antes de dizer mal dos empresários portugueses, pense duas vezes

Uma economia de mercado assenta na empresa.

Uma empresa é um conjunto de meios que são reunidos por um ou por vários empresários para cumprirem uma finalidade de produzirem bens e/ou serviços que sejam necessários no mercado, isto é, às pessoas.

Os empresários que consigam satisfazer as necessidades das pessoas, oferecendo-lhe aquilo de que elas precisam e desejam, por preços competitivos e compatíveis com as suas disponibilidades, conseguirão singrar, obterão lucro e serão naturalmente obrigados a investir esses lucros no seu negócio, enquanto ele continuar em expansão. Se forem capazes de antever uma contração do mercado em que actuam, saberão redimensionar, a tempo, a sua empresa, podendo mesmo reorientá-la para outras áreas de negócio, investindo o capital disponível em novas necessidades do mercado. O empresário que consegue antecipar essas necessidades, que vislumbra antes dos outros novas oportunidades, chegará primeiro ao negócio e obterá vantagens competitivas superiores às dos seus futuros concorrentes.

Por este conjunto de motivos se diz que a economia de mercado é a soberania do consumidor (Mises), porque quem verdadeiramente determina as acções dos empresários não são eles mesmos, mas os seus clientes. Um empresário que não satisfaça necessidades de um mercado não terá clientes e, não tendo clientes, irá à falência, ou não chegará sequer a estabelecer-se. Isto é, deixará de ser empresário.

Agora, imagine uma economia intervencionada, isto é, uma economia em que o mercado não é soberano, na qual existe um intermediário chamado “estado”, que fixa condições de mercado e cobra taxas pelos seus serviços.

A primeira consequência disto é que ao empresário já não lhe bastará satisfazer as necessidades dos seus potenciais clientes. Ele passará a ter de satisfazer as determinações do governo, isto é, dos políticos e da burocracia.

Estes, por sua vez, poderão exigir-lhe praticamente tudo o que quiserem, desde o cumprimento de regras administrativas para poderem aceder ao mercado (alvarás), até ao cumprimento de tudo o que entendam dever exigir para a manutenção da empresa no mercado (lembram-se do pão em saquinhos de plástico nos restaurantes?), incluindo dinheiro (impostos e taxas). Em seguida, criam organismos para a fiscalização das regras que eles mesmos criaram, que serão pagos pelo dinheiro dos contribuintes, isto é, pelos empresários e pelos consumidores. Ou seja, pelo mercado. Não raras vezes, para além do pagamento das taxas legais, torna-se ainda necessário pagar estes serviços com favores e corrupção.

Ou seja, para além da intervenção do estado no mercado encarecer o preço dos produtos sem vantagem acrescida para os consumidores, ele criará uma distorção que obrigará o empresário a prestar, primeiro, atenção à vontade do governo e da sua burocracia, e só depois aos seus clientes e à satisfação das necessidades destes. Por outras palavras, numa economia intervencionada, o soberano já não é o consumidor. É o estado.

Outra consequência grave para os consumidores advém deste sistema. Como o jogo do mercado deixa de ser decidido somente entre oferta e procura, torna-se interessante aos empresários terem uma posição privilegiada junto de quem decide, isto é, já não o consumidor, mas o governo. Daqui decorre que os empresários de maior dimensão acabam por aceder com mais facilidade ao governo, conseguindo, por via legítima ou ilegítima, melhores decisões do que os empresários de média e pequena dimensão, prejudicando estes e beneficiando ilegitimamente muito poucos. A promiscuidade entre negócios e política aumenta, assim, exponencialmente, mas com absoluta naturalidade: ela é uma consequência inevitável deste sistema.

Por esta via, ficaremos próximos de um modelo oligopolista, que falseia a concorrência e prejudica os consumidores nos preços, na qualidade e na variedade dos bens e serviços que lhe serão postos à disposição no mercado. A asfixia das pequenas empresas é o passo seguinte: só conseguirão sobreviver e expandir os seus negócios aquelas empresas que beneficiem dos favores ou, pelo menos, da boa-vontade de quem decide, que vale a pena repetir, não são já os consumidores, mas os decisores políticos.

Finalmente, olhe para a realidade portuguesa. Qual destes dois modelos – economia de mercado ou economia intervencionada – temos em Portugal? E qual deles traria maiores vantagens para os consumidores e para os verdadeiros empresários, aqueles que querem trabalhar para satisfazer necessidades do mercado e não dos políticos? E porque razão todos nos queixamos da eterna promiscuidade entre política e negócios?

Ser um verdadeiro empresário em Portugal é, portanto, uma verdadeira profissão de alto risco. Por isso, quando ouvir dizer mal dos empresários portugueses, pense duas vezes antes de emitir a sua opinião.

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26 pensamentos sobre “antes de dizer mal dos empresários portugueses, pense duas vezes

  1. Pingback: pense duas vezes | BLASFÉMIAS

  2. Diógenes

    Já pensei duas vezes. 90% são uma verdadeira merda. E o maior inimigo da vossa causa é a vossa profunda ignorância histórica, filosófica, antropológica e mais que não seja a pura equação económica. Não tenho dúvida que as vossas teorias façam uma economia mais forte, mas fará um ser humano mais completo, mais feliz, mais solidário?

  3. dervich

    Ah, a historia do ovo e da galinha: Já há algum tempo que não ouvia!…

    Uma acção gera uma reacção: Porque será que surgiram inicialmente as regras administrativas, as fiscalizações, etc?

    Já quanto aos favores e à corrupção…when there´s a will there´s a way.
    Porque será que os empresários da Europa do Norte (leia-se “a que não tem deficit”) têm tanta dificuldade em se estabelecer em África, no Brasil, etc?

    Já a maioria dos empresários portugueses não têm esse problema, dizem que “se sentem como em casa”…

  4. Lobo Ibérico

    @Diógenes,

    Acredite que seria muito mais feliz se não me sentisse um escravo por ficar sem o fruto do meu trabalho, de quase meio ano, para sustentar um sistema moribundo e imoral, que promove mais assimetrias do que aquelas que sara e apenas sobrevive pela coerção.

    “Solidariedade” forçada que começa e acaba na retenção na fonte? É a epítome do humanismo.

  5. BST

    Diógenes, a economia não se destina a criar “seres humanos mais solidários”. No supermercado compro fiambre, peixe, etc., que me facilita muito a vida. A minha formação moral procuro-a noutras instâncias.

  6. Fincapé

    Podemos sempre considerar a forma como o Estado deve estar organizado, que instituições e serviços devem prestar e apoiar, que grandeza deve ter. O problema é que para os “liberais” (coloco aspas para focalizar) o Estado é um corpo estranho e longínquo das pessoas e dos chamados mercados. Ora, o Estado não é nada disso. O Estado é uma organização das pessoas (dos cidadãos). E são elas, escolhendo os seus representantes em parte das instituições, como a AR, PR, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e ainda mais, em muitos tipos de associações determinadas legalmente, que contribuem para a organização do Estado. A AR, que aprova as leis organizadoras, representa os cidadãos. Portanto, o Estado somos nós. Esta é a falha essencial e primária do “liberalismo”.
    Mas há muito mais. Cada interveniente no mercado, não é apenas isso, um consumidor ou um vendedor. Pode ser um doente e é de certeza um transeunte, um motorista, um pai (educador), um respirador de oxigénio… e em todas essas funções necessita de regras que lhe permitam assegurar com um mínimo de segurança o seu futuro e o da família. Necessita de garantir que se tiver um cancro terá acesso a tratamentos, se tiver filhos quererá garantir a sua educação, na condução quererá ir seguro na mão direita, Quererá também que as indústrias do seu concelho não lhe poluam o ar, os rios ou os terrenos.
    Como se sabe, os espaços onde se juntam vendedores e compradores nos concelhos do país foram todos construídos pelas Câmaras Municipais. Também se chamam normalmente mercados, como o do Bolhão, por exemplo. Ora, os vendedores tiveram séculos para demonstrar que seriam capazes de se organizar e construírem-nos eles próprios. Não o fizeram. Porquê? Porque estão a competir entre si. O Estado (ou seja, nós todos organizados) ao fazê-lo não está a meter-se na nossa e na vida deles. É parte da nossa vida e da deles.
    As regras que estabelece não são dele, Estado, são nossas. Os impostos cobrados são a forma de garantir que o tal edifício do mercado municipal será mantido e preservado.
    Parte dos impostos é para curar o tal cancro que aparece em x% dos cidadãos.
    Poderá dizer-se que os cidadãos poderão ter um seguro de saúde para o mesmo efeito. Pois podem. Mais caro, com menos garantias e, provavelmente, ao fim de um ano de tratamentos abandonados. É isto que nós conhecemos do liberalismo na saúde.
    ———-
    Conheço bastantes empresários, sem contar com os pequenos comerciantes. Todos eles, mais de esquerda ou mais de direita, pensam de forma parecida com o que eu disse. De tal maneira que foi também com as suas exigências que a câmara construiu, reconstruiu, manteve e mantém um desses mercados. É também por exigência deles (e participação) que uma dessas feiras de comércio e indústria anuais é organizada pela câmara. Fora o resto…
    ———–
    Talvez esteja um pouco confuso, mas talvez dê para entender. De resto, para dizer tudo e corrigir estaria aqui tempo demasiado para um comentário.

  7. Fincapé

    “…Agora, imagine uma economia intervencionada, isto é, uma economia em que o mercado não é soberano, na qual existe um intermediário chamado “estado”…”
    ———
    Foi a desregulamentação, no caso feita por Bill Clinton, numa linha que já estava traçada, que permitiu que alguns bancos se tornassem “too big to fail”. O Goldman Sachs é um desses casos. Enquanto muitos dos pequenos bancos se encontram à beira da falência, o monstro devora tudo e tornou-se numa espécie de governo mundial, com os seus tentáculos bem entranhados na Casa Branca. E teria sido tão simples manter os bancos de investimentos separados dos normais bancos de depósitos. Enfim. O radicalismo liberal é muito mau.

  8. Carlos

    Fincapé, não sei se é religioso. Se é, saiba que nos 10 mandamentos diz lá um: ‘Não roubarás’. Não me lembro de dizer lá: ‘Não roubarás, a não ser se for democraticamente aceite’. Os meus pais ensinaram-me a não roubar. Tenho pena que não tenham ensinado à maioria da população portuguesa.

  9. Sérgio

    Exceto em Portugal, onde a esquerda, a função pública e todos os que vivem às custas dos impostos, julga que mantém todos os outros…

  10. PeSilva

    Da mesma série, deixo o título para o próximo texto:
    “antes de dizer mal dos trabalhadores portugueses, pense duas vezes”

  11. jhb

    O empresário português:

    “Embark with Portuscale Cruises in the New Maiden Voyage, Azores or the Mediterranean and be surprised with the emblematic and rebuilt M/v Funchal: the Porto and Gama Bars, the swimming pool and the open-air bar, new and improved sun decks, the leisure and shopping area.”

    “Funchal
    244 cabins, Funchal has actually began her career as the Portuguese Presidential Yacht, for transatlantic visits, before her conversion into a cruise vessel. She is now totally rebuilt with an upgrade to a 4 stars vessel.

    FUNCHAL is more warmful and charming than ever.
    At 10,000 gross tons, this classic cruise liner with her beautiful profile, charming interiors and sheltered promenade decks is renowned for her yacht-like ambiance. ”

    e no entanto:

    “Novo” paquete Funchal retido na Suécia:

    “O recuperado paquete Funchal está impossibilitado de sair do porto de Gotemburgo, na Suécia, por terem sido detetadas “sérias deficiências” ao nível da segurança. Ficou impedido de prosseguir a terceira parte da viagem inaugural, que começou em Lisboa a 6 de agosto. ”

    “De acordo com o “Jornal de Notícias”, as falhas foram encontradas numa inspeção de rotina na terça-feira, em Gotemburgo. O navio estava parado depois de uma viagem de 12 dias ao Cabo Norte. “Encontrámos séries deficiências. Havia tanta coisa que decidimos cancelar a inspeção”, disse a um jornal sueco Märten Dahl, inspetor principal da Agência de Transporte Martítimo.

    As autoridades terão encontrado “dezenas de defeitos técnicos”, como equipamentos salva-vidas que não estão aprovados, portas estanques que não fecham devidamente, problemas com fogo e conhecimentos de seguranças inadequados por parte da tripulação.

    O barco só poderá voltar a sair do porto após nova inspeção, e avaliação positiva. A bordo estariam 400 pessoas, 150 optaram por deixar o navio. A empresa propritária da Funchal, Portuscale Cruises, indica, através do seu site que o paquete se encontra a recuperar de uma “anomalia técnica”. “

  12. Fincapé

    O meu caro Carlos está convencido que o “produto do seu trabalho” e o “salário que lhe pagam” são mesmo “resultado do seu trabalho”. Mas não são. São resultado de tudo o que as gerações anteriores e a atual fizeram por si. Se você tivesse nascido no meio de uma selva, fora da interação humana, fora da sua civilização, fora da sua sociedade, não produziria o que produz, se é que produz, nem receberia o que recebe, se é que recebe. Foram milhares de anos de trabalho, de investigação, de descoberta, de educação, e também muito de lutas sociais que fizeram de si o que é hoje. E de mim. 😉

  13. rui a, o teu texto é muito bonito, mas parte de uma concepção de Estado particular, e os teus argumentos não se aplicam em Estados de outra natureza (por exemplo, sei lá, uma rede de pequenos aglomerados autónomos aplicando democracia directa e interagindo entre si – onde é que está aqui esse estado atrofiante?)

  14. rui a.

    «onde é que está aqui esse estado atrofiante?»
    E onde é que está esse estado, para que eu lhe possa responder à sua pergunta?

  15. Carlos

    Fincapé, já parece alguns afro-americanos nos EUA a dizer que os brancos têm de lhes sustentar porque no passado foram escravizados. Pouco importa os que já morreram. Interessa é que os indivíduos actualmente sejam livres.

    O mandamento mantêm-se. Ou nao?

  16. Fincapé

    Diabo de confusão, Carlos.
    O que eu digo é que a sociedade teve (tem) um processo evolutivo do qual fazemos parte. Todos devemos alguma coisa aos outros.
    De resto, nem concordo muito com as invocações do passado para se exigir no presente. Se assim fosse estaria a exigir que devolvessem os EUA aos índios que, desgraçados, nem tiveram direito ao usucapião. 🙂 O que acho é que a sociedade deve ter equilíbrios no presente e no futuro e que as pessoas devem ter mais segurança do que a que resulta da simples roleta da vida.
    Cumprimentos

  17. Carlos

    E o que quer isso dizer “ter mais segurança do que a que resulta da simples roleta da vida”? Que se deve roubar aos outros para se poder usufruir de bens? Que se deve ter ‘direito’ ao fruto do trabalho dos outros?

    As sociedade que mais protegem o indivíduo, neste sentido que eu falo, são as mais prósperas e as que criam mais oportunidades para as pessoas. Tem dúvidas disso?

  18. Fincapé

    Não sei de que sociedades prósperas está a falar. Talvez das cidades de tendas ou daqueles que vivem em motéis e que passam ao lado do sonho americano. Para si, pagar impostos é roubar. Para mim, roubar é querer usufruir de estradas, passeios, praças, fontes, jardins, justiça, educação, saúde, segurança, apoio social, transportes sem querer pagar para ter esses serviços disponíveis. A estrada aberta à porta de sua casa, mais os passeios, mais a manutenção, mais os esgotos foram pagos também com impostos meus. Tal como as urgências que servem a sua família, o INEM, ou os bombeiros, por muito voluntários que sejam. A diferença é que você não quer pagar para ter esses serviços. Logo, teria de pagar eu os seus e os meus. 😉

  19. Carlos

    Eu não quero que pague os meus. Quero que pague os seus.

    Sociedades prósperas? Hong Kong tem menos de metade da área dos Açores e cerca de 7,3 milhões de pessoas (criou emprego para cerca de 7 milhões de pessoas). Singapura ainda é mais pronunciado, mas não, o povo não quer saber. Pouco importa. Aqui é tudo muita bom, não precisamos de nada disso. Povo idiota.

  20. Fincapé

    Hong Kong? Sabe de alguma coisa que lá se produza que faça falta ao planeta, tirando as chinesinhas cruzadas? Você faz-me lembrar o livro de David S. Landes, “A Pobreza e a Riqueza das Nações”. O homem, que até era mais simpático com Portugal do que com Espanha, passou o livro a elogiar os famosos tigres asiáticos. Mas entretanto eles caíram a pique e o homem com o livro escrito. Teve de terminar com justificativas meio tolas de crescimento demasiado rápido e coiso e tal.
    Entretanto aguado que me devolva a parte que eu paguei para beneficiar dos serviços que o meu Estado lhe faculta. Caso tenha construído e mantido todos esses serviços, apresento-lhe as minhas desculpas, mas antes gostaria de ver as faturas. Mostre-me só a do hospital que o serve. O resto é oferta minha. 😉

  21. Carlos

    E o que eu lhe paguei? Não só eu mas a minha família toda. Ora que esta. Há pessoas que nem vale a pena responder. Fique na sua e faça como entender. Eu também estou a começar a achar que o povo português merece, não só o que está a acontecer, mas como o que vai acontecer. Alguns povos aprenderam da pior maneira, outros são vazios eternamente.

  22. Fincapé

    Carlitos, vá lá, deixe-se de birrinhas.
    Se não percebeu o diálogo do princípio ao fim é porque necessita de mais treino, mais concentração. Vá lá ao exercício e depois apareça um dia.
    Addio!

  23. “E onde é que está esse estado, para que eu lhe possa responder à sua pergunta?”

    O Estado somos nós que os definimos, cada vez que somos chamados a votar. A maioria da população continua a defender o sistema actual e os seus partidos. Mas onde queria chegar é que o problema que apontas é deste Estado em particular (e de outros semelhantes), mas que não se aplica a outros Estados que seriam possíveis (como certamente concordas).

  24. Henrique Figueiredo

    “O Estado somos todos nós”. “O Estado somos nós que o definimos”. Então fomos nós os culpados de colocar o Estado a consumir mais do que podia pagar? Se calhar têm razão. Caímos em promessas eleitoralistas. Agora olha…

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