Uma Implosão Constitucionalíssima

É caricato que a minha geração – nasci em 1990 – tenha de conviver com um permanente discurso que insiste em acenar com os fantasmas de experiências políticas irredutíveis do passado, quando o mais perfeito exemplo daquilo que poderemos designar de actual “reaccionário”, em Portugal, corresponde aos heróis da geração que arrogou para si a autoria de um apoteótico e irreversível “fim da história”, em Abril de 74.

Passados 40 anos de irresponsabilidade perdulária, a tentativa de enrolar o debate político e apresentar os mesmos modelos obsoletos como única opção aceitável, à aguardarem mais uma ronda de aperfeiçoamentos institucionais, só pode ser interpretada como cinismo. É como se estivéssemos reféns, dentro de uma cela no meio da selva, e o nosso carrasco nos viesse trazer o mesmo prato intragável várias vezes ao dia. Primeiro morno, depois frio, requentado… e frio outra vez.

Eis que está consumado o efeito lógico de uma constituição programática que estende a utopia da gratuitidade a todos os pormenores do quotidiano, entregando-a de bandeja em prometidas porções uniformes: os hospitais são corredores da morte; as escolas são fábricas de carne picada intelectual e palco de selvajaria por parte dos delinquentes que são mantidos e entretidos pela indulgente imposição do ensino obrigatório interminável; os concelhos e freguesias são simples sucursais do saque e edificação; a cultura é um clube de petulantes com desprezo pelo sentido estético do povo mas com carinho pelo bolso alheio; e a família um elo de ligação dinamitado por dentro.

Mas, em boa verdade, a teimosia de um texto constitucional avesso à mudança e blindado até ao mínimo detalhe de pincelada socializante, pode ser o choque que nos falta para desbloquear grande parte das pressões que se têm arreigado em torno dos nossos orçamentos.

Agouros à parte, – e não entrando no vitimismo e fatalismo da Deolinda – eu sou de uma geração que chega aos 20 sem ilusões, aos 30 sem casa, aos 40 sem filhos, aos 50 sem paciência e aos 60 ou 70 sem reforma. E de quem é a culpa? É conveniente reflectir sobre isso, já que uma parte é explicada pelas próprias escolhas e prioridades individuais características dos tempos que vivemos, explicadas em grande parte por um individualismo pernicioso que assenta na desresponsabilização pessoal amparada pela estatização completa da vida em sociedade. Outra importante parte da culpa é imputável ao desgoverno, carga fiscal penalizadora e a todo um contínuo propiciar de erosão da meritocracia em favor de uma ampla classe de dependentes. Todo o discurso monolítico que capta as simpatias do povo, escondendo e obscurecendo alternativas eficientes que poderiam satisfazer melhor as necessidades dos cidadãos, deve ser rejeitado liminarmente.

Perdeu-se qualquer fronteira entre a generalidade que deve ser uma das características inerentes da Lei Fundamental, e as políticas aplicadas pelo Estado. O que origina a absoluta estatização à sombra da protecção de um texto constitucional que perpetua um sistema intocável, cerrado e inquebrável. Ninguém quer saber o que funciona melhor. O interesse dos reais consumidores é habilmente silenciado por um Estado que não faz nem deixa fazer.

Convivemos precisamente com aquilo que uma Constituição não deve ser. Mas a ausência de verdadeiro confronto de valores entre extremos opostos consegue criar a ilusão de que a nossa Constituição é a expressão do consenso nacional e, como tal, parece que nem persiste anormalidade alguma que mereça discussão. Um conformismo típico de momentos de alegre anestesia totalitária, levando o fenómeno ao seu extremo.

Seria escandaloso que persistissem ainda menções à “irreversibilidade das nacionalizações” ou à “apropriação colectiva dos principais meios de produção” – aspectos removidos, em boa hora, na Revisão de 1989. Contudo, remover do papel não significa remover da mentalidade dos portugueses e da margem de acção dos dirigentes, pois aquele à vontade egoísta de saquear porque “o que é teu, é nosso” não ficou enterrado na Revisão de 1982, que suprimiu as expressões mais descaradas que vinham do PREC. Um espectáculo igualmente indigno continua a ser corriqueiro na maioria das tentativas de debate em Portugal, e veja-se o caso semanal no Prós e Contras. Por momentos, parece que estamos a ser assombrados pelos protagonistas do filme Torre Bela, tal é o grau de histeria e infantilização.

A raiz do problema vem desde logo da concepção do poder político. A farsa da generosidade descoberta e ilimitada, qual galinha de ovos de ouro, propiciou a confiança num texto que abarcou as especificidades mais íntimas da sociedade e da economia. O pior de tudo é quererem vender-nos a ideia de que qualquer Constituição levantaria os meus obstáculos às medidas propostas. Atirar areia para os olhos. Como se não bastasse pretenderem impedir que os portugueses conheçam novas receitas para os seus problemas, não hesitam também em passar atestado de ignorância à população como se ninguém tivesse noções básicas de Direito Constitucional. O mais relevante nem é saber se os juízes do Tribunal Constitucional são politizados ou não. O fundamental é admitir que o próprio texto sempre foi politizado até ao tutano.

Se podemos dizer que o Estado frustrou as expectativas de muitos pensionistas, com os quais tinha firmado compromissos, não é menos verdade que o mesmo Estado está a impedir a minha geração de criar as suas próprias expectativas, fora do escopo do governo. A solução é esperar que caia sob o seu próprio peso burocrático com a força das suas regras obsoletas de caráter dirigente.

Em Democracia, Robert Dahl enumera-nos critérios para entendermos as diferenças entre constituições e as suas características. Um dos critérios é a “elasticidade” e diz-nos então: “Um sistema constitucional não tem de ser construído de forma tão rígida ou fixado de modo tão imutável, quer por escrito, quer pela tradição, que não possa ser adaptado a novas situações.” Claro que isto são aspectos que não se aplicam ao nosso país, liderado pela sabedoria omnisciente e intemporal que brotou da Revolução. Somos especiais porque somos encabeçados por uma Lei Fundamental com 296 artigos, salvo erro (e que começou por ter 312). Tudo isto para não deixar escapar nenhum pormenor da felicidade humana devidamente enquadrado.

Subscrevendo as palavras do Carlos Novais: “Bela ideia, terem colocado um botão de auto-destruição do Estado Central na Constituição. Estou a adorar”. Não há muito a temer, já que o Estado Central tem as finanças, a demografia e o tempo contra ele. As restrições financeiras vieram em boa hora, apesar da teimosia das classes obstinadas. Mais vale corrigir atempadamente do que remediar no futuro? Como cantava Freeddie Mercury: you’re headed for disaster because you never read the signs”.

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43 pensamentos sobre “Uma Implosão Constitucionalíssima

  1. Rafael Ortega

    Está aqui mais um da geração (1989) que vai pagar todos os direitos adquiridos ou ter que ir embora.

  2. JP

    Se entretanto não houver uma revolução em Portugal, é possível que daqui a 1000 anos este país ainda viva com a constituição de 1975.

  3. Duas coisas: a constituição não é de 1975, mas de 2005, e teve o apoio – como não podia deixar de ser, dado que é preciso uma maioria de 2/3 para alterar a constituição – do PS e do PSD. E há constituições que datam de 1789, como a dos EUA. Os arroubos anti-constitucionais têm fácil emenda: que os partidos do Governo consigam convencer 2/3 dos deputados da assembleia a votar uma nova lei anti-fundamental. De resto, temos pena – se querem uma lei que proteja todos os desmandos ultraliberais do Governo, façam uma revolução.

  4. 7anaz

    Texto brilhante, na escrita (apesar de, aparentemente haver quem o leu sem saber ler) e principalmente no seu conteúdo. Eu que nasci na década de 60, assino por baixo.

  5. JP

    Resolvam e mais nada, porque vamos rebentar pela fonte do dinheirinho:

    “O Constitucional é uma pedra no sapato do Governo e de Bruxelas e é interpretado como sendo QUASE COMUNISTA pelos mercados”. Essa é a opinião de um dos analistas ouvidos pelo “Financial Times” que conclui que os 13 juízes do Palácio Ratton têm nas mãos o destino de Portugal e, em boa medida, também o da Zona Euro.”

  6. «a constituição não é de 1975, mas de 2005, e teve o apoio – como não podia deixar de ser, dado que é preciso uma maioria de 2/3 para alterar a constituição – do PS e do PSD»

    Isto não faz qualquer sentido… A constituição é de 75. A única coisa efectivamente “apoiada” em 2005 são as partes que se acordou alterar. O resto vem por inércia. O que o Sérgio poderia dizer, e seria verdade, é que o PSD votou a constituição em 75. Isso não quer dizer que o PSD de agora votaria a mesma constituição se fosse a votos. As coisas evoluem.

    «E há constituições que datam de 1789, como a dos EUA.»

    Pois há. Não têm 300 artigos. São princípios genéricos de organização política e não programas de orientação compulsiva de governação.

  7. JP

    “Duas coisas: a constituição não é de 1975, mas de 2005, e teve o apoio – como não podia deixar de ser, dado que é preciso uma maioria de 2/3 para alterar a constituição – do PS e do PSD. E há constituições que datam de 1789, como a dos EUA.”

    -A constituição não é de 2005, é a remendada, cujo principal efeito prático é pouco mais do que garantir que na década seguinte ninguém mais lhe tocará.
    -A constituição dos EUA é uma constituição, não é outras coisas como a imposição de televisão na forma de “serviço publico” que ninguém sabe o que é. Só faltou transferir o código do trabalho para dentro da nossa.

  8. Comunista

    Tolos que ainda pensam que o problema se resolve mudando o texto constitucional para fazer o que um governo até agora manifestamente incompetente não conseguiu fazer. O que este texto diz é que se meta a Constituição nas mãos do Passos Coelho e do seu governo. É incrível como vocês são crédulos.

  9. “eu sou de uma geração que chega aos 20 sem ilusões, aos 30 sem casa, aos 40 sem filhos, aos 50 sem paciência e aos 60 ou 70 sem reforma”

    Bom, tenho 68 anos e, por esta descrição da geração da Daniela, uma dúvida, a Daniela é da geração dos meus pais ou da geração dos meus avós? Apre, tenho de lhe dar os parabéns pois já deve ser muito velhinha e ainda anda a escrever em, blogs…

  10. GB

    Excelente texto. Subscrevo na íntegra. A Constituição tem servido de pretexto para as gerações mais velhas (dos 40 para cima), cheias de direitos adquiridos, se aproveitarem das gerações mais novas.

  11. rui a.

    Vamos lá a ver, a Constituição portuguesa é de 1976 e sobre ela foram ditadas algumas revisões, não sendo estas novas Constituições, mas actualizações da mesma. Quanto à norte-americana, ela é de 1787.

  12. Vitinho

    A de 74 tambem vai pagar , embora felizmente cheguei aos 30 com casa, aos (quase) 40 com filhos e nao espero já ter reforma aos 70 ..

    No entanto, comecei a trabalhar aos 18 e fui trabalhador estudante ate … bem, até aos dias de hoje que a valorizaçao nao pára..

    A constituiçao tem 87 direitos aos cidadaos, e quantos deveres e obrigaçoes??

    E, tirando fatos como caminharmos para um estado socialista ou ser tudo gratuito para todos, sem dizer de onde provem o dinheiro, nao e a interpretaçao da constituiçao que vale?

    Aquilo nao é matematica, aquilo e uma interpretaçao que alguem faz, do alto dos seus direitos..

    Penso que o problema advem nao da raiz, mas de quem da arvore, ou parte dela, porque nunca ouvi falar em unanimidade, logo, a interpretaçao varia..

  13. Comunista

    A Constituição americana também não impediu o endividamento dos EUA. Deve ser uma Constituição socialista também uma vez que para o insurgentismo* o endividamento do Estado só é possível em regimes constitucionais socialistas.

    (*Insurgentismo: uma forma de crendice numa realidade autosubsistente que um texto haverá de conseguir reproduzir sem entender que esse texto já interfere sobre a própria realidade que quer reproduzir, desde logo por se acrescentar a ela, ficando assim sempre desencontrado dela, por mais vezes que se tente.)

  14. Lucklucky

    Uma Constituição Soci@lista-Populista como a que temos que se arroga de controlar tudo e todos só pode dar no que deu.
    Em 40 anos 3 bancarrotas, corrupção da sociedade e cultura, estagnação económica e artistica.

    Como está desenhada o resultado natural desta Constituição Soci@lista é uma Guerra Civil ou Emigração.

  15. Carlos

    “A Constituição americana também não impediu o endividamento dos EUA”… Se ao menos a Constituição nos EUA tivesse algum valor. Mas se não gostar da constituição dos EUA, comunista, vá antes ver a constituição da Argentina na década de 1860, que fez com que a Argentina em poucos anos se tornasse uma das nações mais ricas à face da Terra. Eventualmente destruída a par da Grande Depressão, pelo povo latino. Aliás, a constituição argentina é melhor que a americana, na minha opinião.
    Também a Argentina era imperialista? ..
    E eu que vos ature …

  16. andre

    Comunista a curta e boa constituição americana não impede o socialismo reinante naquele país, e que tenham adoptado o Keynesianismo como religião. Não misture as coisas. Aqui não há parvos.

    Daniela texto excepcional.

    Sou mais velho que você, mas não muito.
    Mas sabe que este pensamento está enraizado nas pessoas e não só na geração mais velha. A geração de 80 e 90 ainda está mais aberta (talvez devido à internet e porque é afectada por isto) mas as anteriores…. Quantas e quantas discussões não perco eu a falar disto. Mas como a questão está cheia de sentimentalismos, o racional perde sempre.

    É o que se passa comigo, é o que se passa com qualquer liberal.

    Mas temos um aliado valiosissimo: A Matemática, que nos vai dar razão.

  17. JS

    OK. A Constituição é óptima.
    Só não esplicam porque é que há tanta desigualdade entre os portugueses apesar de tão óptima Constituição, fonte luninosa de equidades, e de tão sublime TC.
    Só não esplicam porque é que um Juiz do TC é velho e reformável aos 40 anos e o resto do pessoal, com toda a equidade constitucional em vigor, agora, só é velho e reformável lá para os 70 …
    Pois Daniela está chocada e com bons motivos. No referido programa de TV a pobre criatura agarrava-se à jangada Constituição/TC com um fervor que espelhava pânico. E estava irracionalmente cheio de razão.
    Ele e muitos outros.

  18. Comunista

    “Comunista a curta e boa constituição americana não impede o socialismo reinante naquele país, e que tenham adoptado o Keynesianismo como religião. Não misture as coisas. Aqui não há parvos.”

    Ou seja, como eu tinha dito a Constituição americana não impediu o endividamento dos EUA. Que parte disto é que você não entendeu?

  19. Expatriado

    Endividou-se mas nao entrou em bancarrota, embora o banana faça um enorme esforço para isso com a implementaçao da subsidio-dependencia……

    Mais que duplicar a divida para os 17 trilioes em 5 anos e’ obra.

    Onde e’ que eu ja’ vi isso?……

  20. eramasfoice

    É natural que quem escreve «Eu que nasci na década de 60, assino por baixo.» considere texto brilhante uma prosa sem gramática nem lógica.

  21. Comunista

    “Onde e’ que eu ja’ vi isso?”

    Se está a falar em triliões de dollars, G W Bush duplicou a dívida. Mas isso a gente não menciona para que o insurgentismo possa continuar com a sua treta pegada.

    Já agora os 3 mandatos republicanos de Reagan a G H W Bush quadruplicaram a dívida em dollars e em percentagem para o PIB foi sempre a subir com os republicanos desde Reagan, tendo descido com Clinton, para voltar a subir com GW Bush e agora com Obama. Qual é mesma a moral que a direita tem em termos de endividamento? E qual é mesmo essa Constituição boa americana que só não resulta com governos dos democratas? Vocês vêm muitos filmes de hollywood, e já há muito tempo, e portanto pensam que a Constituição americana é digna de especial reverência em relação à nossa.

    Até 2009/2010:

  22. «Se está a falar em triliões de dollars, G W Bush duplicou a dívida. Mas isso a gente não menciona para que o insurgentismo possa continuar com a sua treta pegada.»

    Não seja cretino. Qualquer leitura do que foi escrito neste blogue vai mostrar uma quase unânime crítica da presidência de GWBush. E muita chamada de atenção para o facto da presidência Obama ser uma espécie de terceiro mandato de Bush (em pior, o que é deveras espantoso).

    Neste blogue não defendemos ninguém só por “ser quem é”, julgamos acções concretas.

    Dizer o contrário é desonestidade intelectual. Nada que surpreenda de alguém que assina “Comunista”.

  23. Francisco Colaço

    «Com 3 falências em 40 anos como é possível alguém ainda defender a constituição?!»

    Quando pessoas estúpidas defendem coisas estúpidas, acabam a pagar por isso. Quando pessoas inteligentes defendem coisas estúpidas, acabam a receber os pagamentos de pessoas estúpidas que defendem coisas estúpidas.

  24. Francisco Colaço

    Miguel Botelho Moniz,

    O Obama foi o candidato entusiasticamente aprovado e aclamado pelo Communist Party USA.

    E, como dizem por outros lados, es ist Genug.

  25. Carlos

    Sebasteien, o que fala é a diferença entre direitos negativos de direitos positivos. O que os liberais defendem são os direitos negativos, e os socialistas vão para os direitos positivos. A diferença entre sociedade que protegem cada um é abismal. Um vídeo com a explicação:

  26. O texto da Daniela é muito interessante!

    A maioria dos comentários de “direita” e de “esquerda” são completamente desajustados porque a questão não é essa!

    O comentário do fernandojmferreira, parece ser o único que aborda a questão:
    “O problema nao dos actuais individuos que estao a frente do sistema; a culpa e’ do proprio sistema e e’ o sistema que tem de mudar!”

    A questão não é dar ao Passos ou ao Tozé, ou aos outros, meios para nos continuarem a roubar…

    Deixo aqui a proposta escrita pelo meu pai:http://saturninorff.blogspot.pt/

  27. Comunista

    “Não seja cretino. Qualquer leitura do que foi escrito neste blogue vai mostrar uma quase unânime crítica da presidência de GWBush. E muita chamada de atenção para o facto da presidência Obama ser uma espécie de terceiro mandato de Bush (em pior, o que é deveras espantoso).”

    Você fala ainda de desonestidade intelectual mas é evidente que você não sabe o que é desonestidade intelectual – por exemplo vir falar de quanto criticaram Bush quando eu mencionei também Reagan, já que no mandato dele a dívida face ao PIB subiu, tal como no mandato do G H. Bush. Desonestidade intelectual é vir dizer que a culpa do endividamento é da Constituição e depois dar a americana como exemplo e andar à voltinhas feito tolo para não assumir um facto – a constituição americana não impediu o endividamento e a direita americana não deixou de endividar o país durante muitos os seus mandatos.

    Portanto quando você fala de Constituição e endividamento, fala de o quê?

    Então como me parece que você não entende bem português, eu repito:

    a Constituição americana não imepdiu o endividamento americano e os últimos 3 presidentes americanos do Partido Republicano contribuiram para o crescimento da dívida face ao PIB

  28. Comunista

    “Os direito de Liberdade (vida, propriedade) não têm custo, o direito social tem…”

    Pois. Não é preciso polícia, tribunais e prisões para impôr a defesa destes direitos nem nada….

  29. Oliveirinha da Serra

    Enquanto académico, não deixo de achar interessante como a corrente discussão sobre o papel da constituição ignora um consenso cada vez mais alargado: instituições formais são fortemente limitadas pelas instituições informais. Apesar de achar que o texto espalha muitas preocupações e pontos legítimos, ignorar os valores culturais e as mentalidades é um erro. Podem escrever a constituição as vezes que quiserem com o que quiserem: enquanto um povo tiver um certo modus operandi, há pouco ou nada a fazer.

  30. a tua belha

    Pois claro!, ao Homem novo só lhe resta sair da jaula e viver de acordo com as leis da selva. Ou então, que é o que me parece querem os novos liberais, deixar que sejam os mercados e os seus lacaios, em maioria absoluta circunstancial, a fazer as leis fundamentais da jaula, de acordo com as suas necessidades, servindo comida, não requentada e fria várias vezes ao dia, mas quando eles quiserem. Ou então, ainda, se quiseres, podemos substituir a constituição por um conjunto de fórmulas de excel, que até já provaram dar grandes resultados, mesmo quando estão erradas. Em qualquer um dos casos, salta à vista quem é a presa e quem é o predador, neste “mundo novo” que, às mijinhas de austeridade, nos vão impondo.
    Traduzindo: está de volta a luta de classes!, que, sabes?, ao contrário do que acha a menina da crónica, não é um fantasma de experiências políticas irredutíveis do passado, é mais do que isso, é novamente real, e a culpa é desses que, apesar de antagónicos, dão agora razão ao Marx. Sabes, eu acho que é esse real que assombra a menina todos os dias, e que a repulsa que ela exibe pela constituição só se explica por saber que esta está de um lado, e esse lado não é de certeza o dela. Que saia uma aulinha de ciência política e direito constitucional, e outra ainda de história política contemporânea, ali para a menina da frente, faxabôr!, talvez a ponha a ver as coisas não como assombrações do além, mas antes como experiências coletivas que, apesar da distância temporal, não estão assim tão longe como lhe parece.

  31. «por exemplo vir falar de quanto criticaram Bush quando eu mencionei também Reagan, já que no mandato dele a dívida face ao PIB subiu, tal como no mandato do G H. Bush»

    Realmente você insiste na cretinice e desonestidade. Eu respondi à sua afirmação sobre GWB, mais nada. Gostaria de poder dizer-lhe onde encontrar críticas a Reagan e a GHBush aqui n’O Insurgente, mas o blogue não existia na altura… Mas ainda assim não me espantava se encontrar por aqui referências negativas, pois, tal como diz, esses presidentes também aumentaram a dívida (embora nada que se pareça com GWB e Obama). A sua mentalidade limitada de cheerleader é que o impede de perceber que aqui criticamos o que tem de ser criticado. (Um ponto ainda assim importante: Reagan governou sempre com maioria Democrática no congresso. Sendo o orçamento responsabilidade deste, não é líquido que a responsabilidade possa ser atribuida ao presidente, pelo menos na totalidade.)

    «Desonestidade intelectual é vir dizer que a culpa do endividamento é da Constituição e depois dar a americana como exemplo e andar à voltinhas feito tolo para não assumir um facto – a constituição americana não impediu o endividamento e a direita americana não deixou de endividar o país durante muitos os seus mandatos. »

    Como eu não disse nada disto, “às voltinhas feito tolo” é coisa que não ando. Você tem muita lata a mudar de assunto. Mas, já agora, posso esclarecer a minha posição, que até aqui não tinha avançado: É evidente que “a culpa” não pode ser da constituição. A culpa é sempre de quem toma as decisões. Agora que a constituição poderia servir para refrear os ímpetos, podia. Não o faz, daí ser má. Evidentemente, a constituição americana não impediu os abusos dos governos federais americanos de chegarem onde chegaram. Mas a diferença – e não é pequena – é que a nossa constituição permitiu o desgoverno de Portugal de falir o país em menos de quatro décadas e de requerer intervenção externa três vezes nesse periodo, enquanto a constituição americana aguentou as coisas dois séculos e meio. E não venha, já agora, dizer que o endividamento dos estados é um fenómeno recente, pois desde 1787, enquanto os EUA mantiveram o país modo geral estável, houve inúmeras bancarrotas mundo fora.

  32. Francisco Colaço

    O Comunista esquece-se que a União Soviética acabou de mão estendida, a implorar ao Malvado Capitalista Kohl quatro mil milhões de dólares para a *semana seguinte* poder pagar salários no Estado.

    Os *malvados capitalistas* lá lhe conseguiram arranjar dois.

    Quem não aprende com o passado é incapaz de perceber o presente.

  33. Comunista

    Então eu volto a dizer:

    A constituição americana não impediu o aumento contínuo do endividamento nos EUA assim como não o impediu os governos do Partido Republicano. Não sei portanto que parte disto é que você não entende e que voltas você quer dar.

  34. Comunista

    “Evidentemente, a constituição americana não impediu os abusos dos governos federais americanos de chegarem onde chegaram.”

    – Não esqueça os governos estaduais.

  35. RS

    Sim é verdade. Se a geração dos 90 como a dos meus filhos tivesse sido como a geração dos meus pais tinhas ido trabalhar aos 14 anos de sol a sol pôr, nem escrever sabias, não terias ido, tu ou outros, com todas as mordomias para uma faculdade privada, não terias mesada para lixar em copos e jantares com amigos, nem férias na praia com saídas à disco, nem carro, nem roupa de marca, não terias tempo para ser jota se o quisesses, nem uma merda de uma TV a cores ou uma internet para escrever baboseiras. Se a geração do meu pai não me tivesse dado “algo” mais, nem a minha “algo” mais aos filhos não teria havido tanto gasto nem os nossos políticos, mal habituados, teriam o mesmo hábito de esbanjar dinheiro em obras de fachada e talvez fossem mais honestos e não se governassem a si mesmos. Sim pq as férias eram passadas na agricultura para ganhar uns cobres, à 5ª feira em Coimbra na Faculdade pública vivia-se de pão, leite e laranjas que a guita já tinha acabado e restava à sexta passar horas infindáveis à boleira para chegar a casa, na Nazaré. Daí para cá foi trabalhar no duro, mesmo nas férias de novo, para que outros pudessem viver o que eu não pude viver.
    Quando tivesses que negociar um emprego pago a preço da uva mijona e não houvesse direitos adquiridos, como a greve, a não desvalorização salarial, o direito ao protesto, entre muitas outras coisas, nessa altura restar-te-ia agarrar a Constituição, lê-la devidamente e dar-lhe o valor que hoje não sabes que tem.

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