Hollande, o Conquistador

A França prepara-se para atacar a Síria, país soberano, sem nenhum “casus belli” aparente. O imperialismo está entranhado nos genes da cultura política francesa, dos gaulistas aos socialistas, lentos a aceitar a gradual degradação da sua posição no mundo. Esta aliança invisível e improvável, , que inclui Erdogan e a Irmandade, formada no início da Primavera Árabe, tem em muito contribuído para o terror que se vai avizinhando no médio oriente, com a progressiva substituição de regimes seculares por “democracias” dominadas pelos partidos islámicos.  Curiosamente e ao contrário do que se foi escrevendo pela academia nas últimas décadas, Samuel Huntington tinha razão no seu “Choque das Nações”. Será a Turquia – e não o Irão – a liderar – num futuro próximo – o bloco dos países islámicos. Como sempre, o Ocidente pagará atempadamente o preço das suas acções.

12 pensamentos sobre “Hollande, o Conquistador

  1. Que alternativa propõe?

    Parece-me que segundo o seu raciocínio se Hitler se tivesse dedicado a meter os judeus em câmaras de gás sem invadir outros países, os outros países (incluindo Israel, se existesse?) deveriam simplesmente ignorar já que se trataria de um país soberano sem casus belli aparente. Não há defesa possível dos islamistas e do reino de horrores que trarão se chegarem ao poder, mas pior que os hipotéticos massacres do futuro, são mesmo os reais massacres do presente, e aqueles a que estamos a assistir são cometidos pelo regime que controla a Síria.

  2. Bom, o conflicto ainda mal começou e é demasiado cedo para se fazer previsões. Relativamente à Turquia, há que se considerar dois factores nessa equação. O primeiro é a proximidade da Rússia, que é o actor fundamental do xadrez mundial, e o segundo é o ódio que os árabes têm pelos turcos, que é bem mais intenso que as diferenças que eles mantém com os persas.

  3. Nuno

    Caro Romeu,

    Quando li o seu comentário, pensei no que seria se regimes como o russo, o chinês ou o saudita (exemplos) se dedicassem a invadir países como o nosso, por nos considerarem demasiado “democratas”. Pior, se o fizessem com essa justificação para encobrir outras intenções como, por exemplo, dominar a nossa area económica exclusiva.
    É o que irá acontecer na Síria caso a guerra deflagre. Americanos e franceses têm pouco interesse no povo sírio. Estão mais interessados na abertura de corredores de transporte de recursos naturais para o mediterrâneo e na fragilização da aliança concorrente (Rússia, China, Irão e Síria).

  4. Pingback: El Parlamento británico vota en contra de la intervención contra Siria | Sana Crítica

  5. Renato Souza

    Romeu

    Errado o que você disse. Muitos cristãos que fugiram das áreas conflagradas (e lembre-se que os cristãos tem sido preferencialmente atingidos) contam dos massacres perpetrados pelos insurgentes. Contam também que entre os insurgentes há cada vez mais estrangeiros.

    Até mesmo o ataque de gás pode ser obra dos revoltosos, visto que não são necessários misseis muito precisos como vetor dessas armas. Além disso, são principalmente os sauditas a estimular e financiar os revoltosos, e os sauditas tem muito dinheiro.

    A comparação com Hitler não tem sentido. O ditador sírio não está a promover um genocídio, embora tenha cometido crimes. Seu pai foi muito pior, massacrando aldeias e e incitando o massacre de aldeias no Líbano, mas estranhamente os mesmos que incriminam o filho eram bastante amistosos com o pai.

  6. lucklucky

    Atenção a como os media de esquerda americanos já estão a mostrar o caso: grande aliança EUA-França com artigos sobre perspectiva histórica.
    Com Bush a perspectiva jornalista era a desunião porque faltava um país, com Obama é a união porque está aliado com um país.

    “Estão mais interessados na abertura de corredores de transporte de recursos naturais para o mediterrâneo”

    Continuam com estas patetices? Que tal pensar um pouco, ou olhar para o mapa.

  7. Agradeço as respostas esclarecedoras, mas os meus 2 pontos continuam sem resposta:

    1) Qual é a alternativa que o Ricardo Lima propõe perante o uso de armas químicas por Assad (sobre civis)? Ficar a olhar? Estou genuinamente interessado em saber, independentemente do que sejam as intenções e motivações da França ou dos EUA. (P.S.: se isto prova o “imperialismo” da França, também prova o dos EUA, não? Porque é que faz um post escandalizado só com a França?)

    2) Este raciocínio de que um país pode gasear civis indiscriminadamente porque é soberano continua a parecer-me moralmente absurdo. Mantenho que seria o mesmo que legitimar que Hitler gaseasse os judeus porque é um país soberano.

    No caso da Síria não é segredo nenhum que o conflito se dá sobre linhas étnicas, opondo rebeldes islamistas nacionais e estrangeiros às minorias alauíta (no poder), cristã, curdas e outras. Os bombardeamentos e combates dão-se segundo estas linhas e os gaseamentos de civis também. Não são alauítas que são gaseados aos milhares. É melhor não ir pelo argumento de que “não é um genocídio”, porque é uma linha muito fina…

    Os ataques com gás foram e só podem ter sido executados pelo governo Sírio. Todas as armas químicas estão em posso do regime, toda a gente o afirma e Israel já as teria destruído se estivessem em risco de cair na mão dos rebeldes (Israel fez ataques ainda no passado recente para destruir arsenal armazenado ou em transferência, tanto no Líbano como na Síria).

    O argumento de que isto se faz para fragilizar a aliança China-Rússia-Irão-Síria (sobretudo o Irão, diria eu) faz sentido. Já a histeria de “os malvados dos capitalistas querem é o petróleo dos árabes” soa demasiado a propaganda anti-capitalista e anti-ocidente da extrema-esquerda… A Síria vende petróleo à Europa, não faltam caminhos para fazer chegar o petróleo de outros países ao ocidente e os EUA descobriram ainda recentemente reservas energéticas enormes, tal como Israel. Esta conversa de que fazem guerras e mais guerras por petróleo cansa e tem cada vez menos fundamento.

    Para além disto, claro que França e EUA têm pouco interesse nos Sírios…

  8. silver

    Romeu,e não serão antes os rebeldes a possuir as armas? Rebeldes que só por sinal,fazem parte dos meandros da Al-Qaeda,tão sinistra ou pior que o próprio Assad.Aliás,nem o próprio Cameron ontem tinha a certeza que o regime é que tinha as armas…

  9. Nuno

    Caro Senhor Lucklucky,

    Considerarei que faz jus ao seu nickname se encontrar um mapa onde a Síria não esteja mesmo ao lado do Iraque e que encontre provas iniludíveis de que não é um aliado do bloco Irão, Rússia e China.
    Patetice por patetice, parece que podíamos ter começado melhor.

  10. Renato Souza

    É claro que o regime tem armas químicas (na verdade, armas russas cedidas).

    Mas quem disse que os rebeldes não tem? A verba da Arábia Saudita e seus aliados para os rebeldes é imensa. O regime afirma que foram os sauditas que forneceram as armas aos rebeldes. É uma hipóteses razoável. Os sauditas tiveram os motivos, os meios e a oportunidade.

    Quanto à rígida separação entre grupos, isso não é verdade. Um grande número de sunitas apoiam o governo alauita, ou pelo menos os preferem aos “rebeldes”, que na verdade são em grande parte estrangeiros da Al Qaeda e da Irmandade Muçulmana..

    PS: Desgosto do Irã, muito mais do que da Arábia, mas isso não quer dizer que apoie qualquer meio que os sauditas usarem contra os aliados do Irã.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.