Vitórias e derrotas

autarquicas

As eleições de ontem são inequivocamente uma derrota dos partidos que estão no governo. Não há aqui nenhuma surpresa. O que surpreende é que o PS não tenha conseguido um melhor resultado, que não tenha cavalgado a onda de insatisfação contra o governo. Quer dizer, surpreender, surpreender, não surpreende. Afinal de contas o líder do partido é o Tó-Zero. Além disso, graças à RTP, os portugueses são recordados semanalmente com uma prova de vida do responsável pela nossa calamidade.

Assim sendo, não surpreende na verdade que o PS tenha tido menos votos (em termos absolutos e relativos) que em 2009. A surpresa talvez esteja nas vitórias comunistas à custa do PS, Évora, Beja e Loures.

Olhando para as alterações agregadas relativamente às eleições de 2009, os vencedores claros são os independentes e os brancos/nulos. Apesar de alguns dos independentes serem dissidentes, não deixam ainda assim de simbolizar o protesto que muitos eleitores decidiram fazer contra os partidos. Protesto especialmente claro no facto do número de pessoas que foi explicitamente à mesa de voto para entregar o boletim em branco, ou nele escrevinhar algo mais criativo, ter mais de duplicado, atingindo o total de 6,8% do total. Quase o triplo do Bloco de Esquerda.

17 pensamentos sobre “Vitórias e derrotas

  1. Ricardo Monteiro

    O vencedor da noite foi o presidiário. Viva Oeiras. O concelho com maior percentagem de licenciados do país! Ah, e o PS, com mais câmaras que os outros.

  2. João Maria Macedo

    Das duas uma, ou já tinha escrito isto antes dos resultados, ou então não sabe o que diz. O CDS passa de UMA para CINCO câmaras. É muito mau. Sobe o número de votantes. Péssimo. E sobe tambem o número de autarcas eleitos, Inequivocamente uma derrota.
    Patético

  3. Caro João Maria Macedo,
    Acredite que não me dá gozo nenhum dize-lo, porque até tenho simpatia pelo CDS, mas patético é considerar como vitória um resultado que não tem significado estatístico a nível nacional. O CDS limitou-se a negociar de forma inteligente as listas para alguns concelhos onde tem algum peso. Na hora da verdade, as pessoas que foram às urnas votar em branco ou escrever umas patacoadas no boletim foram o dobro das que votaram no CDS…

  4. FilipeBS

    Em termos relativos (comparando com 2009), o CDS teve um resultado muito positivo e até inesperado pelos próprios dirigentes nacionais. Em termos absolutos, o CDS continua a contar muito pouco na área autárquica. Foram 5 pequenas (ou mesmo muito pequenas) câmaras municipais.
    Aquilo que a mim preocupa-me realmente, em termos de CDS, é que este partido quase uni-pessoal tenha servido ao longo de dois anos como força de bloqueio das reformas que são necessárias. Ficou provado que o CDS é tão socialista e estatista como os outros.

  5. Rúben Lopes

    Finalmente, a desgraça ideológica conhecida como Bloco de Esquerda está a perder a pouca relevância que tem, e o seu desaparecimento é inevitável. Em suma, estas eleições representam outra vitória para o status quo: os 2 grandes partidos mantêm-se em grande, com o PS a retomar as rédeas para um futuro governo, porque os portugueses como sempre têm falta memoria, mesmo após o Grande Desastre de 2005-2011 (é esse o termo que dou a essa infeliz época); o PCP/CDU continua a ter as suas pequenitas subidas no eleitorado sulista (que segundo a minha teoria, deve-se a um maior envelhecimento da população, em que certos sectores estão agora a ter nostalgias PREC-“istas”, após as manifestações pró-totalitárias de 2012/2013); o CDS também tem uma subida mínima, mas sabemos muito bem que o seu poder eleitoral encontra-se nas legislativas, graças ao voto útil. Como sempre, os partidos pequenos são reduzidos à irrelevância, sendo que a grande vitória é certamente a da abstenção.

  6. Lionheart

    Loures tem uma realidade socioeconómica e política muito mais próxima da margem sul do que da generalidade dos concelhos a norte de Lisboa. Daí que a vitória da CDU não surpreenda. O PS teve a Câmara de Loures 12 anos, com Carlos Teixeira, mas este agora não se podia recandidatar e enquanto a CDU escolheu como candidato um dos seus deputados mais em voga (apesar de não ter nada a ver com o concelho de Loures), o PS escolheu um presidente da junta. Só que o efeito Carlos Teixeira (que também era presidente da junta de Loures antes de ser presidente da Câmara) não se repetiu porque agora quem apresentava desgaste era a gestão PS e não a gestão CDU, como há doze anos.

    O drama é sempre o mesmo: a estagnação do concelho, em particular da sede do concelho, queixa que já tem “barbas”. Loures mais parece uma “aldeia alentejana”, como se queixava um habitante da “cidade” ao DN na semana passada, e agora que voltou a ser uma câmara CDU, já não lhe falta quase nada para isso.

  7. tina

    Porque é que ninguém fala da elevada abstenção de 47%? A abstenção diz tudo, que as pessoas podem não gostar do governo mas ainda gostam menos de Seguro. O PS não ganhou, apenas perdeu menos do que o PSD. A situação com o PS é muito cómica. Tinham fasquias para nº de votos e nº de câmaras, mas a fasquia do nº de votos em relação ao passado e da abstenção ainda são mais reveladoras da popularidade do seu líder.

  8. lb

    Não acho o desparecimento do Bloco tão certo. Recordo que ao próprio CDS foi vaticinado o mesmo por alguns há 2 décadas e tal. O PCP é outro que está a “desaparecer” há anos.

  9. Bull

    Deixo aqui esta pergunta:
    Porque é que elegeram o Tó Zé inseguro para líder do Ps?
    Visto ele ser tão incompetente … , acho que o que estou dizendo não deve ser novidade para ninguem, concerteza alguem já terá pensado nisto.
    Acho apenas curioso elegerem um dos maiores incompetentes para líder de um partido, não pode ser apenas coincidência

  10. Pingback: Autárquicas 2013: leitura nacional | O Insurgente

  11. Lobo Ibérico

    @Bull,

    o To Zé é o líder-microondas. Serve só para aquecer a refeição antes de vir outro comê-la, hehe.

  12. Bull

    Lobo pois essa continua a ser a minha ideia tambem.
    Já se falou ontem em António Costa, veremos se é apenas coincidência ou não

  13. Bruno Grácio

    Claramente o eleitorado pró-socialista está à espera de António Costa para líder e candidato às próximas legislativas. Só há o pequeno detalhe de Costa ter prometido aos lisboetas um mandato de 4 anos… nada que não caia no esquecimento no tempo que falta até aos meses que antecedem as legislativas, mesmo a tempo de o PS ir a votos com um líder em estado de graça.

    Isto sendo bom para o PS não augura nada de bom para Portugal. Costa é uma espécie de Sócrates reciclado e tem uma capacidade muito superior à de Seguro para arranjar apoios (ex. Helena Roseta) para tomar as piores decisões para o país.

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