Vão vender essa a outro

Há poucas semanas, alguém com conhecimento do processo de negociação com a troika, contava-me que em 2011 estivemos a pouquissimas semanas do estado não ter dinheiro para pagar salários e pensões (os fornecedores já não eram pagos há muito). Do “divórcio” entre Teixeira dos Santos e José Sócrates devido à cegueira egocêntrica deste. Do embuste do PEC IV que, contrariamente ao que dizem os socialistas, não tinha sido negociado com Bruxelas e cuja aprovação não vinculava qualquer garantia de financiamento externo. E de como a própria UE se viu obrigada a acelerar os mecanismos de financiamento devido à bancarrota portuguesa (chegou a colocar-se a hipótese de ser o FMI a financiar a UE enquantos esta não angariava os fundos necessários). Dispensam-se pois as patranhas de Francisco Assis que hoje no Público “dá razão ao ex-primeiro-ministro Sócrates por este ter estado contra a solicitação de ajuda externa“. Não há paciência para os vendedores da banha da cobra que nos levaram à falência com as suas “políticas sociais” e planos megalomanos.

14 pensamentos sobre “Vão vender essa a outro

  1. oscar maximo

    Sempre me fez confusão colocar como alternativa um programa de 70 mil com outro de menos de 7 mil. A comparação, a fazer-se, terá de ser com o PEC IV, V, VI …. PEC XIII.
    Será que ninguém repara nos valores, ou está tudo doido?

  2. dervich

    “chegou a colocar-se a hipótese de ser o FMI a financiar a UE” porque esta não iria suportar o abalo enorme de ver 1% do seu PIB ir com os porcos…Pois, esta também é uma ideia que se vende bem…a outros!

  3. Miguel Noronha

    “porque esta não iria suportar o abalo enorme de ver 1% do seu PIB ir com os porcos”
    Provavelmente não saberá que o FMI tem um fundo de maneio permanente à disposição para este tipo de intervenções. Os mecanismos da UE era demasiado “verdes” e a cada intervenção têm de se financiar no mercado. Dada a urgência dos fundos podia não haver tempo de fazer isso.

  4. k.

    “Do embuste do PEC IV que, contrariamente ao que dizem os socialistas, não tinha sido negociado com Bruxelas e cuja aprovação não vinculava qualquer garantia de financiamento externo. E de como a própria UE se viu obrigada a acelerar os mecanismos de financiamento devido à bancarrota portuguesa (chegou a colocar-se a hipótese de ser o FMI a financiar a UE enquantos esta não angariava os fundos necessários).”

    – O PEC IV não foi negociado com Bruxelas mas foi apoiado por Angela Merkel, é a mesma coisa. E o FEEF, com 400 mil milhões de Euros à sua disposição, era mais que suficiente para ajudar Portugal, SEM o FMI.
    Curiosamente, o FEEF entrou em funcionamento em 11 de Março.
    O Passos Coelho anunciou que não apoiava o PECIV em 12 de Março.

    http://economico.sapo.pt/noticias/merkel-da-apoio-politico-a-socrates_112397.html

    O PSD tudo fez para que o FMI entrasse em Portugal. Semearam ventos, colham tempestades.

  5. Miguel Noronha

    Não é a mesma coisa. O MoU tinha associado o empréstimo de 80000 milhões. O PEC IV não tinha qualquer garantia de financiamento associada. Para além disso, como referi atrás, os mecanismos europeus só ficaram operacionais muito depois. Pode mostrar-me onde encontra referência a “financimentos garantidos”.

  6. Miguel Noronha

    Para além disso não vejo qual o seu problema com o FMI. Como por acaso explicou no outro dia o Prof Álvaro Almeira as instituições comunitárias envolvidas na “troika” são bem mais inflexíveis que o FMI.

  7. JP

    “E o FEEF, com 400 mil milhões de Euros à sua disposição, era mais que suficiente para ajudar Portugal, SEM o FMI. O PSD tudo fez para que o FMI entrasse em Portugal. Semearam ventos, colham tempestades.”

    Nesse caso não percebo o porquê da desesperada preocupação da oposição sobre um segundo resgate ou programa cautelar. Afinal de contas, é como dizia o Soares: o dinheiro aparece. Mas entretanto é gasto (“investido”, como se diz no PS) e as responsabilidades esfumam-se.

    E claro, já sabíamos que sem dinheiro sequer para salários e reformas, a seguir não viriam tempestades, mas sim o paraíso. É como aquele reformado de ontem, que julgava que do seu ordenado de 2200 euros não iria pagar 400 para cobrir as dívidas do país – talvez uns 10 euros por mês bastassem, mas só durante ano e meio. É só fazer as contas.

  8. Pingback: Estamos a milímetros | Declínio e Queda

  9. Cfe

    “porque esta não iria suportar o abalo enorme de ver 1% do seu PIB ir com os porcos”

    Vamos contextualizar:o problema: não seria o 1% mas o 1 + 2 + 2,3+ + x que adviria e tentava-se a todo custo evitar. A crise de confiança nas finanças de todos os países europeus.era um problema a evitar a todo custo.

    E ainda que assim não fosse basta olhar para a Grécia e ver o tamanho do rombo provocado pela a ajuda a um pequeno país como Portugal.

  10. JP

    Este Assis é o mesmo que teve o desplante de ir na terça-feira misturar-se com os piquetes da STCP e que na companhia da menina Vitorino levou um ovinho voador na tola, ou é outro?

  11. artista português

    Parece que já esqueceram – e o próprio também – que foi o ex-PR MS quem forçou o então PM a chamar o FMI. Foi o que ele disse em entrevista…

  12. Tiro ao Alvo

    O “artista português” tem razão: na altura o Mário Soares andou a gabar-se de ter gasto quase uma tarde inteira para convencer o Sócrates a pedir a ajuda da troica.
    É no que dá a idade. Ao meu avô também lhe acontecia assim.

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