Mateus, 25 (14:30), ou a parábola dos dinheiros

Durante a campanha eleitoral no Porto encontrei muita gente que apoia Rui Moreira com dificuldades em perceber coisas básicas de Finanças e Economia, e muitos versados em questões do foro moralista. Procurando ir ao encontro da sua linguagem, trago hoje aqui os ensinamentos bíblicos, que ajudam a compreender a diferença da gestão, entre Porto e Gaia, à luz dos Santos Ensinamentos de Nosso Senhor:

Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.
E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.
E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos.
Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois.
Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.
Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles.
E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos.
Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;
E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.
Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos.
Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.
Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Mateus 25:14-30

8 pensamentos sobre “Mateus, 25 (14:30), ou a parábola dos dinheiros

  1. Rui Cepêda

    Naqueles tempos Bíblicos, sendo ainda a Economia uma ciência embrionária, existia contudo como base o bom senso, e o avisado juízo dos banqueiros, impedia-os de emprestar talentos a quem os não podia devolver mais tarde. E por isso também não havia troika.
    Em termos mais prosaicos diria em Português laico que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar…
    Tem mais a ver com o Porto.

    Quanto à bola o Rio não é candidato.

  2. Horácio Azevedo

    Já percebemos que há dívida boa, como a do Menezes. Também imagino que a parábola se possa aplicar aos eficientes governos de Sócrates.

  3. Francisco Colaço

    Parábola por parábola, aplica-se aqui melhor a parábola da Torre, em Lucas 14:28–30:

    Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele,
    Dizendo: «Este homem começou a edificar e não pôde acabar».

    Esta é a história do Portugal democrático.

  4. PMH

    Para «oferecer» ao FC Porto o seu Centro de Estágio, a Câmara de Gaia gastou mais de 16 milhões de euros e endividou-se até 2011. É o resultado de uma investigação das Finanças já enviada para o Ministério Público.

    Luís Filipe Menezes bem merece um «dragão de ouro». Enquanto presidente da Câmara de Gaia, entregou ao FC Porto uma das mais valiosas prendas que o clube recebeu: o Centro de Estágio do Olival. Os custos couberam apenas ao município: mais de 16 milhões de euros (quase 3,3 milhões de contos) de dinheiros públicos.

    Os «dragões» receberam ainda, e à borla, os direitos de superfície por 50 anos e apenas liquidam uma renda mensal pouco superior a 500 euros (100 contos). Se um dia se fartarem, vão à sua vida, sem qualquer compensação para a edilidade. A autarquia, essa, ficaria com um elefante branco, cuja gestão ela própria reconhece não ser capaz de assegurar: «Seria desastrosa do ponto de vista dos recursos públicos», admite o executivo camarário, num documento da sua lavra.

    Estas são, em resumo, as principais conclusões de um extenso relatório de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças à Câmara de Gaia, a que a VISÃO teve acesso. O documento definitivo, recebido em Maio último no gabinete de Menezes, visa, sobretudo, a gestão da parceria entre o município e o FC Porto, SAD.

    O verdadeiro rosto “liberal” deste blogue: dinheiros publicos para fins privados! Assim se ganham eleicoes em Portugal… E os Insurgentes, na sua maioria, batem palmas!!!

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