Dívida impagável

Catarina Martins, co-coordenadora do Bloco de Esquerda (RTP, inclui audio) [meus destaques]:

(…) a ‘troika’ está a aterrar em Portugal e o governo curva-se perante a dívida, que é impagável, cada vez mais pesada sobre o PIB, e curva-se perante a ideia de cortar mais nos salários, nas pensões, no Estado social”.

(…) “aquilo de que precisamos não é de mais cortes, nem sequer de perceber se a austeridade pode ficar boazinha, como defende António José Seguro”.

Catarina Martins revela ignorância económica ou espera que tal se manifeste junto da maioria dos portugueses (aposto na segunda opção!).

Sendo o Orçamento do Estado deficitário, quanto maior a probabilidade da dívida se tornar “impagável” maior terá de ser o corte nas despesas públicas, dado que deixará de ser comportável a obtenção de crédito para financiar o défice. Aliás, já deixou de o ser em 2011. Nessa altura, só a ‘troika’ arriscou a salvação do Estado português…

14 pensamentos sobre “Dívida impagável

  1. migas

    “Catarina Martins revela ignorância económica ou espera que tal se manifeste junto da maioria dos portugueses (aposto na segunda opção!)”

    Eu aposto na primeira… Ou não seria do BE…

  2. Luís Lavoura

    Se um Estado tiver uma dívida enorme (impagável) mas não tiver défice, pode perfeitamente deixar de pagar a dívida. Faz um calote mas continua a viver, dado que não tem défice.
    O autor do post parece confundir dívida com défice.

  3. Miguel Noronha

    Perfeitamente. Depois fica é fora dos mercados de crédito.
    Também existem os tribunais noutras jurisdições que podem ordenar o confisco de bens no estrangeiro (como sucedeu no caso argentino ainda há pouco tempo).

    Há quem continue a desconhecer que a dívida resulta da acumulação de défices. Mas há conceitos que são de complicada apreensão.

  4. J.Pinto

    Luís Lavoura,

    Vamos admitir que tendo défice 0 nos conseguiríamos financiar a preços razoáveis. Quantos mil milhões é que tem de cortar para ter défice 0? 10 mil milhões, aceita? Concorda com o corte de 10 000 milhões em vez dos 4 ou 5 mil milhões?

  5. Miguel Noronha

    Vai ter que arranjar mais algum porque depois vai ter de nacionalizar todos os bancos e garantir o pagamento dos depósitos com fundos públicos. Ou então deixa-os falir e ficam os depositantes a “arder”.

  6. Lucklucky

    Os depositantes e investidores incluem o próprio estado
    E depois podemos falar falar na Segurança Social…

  7. Miguel Noronha

    Pois. O FEFSS tem uns milhõezitos enterrados em dívida pública. E outros fundos de pensões privados também.

  8. k.

    Um default seria sempre acompanhado com uma saida do Euro; Com uma moeda propria, a liquidez do sistema financeiro seria assegurada.

    O problema financeiro seria substituido por um problema economico mais corriqueiro. Como a nova moeda propria nao teria valor nos mercados internacionais, teriamos de obter moeda estrangeira para pagar as nossas importações. Ora, como Portugal não exporta assim muito (30% do PIB), nao conseguiria muito dinheiro estrangeiro para pagar importações. oops

    Bem, ao menos ficamos a viver dentro das nossas possibilidades. Autarcia forçada.

  9. Carlos Pacheco

    Se quase todo o país emigrar, o que certamente vai acontecer se as ideias dos escreventes aqui presentes continuarem a ser seguidas, e restarem apenas meia dúzia de escravos ucranianos ilegais para limpar as piscinas de férias de meia dúzia de liberais, quem paga a dívida, quem é?

  10. Carlos Pacheco

    … a dívida fica definitivamente impagável e a despesa pública do estado qual é, qual é? isso: 0. e as receitas? isso: 0.

    Em resumo: mais austeridade => emigração em massa =>despesa pública 0+dívida impagável.

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