O Professor

(Artigo meu publicado no Diário Económico de hoje, que garantirá que nunca serei convidado para trabalhar na campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar de até dar ao dito candidato o melhor argumento possível a seu favor.)

Quando não os ocupa a enganar-se nos detalhes da lenda do rei Salomão, Marcelo Rebelo de Sousa dedica uma boa parte dos seus comentários dominicais às presidenciais de 2016. O facto de três anos nos separarem delas, ou o de o país estar tão mal que ninguém sabe sequer como vai ser o mês seguinte, não detêm “o Professor”, que não se amedronta com tão mundanas considerações.

Assim, no passado domingo, Marcelo afirmou não se excluir das presidenciais, e que quem de entre ele, Durão e Santana estiver “melhor colocado” para vencer a eleição, tem “o dever moral” de concorrer.

É de notar como o discurso de Marcelo se centra em qual será a candidatura “mais forte”, qual ou quais as figuras que estão “melhor posicionadas” para ganhar a corrida eleitoral. Deixa de fora a questão fundamental: para que serve a candidatura desta ou daquela personalidade? Quem, de entre os vários putativos candidatos, poderá dar um maior contributo para resolver os problemas do país?
Sobre isto, “o Professor” não diz palavra. Os desafios que Portugal enfrenta, e o que o ocupante do palácio de Belém pode fazer para contribuir para a sua superação, são questões ausentes do seu comentário na TVI (afinal, o tempo é finito, e há que responder a perguntas sobre se há esperança de ver “a nossa selecção” qualificar-se para o Mundial do Brasil). Interessa apenas quem pode ou não ser eleito.

Marcelo poderá até ser um “bom candidato” no sentido “marcelista” (só com um “l”) do termo, mas definitivamente não o será no sentido que deveria merecer a nossa atenção. Marcelo até poderá “estar bem posicionado” para chegar a Belém, mas só o facto do seu comentário político tratar os assuntos do país como um jogo de futebol deveria ser o suficiente para se duvidar que, uma vez lá residente, pudesse ter um papel na resolução dos nossos problemas políticos. Quem veja e oiça, com olhos de ver e ouvidos de ouvir, o comentário de Marcelo, só o poderá querer como Presidente se a alternativa for ainda pior. O que, a crer no lançamento do livro do comentador que contra ele compete pela atenção dos telespectadores de domingo, até é bem capaz de vir a ser o caso.

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2 pensamentos sobre “O Professor

  1. Rogerio Alves

    Verdade seja dita, a maior culpada – desde sempre! – do ressurgimento ocasional mas frequente do tema é mesmo a Judite de Sousa. Bem que o Marcelo até o relevou quando lhe apontou “Mas isso é uma sua obsessão” (duas vezes) mas nem precisava pois a senhora não parece ter outra questão na cabeça. E o tema (desinteressantíssimo, diga-se!) das candidaturas à PR apenas se resume à lista dos nomes potencialmente candidatos. Pouco tenho a elogiar a MRS mas, desta vez, até o absolvo. Sim, devia-se calar, devia desviar o assunto, devia denunciar a ridicularia de JsS, mas – que fazer? – o homem julga-se um cavalheiro não o fazendo…

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