Pela derrota política de Torquemadas, calimeros, e das suas vizinhas do bairro…

… no domingo, espero que Luís Filipe Menezes vença as eleições no Porto, pondo um ponto final no ambiente bafiento que se respira na cidade.

Tenho pena que Rui Moreira, por quem nutro profunda amizade e respeito, se tenha deixado aprisionar por um grupo de pessoas que transformaram a sua candidatura na bandeira da maledicência e da tacanhez. Não percebo como é que alguém que nada deve a ninguém, aceitou ficar refém dum discurso negativista, assente em mitos urbanos e na exploração do medo, tornando a disputa autárquica no Porto numa espécie de luta do Bem contra o Mal, dos Ímpios contra os Impuros, dos Iluminados contra os Cavaleiros das Trevas. Uma campanha que acha que pode afirmar um projecto apenas na destruição do carácter do seu oponente merece ser derrotada nas urnas, mesmo que isso implique um castigo demasiado forte para um candidato que vale mais que parte do seu núcleo duro de apoiantes, como é o caso de Rui Moreira.

Considero, sim, que Rui Moreira vale sem dúvida muito mais do que aquilo que conseguiu mostrar. O ruído à sua volta é enorme, e não o conseguimos ouvir. No fim, porém, só se pode queixar de si próprio. Pecou por não ter tido a coragem de afastar alguns apoios que não o eram, genuinamente, e que apenas viam na sua candidatura um meio privilegiado para dar azo a pequenos ódios e vinganças. Alguns destes “grandes apoiantes”, aliás, não há muito tempo, lançaram contra Rui Moreira uma jihad maledicente e ressabiada, parecida com aquela a que temos assistido na campanha contra Menezes, desqualificando-o para lá daquilo que é aceitável num ambiente social cosmopolita e urbano. Longe vão os tempos em que Rui Rio colocava raids de protecção à porta da casa de Rui Moreira, impedindo-o de entrar por ocasião das corridas de popós com que a Câmara infestou a cidade, ou desvalorizava as iniciativas que este promovia a partir da Associação Comercial e do Palácio da Bolsa. A outro nível, gente que não se falava, lançando acusações que punham em causa a honestidade pessoal dos intervenientes, colam agora juntos cartazes, de mão dada e vestidos com vestes e asas brancas. Ora, deste tipo de casamentos de ocasião, celebrados pelo Apóstolo Maquiavel, em que não há nem lealdades nem afectos, não se pode esperar grandes frutos. A consequência é que o ruído criado pelos fanáticos impediu a afirmação daquilo que poderia ter sido um projecto verdadeiramente independente.

Menezes, por seu lado, soube superar com inteligência todos os obstáculos que lhe foram sendo colocados. Com a sua experiência, cedo percebeu que a maioria dos cidadãos – aqueles que decidem eleições –  privilegiam os candidatos que se afirmam pela positiva, tendo optado por uma campanha viva e participada.

Há uma certa megalomania no discurso de Menezes? Sim, sem dúvida. Faz parte do seu estilo político, da sua personalidade. Mas isso é algo que não me preocupa. A equipa de gestão é boa, e sólida no plano financeiro. Conheço bem o Ricardo Valente, e não acredito que embarque em aventuras. Acresce que quando olho para Gaia, não vejo elefantes brancos, mas obra feita, com sentido, e uma boa conjugação de dívida com fundos comunitários. Cada cidadão em Gaia deve 700 euros, montante que não pode ser considerado astronómico face ao que a cidade recebeu em infra-estruturas e melhoria da qualidade de vida, nos últimos 12 anos, num valor muito superior. Quem me dera que fosse essa a realidade da dívida do país. No Porto, infelizmente, a dívida também existe, sem que tenha havido investimentos infra-estruturais que beneficiem a cidade. Envergonha-me, enquanto portuense que, por exemplo, um dos grandes “factos” políticos do ano tenha sido uma contenda com o Governo Central, em que agentes políticos do Porto se imolaram contra aquilo que consideram ser uma opressão do Ministério das Finanças, traduzida numa disputa inferior a três milhões de euros, ao nível da SRU. Sem prejuízo da razão que assista à cidade, num momento em que Portugal vive grandes dificuldades, faz-me confusão que alguém use o seu prestígio político para resolver contas que no cômputo do país são de mercearia de bairro, insultando tudo e todos.

Espero, também, ao nível do PSD, que alguns agentes, barões, sargentos e soldados-rasos percebam de vez que não se vencem eleições protagonizando campanhas negras. Desde as legislativas de 2009, em que Manuela Ferreira Leite tinha todas as condições reunidas para vencer, que há quem insista em repetir até à náusea um discurso deprimente, que só arregimenta fanáticos, acicatando o pior que existe nos Portugueses. Espero que estas eleições mostrem, de uma vez, que não resulta, que não vale a pena.

Até domingo.

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30 thoughts on “Pela derrota política de Torquemadas, calimeros, e das suas vizinhas do bairro…

  1. alex

    Os laranjas já estão a ficar nervosos. Nem sabem para onde se virar, sem nenhuma das duas grandes câmaras do País. Força Rui, O nosso partido é o Porto!

  2. João Oliveira

    Mas este blogue afinal é ou não é liberal? É que o LFM é socialista, tendo em conta que promete imensas obras megalómanas em termos de investimento público. Um liberal a sério não se deveria opor a este tipo de medidas? Saudações Libertárias.

  3. makarana

    Rodrigo,Gaia está falida,e está sob resgate financeiro.Quem tem 2 dedos de testa tem de pensar muito bem antes de votar em Menezes,sob pena de o próximo da lista ser o Porto…

  4. PMH

    So para recordar as hostes liberais que Menezes, para alem de ter colocado a autarquia sob resgate financeiro por incapacidade de fazer face aos seus compromissos com os seus fornecedores, ainda teve tempo para dar um empurraozinho e colocar o seu filho, jovem de vinte e tal anos, como deputado da nacao, sem que nada de especial o recomendasse.

    E, ja agora, recordar ainda que este e o politico que acusou, publicamente e dedo em riste, um seu adversario de tres pecados, a seu ver, capitais: ser “sulista”, “elitista” e… “liberal”!

    Tipico cacique popularucho, na boa tradicao dos demagogos locais que pululam por esse pais fora. A unica diferenca e que este tem mais formacao, e mais esperto e chegou mais longe. Assim, dados os circulos em que se movimenta e os favores que lhe serao devidos, tem muito mais para oferecer. E tera, certamente, oferecido, como alias se vai vendo por ai…

  5. castanheira

    Meneses ,o socrates do psd, será o vencedor na medida em que os Portuenses e os Portugueses que pagarão os seus dislates, por esse facto , serão os perdedores.

  6. Spongebob

    pior post que eu já vi no Insurgente de sempre. A campanha foi feita em grande parte de maledicências porque o candidato da oposição assim o merece! é a maior escumalha dentro dos partidos políticos o Luís Filipe Menezes e mesmo não sendo do Porto torço para que os portuenses escolham Rui Moreira como Presidente!

  7. Lucklucky

    “pior post que eu já vi no Insurgente de sempre.”

    Não foi um dos piores mas certamente está lá perto. Um post de apoio ao regime soci@lista e todos os seus piores vícios.

  8. Vivendi

    Cada cidadão em Gaia deve 700 euros…

    A seriedade dos números vale sempre mais que qualquer verborreia.

  9. Vivendi

    Repito…

    São apenas 700 €….
    A dívida dos portugueses para com Portugal é de pelo menos 30x mais.

  10. Miguel Alves

    e qual a dívida do cidadão do Porto?
    é que comparar Gaia com Portugal não me parece coisas exatamente iguais…

  11. Manuel Costa Guimarães

    Rodrigo,

    Espero, sinceramente, que o teu candidato perca de forma humilhante.
    Acho inacreditável defenderes um caciqueiro arrogante e prepotente como o Menezes.
    Quanto à campanha dele ter sido positiva, duvido que tenhas lido as notícias que iam inocentemente saindo no JN, jornal oficial da campanha. Ele fez uma campanha igual ou pior à dos apoiantes do Moreira, que diga-se de passagem, não estiveram bem na recta final.

    Se o RM ganhar, este pode muito bem ser o empurrão que o país precisa para acreditar que o cidadão não ligado à porra dos partidos pode ter uma voz!
    Quanto à dívida de Gaia, até ver é de 700€ e se não viste elefantes brancos, é porque não tens passado cá muito tempo e desculpares dívida com “mas a do país é muito maior” é de…

  12. Ricardo Cerqueira

    Curiosamente, o médico de Gaia já afirmou que as tais corridas de automóveis com que Rui Rio “infestou a cidade” serão para continuar.

    Convenhamos, fica sempre bem numa crónica de maldizer apontar as mais vistosas acções dos adversários a abater. Ainda para mais quando essas acções elevaram a imagem da cidade internacionalmente e trouxeram um retorno várias vezes superior ao investimento.

    Desdenhar o desporto automóvel colhe sempre o aplauso de muita gente que ainda vive com as lições aprendidas nas acções de dinamização cultural do MFA: desporto de elites = “fáxista” – mesmo que uma boa parte dos carros envolvidos custe menos que um Fiat Punto novo.

    No entanto, se o assunto fosse “bola” até podiam fechar o Porto inteiro por uma semana que já ninguém levantaria um dedo.

    E vamos para bingo.

    🙂

  13. Pedro Oliveira

    Manuel Costa Guimarães, “cidadão não ligado à porra dos partidos”?? Curiosamente, a experiência que tenho tido é que grande parte das pessoas que o apoiam (ou que mais o demonstram, vá) vêm de dentro do PSD, sejam militantes ou jotinhas.
    Como bem diz o Rodrigo, o RM teve a oportunidade de fazer da sua uma candidatura verdadeiramente independente. Acontece que, por culpa própria ou por oportunismo dos seus actuais defensores, esse rótulo há muito que o deixou…
    Já o LFM, que supostamente deveria ter o apoio do partido, vê-se mais apoiado por independentes (como é o meu caso) do que pelo próprio PSD.
    Devo acrescentar que, embora simpatizante da social-democracia, entendo que o partido que se arroga defensor de tais valores há muito se tornou um ninho de víboras… demasiadas vozes conflituantes, demasiados interesses, demasiados ódios pessoais, tudo em prejuízo do povo e do país.

  14. tem vergonha pá

    os comedeirões querem que o menezes vença. chama-se a isto fazer pela vidinha. vergonha na cara – nenhuma.

  15. hajapachorra

    O meneses nem para presidente da junta serve, o moreira é um menino da foz que não faz puta de ideia do que deve ser uma cidade europeia, servia para prefeito de uma cidadezinha brasileira, quando muito. O Porto desgraçadamente não tem gente que preste. Vai continuar a ser uma bela cidade javarda e miserável, mais brasileira ou mexicana do que europeia.

  16. Meus Deus, rodrigo, julgava-te menos PSD-dependente. como diz um comentador mais acima, as maledicências são totalmente justificadas: Menezes representa o pior dos aparelhismos e dos caciquismos, seguido pela mais reles gente que há nos partidos, promete este mundo e o outro e teve uma campanha de pompa e gastos exorbitantes, que no momento actual devia fazer corar de vergonha quem clama pelo aperto do cinto. Como liberal, achei que estarias afastado disso. Afinal de contas, os blasfemos e insurgentes rendem-se À política de despesas brutais quando o partido fala mais alto. O melhor exemplo disso é o CAA, liberal rendido a Menezes, anticlerical que anda em campanha em viagens a Fátima.

  17. Luis Lavoura, não sou militante. Pimenta, não sou PSD-dependente. Tens direito à tua opinião, e em embandeirar em campanhas delirantes. Conheço bem demais a máquina da candidatura que tu apoias, e talvez por isso, não caia nesses teus clichés. A política é o que é. Não há anjos nem demónios. Nem a campanha de Menezes é um centro de podridão, nem a campanha de Rui Moreira um clube de anjos. Eu simplesmente penalizo quem faz política com base em campanhas negras, explorando o medo e o lado moralista dos cidadãos. Isso chama-se “demagogia”. E é próprio, não de democracias civilizadas, mas sim de países de terceiro mundo. A campanha de Menezes fez o seu caminho, não caindo no ataque pessoal. Gastou? É porque o tinha. Rui Moreira gastou o que tinha, e pelos vistos, o que não tinha, emprestado por outros. Tudo bem. Não me venhas é com essa dos puros contra os aparelhistas. Porque isso não corresponde à realidade.

  18. Pingback: RAF e as eleições no Porto | Ricardo Campelo de Magalhães

  19. Pingback: Execução da Derrama no Porto no periodo 2010-2015 – correção de erro – O Insurgente

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