Faleceu António Borges

antonio_borgesFaleceu o economista António Borges.

Foi Director do FMI para Europa.
Foi Reitor da INSEAD em Paris.
Foi Vice-Chairman da Goldman Sachs em Londres.
Foi Vice-Governador do Banco de Portugal.
Foi ministro sombra de Ferreira Leite.
Foi consultor do Tesouro americano.
Foi Catedrático na Universidade Católica.
Foi administrador de empresas como Citibank, BNP Paribas, Petrogal, Sonae, Jerónimo Martins, Cimpor ou Vista Alegre.

Mas foi muito mais do que isso. Foi uma voz livre que teve a coragem de dizer o que pensava num país que não está habituado a que se saia do politicamente correcto. Disse o que acreditava ser correcto, independentemente do que sabia que iriam dizer sobre isso. Foi directo, frontal e intelectualmente honesto. Por isso foi criticado diversas vezes e sê-lo-á novamente nestes dias. Mas valeu a pena. A história prová-lo-á a quem for curto de vistas. A todos os outros ficará na nossa memória. A sua coragem não terá sido em vão.

Condolências à sua família e amigos pessoais.

13 pensamentos sobre “Faleceu António Borges

  1. Piorquemao

    Claro que não foi em vão, estão já muitos e muitos outros estarão a sentir na pele, as barbaridades expostas como ideias livres,… O número de despojados e de privilegiados vai apenas depender da tenacidade com que forem adoptadas,… Excelente, diria, para quem sempre viveu chorudamente à custa de outrem, estado português incluído, sem nunca nada ter de arriscar, a não ser vidas de terceiros,… enfim,…

  2. Zero

    Como ser humano a sua morte é lamentável. Como economista, perde-se um grande valor. Só é pena que o país nao estivesse preparado para ouvir algumas verdades. São precisos mais economistas assim. Que descanse em paz

  3. Não me parece que tenha sido criticado pela coragem de dizer o que pensava. Só lhe ficou bem. A mim parece-me que foi criticado por fazer parte do problema, e não da solução. Como cristão lamento a perda do homem. Como cristão lamento a má e injusta distribuição da riqueza que ele defendia e da qual usufruia.
    O que o mundo precisava era de menos economistas e mais humanistas.

  4. Manel Z,
    Tem razão. Escrevi rapidamente e de memória, mas já corrigi.

    Em relação a todos os comentários,
    Acho estranho neste blog não haver mais elogios ao António Borges, que dado o espectro existente em Portugal, era dos políticos mais liberais nas copulas partidárias portuguesas.
    Nem me apetece ir ver o que estarão a escrever em outras caixas do comentários…

  5. O Insurgente da III Republica

    Talvez por nunca ter tido grandes ambições politicas… ali por volta de 2004/05 falou-se muito dele para líder do PSD, mas nunca me pareceu muito interessado nisso, infelizmente.
    Que descanse em paz.

  6. Quando li a notícia, de manhã, no Público, fiquei absolutamente enojado com o teor dos comentários a esta grande perda para Portugal.
    Fica mais uma vez provado que, no mundo Ocidental, apenas as pessoas de esquerda são verdadeiramente livres: as de direita, caso tenham semelhante veleidade, são votadas ao ódio e opróbio públicos.

  7. José António Salcedo

    António Borges era uma mente excepcionalmente competente e livre, corajosa na sua postura e nos seus argumentos. Construiu uma carreira internacional brilhante; em particular, a transformação que liderou no INSEAD foi notável, colocando essa escola de gestão entre as melhores do mundo. Era um homem sem hipocrisias, contrariamente a muitas pessoas. Fomos colegas de doutoramento em Stanford (em áreas diferentes) e mantivemos contacto ao longo dos anos; era uma pessoa que eu admirava e gostava de ouvir. O país precisa de pessoas assim – competentes e livres, capazes de discutir ideias para construir um futuro melhor para todos.

  8. andre

    António Borges era brilhante.

    Ricardo já foi dito tanta coisa boa em memória dele, felizmente.

    Perdemos mais uma boa cabeça pensadora.

    Marcelo Deus de Sousa ontem disse o principal: Ele via o país como Português e também como cidadão do mundo, coisa rara nos Portugueses de vistas curtas.

    Essa era a sua maior qualidade

  9. Renato Souza

    Sou brasileiro, e vejo em meu país o mesmo mal cultural que impede Portugal de avançar. O fato de tantos falarem mal dele mostra porque Portugal não poderia ser uma Coreia do Sul, Cingapura ou Taiwan.
    Quando um intelectual de cultura ibérica vê uma pessoa se esforçando para montar um pequeno negócio, logo pensa: Se ele tiver sucesso, e se tornar rico, isso significará que outros ficarão mais pobres (porque a economia é um jogo de soma nula). Empreendedores são parasitas da sociedade, e só podem ficar mais ricos empobrecendo os outros. Portanto os salários das outras pessoas diminuirá e a sociedade ficará mais pobre. Deveriam existir leis detalhadas e estritas regulando cada detalhe da atividade empresarial e de todos os fatores econômicos (salários, preços, aluguéis, lucros, juros, quem deve trabalhar aonde, o que deve ser produzido), regulada por uma imensa burocracia [o intelectual não tem a menor ideia disto, mas este era o sistema econômico nazista] ou então tudo deveria ser propriedade do estado, e os dirigentes das empresas seriam funcionários públicos (o maravilhoso sistema socialista marxista).

    Quando um intelectual em Cingapura vê uma pessoa se esforçando para montar um pequeno negócio, logo pensa: Se ele tiver sucesso, e se tornar rico, isso significará que transformou riqueza da sociedade (sejam suas economias, seja dinheiro emprestado) em capital (meios de produção de bens e serviços adaptados às demandas sociais demonstradas nos preços) e por isso ele é útil à sociedade. Se muitos agirem como ele, logo haverá mais demanda por trabalhadores, o que levará os salários a subirem, e a sociedade como um todo ficará mais próspera (porque a economia não é um jogo de soma nula). As leis deveriam ser focadas em impedir a violência, o roubo, a corrupção e a fraude. Se os empreendedores já são onerados com impostos, pelo menos não os oneremos com um pesado sistema burocrático de controle, que os faria gastar muito dinheiro com enorme atividade burocrática interna e lhes tira toda a agilidade de reagir inteligentemente às demandas do mercado. Não destruamos riquezas. Além de economizar dinheiro dos empresários, a diminuição da burocracia economizará dinheiro do estado, que poderá cobrar menos impostos, ou aplicar esse dinheiro em coisas mais úteis, ou endividar-se menos (ou todas as três coisas).

    Mas é raro um intelectual de cultura ibérica pensar assim. Por isso os países latino americanos são o que são, e o extremo oriente é o que é.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.