Uma Questão De Democracia E De Proporcionalidade

Quem seguir regularmente a comunicação social – sempre com o grande destaque dado às greves, indignações dos sindicatos, manifestações, manifestos, aulas magnas e etc. – ficará seguramente (pun intended) com a impressão de que este governo (que foi eleito democraticamente para uma legislatura de quatro anos de acordo com a “sagrada constituição”) assim como os partidos que o constituiem não têm qualquer tipo de apoio popular. No entanto, se repararmos na última sondagem da Aximage de Dezembro para o Jornal de Negócios e para o Correio da Manhã, reparamos que os partidos do governo reunem cerca de 37,9% das intenções de votos (+/- margem de erro). Isto, apesar de toda a “austeridade”, e de ser muito fácil para os partidos da oposição recolherem o apoio dos funcionários públicos (incluindo de empresas públicas) e dos pensionistas.

IntençaoDeVoto

Seria muito bom que a comunicação social desse um destaque proporcional a outros grupos da população muito menos organizados e muito menos privilegiados, designadamente:

  • aos contribuintes que estão fartos de pagar para manterem privilégios de grupos especiais de interesse, para manter empresas públicas e investimentos públicos ruinosos, e de pagar “direitos adquiridos” que eles próprios nunca irão usufruir.
  • aos verdadeiros pobres que não têm voz e não àqueles que reclamam privilégios especiais usando a pobreza como um falso escudo moral.
  • às gerações futuras, que mesmo sem terem aindo nascido, têm uma dívida pública de cerca de 200 mil milhões de euros para pagar (grande solidariedade inter-geracional!)
Anúncios

48 pensamentos sobre “Uma Questão De Democracia E De Proporcionalidade

  1. Rogerio Alves

    Sempre achei a nossa uma democracia côxa por não deter vários dos mecanismos – de democracia directa – que outras democracias dispõe. Os nossos ilustres representantes fazem, aliás, questão de não admitir que as decisões sejam entregues a outralguém que não eles, orgãos de soberania, alguns dos quais – como o cada vez mais proeminente TC – apenas objecto de nomeação. A comunicação social é apenas mais um daqueles que beneficiam do status quo. Devo, contudo, salientar que até padeço da patologia do elitismo, julgando-me melhor do que os outros e, portanto, nem confiando totalmente nas decisões provindas do povinho. No entanto, acredito que, após umas quantas decisões catastróficas e que lhes sairam caras na própria pele, o povo aprendesse a lição e endireitasse. Ora com uma “democracia representativa” como a nossa, onde os decisores nunca sofrem consequências das suas decisões, não há esse efeito benefício da tentativa e erro, logo nunca mudarão…

  2. Francisco Miguel Colaço

    «não há esse efeito benefício da tentativa e erro, logo nunca mudarão»

    Os decisores não erratam. Decidiram para benefício próprio e acertaram plenamente. Eles não têm de mudar. Nós temos de os mudar.

    O Wile «Estado» Coyote está mo meio do precepício, e já começou a apalpar o solo. Está próximo no momento em que percebe que não está a pisar em qualquer coisa sólida.

    E no momento em que o fizer, as leis da física financeira, suspensas em nome da igualdade e da equidade de alguns poucos e da confiança dos que estão a ser desconfiados por todos os outros, sairão da suspensão provocada pela ignorância.

    A queda, é claro, vai ser vista pelo Mundo através de uma pequenina nuvem de pó no fundo do desfiladeiro. Moseravelmente, o Estado somos nós, e somos nós quem partirá os ossos.

  3. Gonçalinho

    Eu não sou, nem nunca fui, estado. O estado é uma coisa abstracta enquanto eu sou — até ver — um indivíduo bastante palpável.

  4. Comunista

    Ninguém em Portugal reclama e chora mais do que um conjunto de ricos com o ASS da Jerónimo Martins e os banqueiros à frente de todos.

  5. Comunista

    E ridículo mesmo é andar a defender que o país siga um determinado rumo sem nunca ter colocado as ideias directoras desse rumo ao sufrágio dos portugueses. Mostrem o que valem, vão a eleições ou não têm coragem de formar um Partido e preferem apenas passar a vida a QUEIXAR-SE dos outros.

  6. Francisco Miguel Colaço

    Gonçalinho,

    «O estado é uma coisa abstracta enquanto eu sou — até ver — um indivíduo bastante palpável.»

    Espero que essa asserção seja feita pela sua esposa e não por si. 🙂

    Infelizmente, somos todos o Estado. Se o Estado vai ao fundo, vamos ao fundo. Somos todos parte interessada nesta paródia de escroques de toga. O que eles acabam de dizer é: somos melhores do que vós, e vocês têm de nos sustentar.

    É a igualdade de alguns. Todos os animais são iguais, mas os burros de togas julgam-se alazões, as raposas têm a chave do galinheiro e os patos são constantemente sangrados para o beneplácito dos ditos canídeos.

  7. Francisco Miguel Colaço

    «E ridículo mesmo é andar a defender que o país siga um determinado rumo sem nunca ter colocado as ideias directoras desse rumo ao sufrágio dos portugueses.»

    E bem pior, Comunista, é defender ideias que deram em grilheta e miséria em todos os lugares onde foram implantadas ou testadas.

    Ainda continuo à espera de um país comunista (ou socialista totalitário) onde a grilheta e a miséria e o medo e a morte não fossem prevelecentes. Não me diga que não tem nem UM de amostra.

  8. Comunista

    E ainda seria interessante ver quem são os verdadeiros pobres do Cesar das Neves e do Insurgente:

    Não são os reformados com pensões baixas porque esses nós vêmo-los a queixar-se;
    Não são os desempregados sem subsídio de desemprego porque também se queixam e como diz o Insurgente não trabalham porque não querem;
    Não são os beneficiários do RSI porque para o das Neves e o direitismo são lords a viver no Café à custa do dinheiro que vos sai do bolso;

    Quem são esses verdadeiros pobres?

    Sabem quem são? Os que existem em obras literárias e no imaginário conservador católico das Neves, são os pobres imaginários. Os pobres do das Neves e do Insurgente são pobres imaginários.

    Quando os pobres reais se mostram, como no caso do Bairro do Lagarteiro, não se vê o das Neves nem o Insurgente a colocar-se do lado deles. Ficaram contra o estado social e a favor da EDP. Esta foi a resposta do Insurgente à questão concreta dos pobres no Lagarteiro naquela altura – abstrações e ideias que nunca tiveram a decência política de levar a eleições.

    Vocês é que querem viver à custa dos votos das pessoas no PSD e no CDS sem nunca lhes ter sido apresentadas ideias como as vossas: vocês são autênticos parasitas políticos.

  9. Comunista

    “Ainda continuo à espera de um país comunista (ou socialista totalitário) onde a grilheta e a miséria e o medo e a morte não fossem prevelecentes. Não me diga que não tem nem UM de amostra.”

    Existem vários. As revoluções comunistas trouxeram em muitos casos uma situação melhor do que aquela que se vivia antes. E ainda, as sondagens na ex-Urss mostram que os locais, os que de facto viveram durante o comunismo, não têm nada essa ideia de que fala. Na URSS é entre os mais velhos, os que viveram de facto no regime comunista que melhor opinião têm do comunismo. Agora eu sei que para você a sua opinião conta mais do que a daqueles que viveram na URSS portanto é um pouco inútil estar a dialogar consigo. Você faz a festa, atira os foguetes e apanha as canas.

    “The groups that miss the Soviet Union most deeply, according to the survey, are pensioners (85 percent), people who say they can’t afford adequate food and clothing (79 percent), those between 40 and 55 years of age (67 percent), and women (63 percent).

    “Only 25 percent of people between the ages of 18 and 24 say they’re sorry the Soviet Union disappeared,” Mr. Volkov adds.”

    (isto não vem de um site comunista)

    http://www.csmonitor.com/layout/set/r14/World/Europe/2009/1223/Why-nearly-60-percent-of-Russians-deeply-regret-the-USSR-s-demise

  10. Francisco Miguel Colaço

    Comunista,

    Prove então que a União Soviética tinha um nível de vida superior ao dos Estados Unidos ou da Europa. E que havia milhões de refugiados económicos estadunidenses em Cuba, mesmo nos tempos em que a URSS dava dinheiro aos cubanos.

    Já mandou esse artigo duas vezes em em duas vezes foi refutado. Se manda a cassete, dou-lhe da sua própria cassete:

    Mr. Putin, now Russia’s prime minister, remains the country’s most popular politician with approval ratings that seldom sink below 70 percent.

    (…)

    Our survey found that only 16 percent of respondents would like to see the Soviet Union restored just as it was,” says Volkov. “This nostalgia is a complicated sentiment, probably explained more by reactions to present conditions than any real desire to return to the past.”

    Do mesmo artigo. Lembre-se de que Putin disse textualmente (deixe-me traduzir): O que não se regozija com o fim da ERSS não tem coração; e aquele que deseja a sua volta não tem cabeça.

  11. carlasofiasaraiva77

    «que foi eleito democraticamente para uma legislatura de quatro anos de acordo com a “sagrada constituição”»

    E que não cumpre nem o programa eleitoral,nem o programa de governo. Grande democraticamente eleito.

  12. Comunista

    Já foi refutado? Grande piada. A maior parte de quem viveu na URSS tem uma opinião favorável e você diz que está refutado. Isso é porque para você a opinião das pessoas não conta. Conta apenas a sua imaginação.

    Depois o ter uma opinião positiva não significa que se queira voltar ao que era d’antes. Eu tenho boa opinião e memórias de namoradas que tive, mas isso não quer dizer que eu queira voltar ao namoro com elas.

    O que isto refuta é a sua propaganda trafulha. Mas, que se lixe, você sente-se bem presumindo que sabe melhor do que os russos o que era viver na URSS portanto é impossível debater isto com você.

    Se eu achar que sei mais de você do que você mesmo e não aceitar nada em contrário é inútil para você discutir alguma coisa comigo. Assim é você em relação aos russos e a URSS.

  13. Francisco Miguel Colaço

    16% de pessoas que querem ver a URSA de volta é uma «opinião favorável»? 70% de popularidade de um líder que rejeita totalmente a União Soviética é «uma opinião favorável»?

    Faz sentido que diga isso: com 10% dos votos os comunistas arrogam-se a querer governar Portugal nas mais ínfimas minudências, com a «legitimidade da rua». E só não fazem a sua revoluçãozinha (lembre-se do artigo que lhe citei em boa hora d’O Avante) porque em 75 bem levaram das libertárias gentes do Norte. E desta vez seria bem pior, que ninguém está para aturar ditadores miseráveis.

    (Entretanto o marxismo cultural, à la Escola de Frankfurt, vem-se tentaculando aqui, na Europa. Dá-se às colheres o que se rejeita aos baldes.)

  14. tina

    Para a esquerda, os pobres são os trabalhadores do estado, que não ganham o suficiente apesar de ganharem mais e trabalharem menos do que os trabalhadores do sector privado.

    Para a direita, os pobres são aqueles que não têm emprego ou trabalham por tuta e meia. Estes é que são as vítimas do peso do estado e dos salários e reformas chorudas dos seus funcionários públicos, que açambarcam o dinheiro todo dos impostos e não sobra nada para o sector privado se desenvolver.

  15. Comunista

    Vejo que você está em dificuldades nesta matéria. Continua a insistir no tema que não está em pauta. Você vem para aqui dizer que a URSS é um inferno sanguinário eu mostro-lhe sondagens onde a maior parte das pessoas que viveram de facto da URSS têm uma opinião positiva e você vem falar de que não querem regressar à URSS. Mas isso não tem que ver com o tema, porque, MAIS UMA VEZ, uma coisa é ter uma opinião positiva outra coisa é querer voltar atrás e repetir a mesma coisa. Você ou finge que não entende isto ou não entende mesmo e então, pouco há a fazer.

    De resto seja o que for a porcentagem que o PCP tem ela é infinitamente maior do que aquela que as vossas ideas têm, porque vocês nunca foram a votos com elas, nunca formaram um partido com base nas vossas ideias, vocês são parasitas políticos, lombrigas que se querem alojar nos interstícios do PSD e do CDS para, de forma subreptícia e anti-democrática, tentar fazer passar as vossas ideias.

    Eu espero que vocês tomem conta do PSD e do CDS mas só na medida em que tenham a coragem política de vir a público, de ir a aleições, com a s vossas ideias, com aquilo que defendem aqui. Tanto mais depressa o PSD é atirado para o cú-de-judas da política. E é por isso que vocês não formam um partido, porque sabem que se expuserem as ideias que lançam aqui numa campanha eleitoral e em nome de um partido que provavelmente andariam a disputar o lugar na tabela com o Partido da Terra.

  16. Comunista

    “Para a direita, os pobres são aqueles que não têm emprego ou trabalham por tuta e meia.”

    Para a direita estes só são pobres se não protestarem contra a sua situação, se não se queixarem, se não se manifestarem, se não se organizarem politicamente. Se o fizerem, mesmo que continuem a ganhar a mesma miséria, passam a parasitas.

    A mesma pessoa, se for pedir uma lata de atum à Jonet, é um pobre, se a seguir essa mesma pessoa for a uma manifestação dos indignados ou da CGTP já passa a ser um parasita.

    Formem um partido com as vossas ideas e exponham-se à democracia. Não queiram apenas agir do poder que alguns capitalistas têm junto de alguns governos, não queiram apenas agir através de pressões obscuras do poder financeiro, mostrem-se ao povo, proponham as vossas ideias, vão falar com as pessoas que recebe o RSI e explicar-lhes porque é que são parasitas.

    Vá, força nisso.

  17. tina

    “Para a direita estes só são pobres se não protestarem contra a sua situação, se não se queixarem, se não se manifestarem, se não se organizarem politicamente.”

    Eles não se precisam de manifestar. A direita e os neoliberais em particular têm-se sempre manifestado por um menor peso do Estado a fim de sobrar dinheiro para a economia e geração de empregos.

    Enquanto a esquerda quer mais e mais estado, mais e mais pobres, daqueles que não têm emprego, ao contrário dos funcionários públicos que têm emprego garantido para a vida toda.

    Que pouca vergonha esta esquerda, a grande criadora de pobreza, que diz defender os pobres.

  18. Comunista

    “A direita e os neoliberais em particular têm-se sempre manifestado por um menor peso do Estado a fim de sobrar dinheiro para a economia e geração de empregos.”

    Os neo-liberais dizem que não são neo-liberais e dizem que o neo-liberalismo não existe e que é invenção dos comunistas. Portanto, o primeiro passo é os neo-liberais terem coragem de ir a eleições com as suas ideias. Fora isso, não têm legitimidade pol+itica nenhuma e tudo o que das suas ideias for implementado pelo governo é anti-democrático, fraudolento, parasitário.

  19. tina

    Desista, criador de pobres, a direita não se vai dividir até porque a inclinação para a política não é assim tão grande.

  20. Comunista

    A direita prefere parasitar governos eleitos sob programas diversos do seu. O resto é conversa, sem nenhuma representatividade democrática (ZERO).

  21. Joaquim Amado Lopes

    Comunista,
    “Mostrem o que valem, vão a eleições ou não têm coragem de formar um Partido e preferem apenas passar a vida a QUEIXAR-SE dos outros.”
    Há aqueles que formaram partidos e vão sempre a eleições, onde são sistematicamente cilindrados. Mas insistem em queixarem-se dos outros e tentam impôr as suas ideias minoritárias pela força “da rua”.

  22. Comunista

    A força da rua é mais legítima democraticamente do que a força de banqueiros e capitalistas que têm o ouvido de ministros e secretários de Estado. E depois nada disso interfere num simples facto, vocês nunca foram a eleições, representam ZERO democraticamente, e no entanto acham que o governo deveria seguir as vossas ideias como se a sua colocação a votos não fosse importante.

    Vão a eleições. Apresentem-se ao povo.

  23. Hummm

    “A direita prefere parasitar governos eleitos sob programas diversos do seu. O resto é conversa, sem nenhuma representatividade democrática (ZERO).”

    Uma especie de PEV, é isso que quer dizer não é?

  24. Francisco Miguel Colaço

    Comunista,

    Se a opinião fosse tão positiva, tenho a certeza de que quereriam voltar atrás. Lembro-lhe que houve uma coisinha de RTP que elegeu Salazar como o homem do Século XX, à frente das luminárias pririlâmpicas Mário Soares, Álvaro Cunhal ou Vasco Gonçalves.

    Ainda não foi feita uma sondagem séria sobre o 25 de Abril e sobre o Estado Novo. Duvido que se gostasse de ouvir os resultados, que iriam incomodar muita mérdia (intencional!) que se julga dona do regime (normalmente no PS e alguns no PSD). Apesar de eu reiterar que prefiro viver em liberdade, muitos há que glosam o tempo de Salazar e gostariam mesmo de voltar atrás, para dar uma sapatada nestes políticos alambazados ao pote estatal.

  25. Comunista

    A eleição de Salazar foi a mesma que colocou Álvaro Cunhal em segundo lugar.

    Como sabe, o método seguido pela RTP não é o mais fiável para avaliar uma posição estatística do povo em relação à matéria em pauta, embora não deixe de ser significativa essa eleição.

    Quando uma empresa de sondagens pegou nos dez finalistas da RTP e fez um estudo de opinião sobre as preferências dos portugueses nessa matéria as coisas mudarem e Afonso Henriques, o Infante e Camões aparecem nos três primeiros lugares.

    http://www.publico.pt/media/noticia/salazar-eleito-o-maior-portugues-de-sempre-em-programa-da-rtp-1289390

    Até agora nunca vi uma manifestação na avenida da liberdade, ou no terreiro do paço ou em frente à assembleia da república, a favor do regresso ao Estado Novo ou até contra o 25 de Abril.

  26. Comunista

    “Se a opinião fosse tão positiva, tenho a certeza de que quereriam voltar atrás.”

    Não esqueça que o regresso à URSS não depende só da Rússia portanto os russos, mesmo os comunistas russos, sabem bem que não é possível qualquer regresso à URSS e que é perda de tempo e energia investir nessa idea. E toda a gente sabe que ter boa opinião sobre coisas do passado não quer dizer que se queira voltar ao passado. Não sei qual é o seu problema em aceitar esta ideia mais que corriqueira – quer dizer, sei, não lhe dá jeito e então você ignora.

    Eu posso-lhe perguntar se você não tem boas recordações no seu passado sem querer necessariamente voltar a esse passado?

    Eu tenho.

  27. Comunista

    “muitos há que glosam o tempo de Salazar e gostariam mesmo de voltar atrás, para dar uma sapatada nestes políticos alambazados ao pote estatal.”

    Salazar foi o político mais alambazado ao pote estatal. Entrou novo e só saiu morto, já depois de velho.

  28. Joaquim Amado Lopes

    Comunista,
    “A força da rua é mais legítima democraticamente do que a força de banqueiros e capitalistas que têm o ouvido de ministros e secretários de Estado.”
    Em termos de democracia, a força da rua tem tanta legitimidade como a força de banqueiros e capitalistas: nenhuma.

    “E depois nada disso interfere num simples facto, vocês nunca foram a eleições, representam ZERO democraticamente, e no entanto acham que o governo deveria seguir as vossas ideias como se a sua colocação a votos não fosse importante.
    Vão a eleições. Apresentem-se ao povo.”
    A quem se refere? A mim? Aos liberais?

    É que eu tenho a mínima intenção de ocupar um cargo público, seja de eleição ou nomeação. Mas sou militante de um partido (não liberal) que vai a votos e tem sistematicamente VÁRIAS VEZES os votos o “seu” partido. Assim, não me venha falar em “representação democrática”, até porque os seus comentários demonstram que não faz a mínima ideia do que isso significa.

    Mais, se (ao contrário do que mostra nos seus comentários) valoriza as eleições como forma de aferir da “legitimidade” ou “representatividade democrática”, então só pode aceitar que o Governo cumpra o acordo com a troika (PSD, PS e CDS prometeram-no na campanha eleitoral – mais de 80% dos votos expressos) e contestá-lo por não governar ainda mais “à direita”. Mas teria que começar a respeitar o direito dos outros a decidirem de forma contrária à sua e, como “bom comunista”, isso não está na sua natureza.

  29. Comunista

    Quero lembrá-lo que o PSD em conjugação com o Presidente Cavaco diziam no percurso já para as eleições que elegeram Passos Coelho que a austeridade já tinha ido longe de mais.

    Você gosta talvez de ser enganado.

    É consigo.

    Muitos portugueses não gostam. Não gostam que lhes tenham dito há 3 anos que já tinham sofrido sacrifícios além dos limites admissíveis e depois, uma vez eleitos, lhes digam que afinal os sacrifícios nem tinham começado.

    E depois as iniciativas do PCP estão dentro da Constituição, ou seja, o povo tem direito a manifestar-se e a exigir a demissão do governo, tal como o governo tem o direito de fazer uso da polícia dentro também dos termos constitucionais, por isso, não venha p’rá aqui com tretas porque quem é anti-democrático são vocês, ou é o que das vossas ideias possa ser implementado pelo actual governo que não foi eleito nessa base.

    Portanto, o que resta é a vossa falta de coragem política de ir a votos com o vosso programa explicitamente declarado, falta coragem política para exporem as vossas ideias nas tribunas públicas, nos bairros pobres, nas fábricas, no campo.

    Vocês são daquela espécie rasteira que vive subterraneamente, que age nas secretarias de estado, nas ligações entre políticos e capitalistas. Ainda não chegaram à luz do dia da democracia, da exposição das vossas ideias ao voto do povo. Nesse sentido não têm o que criticar o PCP uma vez que ao contrário de vocês, está aí, à luz do dia da democracia a submeter-se ao voto popular.

  30. Comunista

    Eu falo de um partido que represente explicitamente as ideias aqui do insurgente e outros blogs da mesma esfera. Não existe, não se apresenta. Vive de redes obscuras de interesses entre poder económico-financeiro e políticos.

  31. Francisco Miguel Colaço

    Comunista,

    Vai-me dizer que os Rothschild tinham menos poder na URSS que no Ocidente?

    Como dizia um derrotado nos maiores portugueses de sempre: Olhe que não!

    Repare que a URSS acabou no dia em que não conseguiu arranjar dinheiro para pagar salários, pedindo de joelhos à Alemanha. Até lá precisou sempre de divisas e de dívida para comprar trigo ao Ocidente. E pediu emprestado em Londres, Viena e no Luxemburgo.

    Diria que, dadas as influências e a criação de uma classe de políticos e de emperresários com o rendimento máximo garantido; e de uma outra de desfuncionários com o rendimento médio garantido, estamos cada vez mais perto do sonho de Cunhal (escrito para quem quiser ler): a República Socialista Portuguesa.

  32. Francisco Miguel Colaço

    «E depois as iniciativas do PCP estão dentro da Constituição, ou seja, o povo tem direito a manifestar-se e a exigir a demissão do governo»

    Se o governo fosse do PCP, o povo materia o mesmo direito?

    Olhe que não! Olhe que não!

  33. Comunista

    “estamos cada vez mais perto do sonho de Cunhal (escrito para quem quiser ler): a República Socialista Portuguesa.”

    Não Francisco. Vá ver quem é que tem enriquecido com a crise, quem é que são os primeiros e praticamente únicos a receber benefícios fiscais enquanto o povo carrega o fardo.

    Nós estamos a realizar o sonho capitalista:

    – Socialismo para a banca e o grande capital, capitalismo para o povo

    (é isto que são cada vez mais hoje a UE e os EUA).

  34. Francisco Miguel Colaço

    Comunista,

    Finalmente disse algo que tem jeito e que é verdade. E, se vir bem, aqui mesmo no Insurgente a generalidade de nós, autores e comentadores, concorda com o seu diagnóstico.

    Divergimos em que o Comunista quer dar o socialismo também para o povo, e nós queremos que o mercado livre se estenda à banca e aos emperreiteiros e aos faoorenecedorres de serreviços das tecnologias de intromissão e às ventoínhas. A sua solução traz miséria geral e grilheta para quem se queixe; e a nossa pelo menos tem a vantagem de, quanto mais se tende para esta, conduzir a crescimento, afluência e liberdade.

  35. A. R

    Topamos quem está verdadeiramente à rasca pelos seus privilégios estarem a ser ameaçados: a malta do PCP e os seus rambos.

  36. Joaquim Amado Lopes

    Comunista,
    Há realmente quem goste de ser enganado. Por exemplo, quem acha que, para resolver os problemas que derivam de se ter gasto demasiado e mal dinheiro que não se tinha, se deve gastar ainda mais e pior.

    E não, nem todas as iniciativas do PCP (assumidas pelo próprio partido, organizadas pela CGTP, através de deputados ou por “cidadãos independentes” a seguir as instruções dos órgãos do partido) “estão dentro da Constituição”.
    De cada vez que o PCP organiza grupos para perseguirem membros do Governo e os impedirem de falar em eventos para os quais foram convidados não está respeitar a Constituição.
    De cada vez que o PCP organiza piquetes de greve para impedir de trabalhar ou circular quem decide não aderir a greves não está a respeitar a Constituição.
    E de cada vez que o PCP promove “associações de utentes”, controladas por militantes destacados para o efeito e que não representam ninguém além deles próprios, para fazerem política partidária e prejudicarem o maior número de cidadãos de forma a fazer crescer o sentimento geral de insatisfação não está a respeitar os portugueses nem a democracia.
    E isto para referir apenas o que o PCP faz agora, sem falarmos do que fazia há 38 anos (período durante o qual a mensagem e atitude não evoluiu uma vírgula).

    O Comunista demonstra representar fielmente o que de pior se pode esperar de um militante do PCP: ignorância técnica e factual, cegueira dogmática, falta de respeito pelos mecanismos de exercício da democracia, intolerância para com as opiniões dos outros e apoio do recurso à violência como forma de fazer política.
    A K-7 que repete insistentemente já deixou de ter piada há mais de 30 anos (em Portugal). Não admira que se esconda por detrás de um pseudónimo que é um insulto para todos os comunistas que, apesar de defenderem o fim do capitalismo e da propriedade privada, têm algum respeito por quem não perfilha dessa ideologia e não estão dispostos a recorrer à violência para a impôr.

  37. Comunista

    O Joaquim deve pensar que a democracia começa e acaba na Assembleia da República e nas necessidades dos partidos trafulhas do governo terem a tranquilidade necessária para explorar os reformados e dar benefícios aos milionários.

    Vá ler a Constituição.

  38. lucklucky

    Segundo a Constituição que proíbe a discriminação baseada na situação económica é Inconstitucional os Portugueses pagarem impostos diferenciados pela sua situação económica.

  39. Francisco Miguel Colaço

    Lucklucky,

    Estranhamente, tem razão. A dar um leitura literal a essa norma, até uma taxa fixa de imposto é inconstitucional. Segundo a definição de situação económica (que até se deveria ler situação financeira), todos os portugueses deveriam pagar imposto de valor absoluto igual para todos, pobres ou ricos.

    Uma de duas normas é inconstitucional pela própria constituição: ou essa ou a que obriga à progressividade fiscal.

    (Eu continuo a favor de taxas fixas, por exemplo 15% para todos os rendimentos de salários, rendas, juros e lucros, sem excepções).

  40. Francisco Miguel Colaço

    «dos partidos trafulhas do governo terem a tranquilidade necessária para explorar os reformados e dar benefícios aos milionários.»

    Ou dos paridos trafulhas da esquerda terem a tranquilidade necessária para colocar grilhetas no povo e dar benefícios aos seus oficiais.

    Tem a certeza de que não havia Mercedes a circular na Praça Vermelha? Ou pessoas na URSS com várias casas de campo? É isso que o PCP quer para Portugal?

  41. Joaquim Amado Lopes

    Comunista,
    “Vá ler a Constituição.”
    Tenho-a em formato digital e consulto-a sempre que é usada como argumento numa discussão ou debate. No entanto, pode-me ter falhado algum artigo pelo que agradeço que me indique quais são os artigos da Constituição que se referem ao direito de impedir de trabalhar quem quer trabalhar, ao direito de impedir de circular quem quer circular e ao direito de insultar aqueles de quem se discorda em matérias políticas.

    Pelo que me diz respeito, no dia em que um piquete de greve me tentar impedir de trabalhar vou recorrer aos artigos 13º e 21º. Se estiverem presentes no local agentes da autoridade que não façam TUDO o que estiver ao seu alcance para garantir o livre exercício dos meus direitos constitucionais, levo-os a tribunal de acordo com o artigo 22º.

  42. Joaquim Amado Lopes

    lucklucky,
    “Segundo a Constituição que proíbe a discriminação baseada na situação económica é Inconstitucional os Portugueses pagarem impostos diferenciados pela sua situação económica.”
    Não me parece que se possa interpretar dessa forma porque rendimento e situação económica são coisas diferentes.
    Impostos sobre o património é que poderão eventualmente ser inconstitucionais mas é quase certo que o Conselho da Revolução… perdão, que o Tribunal Constitucional terá opinião diferente, se isso significar que os “direitos adquiridos” dos seus membros poderem ser mantidos por mais algum tempo à custa de outros.

    De qualquer forma, concordo com o Francisco Miguel Colaço na questão das taxas fixas (flat rates), embora apontásse para uma taxa mais na ordem dos 20-25%, que financiaria também a Segurança Social e subsídio de desemprego e pensões independentes dos rendimentos anteriores. Talvez até os subsídios de doença e maternidade a serem iguais para todos, podendo ser complementados com seguros privados.

  43. Francisco Miguel Colaço

    Joaquim,

    A dita taxa de 15% que apontei tem a ver com o facto de considerar que o Estado deve ficar a mais ou menos 15% do PIB. Como 2/3 do rendimento do Estado podem vir da taxa fixa e o resto de taxas sobre a propriedade (IMI), isso leva a 22,5% do PIB de colecta total, o que faria o Estado ter uma dimensão de pouco mais de 18% (0,225/(1+0,225)).

    Quanto à Segurança Social, tem de viver com o que pode colectar, e em regime voluntário. Quem quer, adere, quem não quer desenrasca-se.

    Estes 18% do PIB correspondem actualmente a um excesso de 30 mil milhões de euros. Retire cerca de 5 mil milhões de euros para custear a educação básica (não necessariamente providenciá-la directamente) e pouco mais que isso para custear a saúde (chega e sobra, se diminuir os burrocratas para metade!). Terá 20 mil milhões de euros para cobrir as funções de soberania, que são inalienáveis: legislação, administração pública, política externa, polícia, defesa e justiça. Chega, sobra e é demais.

  44. Pingback: Dessintonia | O Insurgente

  45. Rui Cepêda

    A descriminação baseada na situação económica é inconstitucional, o que é verdade. Não pode é ser interpretada obviamente de um modo que conduziria a tornar inconstitucional toda e qualquer cobrança de impostos. Seria esse o resultado, dada a total incapacidade de pagar impostos por parte daqueles cuja situação económica o não permite de todo. Nem o espírito da Lei é esse. O que o legislador pretendeu foi evitar a descriminação negativa dos mais pobres.
    Não estou de modo nenhum a defender a actual Constituição, que além de anti democrática na origem, é marxista e desajustada à realidade do País.

  46. Pingback: Sondagens Das Eleições Europeias | O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.