Dois Erros Do Memorando De Entendimento

Olhando para os últimos dois anos, creio que a troika cometeu dois grandes erros no memorando de entendimento celebrado com Portugal em 2011– que convém relembrar, foi negociado e assinado pelo PS em nome do estado português tendo sido subscrito pelo PSD e pelo CDS:

  1. O memorando estabelece várias metas de redução de despesa em termos nominais, mas sem especificar as medidas concretas que ficariam a cargo do governo. Isto permitiu ao partido da oposição se demarcar destas medidas e de acusar o governo de ir para além da troika.
  2. O memorando define várias medidas que poderiam levantar dúvidas quanto à sua constitucionalidade (e face a desenvolvimentos recentes, poucas coisas neste país parecem não levantar dúvidas constitucionais). Tendo os partidos que subscreveram o memorando de entendimento a capacidade de alterar a constituição, deveria ter sido exigido o compromisso da alteração da constituição por parte destes partidos quando tal se revelasse necessário para implementar as referidas medidas.

Estou convencido de que um destes três cenários seja inevitável para Portugal: segundo resgate, saída do euro ou bancarrota. No caso de se concretizar o segundo resgate, espero que a troika corrija os dois pontos acima.

8 pensamentos sobre “Dois Erros Do Memorando De Entendimento

  1. Pedro

    E para concederem o segundo resgate, exigirão mais medidas. Não o concedem de qualquer maneira a um país habituado à subsidiodependência e ao crédito! A esquerda pensa que quem vier atrás que feche a porta e que alguém há-de pagar a conta, mas chegou-se ao fim da linha!

  2. Pedro, e ainda bem. É inacreditável como em insolvência técnica e com a presença do FMI, UE e BCE, Portugal ainda não faça as reformas e os cortes no Estado que tem de fazer. Revela bem a o peso da esquerda em Portugal, que com tanto progressismo, teima em retardar o país.

  3. Carlos Ferraz

    o Pedro e o Mário querem sugerir onde se farão os cortes e com que fundamentos?
    Com um governo de esquerda como o que temos?

  4. João Cortez escreve:

    “permitiu ao partido da oposição se demarcar destas medidas e de acusar o governo de ir para além da troika.”

    Ná, ná, quem disse que queria ir além da Troika foi o nosso Primeiro Ministro.

  5. Antes tivesse ido. Aliás, nem precisava de ir mais além. Bastava cumprir o que lá estava escrito, especialmente aquela parte onde diz que a consolidação fiscal se deve fazer com 2/3 de corte na despesa.

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