Pelo meu direito constitucional ao não-trabalho, ou a lógica dos contrários

Exmo. Senhor Presidente da República, Exmo. Sr. Primeiro-Ministro, Exmos. Senhores Guardiães da dignidade do Regime, Exmos. Sujeitos Passivos (a quem alguns erradamente designam de contribuintes),

Enquanto não-trabalhador dos ENVC, venho exigir a suspensão imediata do processo de subconcessão em curso destes Estaleiros, por este violar de forma descarada o meu direito ao não-trabalho e defraudar as expectativas criadas quando me empreguei nesta empresa.

Em bom rigor, quando me empreguei nos ENVC, as condições que me foram prometidas pelo Partido eram claras: além das férias, até 60 dias de absentismo pago, bom horário, diversas regalias sociais, e um ordenado acima da média do sector. Um reduzidíssimo nível de encomendas há vários anos e um forte apoio do PCP e da comunidade têm assegurado as condições necessárias para que não haja grande trabalho para executar, algo que temos conseguido cumprir em pleno, adiando sucessivamente as entregas aos poucos clientes que, por ironia do destino, ainda optaram por nos requisitar alguns barcos.

O futuro do sector da não-construção naval, estratégico para Portugal, fica posto em causa, porém, por acção do actual Ministro da Defesa. Desde logo, “por acção“. Ninguém consegue explicar a esse Senhor que todos os Ministros da Defesa até hoje sobreviveram precisamente porque ignoraram a essência da palavra “acção“? Sim, porque bastaria que seguisse os bons exemplos dos seus antecessores e teria o nosso aplauso, bastando que em respeito pelos pressupostos do Regime nascido da luta democrática continuasse a dotar os Estaleiros dos meios financeiros necessários para que pudéssemos, nomeadamente, continuar a não entregar os NPO à Marinha e os Asfalteiros ao povo amigo da Venezuela. Ao mesmo tempo, faríamos a nossa parte, alimentando com inércia o ritmo de não aceitação de novas encomendas. Desta forma, e em conjunto, continuaríamos a dar os sinais correctos ao mercado, que não acredita ser possível num ambiente competitivo construir barcos com não-recursos humanos dominados pelo PCP. Só com esta visão e cumplicidade seria possível cumprir aquilo que é a nossa missão, a promoção do sector da não-construção naval em Portugal.

Não se compreende a insistência. Mania esta de agir. O Senhor Ministro da Defesa tinha vários motivos para não fazer nada: a lei protege-nos, ao impedir, na prática, a privatização da empresa, tal a forma ardilosa como os sucessivos governos foram consolidando os pressupostos para a afirmação da não-construção naval em Portugal: a empresa está completamente falida, não entrega encomendas, os poucos barcos que acabámos, como o ferry para os Açores, ou o primeiro NPO, não são aceites por defeito de construção, a presença sindical impede que alguém se interesse pelos ENVC. Nesta fase, bastava que o Senhor Ministro explorasse adequadamente (usando uma terminologia de gestão, que também somos modernos), a “janela de oportunidade” que a União Europeia lhe está a conceder.

Sim, impõe-se agora mais um grande argumento para novamente parar tudo! Sigam o meu raciocínio: devolver as ajudas de Estado que os ENVC receberam, em violação da lei comunitária, que se estimam em 180 milhões de euros, é desincentivo suficiente para não privatizar; como diz o senhor do Pingo Doce, estamos tesos, algo que o Senhor lá da Comissão já dizia faz dez anos, quando nos recordava que andávamos de “tanga”: com isto, “arrumava-se” com a privatização. Por outro lado, não sendo a decisão comunitária definitiva, deveria o Senhor Ministro agarrar-se a esta circunstância, e não agir, continuando a pedir cheques à Banca, com aval da sua colega das Finanças e da famigerada Troika, que tem cumprido com zelo o papel de Banco Alimentar das nossas empresas públicas rumo às não reformas. Com um bocadinho mais de jeitinho, mais-recurso-menos-recurso, o Senhor Ministro da Defesa chegava ao fim da legislatura sem decidir nada, e sem ver o seu prestígio político beliscado. Pouco importa que, em bom rigor, seja quase impossível reverter aquilo que a Comissão Europeia preconiza: basta ler os jornais e ver TV, há entre os sujeitos passivos – pelo menos, entre os sujeitos passivos que escrevem nos jornais e botam faladura na televisão – uma disponibilidade total para financiar o nosso não-trabalho e este sector único, distintivo, que afirma a não-construção naval portuguesa no nosso País e Além-Fronteiras.

Aliás, o Senhor Ministro da Defesa está só a dar azo à sua teimosia, não vendo as vantagens que a manutenção dos ENVC geram para os outros colegas do Governo. Não fossem os Estaleiros, e parte da nossa diplomacia ficaria desocupada, sem ter de gerir um dossier sensível com o Governo amigo da Venezuela que, apesar de avançar a passos largos para o comunismo, não se percebe porquê, quer que os Asfalteiros lhes sejam entregues. Não têm acesso a papel higiénico, mas querem os barcos? Mais, os não-trabalhadores de Viana, ao não entregarmos os NPO, estamos a ser bons amigos da Ministra das Finanças: com os barcos parados, a Marinha não gasta dinheiro em horas extraordinárias, gasolina e em operações de vigilância marítima e no cumprimento das suas obrigações no quadro da NATO; qualquer economista sabe que fica muito mais barato manter o Estaleiro sem funcionar, e os barcos paradinhos em Terra, que neste cantinho luso no se pasa nada (que não droga, contrabando, e tráfico de pessoas, algo que estimula a economia). Tudo se resolve, se sujeitos passivos, governantes, trabalhadores, todos, continuarmos de olhos fechados. O Rei vai nu? Apaguem a luz, que ninguém vê.

Mas a insensibilidade deste Poder Político é atroz. Ardilosamente, contornaram todos os empecilhos legais e construíram uma solução de subconcessão. Este Ministro é obcecado com soluções, já andamos cansados. Mais grave, com esta solução querem-nos tramar, disponibizando indemnizações e dando-nos a possibilidade de mudar do sector da não-construção naval para o sector da construção naval, já que a Martifer nos oferece trabalho. Tudo isto merece uma oposição veemente de todos aqueles que estão a ver as suas expectativas goradas. Querem obrigar-nos voluntariamente a trabalhar numa empresa privada de construção naval, ainda por cima num sector totalmente diferente daquele onde estamos integrados, o da não-construção naval! Acham justo? A Constituição e a Lei protegem-nos, ninguém pode ser seduzido voluntariamente a trabalhar fora do seu sector de origem, querem destruir esta empresa estratégica, violentando-nos, indemnizando-nos, entregando-nos voluntariamente a essa Martifer, que só pode ter razões insidiosas e ocultas para ainda permanecer no jogo. Todos os outros interessados fugiram. E estes Martins ficaram, porquê? Quem é que no seu juízo perfeito quer desenvolver em Portugal o sector naval? Ainda por cima, recuperando 400 trabalhadores de uma empresa enfeudada aos interesses do PCP? Só mesmo uma entidade mal intencionada poderá estar interessada neste processo. Vem nos manuais, o capitalismo autodestruir-se-á, com ajuda do proletariado, e a Martifer e o Ministro da Defesa estão a atrapalhar o ritmo e o curso naturais da História.

Há que combater o despesismo em Portugal, mas atacando o grande capital, e não os direitos dos não-trabalhadores!

Dos não-trabalhadores do sector público, obviamente. Há uma linha ténue, que muitos não percebem, que convém clarificar. Todos os dias no nosso Portugal real há falências no sector privado, empresas que, à mingua de encomendas, por força dos impostos e da burocracia, fecham as suas portas, lançam os seus trabalhadores no desemprego, sem direito a indemnizações, porque para tal não chega a massa falida, e sem que o Estado patrocine segundas oportunidades. A Constituição ao Privado só se aplica no campo das obrigações, porque os direitos, esses, destinam-se à sobreprotecção do sector público. Faz sentido? Sim, claro, porque as falências no sector privado cumprem com aquilo que é a nossa função histórica, a missão do PCP, que está no ADN da nossa Constituição, ainda que agora diluído, de promover a destruição do capitalismo e do sector produtivo privado. É obrigação dos contribuintes serem sujeitos passivos, financiando com os seus impostos a nossa luta, porque só dessa forma seremos capazes de continuar a sugar os recursos necessários – 300 milhões de passivo não são ainda suficientes – para rebentarmos de vez com o sistema capitalista em Portugal, e impormos aquilo que é o sonho dos nossos dirigentes, uma sociedade sem capital, sem trabalho, e recheada de empresas públicas deficitárias. Até lá, como recompensa, os não-trabalhadores agradecemos o cheque e uma vida sem esforço, que os nossos sonhos são bem menos Utópicos. Agradecemos ainda a solidariedade do Senhor Presidente da Câmara de Viana do Castelo que, ele próprio, compreende o valor da demagogia e do não-trabalho, concedendo tolerância de ponto aos funcionários da Câmara que queiram juntar-se ao nosso protesto, oportunamente marcado para uma sexta. Estamos a pensar fazer um novo protesto no dia 23 de Dezembro, segunda-feira, como forma de construir uma mega-ponte aqui no Minho, e desta forma calar aqueles que nos acusam de não sermos capazes de construir nada que se veja.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todos os Portugueses que, com a sua passividade e compreensão, continuam a financiar a nossa inércia, dirigindo o seu protesto contra a acção destes Políticos que teimam em querer resolver problemas e que só podem estar do lado da Troika. Os sujeitos passivos em Portugal têm sido sempre generosos com as nossas causas; por isso, Senhor Ministro da Defesa, embrulhe, que no fim são eles que pagam. Senhores sujeitos passivos, permaneçam assim e continuem a mandar cheques. Manifestem a vossa solidariedade em cafés, em discussões de família, nos transportes públicos, nas manifs. Não pensem muito, basta que digam, “governo para a rua, já!“. Mas acima de tudo, não se esqueçam de mandar os cheques e o dinheirinho dos vossos impostos, fruto do vosso trabalho. O nosso não-trabalho precisa deles. Se a vossa empresa fechar, porque está sobrecarregada de impostos, não peçam ajuda. De trabalho, não percebemos nada. E o sector privado é coisa que não nos interessa. Queixem-se ao Governo, culpem o BPN, as PPP e o Grande Capital. Senhor Ministro da Defesa, pare de querem deixar um país melhor para os seus filhos. Senhores Governantes, queiram cumprir aquilo para o qual foram eleitos, respeitem a Constituição, e deixem o país falir. Os comunistas, cá estaremos, para o fazermos renascer das cinzas.

Até lá, e como o Apocalipse tarda, não parafraseando o Senhor Presidente da República, a quem prestamos a nossa não homenagem, “deixem-nos não trabalhar!”.

Agradecido,

Assina, um não-trabalhador dos ENVC, militante do PCP, sindicalista.

Anúncios

46 pensamentos sobre “Pelo meu direito constitucional ao não-trabalho, ou a lógica dos contrários

  1. Comunista

    “Até lá, como recompensa, os não-trabalhadores agradecemos o cheque e uma vida sem esforço, que os nossos sonhos são bem menos Utópicos.”

    Uma vida sem esforço de operários navais, dito por um empurador de papeis de um lado para outro e sentador em reuniões…grande piada.

    Esta corja não consegue mais do que constantemente acusar os outros de não querer trabalhar, de viveram acima das possibilidades, de parasitar o bolso dos outros – e dizem isso dos estivadores, dos operários do Estaleiro, dos trabalhadores da função pública, dizem isso dos médicos, dos enfermeiros, dos professores, dos artistas, do milhão de desempregados que não trabalha porque não quer, enfim, neste Portugal só eles, os pintarolas como este que escreve o post, é que trabalham.

    De facto a direita é mesmo burra. Não admira que esteja a arrasar com o país, não admira que tenha conseguido reunir o pior PM desde o 25 de Abril, o pior Presidente da República desde o 25 de Abril e o pior Presidente da Comissão Europeia de sempre. E mais ainda, a maior crise da UE, esta, ocorre na altura em que a direita é maioritária.

  2. Miguel Noronha

    Ontem li um socialista muito indignado por terem concecionado à Martifer um estaleiro sem encomendas com 600 trabalhadores.Nem se deve ter apercebido do que escrevei. É realmente escadaloso que tenhamos andado a enterrar 30 milhões por ano para suportar 600 empregos. Dá cerca de 50.000 euros por cada um.

  3. PeSilva

    Não deixa de ser curioso que passe a ser comum ver os trabalhadores achincalhados em público e quer as administrações quer os responsáveis políticos por deixarem chegar a situação a este ponto saem ilibados de todos os anos de disparates e às tantas até ganham como premio uma qualquer nomeação para outro cargo.

  4. Miguel Noronha

    Se calhar devia-se ter limitado a responsabilidade ao capital do accionista e os trabalhadores ficavam à espera das verbas resultantes da liquidação.

    Pelo que sei a Martifer não tem a concessão da empresa mas sim do espaço. A ENVC vai ser extinta. Se não pagar perde a concessão. Parece-me simples.

  5. Tiro ao Alvo

    Se todos os comunistas fossem tão trabalhadores como este que anda por aqui a chatear, os estaleiros de Viana teriam sido mais produtivos. Ou não.,

  6. JPT

    Alguém explique ao comunista que o Estado não pode dar dinheiro para o aço de um empresa que opera no mercado, em concorrência. E que é por causa do que o Estado deu que temos a comissão à perna. Alguém explique ao comunista que há outros estaleiros que têm o direito a não competir com um que recebe dinheiro do Estado para aço.

  7. Comunista

    Alguém que explique ao JPT que a empresa tinha uma encomenda contratada e portanto o aço viria por conta desse contrato – o que o Estado preferiu fazer foi adiar a concretização desses passos para dar agora o contrato ao privado que aí vem. Alguém que explique ao JPT que isto é que é favorecer um privado em detrimento dos outros. Quando alguém vende uma empresa porque ela está a dar prejuizo a lógica é que o comprador percebe valer a pena assumir o prejuizo em vista dos lucros que terá a partir do momento que assume a empresa. Para a direita, contudo, privatizar uma empresa pública com prejuizo é manter o prejuizo do lado do Estado e a receita toda do lado do privado.

  8. Francisco Colaço

    The “independent schools”, similar to charter schools in the United States or academies in the United Kingdom, are funded with public money (skolpeng) from the local municipality, based on the number of pupils they have enrolled, in the same way Swedish public schools are.

    Da Wikipedia.

    De onde eu vejo, isso parece-me público, não privado.

    O cheque ensino foi essencialmente para o público sustentar o público. Como é que esse sistema poderia alguma vez falhar?

    Aposto que no Jugular não passa sangue suficiente para irrigar o cérebro dos que lá leem e dar ênfase a este mero pormenor.

  9. Francisco Colaço

    Se não havia problema na execução da encomenda e o cliente era fiável, não haveria bancos em fila para lhes emprestar o dinheiro, mesmo que fosse a 7%?

  10. Comunista

    Não ia salvar nem deixar de salvar, era uma encomenda a que haveria que responder para melhorar a situação da empresa.

  11. Comunista

    “Se não havia problema na execução da encomenda e o cliente era fiável, não haveria bancos em fila para lhes emprestar o dinheiro, mesmo que fosse a 7%?”

    Mas o governo não quis que se fizesse o empréstimo para a matéria prima. Quis apenas o empréstimo para preparar a empresa para o privado. Foi endividar-se em 30 milhões para conceder a empresa a um privado que lhe vai pagar na duração do contrato 7 milhões, ou seja, pagou 30 milhões para vender a empresa por 7. A direita no governo é isto.

  12. Comunista. explique-me lá, qual seria o threshold para continuar a atirar dinheiro para a ENVC? 300 milhões não chegaram? 1000 milhões? A empresa tem capitais próprios negativos, um passivo de 200 milhões e resultados operacionais negativos crónicos. Se fosse privada, já teria ido à falência há muito tempo. Só com o aval público é possível manter esta irracionalidade económica durante 20 anos e andar a queimar recursos numa empresa ineficiente e falida, recursos esses que poderiam ser usados com melhor propósito (deixando-o nas empresas produtivas e eficientes, já agora).

  13. Comunista

    “Se fosse privada, já teria ido à falência há muito tempo.”

    Se assim fosse a Martifer não teria ganho a concessão dos estaleiros. A dívida desta empresa é maior do que a dos estaleiros. A pergunta é se as empresas públicas andam a servir para salvar privados falidos ou com amigos?

  14. Comunista

    Eu sei. Ficou com a empresa na prática. Com os terrenos, os materiais e equipamentos e o knowhow dos trabalhadores que quiser utilizar.

  15. Não ficou nada com a empresa porque não assume nem os activos nem as liabilities. Tem o uso concessionado do capital fixo corpóreo, só isso. Daí que os trabalhadores sejam despedidos e contratados novamente, com diferentes contratos de trabalho e directamente pela Martifer.

  16. Tiro ao Alvo

    Vê-se bem que o comunista anda a falar do que não sabe. É por demais sabido que ninguém quer os trabalhadores dos ENVC, tal como ele estão a ser pagos, com regalias e mais regalias, muito para além do razoável e muito à custa dos nossos impostos. Mas o comunistas não quer saber de nada, ele sabe que, até agora e vergonhosamente, os ENVC têm sido uma coutada do PC e não quer que isso acabe.
    Sendo ele comunista, entende-se. Sendo também é verdade que os burros nunca mudam…

  17. Francisco Colaço

    Comunista,

    «knowhow»

    Para haver know how é preciso que se construam barcos. Por isso, ficam com o know what.

  18. Francisco Colaço

    Os juros de tanta dívida (200 milhões) deveriam bordejar os 15 milhões, ou até os 20. Pagar 30 milhões para se livrar de uma excelente empresa na não-construção naval paga-se a si própria em 1,5 a 2 anos.

    Acha mesmo que um navio apenas precisa de aço. Sei lá, não precisa, vejamos, de eléctrodos de soldadura, sistemas de navegação, carpintaria de limpos ou de motores?

    O seu ex-amigo (já o renegou.e chamou-lhe ridículo, lembro-me!) Maduro não é daqueles que iria pagar a tempo e horas, pois não?

  19. JPT

    Alguém explique ao comunista, que são precisamente as aldrabices criativas à “tuga” como ele sugere que nos colocaram em apuros com a comissão. Quanto ao negócio com a Martifer, não faço ideia do que convenceu esta empresa (e mais nenhuma) de que pode fazer dinheiro com a sub-concessão do estaleiro. E quando não sei, não me ponha a inventar.

  20. Comunista

    Não. Alguém que explique ao JPT que não há aldrabão maior nesta história do que a comissão europeia e que é obrigação dos povos desde logo através de seus Estados, governos e instituições nacionais e locais, zelarem por si primeiro e depois, só depois, se sobrar alguma coisa ver o que se pode fazer pela comissão europeia.

  21. Comunista

    Desculpe, o que eu reneguei foi toda aquela rábula das aparições. Ainda estou confiante que a revolução em curso na venezuela, até agora legitimada em todos os actos eleitorais, venha a justificar o seu lançamento.

    Quanto ao resto, vejo que você presume saber mais do que era necessário para as encomendas do que os trabalhadores com de facto constroem o navio. Mas não me admira que empurradores de papeis de um lado para o outro, atendedores de reuniões, e faladores para outros empurradores de papeis e atendedores de reuniões pensem que sabem mais de construção de navios e do que é necessário a dada altura do que os trabalhadores que fazem os navios. Geralmente isto acontece muito aos burocratas do espírito.

  22. Comunista

    Sim , Francisco é claro que os operários também não sabem trabalhar. Não querem trabalhar e não sabem trabalhar. Você é que é o maior.

  23. Francisco Colaço

    Comunista,

    Se calhar até sei mais: eles não construíam navios por lá. Se eu tivesse feito um bote a remos teria feito mais do que eles.

    E sim, um navio precisa de motores, de sistemas de navegação, de sistemas de segurança. Os aços soldam-se com eléctrodos ou com semiautomática, para a qual precisa de fio e de gás.

    Comunista, o aço é UMA PEQUENA PARTE do custo total de um navio. O motor, os sistemas de suporte e o sistema de guinagem valem tanto ou mais que o aço de três navios.

    Imagino que se entregassem um navio sem motor nem instrumentos ao Maduro, nem ele era louco o suficiente para o aceitar. Sugere o Comunista que colocássemos os seiscentos tr-b-lh-dores a remar pelo Atlântico para o entregar ao som d’a Krasnaia Armia?

  24. Alguém explique ao comunista que a Venezuela entregou dois adiantamentos por conta do aço e dos motores, que os senhores dos ENVC estouraram. Há um contrato celebrado entre os ENC e a Venezuela, e a lei impede que o estado injecte dinheiro para cobrir aquilo que foi o disparate do desperdício do dinheiro. O mesmo aconteceu com os NPO, que a Marinha pagou e não recebeu. É só desculpas de mau pagador. Os ENVC são um cancro nacional, um sorvedouro de recursos de gente que não quer trabalhar. O resto é música celestial.

  25. E, caro comunista, eu conheço muito bem o que não se faz nos ENVC. Por causa dos ENVC e da sua inércia nos NPO quase que 70 famílias perdiam o seu sustento e a hipótese de continuarem a trabalhar, na empresa onde eu era CEO. Só com muita persistência e união entre accionistas, administração e trabalhadores, incluindo sindicatos afectos à CGTP e comissão de trabalhadores fomos capazes de ultrapassar as dificuldades. E sei bem o que me contaram nessa altura os sindicalistas sobre a presença do PCP nos sindicatos. Um nojo, que merece ser denunciado ao país.

  26. Comunista

    O nojo que merece ser denunciado neste país é que a factura das administrações carregadas de boys afectos ao governo cai sobre os trabalhadores e duplamente, cai durante a gestão da empresa e cai durante a privatização uma vez que o governo, o seu governo, gasta 30 milhões para oferecer a concessão da empresa, prontinha para funcionar e até construir os navios para a Venezuela, cujo dinheiro a administração não utilizou para matérias primas mas para pagar dívidas. Isto é que mete nojo, que em Portugal mo povo, os trabalhadores, estejam a ser sugados e achincalhados tudo para que o sr. e os dos círculos por onde se move possam manter o seu estilo de vida. Você, você, é que vive às custas do povo porque olhando à sua volta o país empobrece enquanto você e os seus amigos deslizam alegremente pela crise e ainda chamando aos mais afectados de privilegiados.

  27. Comunista

    “Pum. Barco comunista ao fundo.”

    – vamos esperar pela comissão de inquérito para ver bem o que é que andou a acontecer, para ver bem se a culpa é dos trabalhadores e dos comunistas.

  28. Comunista, acha que todas as empresas que têm encomendas são viáveis?

    O facto é que se os ENVC fossem uma empresa privada já teria falido há muito tempo. Eventualmente também já teria sido substituída por outra que utilizasse o mesmo espaço de forma eficiente e com lucro.

    Quanto à Martifer, o que interessa o facto de ter um passivo maior que os ENVC? Olhar só para o passivo de uma empresa vale zero. Além disso, tem uma estrutura accionista forte.

    Se os estaleiros são ou não um bom negócio para a Martifer já não é problema seu nem meu, felizmente.

  29. Francisco Colaço

    O OCP é uma escola de não trabalho. Não foi o Raúl Castro que disse taxativamente que Cuba não poderia ser o único país no mundo onde se podia pensar possível viver sem trabalhar quando despediu um milhão de funcionários públicos?

    Porque é que não aproveitámos em Portugal essa mesma afirmação comunista para despedir os nossos pesos mortos; calando com ela a Ana Avoila, o Arménio Carlos e o Bettencourt Picanço?

  30. Ricardo Monteiro

    A história dos estaleiros faz-me lembrar a história da EMEL que dava prejuízo e devia ser privatizada. Depois descobriu-se que um terço dos parquimetros estavam avariados… mas a inocência continua a ser uma coisa bonita ainda assim.

  31. Miguel Noronha

    O modelo de negócio da EMEL é bem diferente, logo a começar na (falta de) concorrência. O problema maior era a péssima gestão. Um problema endémico nas empresas públicas. De facto, mais vale concessionar o negócio a privados.

  32. Ricardo Monteiro

    Na EMEL claramente. Nos estaleiros acho que há matéria suficiente para que se investigue. Principalmente os ultimos 6 anos de gestão.

  33. Carlos

    Afinal o comunista anónimo sabe mais do que parece: ele conhece bem as “vergonhas” que se têm passado nos ENVC e que se tem aproveitado disso. Ele deve ser um dos que ali se têm governado. Às nossas custas. Parasitas!

  34. Francisco Colaço

    Ricardo Monteiro,

    Se há indícios de crime, pois que que investigue. Concordo consigo nisso.

    Não se pode clamar contra o salvamento do BPN e pedir que se continue a estoirar dinheiro nos ENVC. Ou ambas ou nenhuma, e para mim nenhuma.

  35. migas

    Excelente artigo.
    Para muita gente parece que ainda não chega de enterrar recursos escassos em buracos sem fundo.
    Para quando a venda, concessão ou fecho da RTP?

  36. Rogerio Alves

    Que os trabalhadores do ENVC não o foram ou não o tem sido, não tenho muitas dúvidas. Mas, ainda assim, colocaria no topo do pódio das culpas a administração e os sindicatos. No caso destes últimos, o não trabalho é de facto uma opção, ou mesmo, a sua missão fundamental. É esse o seu motivo de luta e até de existência. Por seu aldo, a administração deverá ter oscilado entre a incompetência, o laxismo e outras coisas piores. Já os trabalhadores aproveitaram-se rapidamente da situação para optar pelo descanso (em vez do trabalho), mas se não tivessem sido tão perspicazes a compreender que tinham essa opção ou se tivessem sido mesmo obrigados a trabalhar, bem depressa também o fariam, penso eu. Entre resmungos, talvez, mas lá trabalhariam.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.