Nada de Novo na Frente Alemã

O meu texto de hoje no Diário Económico:

‘Há anos li uma notícia dando conta que os alemães preferiam guardar para si as notas de euro emitidas pela Alemanha – identificadas pela letra que antecede o número de série – considerando esses euros mais seguros do que os euros estrangeiros. A curiosidade da notícia? Ter surgido em início de 2007, um ano e meio antes da falência do Lehman Brothers e das políticas expansionistas europeias que redundariam depois, sobretudo em países com contas públicas periclitantes, com défices orçamentais recorrentes e com governos viciados em despesa pública, como Portugal, nas crises das dívidas soberanas e à necessidade de um resgate da ‘troika’.

Ora se os alemães já antes da crise pós-2008 procuravam proteger-se de países menos regrados nas contas públicas, é evidente que a recente mudança na coligação que governa a Alemanha não trará qualquer inversão em termos de política europeia, de política monetária ou orçamental. Os alemães, legitimamente, esperam do seu governo que responda aos seus problemas, não aos do vizinho. A entrada do SPD para a coligação, depois da experiência amarga (para a esquerda) que é Hollande, só cria ilusões em quem já vive alheado.

De resto, o SPD centrou-se em negociar questões internas para aceitar a coligação (exemplo: o salário mínimo horário), deixando a política europeia e financeira nas mãos da CDU de Merkel. E de Schauble – nas palavras sempre elegantes de Sócrates, o ‘estupor’ – que se mantém como ministro das finanças e interessado em garantir que os contribuintes alemães não suportam desgovernos alheios.’

O resto está aqui.

6 pensamentos sobre “Nada de Novo na Frente Alemã

  1. Comparar Portugal à Alemanha é um exercício, no mínimo, inútil. A Alemanha de nenhuma forma se pode comparar a Portugal pois, que dizer, de um país que faliu sete ou oito vezes (mais do que Portugal) que conseguiu ter a segunda maior inflação da História (depois da do Pengo húngaro), que destruiu a Europa pelo menos duas vezes que só pagou uma parte das dívidas que fez e não pagou, nem de perto nem de longe os prejuízos que causou.
    Enquanto Portugal faliu umas cinco vezes no Século XIX, menos de um Século depois de ter ficado destruído pelo terramoto de Lisboa (um dos maiores registados na História) e a seguir às invasões francesas (cujos prejuízos os franceses nunca pagaram), à independência do Brasil e às guerras liberais causadas por desentendimentos entre dois irmãos.
    De notar que durante grande parte do Século XX Portugal tinha uma das moedas mais estáveis do Mundo apesar de se ter metido numa guerra em três frentes e a milhares de quilómetros de distância.
    Esta estabilidade quebrou-se a partir de 1973 por várias razões. Primeiro a crise do petróleo que pôs em causa a política de aposta na indústria petrolífera seguida pelo governo da altura (Marcelo Caetano), depois pelo 25 de Abril que inverteu muito da lógica empresarial e, “last but no least” por o país ter recebido uns 800.000 retornados das ex províncias ultramarinas (colónias), isto é, em poucos meses aumentou a sua população de uns dez por cento e, alojou-os, alimentou-os e até lhes deu fundos para abrirem negócios.
    Em consequência disto tudo, o poder foi tomado por incapazes que entregaram Portugal ao estrangeiro (CEE/CE/EU) cedendo a outros a maior parte dos instrumentos de governação, culminando tudo numa desastrosa adesão ao Euro.
    Ahh! E, não esquecer que entretanto a Alemanha continuou com os seus disparates como, por exemplo, abocanhar a antiga Alemanha Oriental, dando ao desvalorizado Ostmark (a moeda da antiga Alemanha Oriental) o mesmo valor do que o Marco da República Federal o que lançou a Alemanha e a então CEE numa crise.
    Diz, no fim do seu artigo, a autora do post, “o que separa a Alemanha de Portugal não é só a latitude.” Sim, não é só a latitude, é muito mais do que isso. E, é de perguntar até quando estão os cidadãos europeus, em particular os do Sul da Europa, dispostos a aturar as diatribes da Alemanha

  2. JSP

    “…disparates como, por exemplo abocanhar a antiga Alemanha Oriental,…”.
    Convinha pensar antes de escrever…
    Ou revisitar a História…

  3. A Alemanha Federal abocanhou literalmente a antiga Alemanha Oriental. Não houve qualquer tipo de negociação, o governo Oriental implodiu e a República Federal ficou com tudo. Pelo caminho destruiu a economia oriental com o câmbio do Ostmark. Ainda actualmente os lander orientais são altamente deficitários.
    Se os lander alemães fossem países independentes muitos deles estariam pior do que Portugal está.
    Seria conveniente que o JSP se informasse e pensasse antes de escrever.

  4. JSP

    Só uma ( modesta) opinião um país, ou uma nação, representa muito mais do que meras contas de mercearia.
    Uma nacionalidade, melhor, um sentimento de nacionalidade , está muito para além de meras colunas de “dever” e “haver”.
    Aquilo que alguém descreveu como “sangue,suor e lágrimas” – e onde o cifrâo não tem lugar.

  5. A. R

    “Pelo caminho destruiu a economia oriental com o câmbio do Ostmark” A colónia soviética estava destruída: foi uma enorme gastadeira limpar os terrenos, a água, reciclar o possível, fechar indústrias obsoletas e improdutivas e todos restantes desastres ambientais que o comunismo deixou na RDA. A RFA quase parou 2 anos para reciclar o desastre de leste.

  6. A RDA era o mais evoluído e industrializado dos países comunistas. Se não tivesse sido abocanhada pela RFA estaria agora melhor do que a República Checa ou a Polónia, por exemplo.

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