Portas quer menos 2.000 funcionários públicos, Seguro quer menos 4.000

Carlos Guimarães Pinto, no seu blog pessoal Montanha de Sísifo:

portasseguroPaulo Portas irá negociar com a troika o aumento do défice de 2014 de 4,0% para 4,5%Seguro quer mais. Antes de congratular Paulo Portas pelos 0,5% adicionais de défice acordados com a Troika, ou de aplaudir Seguro quando ele vier pedir 1%, convém perceber quais os custos deste feito.

Cálculos por alto: os 0,5% de défice correspondem a 1.000 milhões de Euros. Ao custo de mercado da dívida pública portuguesa, isto serão cerca de 70 milhões em juros por ano. Isto corresponde ao salário de mais ou menos 2000 funcionários públicos.

É o número de funcionários públicos que terão que ser despedidos para nos próximos anos para pagar por este tremendo “feito” da ala esquerda do arco da governabilidade.

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13 pensamentos sobre “Portas quer menos 2.000 funcionários públicos, Seguro quer menos 4.000

  1. Jose

    Eles querem lá saber dos funcionários para algo. O que lhes importa é o efeito demagógo imediato que lhes dá votos.

  2. Lucklucky

    Ainda mais hilariante foi uma notícia do Jornal I de que o CDS concordava com transformar a RTP numa BBC.
    BBC que como se sabe existe para fazer propaganda de esquerda.

  3. Fil

    É claro que para estes cálculos brilhantes não interessa nada saber qual o efeito destas negociações no denominador do rácio acima referido (que se chama PIB, tão esquecido que anda). Só se fazem contas ao Numerador (défice), o que interessa imenso aos defensores da austeridade pura e dura e aqui del rey, qual flexibilizar metas quais quê!? .

    Estes teóricos que parcializam os rácios consoante lhes apetece e descobrem diariamente a pólvora têm, no entanto, uma pedra no sapato: Outros que já foram como eles, já pensaram como eles, e que por sinal já aprenderam qualquer coisa. Outros que já estiveram envolvidos directamente nas decisões da receita da austeridade e agora fazem mea culpa e assumem que não resultou. Dizem até alguns, pasme-se, que estas metas (o tal rácio lá de cima) são apressadas e contra-producentes e que mergulham os países num ciclo depressivo do qual dificilmente sairão. Mas isso são meras personagens como ex-ministros das finanças deste Governo e dirigentes do FMI (ou ex-dirigentes, corrija-se), tudo gente sem conhecimento de causa…

  4. tina

    Que números arrepiantes estes dos juros da dívida. Como podem os pais a brincar assim com o futuro dos filhos? É uma irresponsabilidade total, comum àqueles que estão habituados a que outros tomem conta deles. Don´t the Portuguese love their children? No.

  5. tina

    Os europeus devem olhar para nós com o desprezo que nós sentimos por aqueles que estão endividados até ao pescoço porque só sabem gastar. Devem respirar de alívio por não se encontrarem na mesma situação. Enquanto são os próprios portugueses que pedem para se endividarem mais! Que raça desprezível, devem eles pensar.

  6. Brytto

    Portugal está como o refrão de uma música de Ney Matogrosso: se correr o bicho pega se ficar o bicho come! Se baixa o défice aí vem mais recessão e mais desemprego – o bicho pega; se não baixa o défice aí vem muito mais divida que já está a níveis quase insustentáveis – o bicho come. Apesar de tudo, acho melhor o bicho pegar!… 🙂

  7. Ricardo escreveu:

    “Ai adiar a correcção, e portanto criar dívida,…”

    Bom, o problema não está aí. Nós somos portugueses e não alemães e, é em alemão que dívida e culpa é a mesma palavra (schuld). Em português (e em espanhol, inglês, etc., etc.) são palavras diferentes.

    Portanto, entre nós, dívida não é ou não deixa de ser culposa, é um instrumento de governo a utilizar quando é necessário. E por mais defeitos que a dívida tenha, destruir um país é muito pior. Isto é, o objectivo é salvar o país e proporcionar um nível de vida razoável à população portuguesa e não abater a dívida a qualquer preço. Isto obviamente tem custos.

    Já agora, um país não é uma mercearia de bairro e em contabilidade nacional não se devem fazer contas à merceeiro. Segundo a Pordata, Portugal, em 1991, depois de décadas de deficit, tinha uma dívida pública, em percentagem do PIB, de 55,6%, inferior à média europeia. Como é que isto foi possível?

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