O regresso à infância do dr. Pacheco Pereira

Vasco Pulido Valente no Público de hoje (via Porta da Loja)

VPV Público281213

Leituras complementares: Cunhal Reencarnou; Um ícone da crise (João Miranda)

45 pensamentos sobre “O regresso à infância do dr. Pacheco Pereira

  1. Tiro ao Alvo

    Como é possível que pessoas inteligentes não vejam que, por qualquer razão, estão constantemente a meter a pata na poça?
    Não há dúvida de que o dr. Pacheco Pereira é um homem inteligência, o que só confirma a regra.

  2. Euro2cent

    A mim não me preocupam as 200 familias, preocupam-me os principios que têm e como isso afecta as restantes.

    As mais impecáveis repúblicas – como a Romana – tinham senados de cerca de 300 elementos que representavam as tais famílias.

    Quem saiba dos 80-20 de Vilfredo Pareto não estranha que uma percentagem significativa de uma riqueza nacional (ou global) seja detida por um número limitado de individuos. Ao longo da história, as variações não devem ser muitas.

    O problema é quão capazes de liderar a coisa e o bem público são esses indíviduos. Os da nossa democracia … enfim …

  3. mggomes

    O problema do Pacheco Pereira – que considero um homem inteligente e culto – são os ódios de estimação que lhe toldam a razão.
    Quando esse ódio é de tal forma exacerbado que se torna maior que a sua própria inteligência, facilmente se apanha essa figura a atacar exactamente o que antes defendia e a combater o que antes advogava.
    Para atacar Passos Coelho, desde há muito alvo especial do odiozinho do JPP, qualquer coisa serve… menos a coerência.
    O que é particularmente triste de ver num homem inteligente,
    E, sublinhe-se, não nutro qualquer ponta de simpatia por Passos Coelho. Seja como PM, seja como membro dessa odiosa classe de profissionais da política, ineptos quando fora da asa do partido ou dos seus ‘cronies’.

  4. tina

    Mais uma tentativa do Pacheco de incitar as massas contra o governo. É por isso que usa as moedas, para as pessoas perceberem bem. Não se lembrou que as pessoas que lhe interessa doutrinar não assistem à porcaria do seu programa.

  5. Nuno Cardoso da Silva

    Estou-me nas tintas para o Pacheco Pereira. Mas alguém tem dúvidas de que a desigualdade é crescente e se tornou pornográfica? Que é totalmente aberrante que 1% da população controle 40% da riqueza? E que isso é o resultado inevitável de um capitalismo arrogante na sua versão mais neo-liberal? Quem defende este sistema predatório, fá-lo com base em quê? Na eficiência produtiva e na capacidade para produzir bens em quantidade, de qualidade e a preço baixo? Mas já alguém reparou – mesmo sem estar familiarizado com as teses marxistas – como essa eficiência aliada ao desespero de ganhar muito dinheiro levou à sobre-produção que, por sua vez, levou ao sobre-endividamento e à crise? O povo gastou de mais? Mas quem o empurrou para contrair crédito para tudo e mais alguma coisa? Cartões de crédito não solicitados, compre hoje comece a pagar de aqui a seis meses, telefonemas a impingir linhas de crédito, etc., etc., etc. O capitalismo é eficiente a produzir, é ineficiente – e até destrutivo – em tudo o resto. Mas nós continuamos a repetir, como um bando de imbecis, que o capitalismo é óptimo e que são os capitalistas que criam postos de trabalho! Como se está a ver…

  6. Francisco Miguel Colaço

    «O povo gastou de mais? Mas quem o empurrou para contrair crédito para tudo e mais alguma coisa?»

    O povo deve ser guiado por uma autoridade central benevolente, porque não pode escolher por si próprio.

    Avante, Camaradas, avante!

    «O capitalismo é eficiente a produzir, é ineficiente – e até destrutivo – em tudo o resto.»

    O capitalismo é ineficiente em tudo o resto. O comunismo é eficiente em tudo o resto. Infelizmente não tem nada produzido que sustente tudo o resto. E, logo, lojas cientificamente geridas com prateleiras vazias.

    «Mas nós continuamos a repetir, como um bando de imbecis, que o capitalismo é óptimo e que são os capitalistas que criam postos de trabalho!»

    Comunistas de todo o mundo, uni-vos e criai empresas e postos de trabalho. Ah, não conseguem, não sabem como, não podem, não querem…

  7. Nuno Cardoso da Silva

    Exigir-se-ia, de alguém minimamente inteligente, que não partisse do princípio que a única alternativa ao capitalismo predatório é o comunismo não menos predatório. Mas para quem não tem argumentos essa visão maniqueísta é a única que permite alguma defesa, por muito esfarrapada que seja, desse capitalismo…

  8. k.

    “Nuno Cardoso da Silva em Dezembro 30, 2013 às 15:13 disse: ”

    Concordo. Infelizmente, por aqui qualquer pensamento de cariz social é imediatamente denunciado como “socialista”.
    Qualquer proposta para aliviar a actual austeridade, de “keynesiano”.

    Quem não está de acordo, “não pode ser liberal”

  9. Miguel Noronha

    “O povo gastou de mais? Mas quem o empurrou para contrair crédito para tudo e mais alguma coisa? ”
    Provavelmente não deviamos dar o direito de voto a quem não tem cabecita para gerir a sua própria vida. E provavelmente de reprodução.

    “Mas nós continuamos a repetir, como um bando de imbecis, que o capitalismo é óptimo e que são os capitalistas que criam postos de trabalho! Como se está a ver…”
    Como se pode verificar estudando um pouco de história.

  10. Miguel Noronha

    “Qualquer proposta para aliviar a actual austeridade, de “keynesiano”.
    Ou de “irrealista” uma vez que continuamo sem acesso aos mercados e estamos limitados ao cumprimento do memorando de entendimento para ter acesso a linhas de crédito.

  11. k.

    “Ou de “irrealista” uma vez que continuamo sem acesso aos mercados e estamos limitados ao cumprimento do memorando de entendimento para ter acesso a linhas de crédito.”

    Não é você que é amigo de um tipo deste governo que foi à grécia, e saiu de lá apelidado de “alemão”?
    Em política, a criação de alternativas é sempre possivel – este governo é que não as quer.

    Ao menos sejam intelectualmente honestos, e assumam-o

  12. Nuno Cardoso da Silva

    “Provavelmente não deviamos dar o direito de voto a quem não tem cabecita para gerir a sua própria vida. E provavelmente de reprodução.”

    Eu diria mesmo mais: não devíamos dar o direito (“dar” o direito?…) de voto a quem não votar no mesmo partido do que eu, porque isso é sinal certo de estupidez…

    É preciso ser-se pelo menos muito ingénuo para não se reconhecer a força que o marketing tem para nos levar a tomar decisões que não são do nosso interesse. Se não fosse assim não havia marketing nem publicidade, que são dois conhecidos instrumentos do sistema capitalista. E por alguma razão o são…

  13. Miguel Noronha

    “Não é você que é amigo de um tipo deste governo que foi à grécia, e saiu de lá apelidado de “alemão”?”
    Agradecia que utilizasse argumentos inteligíveis.

    “Em política, a criação de alternativas é sempre possivel – este governo é que não as quer.”
    Nomeadamente?

  14. Miguel Noronha

    “Se não fosse assim não havia marketing nem publicidade, que são dois conhecidos instrumentos do sistema capitalista”
    Se fosse assim tão eficaz não haveria crises nas vendas. Basteria redireccionar fundos para o marketing e o problema estaria resolvido.
    Mas pelos vistos o livre-arbitrio é coisa só ao alcance de alguns.

  15. Nuno Cardoso da Silva

    “Se fosse assim tão eficaz não haveria crises nas vendas. Basteria redireccionar fundos para o marketing e o problema estaria resolvido.
    Mas pelos vistos o livre-arbitrio é coisa só ao alcance de alguns.”

    Mas de facto é isso que acontece. Face ao excesso de produção desencadeiam-se campanhas de marketing e publicidde, e disponibiliza-se crédito ao preço da chuva para que as pessoas sejam levadas a comprar para lá do que deviam. Quando as pessoas estiverem sobreendividadas, as vendas quebram, as falências aumentam, o desemprego aumenta, entra-se em recessão. Exactamente o que nos aconteceu. E agora venham dizer-nos que a culpa é dos estúpidos dos consumidores que não souberam dizer não atempadamente… Os pobrezinhos dos capitalistas acabam por ser as vítimas da malevolência e estupidez dos consumidores! É uma boa doutrina. Vou passar a ensiná-la aos meus alunos de economia…

  16. Miguel Noronha

    Estou a ver que as empresas para além de dotadas de poderes de persuasão sobre-humanos (em alternativa temos a tese dos pobrezinhos de espírito) são tão maquievélicas que os utilizam em estratégias que as hão de levar à falência.

    Provavelmente devia incorporar esta teoria no programa das suas aulas de economia

  17. Nuno Cardoso da Silva

    “…as empresas para além de dotadas de poderes de persuasão sobre-humanos são tão maquievélicas que os utilizam em estratégias que as hão de levar à falência.”

    Talvez sem se dar conta está a repetir muito aproximadamente o que Marx disse há 150 anos. As crises ocorrem regularmente porque os capitalistas na sua ganância produzem para lá do que os mercados podem absorver, o que leva a colapsos regulares. Não sendo eu um fan incondicional de Marx reconheço-lhe uma argúcia na crítica ao capitalismo que hoje muita falta nos faz. Mas como foi Marx que disse isto há muito boa e santa gente que se recusa a sequer considerar a possibilidade de que ele tivesse razão. Logo, a culpa é dos consumidores e da sua cupidez… Parece a fábula do lobo e do cordeiro…

  18. Miguel Noronha

    Eu não. É apenas o corolário da sua tese.
    O excesso de oferta acontece regular e recorrentemente. É que ao contrário do que achava Marx (e não só) não existe forma de achar esses óptimos sociais. Quando o estado intevem baralhando as informações do mercado (como por exemplo interferindo no mecanismo de preços) não só potência mas criar este tipo de problemas (veja-se as filas na Venezuela). E ao criar constragimentos nos mercados impede uma rápida e eficaz resolução deste tipo de ocorrências e transmite-os ao resto da economia (como por exemplo socorrendo os bancos falidos com dinheiro dos contribuintes).

  19. lucklucky

    “os capitalistas na sua ganância produzem para lá do que os mercados podem absorver”

    Está a falar do imobiliário e dos baixos juros proporcionados pelos governos sociais?

  20. Miguel Noronha

    Para não falar dos benefícios fiscais em sede de IRS.
    Compare-se, por exemplo, este incentivo ao endividamento (a dedução dos juros na compra de casa), com o que era concedido na compra de com meios próprios.

  21. Miguel Noronha

    Outro grande exemplo do “mercado” a funcionar foi a chamada “bolha verde”. Mal se acabaram os subsídios a promissora industria levou um enorme tombo sendo apenas mantido pela regulamentação administrativa.

  22. Miguel Noronha

    Já agora, ainda a propósito dos comentário do Nuno Cardoso da Silva.
    Os poderes “sobre-humanos” que atribui às empresas não me parecem compatíveis com o facto de “cavarem a sua própria sepultura”.

  23. Nuno Cardoso da Silva

    O poder de aliciamento das empresas não é incompatível com a estupidez ou falta de esclarecimento… Mas o problema é mais básico. A lógica do capitalismo é o lucro, e o lucro depende em boa parte do volume produzido. Caso um empresário fosse suficientemente esclarecido para perceber que devia manter a sua produção e não aumentá-la, de certo que haveria concorrentes que aproveitariam essa contenção para expandirem a sua produção, e o resultado final seria o mesmo. Está na natureza do capitalismo produzir demais até que a bolha lhes rebente na cara. E para adiar o mais tempo possível esse estouro, os empresários vão cortar em tudo o que é custos, com especial incidência sobre os custos do factor trabalho. E por isso vão anunciando que os salários em Portugal são demasiado elevados, quando um trabalhador português produz mais 38% que um trabalhador alemão, por cada euro de salário recebido! É porque o problema não está nos salários, mas no baixo investimento, o qual é da responsabilidade do empresário, e não do trabalhador. Mas quantos entusiastas do capitalismo sabem isto?…

  24. Francisco Miguel Colaço

    «Exigir-se-ia, de alguém minimamente inteligente, que não partisse do princípio que a única alternativa ao capitalismo predatório é o comunismo não menos predatório.»

    Diga então o Nuno quais as alternativas, onde foram experimentadas e que resultados obtiveram.

  25. Miguel Noronha

    “O poder de aliciamento das empresas não é incompatível com a estupidez ou falta de esclarecimento…”
    Claro que não mas isso é incompatível com os poderes sobre-humanos de persuasão que lhes pretende atribuir

    Mas o problema é mais básico. A lógica do capitalismo é o lucro, e o lucro depende em boa parte do volume produzido.”
    Depende da margem. Se esta for negativa o tal volume é uma praga e não uma benção, E interessa muito mais a rentabilidade do capital.

    “Caso um empresário fosse suficientemente esclarecido para perceber que devia manter a sua produção e não aumentá-la, de certo que haveria concorrentes que aproveitariam essa contenção para expandirem a sua produção, e o resultado final seria o mesmo. ”
    É para isso que se analisam as vendas e as margens regularmente. E se decidem aumentar a produção, investir em novos mercados ou desivestir e descontinuar produtos. As estrat+egias e decisões perante a mesma situação varia de empresas para empresa. E o grau de sucesso também,

    “. Está na natureza do capitalismo produzir demais até que a bolha lhes rebente na cara
    Completamente errado. As bolhas são normalmente causadas por incentivos exógenos e normalmente fruto da intervenção estatal

    “. Está na natureza do capitalismo produzir demais até que a bolha lhes rebente na cara”
    Não sei qual é a sua experiência. A minha diz-me que são os últimos. Mas também devem ser cortados.

    “É porque o problema não está nos salários, mas no baixo investimento, o qual é da responsabilidade do empresário, e não do trabalhador”
    Nesse caso a solução é simples. Investe-se e estaremos mais ricos. Se isso fosse assim tão simples com todo o chamado “investimento” dos últimos anos estariamos ricos e não na penúria.

  26. Nuno Cardoso da Silva

    “Diga então o Nuno quais as alternativas, onde foram experimentadas e que resultados obtiveram.”

    O regime soviético, pela sua influência e poder conseguiu durante décadas secar quaisquer experiências divergentes, mas mesmo assim podemos dizer que a experiência jugoslava foi um sinal de que era possível socialismo sem centralismo e sem planeamento centralizado. Como a experiência era apesar de tudo dirigista e não criou raízes suficientemente profundas na sociedade jugoslava, tudo se perdeu com a morte de Tito e o desmembramento da Jugoslávia. Mas havia ali coisas merecedoras de alguma análise.

    Algumas experiências sul-americanas podem vir a desembocar numa alternativa viável, embora o grande impulsionador Hugo Chavez tenha desaparecido e tenha como sucessor alguém que parece não estar à altura do desafio. Mas tanto o Equador como a Bolívia poderão ainda surpreender.

    Do ponto de vista teórico permitia-me dizer que um sistema de produção baseado no cooperativismo e no mutualismo podia finalmente resolver os problemas do capitalismo, sem sacrificar nem a liberdade económica nem os mecanismos de mercado. É aliás tema que espero poder vir a desenvolver no âmbito do LIVRE, mas tenho consciência que a transição do modelo capitalista para o modelo cooperativista ou era imposto de forma muito agressiva, ou poderá levar décadas a demonstrar as suas potencialidades. A não ser que uma crise mais aguda do capitalismo abra de repente a porta a uma experiência desse tipo.

  27. Nuno Cardoso da Silva

    “Nesse caso a solução é simples. Investe-se e estaremos mais ricos. Se isso fosse assim tão simples com todo o chamado “investimento” dos últimos anos estariamos ricos e não na penúria.”

    Mas é evidente que a chave é o investimento. É pelo investimento em tecnologia de ponta e em equipamentos modernos nas empresas que se pode melhorar a produtividade do factor trabalho. E é por esta que se pode ser competitivo, e não pelo corte acéfalo dos salários. Só que investir implica muitas vezes cortar nos dividendos, enquanto os cortes nos salários se fazem sem dor para os accionistas. Mais uma prova das vistas curtas dos capitalistas.

  28. Miguel Noronha

    “É pelo investimento em tecnologia de ponta e em equipamentos modernos nas empresas que se pode melhorar a produtividade”
    Permita-lhe que lhe aponte que mesmo pelos paradigmas neoclassico ou keynesianiano isso tem um reflexo negativo no cuto relativo do trabalho em favor do capital. ´

    É claro que é necessário investir. Resta saber onde e investir de forma acefala em tecnologias de ponta (muitas delas com futuro mais que incerto) é parte da explicação da nossa crise.

  29. Miguel Noronha

    O siseta sovietico ou sequer o juguslavo produziram níveis de vida semelhantes ao da Europa ocidental.
    A Venezuela manteve-se graças ao maná do petróleo beneficiando de uma alta histórica. Retirando o efeito do preço petróleo o crescimento foi sempre muito negativo. Até agora ninguém conseguiu reinventar a roda

  30. Nuno Cardoso da Silva

    “Permita-lhe que lhe aponte que mesmo pelos paradigmas neoclassico ou keynesianiano isso tem um reflexo negativo no cuto relativo do trabalho em favor do capital”

    Pode provocar algum desemprego – embora numa economia a crescer ele será rapidamente absorvido – mas os salários reais sobem, pois uma parte desse aumento de produtividade irá remunerar o factor trabalho. Ao longo de toda a minha carreira nunca encontrei uma situação em que o investimento realmente produtivo não gerasse resultados positivos para a economia e para os factores de produção. Mas não pode ser “investimento” do tipo dar aulas de inglês ao pessoal da limpeza…

  31. Francisco Miguel Colaço

    Nuno Cardoso da Silva,

    «podemos dizer que a experiência jugoslava foi um sinal de que era possível socialismo sem centralismo e sem planeamento centralizado.»

    O PIB per Capita da Jugoslávia, mesmo quando comparado com Portugal, mostra quão maus são os resultados desse socialismo de auto-gestão, o qual aliás não dispensava os centralíssimos planos quinquenais.

    «um sistema de produção baseado no cooperativismo e no mutualismo podia finalmente resolver os problemas do capitalismo, sem sacrificar nem a liberdade económica nem os mecanismos de mercado.»

    O Nuno faz a sua cooperativa com quem quiser cooperar consigo. Se ao fim de cinco anos ainda estiver de pé, mostrar-me-á resultados, medidos em euros, em dólares ou em kwanzas. Deverá mostrar quanto facturou, quanto lucrou, quanto foi distribuído aos trabalhadores e aos cooperantes.

    E enquanto o Nuno vai teorizando sobre os males do capitalismo (sem contudo mostrar no terreno qualquer solução viável que não venha ainda, sabe-se lá quando, a surpreender), eu farei os possíveis por nadar nessas águas cheias de tubarões, e talvez até apanhe boleia em alguns deles. Ao contrário dos tubarões comunistas, cooperativistas, institucionalistas, socialistas, comunitários, anarquistas ou democrápulas amaricanos, estes tubarões capitalistas só mordem se você deixar.

    Se não consumir os produtos deles e não lhes der ouvidos, não lhe podem tocar. Todos os outros regumes querem-lhe impor a pitança para eles próprios (os seus dirigentes): a canga para todos e a grilheta para quem ousar discordar.

  32. Miguel Noronha

    Permita-lhe que lhe diga que possui o raro dom de discernir qual o investimento “realmente produtivo”. A produtividade pode aumentar os salários não necessariamente o emprego. Alias o aumento da taxa de emprego fará decrescer a produtividade.

  33. Francisco Miguel Colaço

    «É pelo investimento em tecnologia de ponta e em equipamentos modernos nas empresas que se pode melhorar a produtividade do factor trabalho.»

    Nuno, o Nuno fala como um teórico dos banquinhos de universidade, e provavelmente nunca pisou o chão de uma nave industrial. Acredite de um inginhêro com experiência organizativa que os equipamentos contam menos para a produtividade que os métodos, a função qualidade e o foco para o cliente. Já fiz muitas melhorias de equipamento (in-house, inventadas por mim, que o meu diploma não foi tirado para emoldurar) em diversas máquinas; e mesmo assim reconheço que é melhor usar bem o mau que mal o bom.

    Dê-me um bom designer industrial, com cabeça e bom senso e talento, e eu dispenso o CNC de última geração. Um mau cozinheiro faz uma má omolete, mesmo num forno vitrocerâmico e numa caçarola de marca e a estrear.

  34. Nuno Cardoso da Silva

    “A produtividade pode aumentar os salários não necessariamente o emprego. Alias o aumento da taxa de emprego fará decrescer a produtividade.”

    Imagine uma empresa que, por via de investimento, se torna mais competitiva. Isso pode levar a aumentar (por exemplo) as vendas para o exterior. Se esse aumento o justificar, a empresa vai ter de aumentar os seus quadros de pessoal. Se os novos trabalhadores utilizarem a mesma tecnologia e equipamentos adquiridos no processo de investimento, a produtividade não cairá. A produtividade só diminui quando o emprego aumenta se for emprego a fingir ou se o aumento no emprego for em áreas de fraca especialização. Uma coisa lhe garanto: a produtividade não aumenta por via da baixa dos salários. Quanto muito – e apenas no curto prazo – poderá aumentar marginalmente a competitividade, mas duvido que queiramos entrar em concorrência com chineses, indonésios ou paquistaneses na base de salários baixos…

  35. Miguel Noronha

    Isso pressupõe rendimentos constantes à escala. Algp muito pouco provável.
    Espanto-me sempre com as pessoas que dizem saber como se aumenta a competitividade. Eu diria que isso é assunto de cada empresa. Eu não tenho ambições de me tornar o “planificador central” do soviete lusitano

  36. Nuno Cardoso da Silva

    Carlos,
    A internet está cheia de estudos sobre a experiência Jugoslava e eu posso procurar alguns desses sites. Para já veja aqui, mas há muito mais:

    http://transform-network.net/en/journal/issue-092011/news/detail/Journal/workers-self-management-in-yugoslavia-an-ambivalent-experience.html

    Para ver algumas causas do relativo insucesso da experiência veja

    http://balkanologie.revues.org/681#tocto1n2

    A visão de Tito:

    http://www.marxists.org/archive/tito/1950/06/26.htm

    Ou ainda:

    Click to access REP161000Worke00the0Yugoslavia0case.pdf

    Mas há muito mais. É só ter paciência para procurar.

  37. Nuno Cardoso da Silva

    “Eu não tenho ambições de me tornar o “planificador central” do soviete lusitano”

    Eu também não. Aliás abomino qualquer planeamento central. Eu sou um teórico, nunca geri uma empresa nem acredito que uma empresa gerida por mim sobrevivesse, mas sei que tipo de coisas podem funcionar e que tipo não poderá funcionar. Baixar salários num país que tem uma mão de obra relativamente competente e onde a grande falha está na falta de investimento produtivo topo de gama, é uma dessas coisas que nunca poderá funcionar. E é pena que haja gente com alguma credibilidade, como Vitor Bento, que insista nesse disparate.

  38. Nuno Cardoso da Silva

    “Pelo menos o Vitor Bento tem experiêcia empresarial”

    Já percebi. Então deve ser por isso que ele quer baixar os salários… Não é por ser economista e achar que essa é uma medida economicamente justificável…

  39. Miguel Noronha

    Pensava que se desculpava por ser apenas um teórico.´
    Mas não seja por isso. O Vítor Bento também possui uma sólida base teórica.

  40. rmg

    Nuno Cardoso da Silva

    Desculpe que lhe diga mas V. ficou no Mário Murteira (que conheci) , famoso discípulo de Schumpeter .
    Com um pouco de sorte para a semana (tenho os livros todos dele mas fora de Lisboa) quase que lhe indico o livro e a página onde ele defende o que V. aqui diz , com as necessárias adaptações à nossa época .

    E digo desculpe que lhe diga porque o meu caro admite nunca ter tido que lidar com problemas práticos de empresas e eu nunca fiz outra coisa na vida .
    Na prática a teoria é bem diferente , como se sabe , o investimento é uma coisa linda de dizer quando se exige aos outros mas muito complicada de arriscar quando o dinheiro é nosso .

    PS – Tenho possibilidades de ter carros novos e só os compro em 2ª mão , com 3 anos e 60/70 mil kms , por 60% do preço de novo , com a garantia da marca .
    Sou um consumidor estúpido ou inteligente se comparado com a malta que sabe que só tem dinheiro para um Clio e se endivida (à força , claro!) para comprar um BMW (passe a publicidade) ?

  41. Nuno Cardoso da Silva

    Caro rmg,
    O Mário Murteira foi meu professor, pelo que é natural que alguma coisa tenha ficado… Mas espero bem que eu não me tenha ficado apenas pelo que ele me ensinou.

    Teoricamente – teoricamente! – o investimento é fundamental para aumentar a capacidade produtiva, para melhorar a qualidade dos produtos, para reduzir os custos de produção, para aumentar a produtividade, para preservar a competitividade. Se um empresário não achar que esses benefícios justificam o risco e os custos do investimento, ou já fez tudo o que havia para fazer ou talvez tenha falhado a sua vocação… O problema do investimento está na disponibilidade ou não de capitais próprios ou alheios para o realizar. Se o custo do dinheiro for superior à rentabilidade do investimento, então é difícil investir. A mesma coisa se o investimento colocar a empresa num nível de endividamento incomportável. O que muitas vezes acontece por se terem realizado anteriormente investimentos imprudentes ou injustificáveis. Bem sei que os empresários não têm uma bola de cristal que lhes revele o futuro, mas há erros imperdoáveis que depois põem em causa a sobrevivência das empresas. Tudo isto dito continuo a pensar que só o investimento nos pode tirar do buraco. Fantasias como a redução dos salários ou dos custos sociais só servem para disfarçar a necessidade do investimento. E os empresários que forem por esse caminho no máximo estão a ganhar mais um aninho ou dois antes de terem de fechar a porta.

  42. Francisco Miguel Colaço

    «Eu sou um teórico, nunca geri uma empresa nem acredito que uma empresa gerida por mim sobrevivesse, mas sei que tipo de coisas podem funcionar e que tipo não poderá funcionar.»

    Eu sou um teórico. Nunca fiz uma experiência geológica nem usei um pêndulo como Foucault, mas sei por dedução lógica que os egípcios tinham razão e que o Sol anda à volta da Terra.

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