa de comentários de que a obra lá representada era um Miró. A obra que ilustra este post é um Guimarães Pinto, e não um Miró menor, comparação que no entanto agradeço. Também não pretendo pintar outros 84 e assim merecer que os contribuintes me paguem 35 milhões de euros, que isso era coisa para me demorar umas boas 3 horas e eu ando muito ocupado.

Fiquei comovido com o facto de alguns comentadores terem valorizado tanto os 5 minutos que passei no Paint. Por isso, disponibilizarei a obra em alta resolução a todos quantos depositarem 0,01 bitcoins nesta conta 16uVFSXGjfHaf1qYkdntpcRJJyoKLTnt7N . Anseio pela oportunidade de ver quantos apreciadores de arte estarão na disposição de gastar o seu próprio dinheiro em algo que, desde que pago com o dinheiro dos outros, aparenta ser tão valioso.

Alguém me explica porque é que não enviam uma cartinha à Carmelinda?

MAS propõe uma candidatura ampla da esquerda, para libertar a Europa da Troika e do desemprego

O I Congresso Nacional do MAS propõe passos reais para uma convergência para as eleições europeias: devem realizar-se encontros entre as várias forças de esquerda que são contra a austeridade e a presença da Troika em Portugal, que não querem o país e a Europa nas mãos dos partidos de sempre.(…)

É isto que queremos debater com a esquerda toda, não só com o LIVRE, o Movimento 3D e o Bloco de Esquerda, mas também com o PCP, com todos os socialistas descontentes ou com o MRPP e o PAN. Não faz sentido estas forças, ou o MAS, ficar de fora de uma Convergência de Esquerda. Enviaremos cartas a todos estes partidos nesse sentido. Está lançado o desafio: o país e a Europa não podem continuar nas mãos de quem os afundou, cabe à esquerda juntar forças para que assim seja.

Uma ideia pirata

Nesta Democracia social corporativa em que vivemos estamos cheios de partidos que a defendem até aos dentes e parece que todos os dias aparecem novos partidos paladinos de ainda mais socialismo e mais corporativismo. Eu já não peço um partido liberal mas pergunto pelo menos para quando um partido antissistema. Um partido pirata onde possam votar quem se queira abster. Os membros desse partido comprometiam-se todos a suspenderem o mandato. Era a forma de termos mesmo lugares vazios na assembleia representando quem não se revê nos partidos existentes.Imagem

Manias de dupla legislação

iOnline: “Ministra da Justiça quer base de dados sobre pedófilos”

Será que a ministra Paula Teixeira da Cruz não conhece o Certificado de Registo Criminal??? Trata-se de “documento comprovativo dos antecedentes criminais vigentes no registo criminal relevantes para o fim a que se destinar o documento ou a sua ausência.”

Para as escolas (e outras entidades em que haja interacção com crianças) evitarem a contratação de pedófilos basta-lhes exigir a apresentação do referido certificado. A criação de uma base de dados é, por isso, redundante.