Here We Go Again

SeguroCGTPO Tó Zé Seguro reuniu-se hoje com a CGTP-IN e fez o seguinte anúncio na sua página do facebook:

Estive reunido com a CGTP-IN esta manhã. Uma reunião onde defendemos o aumento imediato do salário mínimo nacional. É urgente devolver poder de compra aos portugueses. Só assim as famílias poderão fazer face às elevadas despesas que enfrentam e só assim será possível estimular o consumo interno, melhorando o comportamento da economia.

Embora não defina o valor do aumento do salário mínimo, o raciocínio dele imagino que seja algo do género: as pessoas recebem mais dinheiro, gastam mais, estimulam a economia. Com algum grau maior de sofisticação – eventualmente passado pelo João Galamba – pensará que os trabalhadores com rendimentos mais baixos têm mais propensão para o consumo. Junte-se a isto um factor do efeito multiplicador com o valor que se quiser e poderá até candidatar-se a um prémio de economia qualquer.

O que parece escapar ao Tó Zé (como a muitos outros) é que, mantendo a produtividade constante, o aumento dos salários terá que ser financiado por margens mais baixas com perda de rentabilidade (deixando investimentos de serem realizados e produtos de serem produzidos), ou por preços mais elevados – inflação (o que anula o em termos de poder de compra o aumento nominal dos salários). Um aumento do salário sem correspondente aumento da produtividade representa também um aumento do custo de um serviço, pelo que a procura será necessariamente menor, causando em conjunto com a perda de rentabilidades, um aumento do desemprego.

Ao mesmo tempo convém salientar, que o Tó Zé não sofre na pele nenhuma consequência directa do aumento do salário mínimo que defende. É uma medida que os empregadores do sector privado terão que suportar, e não o Tó Ze.

Mas recorramos à redução ao absurdo. Admitamos que o Tó Zé tem razão – um aumento do salário mínimo estimula o consumo interno e melhora o comportamento da economia. Porque não definir o salário mínimo – e já que é para definir um valor arbitrário e é – no valor de um milhão de euros?  Isso é que seria um estímulo!

E se o objectivo é “devolver o poder de compra aos portugueses” porque é que o estado, não atribuí uma renda mensal a todos os cidadãos no valor de – vou ser mais modesto porque se trata de despesa pública – 1000 euros? O consumo interno certamente que seria estimulado – juntemos o efeito multiplicador e, seguindo a teoria, o estado provavelmente até receberia mais em receita fiscal do que o que teria “investido”.

Se os políticos pelo menos lessem uma vez que fosse o “Economia Numa Lição” do Henry Hazlitt

Leitura Complementar: O Salário Mínimo.

7 pensamentos sobre “Here We Go Again

  1. paam

    “Só assim as famílias poderão fazer face às elevadas despesas que enfrentam e só assim será possível estimular o consumo interno, melhorando o comportamento da economia.“

    Só assim Tó Zé?. E se o Estado diminuir a sua despesa diminuindo, consequentemente, os impostos? Será que isso não iria reduzir as despesas das famílias? Ou pagar impostos não é uma despesa? E não estimularia o consumo interno? E não melhoraria o comportamento da economia?

    E isto é proposto num país com um déficie de 4.5% e uma economia em recessão, a solução do Tó Zé é… gastar mais.

  2. JP

    “Uma reunião ONDE defendemos o aumento imediato do salário mínimo nacional. ” !

    Será truque gramatical?
    Em que raio de lugar é que ele defende tal coisa?
    Hipótese: ele depois pode dizer que só defendia isso naquele local.

    Ou, então, é mesmo uma calinada 🙂

  3. makarana

    E se o objectivo é “devolver o poder de compra aos portugueses” porque é que o estado, não atribuí uma renda mensal a todos os cidadãos no valor de – vou ser mais modesto porque se trata de despesa pública – 1000 euros? O consumo interno certamente que seria estimulado – juntemos o efeito multiplicador e, seguindo a teoria, o estado provavelmente até receberia mais em receita fiscal do que o que teria “investido”.
    Caro João,esta pergunta retórica era a sério,ou trata-se de ironia? Seria mesmo possivel essa quantia ser atribuida?

  4. joshua

    As reuniões entre o Tó Zé e a CGTP têm um efeito difícil de descrever. É uma coisa coisa do género: «Estive reunido com a CGTP e vi a Luz. A Luz diz-me que exija-decrete aumentos e decrete-exija a multiplicação do dinheiro para todos os trabalhadores em partes lustrosas e suculentas, que isto é crescimento pela certa.»

    E um dia, os Portugueses, fartos de austeridade, votarão no Tó Zé que decretará o crescimento e o fim da austeridade. O fóssil PCP e a fóssil CGTP têm um Banco secreto e não nos dizem qual e onde fica. O PS, quando se encontra com a fóssil CGTP-PCP snifa um pó alucinopolítico que dá umas visões e uns milagres psicadélicos e não nos diz qual é.

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