Sobre O “Perigoso” Excedente Comercial Alemão

A ler, o artigo Germany’s “Dangerous” Current Account Surplus, do Frank Hollenbeck no Instituto Ludwig von Mises:

Só no mundo surreal da política económica dos dias de hoje é que ser muito competitivo pode ser considerado prejudicial.

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17 pensamentos sobre “Sobre O “Perigoso” Excedente Comercial Alemão

  1. JLeite

    Mas, não precisamos nós do excedente alemão para financiar o deficit português? Querem matar a galinha dos ovos de ouro?
    Deixem trabalhar e muito os alemães que nós cá estamos para os aliviar do excedente até que eles acordem.

  2. Bear

    Entao mas isso foi o que aconteceu desde a criação da união europeia, por alguma coisa os alemães baixaram os salários enquanto todos os outros paises felizes da vida aumentaram salários diminuindo a sua competitividade perdendo industrias, empregos, etc.
    Foi uma jogada de mestre, tornando os outros escravos, agora veremos como se vai configurar esta Europa, pois não vai se aguentar unida com tamanhas dívidas periféricas que não querem/podem ser pagas.

  3. k.

    Eles não são competitivos. A industria alemã é subsidiada por um Euro excessivamente baixo, que aumenta a competitvididade do seu perfil de exportações – porque acham que se a Alemanha saisse do Euro, o novo Marco Alemão se valorizaria?
    Essencialmente, eles são a parte que ganha de um gigantesco sistema de manipulação cambial. Não interessaria se existisse transferências entre estados, e mutualização federal da dívida, mas isso não é o que sucede – o autor do texto do link faz menção à “florida nos EUA”, mas esquece-se de diferenças críticas.

    Os “preguiçosos do Sul” são os que perdem, mas para muita gente, isso é bom: Dá uma oportunidade ideologica para impor “austeridade”.

    Já agora, se vão publicar artigos da escola austriaca, por favor publiquem tambem o horoscopo da maya, tem a mesma credibilidade.

  4. “ser muito competitivo pode ser considerado prejudicial”

    Os excedentes e défices não são uma medida de competitividade. Para isso seria necessário que todos pudessem produzir os mesmos bens o que raramente acontece.

    Imagine-se dois países um que só exporta água e outro cereais. Se houver uma praga que destrua os cereais no país produtor de cereais este não pode exportar os seus excedentes, mas tem de continuar a importar água para cozinhar o seu pão. Logo tem de ter um défice.

    No caso da Zona Euro, imagine-se que é constituída apenas por dois membros (Alemanha e Club Med) e que negoceia apenas com a China. A Alemanha exporta máquinas para a China, o Club Med é frequentado só por Alemães e os Chineses vendem vestuário ao Club Med e aos Alemães. Se houver um boom de investimento na China as exportações Alemães crescem fortemente. Para que as exportações possam crescer a Alemanha tem de financiar um défice dos Chineses ou, se estes o não tiverem, terá de financiar o Club Med para comprar vestuário aos Chineses para que estes possam ter um excedente.
    Assim, o Club Med terá de manter um défice permanente que só poderá ser eliminado se os Alemães passarem a fazer mais férias até que o Club Med se reestruture para vender máquinas aos Chineses ou até que estes passem também a frequentar o Club Med.

    Como é fácil de perceber esta situação não tem nada a ver com competitividade porque os três países não concorrem entre si e não podem eliminar a sua especialização no curto prazo.

    Esta história simples talvez não esteja tão longe da realidade como podemos pensar.

  5. APC

    Que giro, lá vem a teoria das máquinas alemãs na China, bem à lá António Costa. E então alguém aqui se lembra do Hartz-Konzept e da Agenda 2010 do Gerhard Schöder? A Alemanha estava em austeridade (da austeridade a sério, CORTE NA DESPESA, não a brincar aos tax hikes) quando o resto da Europa andava a passar o o seu verão a mergulhar nos euros baratos como referiu o comentador Bear e muito bem.

    Por outro lado a economia alemã são só máquinas para a China, é isto? E não tem a ver com competitividade, a sério?! E quanto aos países do Sul, é tudo igual também? Estamos portanto a considerar a economia Italiana como sendo “parecida” com a Portuguesa e por sua vez com a Espanhola ou Grega… Epah estas visões simplistas partem-me todo. Depois também dizer que políticas fiscais não fazem parte da competitividade já agora, e que devemos “atacar” os “paraísos fiscais” na Europa como a Holanda… faz sentido claro. A Europa deve ser uma massa cinzenta e disforme e com jeitinho podia estar hipnotizada para que seja tudo igual, um país baixar impostos para atrair investimentos é criminoso, esses grandes bardinos.

    E para terminar, gosto da referência anterior à mutualização de dívidas e federalização como resposta ao problema, curar dívida com dívida, parece-me que é algo nunca tentado antes com resultados fabulosos.

  6. k.

    “E então alguém aqui se lembra do Hartz-Konzept e da Agenda 2010 do Gerhard Schöder? A Alemanha estava em austeridade (da austeridade a sério, CORTE NA DESPESA, não a brincar aos tax hikes)”

    Errado. As alterações da Agenda 2010 não se centraram em cortes de despesa, mas sim em modificações legais e institucionais. Equivaleria a este governo fazer “reformas”.
    E tendo em conta a subida das desigualdades economicas na Alemanha, o próprio sucesso dessas reformas começa a ser questionado.

    “Por outro lado a economia alemã são só máquinas para a China, é isto? E não tem a ver com competitividade, a sério?! E quanto aos países do Sul, é tudo igual também? Estamos portanto a considerar a economia Italiana como sendo “parecida” com a Portuguesa e por sua vez com a Espanhola ou Grega… Epah estas visões simplistas partem-me todo. Depois também dizer que políticas fiscais não fazem parte da competitividade já agora, e que devemos “atacar” os “paraísos fiscais” na Europa como a Holanda… faz sentido claro. A Europa deve ser uma massa cinzenta e disforme e com jeitinho podia estar hipnotizada para que seja tudo igual, um país baixar impostos para atrair investimentos é criminoso, esses grandes bardinos.”

    “Tem a ver com padrões de especialização, com o valor acrescentado do que se exporta, o que no caso Alemão, além de ter um alto valor, é ainda subsidiado.”
    As politicas fiscais importam até certo ponto, mas se fosse isso que contava, então a Alemanha com a sua alta taxação (IRC mais alto que o Portugues) não era competitiva.

    http://www.kpmg.com/global/en/services/tax/tax-tools-and-resources/pages/corporate-tax-rates-table.aspx

    “E para terminar, gosto da referência anterior à mutualização de dívidas e federalização como resposta ao problema, curar dívida com dívida, parece-me que é algo nunca tentado antes com resultados fabulosos.”

    Mutualização das dívidas não significa mais divida.

  7. Luís Lavoura

    É evidente que é problemático, porque causa grandes excedentes que não se sabe como podem ser investidos com proveito.
    Uma causa da crise da dívida é precisamente a existência de grandes quantidades de capital excedentário em busca de uma aplicação lucrativa.

  8. Luís Lavoura

    a economia alemã são só máquinas para a China, é isto?

    Em grande parte, é.

    A Alemanha produz poucos bens de consumo, com exceção dos automóveis. Está especializada na indústria química, elétrica, e de construção de máquinas.

    Nesses setores, tem pouca ou nenhuma concorrência à altura.

  9. ricardo saramago

    Para além da costumeira aversão ao sucesso, toda esta discussão é lamentável.
    No que nos diz respeito, o superhavit alemão significa que toda essa poupança está disponível para ser investida.
    Preferimos que nos emprestem para pagar despesa e dívida pública ou que seja investida em Portugal em empresas e fábricas.
    Para que esses capitais venham para Portugal sob a forma de investimento temos que frazer com que investir em Portugal seja um bom negócio.
    Precisamos muito mais de Investimento (venha de onde vier) do que de crédito.
    Não há outra forma de ultrapassar as dificuldades.

  10. APC

    k., então explique lá o que aconteceu ao subsídio de desemprego após o Hartz Concept.

    Mutalização da dívida não significa mais dívida, até lhe cedo esta, mas então o que acha que ia acontecer nos países do sul se os juros da dívida com juros baixos? E qual seria a taxa de aprovação desta medida nos países fiscalmente responsáveis?
    Pois.

  11. APC

    Luis Lavoura, tome lá:

    Da wikipédia para ser mais fácil para si.

    Quanto à China, corresponde a aprox. 30% das exportações alemãs (e não, não exportam só máquinas para lá…), os outros 70% não vale a pena considerar. É justo.

  12. Francisco Colaço

    Ricardo Saramado,

    Disse bem. Eu sei disso, o Ricardo sabe disso e trinta e três outros como nós também. O resto está à espera da esmola.

  13. Francisco Colaço

    JMS,

    «Pois é devíamos ter todos superavits! Ah espera não é possível…»

    Os superavites não são perduráveis no tempo. A rotação de civilizações assim o impõe.

    Portanto, se queremos ter superavites (e temo-los), melhor é que nos especializemos, por exemplo, em máquinas ou software — e é precisamente o que estamos a fazer. Para combater os alemães temos de nos tornar melhor do que eles, ou pelo menos tão bons, mas a um preço de venda mais baixo. E é isso mesmo o segredo das novas exportações portuguesas.

    Não espere que a Srª Merkel passe a trair o povo que a elegeu para que os seguros e os JMS desta vida deixem de molhar lenços. Há uma batalha difícil à frente, mas é uma batalha que nos tornará excelentes. E acrescento isto: se nos batermos enquanto é difícil não voltaremos a querer voltar para trás quando virmos os benefícios de trabalhar bem.

    A produtividade faz-se acrescentando valor a um produto. O valor é no fundo aquilo que o consumidor está disposto a pagar pelos cangalhos que temos para vender. Para produzir cá de modo competitivo necessário é que seja impossível produzir ao preço que produzimos mais os custos de logística associados a levar o produto ao consumidor (transportes, armazenagem e alfândegas, por exemplo).

    Das duas uma: ou somos muito baratos na mão de obra (e burros!) ou tiramos a mão de obra da manufactura com a automação (a minha especialidade!) ou fazemos aquilo que ninguém mais sabe ou consegue fazer (o que aspiro nos próximos tempos!), de modo a que possam comprar o que se faz .

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