Salário mínimo europeu

Artigo de Pedro Bráz Teixeira no i

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, defendeu a introdução de um salário mínimo europeu. A primeira dúvida que se coloca é: ele sabe quais são hoje os salários mínimos nos diversos Estados-membros da UE? Fará ideia que os salários mínimos nacionais variam entre os 135 euros na Roménia e os 1606 euros no Luxemburgo (valores adaptados para serem directamente comparados com os 485 euros em Portugal)? Existe uma relação de 1 para 12 entre o valor mais baixo e o mais elevado e há a fantasia de querer uniformizar isto? Como é possível ignorar as brutais diferenças de custo de vida que existem entre os diversos países?

Saberá ele que em sete países da UE não existe sequer um salário mínimo nacional?(…)

Isto é aterrador, chegar à conclusão que um primeiro-ministro de um país desenvolvido e até com enorme apreço pela cultura, como é a França, se permite anunciar ao mundo a primeira excentricidade que lhe passa ela cabeça, sem que tenha sido objecto da mais ínfima análise. É gente deste calibre que vai decidir lançar um ataque militar à Síria? Tenham medo, mas muito medo, porque eles não fazem ideia nenhuma das consequências do que propõem e parece que não têm ninguém ao seu lado que os aconselhe com um mínimo de sensatez.

12 pensamentos sobre “Salário mínimo europeu

  1. Nuno

    “Isto é aterrador, chegar à conclusão que um primeiro-ministro de um país desenvolvido e até com enorme apreço pela cultura, como é a França, se permite anunciar ao mundo a primeira excentricidade que lhe passa ela cabeça, sem que tenha sido objecto da mais ínfima análise.”

    O Pedro Braz Teixeira comete aqui um erro. Como já tive oportunidade de comentar aqui noutro post sobre o tema, na minha opinião aqui não se trata da fúria estandardizante típica dos socialistas franceses (embora possa ser parte).
    Aqui trata-se da crise francesa que não há maneira de o Hollande “resolver” e do desemprego que não pára de aumentar (já passou os 3 milhões). Como aumentar a competitividade do seu país parece estar fora de questão, resta a tentativa de minar a dos outros, ilegalizando boa parte do emprego noutras nações europeias.
    E isto, sim, é o que na minha opinião é aterrador: que a França tenha no séc. XXI governantes adeptos do mercantilismo, convencidos de que o comércio internacional é um jogo de soma nula, ignorantes de que é o aumento da produtividade que faz subir os salários e não o inverso, e de que tudo estará bem no seu país desde que os outros estejam o mais fracos possível.

  2. Ricardo Arroja

    Excelente artigo. Esta ideia de uniformizar os salários mínimos na Europa, que só faria sentido se fosse pelo mínimo denominador comum, é das ideias mais idiotas que ouvi nos últimos anos. Mostra bem o estado de desgraça a que chegou a política socialista em França (nota: os meus amigos franceses asseguram-me que ninguém em França leva esta cambada muito a sério). O problema é que os nossos socialistas vão “beber” a França…e é grande, muito grande, a bebedeira que lá vai!

  3. Guillaume Tell

    Na Suíça o povo vai ter de se exprimir sobre uma iniciativa da Juventude Socialista que visa limitar o salário mais alto em todas as instituições a 12 vezes o salário mais baixo.

    Deveríamos aplicar este tipo de propostas a nível mundial, toca tudo a ganhar no máximo 360 euros por mês! Queria ver estes fulanos a viver como os pobres!

  4. Zero

    “Na Suíça o povo vai ter de se exprimir sobre uma iniciativa da Juventude Socialista que visa limitar o salário mais alto em todas as instituições a 12 vezes o salário mais baixo.

    Deveríamos aplicar este tipo de propostas a nível mundial, toca tudo a ganhar no máximo 360 euros por mês! Queria ver estes fulanos a viver como os pobres!”

    Devem estar a querer destruir a economia suiça. Eles que vão mas é estudar economia a sério em vez de propor disparates

  5. Rui

    ok vamos lá falar um bocadinho a sério e deixar-nos destas tiradas ” ai o horror! o terror ! o drama etc etc…” .

    Qual seria o problema de termos um salario minimo europeu? é o aumento do desemprego? a falta de “competitividade”?

    Mas nao temos o desemprego já em níveis historicamente altos, nós que até temos um salario minimo relativamente baixo em termos europeus? Se o salario minimo fosse assim tao relevante certamente teriamos niveis de emprego superiores aos de outros países…

  6. Lucklucky

    “…primeiro-ministro de um país desenvolvido e até com enorme apreço pela cultura”

    You Keep Using That Word: Culture, I Do Not Think It Means What You Think It Means”

  7. A ideia não é tão estupida como parece, pelo menos para os que defendem a abolição do salário minimo. Por exemplo, se fosse fixado em 200 Euros, na prática o Luxemburgo deixava de ter salário minimo e talvez o mesmo acontecesse em Portugal…

    Para os que defendem a fixação legal obrigatória de limiares inferiores (ou superiores) nas negociações salariais é óbvio que esses minimos devem ser calibrados de acordo com a profissão e o local de trabalho.

  8. Carlos

    Marques mendes, um salário mínimo no Luxemburgo de 200€ impediria que Romenos tivessem a oportunidade de ir trabalhar para o Luxemburgo (e quem diz romenos, diz chineses e outros). Além disso, intensificava o desemprego na Roménia.

  9. migas

    A ideia do francês é tão estúpida que nem vale a pena comentar.
    É só para dizer que o SMN em Portugal é 565€, e não 485€.

  10. Guillaume Tell

    “Se o salario minimo fosse assim tao relevante certamente teriamos niveis de emprego superiores aos de outros países…”

    Pois é, só que há muitas outras mais coisas que impedem ao trabalho de surgir.

    Além disso o salário mínimo é só por si uma aberração, porque impede aos poucos qualificados de terem uma experiência profissional, nivela os salários dos inseridos para baixo (“o salário mínimo é isto, porque hei de o pagar mais?” > e não é tão parvo como isso se consultar o estudo do BdP sobre os salários públicos e privados verá que no privado não há quase ninguém abaixo do SMN, há depois uma enorme concentração de efectivos à volta de este valor para depois haver uma redução brutal), desincentiva os sindicatos a fazerem o seu trabalho de defensa dos trabalhadores e a solidariedade entre trabalhadores (sindicato “Aqueles tipo trabalha muito e vive longe, podeis o aumentar”; patrão “Já pagou o SMN, não lhe devo mais”; outros trabalhadores “Era o que se faltava haver uma diminuição de salário para lhe darmos mais um pouco, ele está no SMN que se governe”).

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