No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal i.

O consumo moralista

Com menos dinheiro para distribuir entre o eleitorado, a moral socialista diz ser preciso aumentar os impostos sobre os ricos. A ideia de que são os ricos os prejudicados com o aperto fiscal peca por falsa, mas é suficiente para acalmar os espíritos de quem a pratica. Ademais, o ódio à riqueza, tantas vezes dissimulado numa aversão à poupança, é a cereja em cima de um raciocínio culpabilizador de quem poupa e pretende usar o dinheiro sem prestar contas a quem quer que seja.

Convém ter em conta que o Estado social tal como o conhecemos não se limita a ajudar os pobres: visa colocar o Estado no centro da actividade económica. Esta concepção estatal, vislumbrada por Keynes nos anos 20/30 do século xx, implica que as pessoas gastem. Melhor: foi pensada para fazer do consumismo a base do crescimento económico. Keynes não pretendia ajudar os pobres, que já recebiam apoios do Estado, nomeadamente os desempregados. Queria que a economia, numa época de depressão, crescesse à força do consumismo.

Esta ideia keynesiana é a base do socialismo de hoje. Atente–se agora no paradoxo: o socialismo, que se moraliza por defender os pobres, pressupõe que se gaste. A virtude não está em poupar e investir, em criar postos de trabalho com bases sólidas. É preciso consumir desenfreadamente, nem que isso implique uma dívida desmesurada. É preciso que os estados e as praças financeiras especulem e criem dinheiro para gastar. O socialismo é a união de vários males num só.

9 pensamentos sobre “No Fio da Navalha

  1. Francisco Colaço

    O Socialismo é o Wile E. Coyote. Quando olhar para baixo e vir que afinal já está no meio do precipício, sem quanquer sustento…

    Bip! Bip!

  2. jaquestowaki

    “Convém ter em conta que o Estado social tal como o conhecemos não se limita a ajudar os pobres: visa colocar o Estado no centro da actividade económica.”

    Eu cheguei a esta conclusão quando vi, ainda antes da crise, que ao longo dos 20 anos que vivi em Portugal a taxa de pobreza permaneceu alterada (cerca de 20%). Com a chegada da crise, se a teoria estivesse certa, pelo menos aqueles perto do limiar da pobreza estariam numa boa posição para não cair–o que não se verificou, tendo a taxa de pobreza disparado.

    Também vim a descobrir que no Império do Capitalismo Desenfreado, às vezes também conhecido por EUA, desde a proclamada “War on Poverty” a taxa de pobreza também disparou e aqueles no limiar também não foram poupados com a crise.

    Resumindo, parece-me que com estas “nobres teorias” nas melhores das hipóteses mantém-se o status quo e na piores das hipóteses agrava-se a situação dos mais vulneráveis. Tendo em conta que a longo prazo estas práticas levam os países à bancarrota técnica (para não dizer moral), parece-me que está na altura de seguir o preceito “put away childish things” e seguirmos como homens livres para criar uma sociedade mais próspera no curto, médio e LONGO prazo!

    “A ideia de que são os ricos os prejudicados com o aperto fiscal peca por falsa”…somos todos prejudicados!!!

  3. Jónatas

    Devia evitar estes saltos lógicos, falaciosos e cheio de generalizações, André. Aceita-se num blog mas num jornal nacional? Isto não é a América e não há rednecks que gostam do tom inflamado que está a usar.

  4. Rb

    André, compreendo a necessidade em usar palavras, digamos, que transmitem uma ideia extrema da coisa…. esbanjamento, consumismo etc, mas a única coisa que Keynes pretendia era uma coisa muito simples e básica:

    – Em fases depressivas tentar manter a PROCURA estável, por contraposição com a teoria Austríaca que advoga NADA fazer… e esperar que um dia, concluído o ciclo da Virtude, se atinja o ponto de equilíbrio…
    .
    keynes disse coisa diversa daquela que v.exa. pensa que ele disse. O que Keynes disse é que a Despesa (Investimento) que o Estado pode fazer para manter artificialmente certos indicadores (postos de trabalho) em fases depressivas da economia, tem vantagens superiores a não fazê-lo. E porquê?
    .
    Porque. diz ele, com alguma razão, que em épocas recessivas é preferível manter a PROCURA estável, mesmo que sustentada nos rendimentos de empregos temporários e artificiais, do que pretender atingir um equilibrio (ciclos austriacos) que, per si, geram falências de empresas em catadupla e desemprego massivo não se sabendo ao certo onde e como pára a recessão e se realmente chega a parar.
    .
    É a diferença entre uma teoria que contempla o ser humano e aquela outra que o considera uma maquina cuja inutilidade lhe é indiferente.
    .
    Rb

  5. Surprese

    Fica mal insultar Keynes, o melhor Economista de todos os tempos, e que ainda para mais não disse nada disso: foi um firme adversário do Labour (socialistas), tendo militado e prestado serviços aos Liberal Democrats, que por acaso agora estão no governo do Reino Unido.

  6. Renato Souza

    Rb

    Leia “A Grande Depressão” de Murray Rothbard. Os dados são impressionantes, e desmentem o seu pensamento.

  7. Renato Souza

    Rb

    Você está totalmente equivocado sobre Keynes. Ele afirmava efetivamente que é o consumo induz a produção, ao contrário dos economistas clássicos e do s austríacos, que afirmam que haverá sempre demanda “reprimida”, isto, é não satisfeita, e portanto é o aumento da produção que produz o aumento do consumo. Corretamente, os austríacos afirmam que nunca há superprodução (ressalvado que existem os mal investimentos induzidos pela inflação monetária, isto é, capitais que se revelam mal aplicados porque produzem bens que o mercado não quer comprar a um preço maior que os custos de produção).

    Faça um favor, estude a TACE (Teoria austríaca dos ciclos econômicos) e entenda que, quando os austríacos recomenda que os governos não façam certas coisas, o recomendam sempre para o bem, nunca por insensibilidade (esquerdistas adoram posar de monopolistas da bondade, em que pese seu passado sombrio de genocídios). Austríacos nunca vão recomendar medidas que segundo sua visão, só pioram o quadro. Nenhuma pessoa decente recomendaria ações que julga prejudiciais. Os economistas keynesianos parecem muito com o médico que atendeu Lincoln, o qual achou que deveria “fazer alguma coisa”, e pôs-se a tentar tirar a bala. Outros médicos, com experiência de campo de batalha, teriam agido menos e melhor. Há medidas que os governos tomam que estendem desnecessariamente o tempo de duração da crise, há medidas que agravam a profundidade da crise, e há medidas que “curam mal” a crise, levando a uma reincidência dos problemas poucos anos, ou até meses depois, freqüentemente de forma mais grave. Mesmo crises graves não tem de durar mais de um ano ou pouco mais, normalmente depois de vários meses já começaria a reversão do quadro, mas as “curas” tentadas pelos governos acabam produzindo mais problemas. Muito ajuda quem não atrapalha.

    Se quiser criticar Mises, estude e entenda a TACE, e venha depois com críticas sólidas, e não com acusações infundadas.

  8. Renato Souza

    Surprese

    Bem se vê como é bom esse economista. Vivemos num tempo em que o aumento do conhecimento científico e técnico nos poderia levar a um nível de vida excelente, para toda a população mundial. Mas as políticas keynesianas adotadas em praticamente todos os lugares do mundo, produzem crises recorrentes, com essa ênfase louca de inflar a moeda e produzir bolhas.

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