Houve uma ‘razia’ n’O Insurgente e eu não dei por nada, seus sonsos?!

Ora então os meninos insurgentes foram todos para o governo, certamente para cargos muito bem remunerados, o blogue, coitado, ficou desfalcado, e não contaram nada a ninguém? Ou, numa demonstração de como as gentes liberais são velhacas, apesar de estarem todos a trabalhar para este governo – liberal, vamos não esquecer – continuaram a vir aqui escrever cobras e lagartos sobre as pessoas boas que vos acolheram, num claríssimo exemplo de morder a mão de quem vos deu de comer? Ah, gente ruim.

Eu informo que estou amuada com tudo isto e prestes a entrar em greve blogosférica. Sabia que tínhamos infiltrado o governo com um efetivo nosso, no início, e que foi recrutado mais um perigoso liberal aquando da penúltima (ou antepenúltima? whatever) remodelação, mas afinal estão todos, todinhos!, no governo menos eu.

Por um momento esquecendo os planos de vingança aqui contra os colegas de blogue, a propósito do que é contado pelo entrevistado: uma coisa que sempre achei fascinante – no sentido de provocar vómitos – foi este despudor, o orgulho até, com que esta gente passista se dedica à velhacaria e declara a sua falta de escrúpulos; ou a sua visão, que reconhecem, de que a política deve ser feita na mixórdia imoral e não com seriedade; que, enfim, preferem um Relvas às intenções sérias de quem tentou algo normal nas democracias normais como os briefings diários; e a importância exorbitante que se atribuem, a ponto de se considerarem responsáveis pelas eleições de PPC. Por mim, exibo com grande honra o facto de ter sido um alvo desta gente e foi motivo de muitas gargalhadas, sobretudo com gente do PSD, um ex membro do governo guterrista, em vez de tomar os antidepressivos que evidentemente necessitava, andar a escrever coisas sob um pseudónimo que usava o meu nome e perder o seu tempo alimentando uma conta de twitter supostamente minha.

Nem todos os que tiveram o azar de serem referidos na entrevista merecem lá constar. Leia-se, por exemplo, a reação de Pedro Correia – que não conheço pessoalmente mas tenho por pessoa decente.

(Cheguei à entrevista através do Estado Sentido e do João Pereira da Silva).

29 pensamentos sobre “Houve uma ‘razia’ n’O Insurgente e eu não dei por nada, seus sonsos?!

  1. José Meireles Graça

    És inacreditavelmente ingénua, Maria João: Eles não te disseram nada porque sabiam perfeitamente que ias ofuscá-los. Quando te quiseres livrar desta cáfila neoliberal e oportunista tens outra casa à tua disposição.

  2. Maria João Marques

    Eu também estou desconfiada disso, Zé Maria. Sabiam muito bem que eu rapidamente passaria de um cargo de assessora para, pelo menos, vice pm, ainda antes do lugar ser surripiado por Portas, e decidiram boicotar por antecipação esta minha carreira meteórica. Estou já a reler o Conde de Monte Cristo para tirar ideias para a vingança. E conto contigo, claro.

  3. Fil

    Chamem-me ingénuo também. Sempre admiti que há manipulação de opinião e afins jogos de influência por todo o lado, mas o artigo referido, para mim, é chocante. Mostra tanta podridão, tanta vergonha, tanta politiquice rasteira…como rasteiro é alguém falar disto quase de peito feito, num tom orgulhoso…mas mais vale que assim seja, sempre ficamos a conhecer qualquer coisa. Vale até muito a pena ler esta entrevista para percebermos a facilidade com que andamos a “engolir” opiniões destes e daqueles, e perceber em suma, porque é que na hora das eleições, a escolha dos candidatos que se nos afigura, varia entre fracos, incompetentes, vigaristas e lideres de plástico, gente pré fabricada e com pés de barro…

    Nota: Eu sou um simples cidadão, sem ligações politicas, sem qualquer poder de influência sobre a opinião dos outros. A blogosfera é (foi) para mim, uma fonte de informação, conhecimento e aprendizagem, um meio de partilha de opiniões. Ao ler o referido artigo fica-me um sabor amargo, confesso, porque pior que a desinformação, manipulação e despudor que ali se exibem, só a falta de independência, carácter e coluna vertebral de muitos que aqui (e noutros blogues) publicam diariamente. O problema é que isto envergonha os bons e os maus, independentes ou dependentes, porque nos faz desconfiar de todos, injustamente em muitos casos. Pela positiva apenas uma coisa me ocorre: Talvez este alerta ajude a reforçar uma coisa que sempre fiz questão de ter e falta a muitos dos que se aglomeram em rebanho: Pensamento próprio, critico e independente.

  4. Comunista

    “Talvez este alerta ajude a reforçar uma coisa que sempre fiz questão de ter e falta a muitos dos que se aglomeram em rebanho: Pensamento próprio, critico e independente.”

    Para o rebanho do insurgente só há pensamento próprio, crítico e independente se pensar como o rebanho.

  5. PeSilva

    “Eu informo que estou amuada com tudo isto e prestes a entrar em greve blogosférica. ”

    Ora cá está uma boa notícia 😉

  6. Fil

    Não quer aqui gente fora do rebanho e a balir fora de tom, não é caro PeSilva? um destes também para si 😉 Democracia qual quê? Isso é para os outros…

  7. lucklucky

    Não percebo o grau de choque com o artigo – excepto para aqueles que foram directamente atingidos.
    São agora todos virgens que nunca leram recados nos jornais, TV’s? notícias especialmente colocadas?
    Ou só choca manipulação de comentários?
    E isto comparado com o período 25 de Abril-PREC é brincadeira de crianças.

  8. Maria João Marques

    Lucklucky, nada foi novidade. Haver um tolinho a vangloriar-se disso é que não se esperava. E coitado do insurgente, que não devia ser misturado com estas coisas.

  9. Maria João Marques

    Como imagina, não vou eu dar informações sobre os percursos profissionais dos outros insurgentes. De qualquer forma, presumo que as informaçòes sejam públicas e estejam publicadas num sítio qualquer.

  10. Maria João Marques

    Olhe que não, comunista, olhe que não. Não deve haver blogue onde os autores tenham opiniões tão diferentes entre si como o insurgente. Como ainda no outro dia dizia aos insurgentes, desde aquela mania de não sei quantos se declararem não de direita, ou só talvez de direita, que tenho medo de abrir o blogue e ver alguém a declarar-se de extrema esquerda. (Quando falo de direita não me refiro ao desgraçado simulacro que temos na AR, claro). Não temos por cá, no entanto, a tendência de purgar que têm os blogues de esquerda sempre que há divergências de opinião, e se calhar isso confunde-vos.

  11. Comunista

    “Olhe que não, comunista, olhe que não. Não deve haver blogue onde os autores tenham opiniões tão diferentes entre si como o insurgente. ”

    “Sim, de facto há (alguma) divergência de opiniões no Insurgente, mais bem aceite do que no 5 Dias.”

    – Quais são as divergências importantes de opinião política e económica entre os membros do insurgente?

    Eu leio o insurgente e nunca aqui vi uma polémica a sério senão talvez quando um insurgente se atreveu a dizer qualquer coisa favorável à palestina – algo que aconteceu apenas uma vez em uns poucos de anos (o blogger deve ter sido corrijido pelos demais).

  12. DavC

    Assim de repente lembro-me que o Ricardo Arroja tem umas ideias bem divergentes do resto em relação ao proteccionismo. O João Luís Pinto tem umas ideias bem fora de uma suposta “ortodoxia insurgente” no que toca aos cortes nos salários da função pública e pensões. Alguns serão anarcap enquanto outros admitem a necessidade do Estado… Sinceramente, e eu discordo montes de vezes do que aqui se publica, não me parece que haja pouca liberdade de pensamento. Senão nem vinha cá, muito menos perdia o meu tempo a comentar.

  13. David Calão

    Além disso a questão default vs pagamento da dívida também não me parece que seja consensual por aqui.

  14. Comunista

    “Alguns serão anarcap enquanto outros admitem a necessidade do Estado”

    O anarcocapitalismo não existe. O verdadeiro anarca é de esquerda. Inimigo dos comunistas, é certo, mas não pelo lado direito e é muito mais inimigo do capitalismo. Quem não admite a necessidade do Estado tem que defender a justiça pelas próprias mãos, o fim da polícia, dos tribunais, de toda a ordem central. Fora disso é só um nome para tentar impressionar as garotas.

  15. Comunista

    “Sinceramente, e eu discordo montes de vezes do que aqui se publica, não me parece que haja pouca liberdade de pensamento.”

    Só uma coisa, eu não digo que não há liberdade de pensamento, digo apenas que a liberdade que há aqui é a que há em qualquer outro lado. Há uma certa mania que aqui se é mais livre que no 5 Dias, ou coisa que o valha: ora nada mais errado. Quanto ao mais é bom talvez algumas noções de hermenêutica e de estudos sobre ideologia para surpreendermos algo daquilo que dizendo carácter do ser livre é na verdade muito condicionado – e daí a própria questão do que é a liberdade e dos problemas que a questão oferece.

  16. DavC

    Chame-lhe o que quiser. Ancap ou libertários anti-estado, por mim é indiferente. Tal como os comunistas, para mim estão na prateleira da ficção cientifica.

    Quanto à “liberdade de pensamento”, foi uma infeliz escolha de palavras, admito. Digamos antes que há alguma variedade de pensamento, dentro do mesmo espectro, claro. Para blogues sem cor vou ler o aventar ou o delito de opinião.

  17. Comunista

    Quanto ao comunismo dispenso-me por agora de o defender.

    O problema do anarco-capitalismo a meu ver é logo conceptual. Não é portanto que ou se ele é ficcional mas que disconsidere que onde há uma regra colectiva tem de haver um qualquer tipo de superestrutura que a resguarde e o anarco-capitalismo está cheio de “deveres”. A justiça DEVE ser privada, a polícia DEVE ser privada, os tribunais DEVEM ser privados e por aí fora. É evidente que estes deveres ou tem força de coação ou então são só conversa que dura enquanto interessa – e os interesses, nomeadamente nos negócios, mudam com muita frequência.

    Quanto ao ficcional, bom… o que você vive agora é acima de tudo ficcional. Temos um governo eleito com um programa que foi um texto de ficção, continuamos com um programa ficcional, ou seja, um monstrengo que ao mesmo tempo que falha em tudo o que se comprometeu de essencial é constantemente elevado pelo governo a uma necessidade para nosso próprio bem: então o mal é para nosso bem. Dando de face mais uma vez com a estrutura religiosa do momento actual do nosso capitalismo – aqui através da lógica expiatória.

  18. Tiro ao Alvo

    O Comunista não merece que lhe dêem tanta atenção, repito. Além do mais, é frequentemente malcriado. E não desconhece que alguns blogues da sua preferência exercem, regularmente, censura sobre os comentadores desalinhados, coisa que por aqui e que se saiba não acontece.

  19. Francisco Colaço

    Quem não gostar d’O Insurgente pode sempre concretizar o seu próprio blogue. Quem não gostar do 5 Dias pode sempre optar por não o ler. Quem não gostar do Blasfémias pode passar o seu tempo com outras coisas.

    Por enquanto temos esta liberdade. Por enquanto. A ditadura na Venezuela está madura e legalizada e a dos Estados Unidos a amadurecer e pouco falta para que as executive orders deixem de se cingir a matérias do foro executivo para passarem a incidir no foro legislativo.

    Segundo Don Bongino (procurem-no):

    “We’re in a very dangerous place right now. There are so many scandals going on right now with this administration, any one of them in my opinion could be absolutely catastrophic for what this country stands for.” Taking on Obamacare, he said, “That scandal in itself is a huge deal. We are in such a dangerous place with this administration, they use this government as a shiny new toy — this little red ball they just got — because they are so inexperienced with it.

    “That wasn’t necessarily the case with the Clintons, and I was pretty much enmeshed in Hillary’s Senate campaign. Although I disagreed with a lot of their political positions . . . I can’t tell you that they thought government was a weapon exclusively to intimidate their enemies. But this administration constantly seems to use government [as a weapon] because they are inexperienced with it — it’s like giving a kid a Bowie knife and saying, ‘Have fun.’ They gave this administration which has no experience the reins of government and they have just gone wild.”

  20. Francisco Colaço

    Lamento dizer-vos que já houve uma ordem executiva a incidir sobre matérias cujo poder não está no âmbito do Presidente dos Estados Unidos — é matéria legislativa.

    Saiu anteontem.

  21. Maria João, parabéns por mais um post excelente.

    Quando se chega a uma idade madura como a minha, já vivemos o suficiente para sermos realistas sobre a natureza humana e a pureza de intenções dos independentes.

    Sobre o dilema dos independentes relembro este meu post: http://marques-mendes.blogspot.com/2011/06/o-mito-dos-independentes-na-politica.html

    Sobre a utlização das técnicas de PR em Portugal deixei um alerta aqui: http://marques-mendes.blogspot.com/2011/09/os-problemas-do-jornalismo-em-portugal.html

    São realidades às quais temos de nos habituar. No entanto, não deixem de ser idealistas. A humanidade só progredirá se soubermos conciliar o idealismo dos jovens com o ceptcismo dos mais velhos!

  22. Pingback: A “razia” silenciosa | O Insurgente

  23. Rodrigo

    “O anarcocapitalismo não existe. O verdadeiro anarca é de esquerda”, Comunista, quando quiseres”arrotar umas postas de pescada” estuda primeiro. É só para o cheiro ser menos nauseabundo. Eu sei, dá trabalho, é cansativo, envolve esforço intelectual e a capacidade de colocarmos em causa o que sabemos, epá mas vale a pena, porque assim poderás dizer coisas de forma coerente e consistente.As pessoas – aqueles para quem tens um projecto de vida, uma luz para os iluminar – vão começar a prestar-te mais atenção mesmo que não concordem, talvez alguns comecem mesmo a trocar alguns argumentos contigo, numa efectiva conversa entre duas pessoas. A continuares assim serás para sempre um comunista e isso é lamentável ! Deste que te quer ajudar, que te deixa dois “livrinhos” para leres e que se assina – Rodrigo

    Começa por aqui -> http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=58
    e continua por aqui -> http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=720

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