Mais rápido se apanha um mentiroso…

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Ontem, em mais uma edição do Prós e Contras, o ex-ministro socialista Vieira da Silva afirmou peremptoriamente que os cortes nas pensões não estavam contemplados na versão original do memorando de entendimento, co-assinado pelo seu partido, e que foram somente introduzidas após os “falhanços” que precederam a 5ª avaliação. Isto depois de, com peculiar falta de decoro e simpatia, perguntar a Camilo Lourenço se “você acha que há algum gráfico que você conheça e eu não?”.

O que diz então a versão original do MoU?

Memorando de entendimento:
[…] [Política Orçamental para 2012]

1.11 Reduzir as pensões acima de 1500 euros, de acordo com as taxas progressivas aplicadas às remunerações do sector público a partir de Janeiro de 2011, com o objectivo de obter poupanças de, pelo menos, 445 milhões de euros.

1.12. Suspender a aplicação das regras de indexação de pensões e congelar as mesmas, excepto para as pensões mais reduzidas, em 2012.

[…]
[Política Orçamental para 2013]

1.29. ix – manter a suspensão em 2013 das regras de indexação das pensões, excepto no que se refere às pensões mais reduzidas.

1.30. Adicionalmente, o Governo alargará o uso da condição de recursos nos apoios sociais e direccionará melhor o esforço de apoio social, no sentido de obter uma redução nas despesas sociais de, pelo menos, 350 milhões de euros.

Perante isto, resta acrescentar que Vieira da Silva é, pese embora a sua omnisciência de todos os gráficos alguma vez construídos, voluntariamente esquecido.

Adenda – As citações do MoU foram retiradas de um post no Facebook do Camilo Lourenço, que citava uma nota original de Arnaldo Costeira.

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39 pensamentos sobre “Mais rápido se apanha um mentiroso…

  1. Ricardo Arroja

    Muito bem apanhado….quando vi o Camilo a ligar para o Ipad ainda pensei que fosse sacar do MoU original e desmentir na hora o Vieira da Silva…mas certamente terá oportunidade de o fazer.

  2. Jose

    Não, não é esquecido. Simplesmente não existe já o conceito de verdade/mentira. Não existe algo como honra, palavra ou respeito. Cada um diz o que lhe convém em cada momento unicamente. E o que é pior, o povo aprendeu a aceitar isto como uma coisa normal, o povo o que procura é o que diz as mentiras com maior convicção pois já não espera nenhuma verdade.

  3. Revoltado

    É a imagem pura e simples do combate político em portugal, com grande tendencia para este tipo de manobras ser usada por elementos da esquerda (talvez herança do grande mestre de “como dizer uma mentira com tanta convicção que esta se torna verdade” Pinócrates). Felizmente uma parte do povo já se apercebe destas mentiras e manipulações à distância. Infelizmente aprendeu da forma mais dura.

  4. Eduardo Costa

    Pois é… Mas porque será que ninguém ontem falou nas “regras de indexação” das pensõesque também vinha no Memorando da TRoika que se mantêm intactas? Veja-se a “convergência” nas pensões dos juízes:
    1. Pensões milionárias indexadas aos vencimentos para não perderem poder de compra;
    2. Isentos da Taxa Extraordinária de Solidariedade que os outrso pensionistas pagam e que o TribConst considerou constitucional (para os outros) à luz do Principios da Proporcionalidade e da IgUaldade;
    3. Proxima isenção do corte de 10% nas suas pensões a partir de Janeiro
    4. Subsidio de Residencia VITALICIO de 700€ (isentos de impostos) a adicionar as suas pensões

  5. jsp

    Deve ser um dos “delinquentes” a que se refere o monte de trampa dotado de aparelho fonador.
    Mas ainda falta incluír, entre muitos outros, o famoso bicharel do “trottoir” parisiense, à altura chefe deste mísero aldrabilhas.

  6. Br

    1)Mas, vejamos, em 2012 nao foram feitas poupancas nas reformas no valor indicado no Mou?
    .
    Foram. Mas o governo pretende fazer mais poupancas além das previstas
    .
    2)a condicao de recursos no MOu para 2013 refere-se a APOIOS SOCIAIS e nao a PENSoes.
    .
    Rb

  7. Br

    O ponto n 2 tem toda a razao de ser e tem lógica. Cortar nos apoios sociais q devem ser funcao da riqueza produzida por todos e nao suportada exclusivamente pelos pensionistas. O governo, porém, prepara-se para cortar nas pensões e nao nos apoios sociais como tinha sido acordado.
    .
    Rb

  8. Senhor X

    O memorando refere reduções de pensões, reduções essas que se aplicam para o futuro, com as poupanças estimadas também referindo-se a poupanças futuras. Não se referem a cortes nos contratos de reforma já assinados.

    Para a próxima, pensar antes de falar.

  9. Br

    Salvo o erro a seguranca social tem receitas proprias na ordem dos 22 mil milhoes. E gasta 14 mil milhoes em pensoes e mais 9 mil milhoes em apoios sociais. A solucao do governo é cortar em quem efectivamente descontou, isto é, em quem pagou para poder ter uma pensao. Ora, os 9 mil milhoes nao devem ser suportados exclusivamente pelos pensinistas ou descontantes. Se o pais quer pagar apoios sociais todos os tipos de rendimento devem financiar esse desiderato. Prediais, de capital, sobre o consumo, sobre as importacoes, mais valias etc. Nao faz sentido que para finaciar os regimes nao contributivos sejam forcados a corte exclusivamente os pensionistas.
    .
    Rb

  10. Miguel Noronha

    “O memorando refere reduções de pensões, reduções essas que se aplicam para o futuro, com as poupanças estimadas também referindo-se a poupanças futuras.”
    Nada naquele articulado sugere que os cortes apenas se aplicariam a reformas futuras. Aliás, seria estranho uma vez que as eventuais poupanças seriam bastate diferidas no tempo.

  11. João Fernandes

    Mário Amorim Lopes, porque não colocou a fonte do texto que escreveu, é que foi tudo cpy paste com ligeira alteração de uma nota da autoria do Arnaldo Costeira, ficava-lhe bem colocar a fonte, pelo menos isso.

  12. João Fernandes, o que foi citado foi o MoU, que de facto encontrei num post na página do Facebook do Camilo Lourenço. Não encontrei a página do Arnaldo Costeiro, daí não o ter citado. Mas sim, as citações do MoU são do artigo dele. O uso da mesma imagem foi, acredite ou não, mera coincidência.

  13. João Fernandes

    Mário Amorim Lopes, então não custa nada colocar que as citações do MoU são de um artigo de Arnaldo Costeira. Aguardo pela edição do seu texto com esta ressalva. Abraço

  14. JOÃO M.T.SOARES

    É claro que estava tudo previsto com excepção de algumas medidas a posteriori,mas a questão para mim é outra,1º chamar a terreiro e apontar os responsáveis pelo menos nos últimos 25 ou 30 anos isto é os governantes,2º se a crise é mundial então que o mundo entenda que não podemos pagar tudo em meia dúzia de anos,temos uma vida inteira como teve a Alemanha para pagar a divida,em 3º lugar chamar as grandes empresas a pagarem o que nunca pagaram e a banca uma das grandes responsáveis pelo colapso financeiro(BPN(BPP)A CHEGAREM-SE A FRENTE NAS DEVIDAS RESPONSABILIDADES DE TESOURARIA NACIONAL…..MAMA/SUMAE

  15. JP

    Logo para começar, a frase do gráfico já diz muito sobre a criatura.

    O problema não é mentirem: é que estes tipos utilizam a televisão para enganar as massas de forma plenamente consciente. E porquê? Porque é impossível que este senhor desconheça o acordo. Recorde-se que o chefe dele foi à TV com a maior cara de pau a la Vale e Azevedo dizer que recebeu as PPP do governo de Santana Lopes, equecendo-se que este e Durão Barroso as receberam quase todas dos governos de Guterres, de que fez parte. É por causa desta gente que não pode haver círculos uninominais nem alterações à constituição. Claro que se fosse do actual Governo, logo à noite havia “mentiroso” em tudo o que fosse comentário crónico de esquerda nos telejornais. Mas até se pode dizer mais: o acordo foi assinado como absolutamente estático ou ficou sujeito a correcções nas visitas posteriores, em função do andar da carruagem? Quem é que o assinou?

    O país, um dia, será novamente enterrado até ao pescoço com esta gente ao leme, tratando-se apenas de uma questão de tempo.

  16. murphy

    E, talvez ainda mais extraordinário que as medidas inscritas na versão inicial do MoU, como foram parar medidas que preveem cortes de pensões naquele documento que o PS assegura que seria a nossa salvação – o célebre PEC IV?

    “…será necessário suspender, nos próximos dois anos, a aplicação da regra automática de indexação das pensões, […] Será alargado, igualmente, o âmbito de aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, criada em 2010, aplicando-a às pensões de valor superior a 1500 euros”

    E os Srs. Jornalistas, claro, sempre tão atentos às mentiras e tão dedicados ao escrutínio de contradições de uns políticos, quando se trata de aldrabices socialistas, não só não as denuncia como ainda as amplia…
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/09/hipocrisia-e-banha-da-cobra-serao.html

  17. Manuel Marques Roma de Resende

    Julgo que o Dr. Vieira da Silva fez ref. que essa matéria ñ fazia parte do PEC IV , mas sim do V já da responsabilidade do actual governo

  18. murphy

    Caro Manuel M.R. de Resende,
    O que transcrevi no comentário acima, foi retirado do “Programa de Estabilidade e Crescimento
    2011 – 2014” de Março de 2011 (vulgo PEC IV), pág. 6. Não assisti ao programa e, por isso, não sei o que disse Vieira a Silva. Mas, socialistas a dizerem que esta crise se deve a medidas que não constavam do memorando e que apenas foram tomadas, por opção ou “vontade”, deste governo, é diário!
    E isso é uma enorme aldrabice que conta com a cobertura dos media…
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/09/austeridade-causa-ou-consequencia.html

  19. tina

    “O memorando refere reduções de pensões, reduções essas que se aplicam para o futuro, com as poupanças estimadas também referindo-se a poupanças futuras.””

    Como se alguma vez conseguissemos atingir os défices acordados com base na redução de novas pensões!…

    Bom trabalho, Mário Amorim Lopes.

  20. tina

    “BPN(BPP)A CHEGAREM-SE A FRENTE NAS DEVIDAS RESPONSABILIDADES DE TESOURARIA NACIONAL”

    E porque não também os políticos mentirosos como Teixeira Santos que nacionalizaram o banco dizendo que não ia custar um cêntimo aos portugueses e já vai em 7 mil milhões de euros???

    Não se pode confiar em nenhum socialista! Além de serem uns mentirosos de primeira, são uns burros que não percebem nada de economia ou finanças.

  21. tina

    Quando para aí um post a lembrar que Teixeira Santos dizia que o BPN não ia custar um cêntimo aos portugueses e as contas de em quanto já vai?

  22. Bruno Grácio

    Uma mentira dita com muita convicção começa a parecer-se com uma verdade.

    Já agora, achei interessante o facto de num programa com o nome de “Prós & Contras” toda a plateia ser naturalmente (dado o envolvimento directo nesta questão) do contra. Seria de elementar honestidade colocarem na plateia pessoas que ainda estão longe da idade de reforma (independentemente das suas posições individuais sobre o tema).

  23. HO

    “2)a condicao de recursos no MOu para 2013 refere-se a APOIOS SOCIAIS e nao a PENSoes.”

    Refere-se a “social benefits expenditure”. É um term of art que inclui pensões públicas.

  24. JP

    “Como se alguma vez conseguissemos atingir os défices acordados com base na redução de novas pensões!… ”
    Tudo em que o PS investe é para frente no tempo (SCUTS).
    Excepto os adiantamentos a favor do estado (Barragens, por exemplo).
    São especialistas em destruir o futuro no presente.

    “Quando para aí um post a lembrar que Teixeira Santos dizia que o BPN não ia custar um cêntimo aos portugueses e as contas de em quanto já vai?”
    O Teixeira chegou a dizer que a crise praticamente nem afectaria Portugal.

  25. Francisco Colaço

    JP,

    O Teixeira dos Santos tinha razão. Para um líder PS, Portugal resume-se a um grupo selecto de emperresários colados ao Orçamento de Estado via sede do Rato, para quem o dinheiro nunca escasseia.

    A esses a crise não afectou.

  26. Fernando Rocha

    No programa “Prós e Contras” a plateia parece-me ser selecionada à vontade da coordenadora que ameaça evacuar a plateia quando a mês não acolhe os seus interesses, por isso não admira a composição da mesma neste último programa.

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