Se isto não é a pândega, não sei o que será

Cunhal e a venda de munições (imagina-se com lucro excessivo) ao Chile do ditador Pinochet.

(…)Foi o que sucedeu no Conselho de Ministros de 24 de Junho de 1974, quando o ministro da Defesa Firmino Miguel surgiu na reunião, nas palavras do então primeiro-ministroAdelino da Palma Carlos, “um bocado contrafeito” com um problema para o qual precisava de uma posição oficial do governo: “Tenho aqui um problema. O exército quer vender munições para o Chile“. O próprio primeiro-ministro, e os ministros Francisco Pereira de MouraAlmeida Santos e particularmente Salgado Zenha foram alguns que desde o primeiro momento se opuseram radicalmente a essa venda – isto apesar do valor da encomenda ser de 130 mil contos, o que na altura e com subocupação da indústria militar “vinha mesmo a calhar“. Segundo os apontamentos de Palma Carlos, a discussão sobre este tema tomou conta de grande parte da reunião daquele conselho, com a esmagadora maioria dos ministros tomando posição contra a venda, só com Firmino Miguel algo contemporizador e curiosamente apenas um ministro que, impávido e sereno, defendia uma posição que pouco tinha de ambígua e que, na prática, viabilizaria a venda das munições ao regime militar chileno e à sua máquina repressiva: “Tornemos isto um contrato comercial vulgar“, defendia Álvaro Cunhal  “abençoando” assim a transacção entre a então jovem democracia portuguesa e uma das mais sanguinárias ditaduras latino-americanas de sempre – pouco se importando com o que os seus colegas argumentavam, como por exemplo Salgado Zenha, que ainda segundo as notas de Palma Carlos, justificava assim o seu voto negativo: “O prejuízo enorme de credibilidade das nossas intenções é muito mais elevado que os 130 mil contos, é um balde de água que as pessoas nunca entenderiam (…) Esta transacção terá um saldo largamente negativo com a nossa consciência“. Pois é, mas pelos pelos vistos para o dr. Cunhal não tinha…

8 pensamentos sobre “Se isto não é a pândega, não sei o que será

  1. Comunista

    Concordamos então que a ditadura de Pinochet foi uma das mais sanguinárias ditaduras latino-americanas de sempre.

  2. Expatriado

    Consciencia era coisa que ele nao tinha e ficou provado com a maneira como ele serviu o Ultramar a’ voracidade do dominio sovietico.

  3. lucklucky

    Navios de guerra vendidos ou construídos com apoio da Itália Fascista de Mussolini à Comunista URSS:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Kirov-class_cruiser

    http://en.wikipedia.org/wiki/Tashkent-class_destroyer

    http://en.wikipedia.org/wiki/Gnevny-class_destroyer

    http://en.wikipedia.org/wiki/Sovetsky_Soyuz-class_battleship

    há mais como patrulhas para o NKVD etc..

    Não nos esqueçamos , agora com Nazi Hitler do:

    http://en.wikipedia.org/wiki/German_cruiser_Lützow_(1939)

    http://en.wikipedia.org/wiki/Kronshtadt-class_battlecruiser com canhões do modelo do famoso Bismarck…

  4. joao

    “uma das mais sanguinárias ditaduras “…a sério ? tão sanguinária como a ditadura salazarista ? …as coisas que se aprendem por aqui ….

  5. Francisco Colaço

    Comunista,

    Uma das. Não «a». Esse título pertence aos seus amigos cubanos e às FARC (pelas mortes nos seus territórios).

  6. ruicarmo

    “Concordamos então que a ditadura de Pinochet foi uma das mais sanguinárias ditaduras latino-americanas de sempre.”
    O que apimenta um nadinha mais a boa acção do santo Cunhal.O que é curioso é ser um comunista fazê-lo.

  7. A. R

    “Concordamos então que a ditadura de Pinochet foi uma das mais sanguinárias ditaduras latino-americanas de sempre.” Caro Comuna: já te disse para largares a garrafa de Vodka. Aquele ditado “Não há noivas feias apenas vodka a menos” é perigoso. Ainda te convidam a desposar aquela socielite chamada Galina Brejnev: um poço de beleza e virtudes, a que não podes dizer não, por obrigação revolucionária.

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