os erros do mercado

O mercado não é um sistema económico perfeito. O mercado não gera equilíbrios absolutos, estáveis e permanentes. A economia de mercado tem crises, como qualquer outro sistema económico, desde logo porque a economia de mercado é uma economia de trocas e decisões humanas, e estas, por natureza, são falíveis. Se considerarmos que essas decisões incidem sobre recursos escassos, então compreenderemos melhor porque elas podem ser mal tomadas e provocar efeitos contrários aos pretendidos, isto é, prejuízo em vez de lucro.

Todavia, a economia de mercado é o melhor sistema económico conhecido e experimentado pelas sociedades humanas. Apesar de gerar erro, esse erro pode ser reparado com mais facilidade pelos operadores que lhe estão mais próximos, do que por distantes decisores políticos que desconhecem o contexto das decisões tomadas. As pessoas podem falhar? É claro que sim. As decisões dos agentes de mercado podem ser erradas? Sem dúvida. Há pessoas que preferem o conflito e a fraude, à cooperação e à honradez? É inequivocamente verdade.

Todavia, quando alguém erra no mercado, poderá emendar o seu erro e manter-se nele, isto se não tiver cometido a imprudência de apostar todo o seu negócio numa só oportunidade mal avaliada. Se a sua empresa falir, o mercado não se fechará para aqueles que trabalhavam nela, que poderão ingressar em empresas do mesmo ramo (às vezes, até constituírem a sua própria empresa, com os conhecimentos adquiridos na actividade), nem sequer para o seu proprietário, que não deixará de ter a oportunidade de um dia regressar, tendo, entretanto, aprendido com os seus erros, que poderão até ser exemplares para os outros operadores. E se alguém não cumprir um contrato que assumiu, a parte lesada poderá defender-se nos tribunais, e tentar repor a situação anterior.

A economia de mercado tende para o equilíbrio económico, mas a escassez, a incerteza quanto ao futuro e más decisões dos operadores, entre outros motivos, poderão provocar os efeitos contrários aos pretendidos. Contudo, num mercado livre os erros servem de aprendizagem e podem evitar erros semelhantes no futuro. Num mercado intervencionado a diluição da responsabilidade impede essa aprendizagem, e remete sempre para o estado, isto é, para os contribuintes, o custo dos erros de alguns poucos, cometidos graças ao poder soberano de que dispõem. A este propósito, o caso português do BPN não poderia ser mais exemplar: um banco dirigido por políticos e feito graças a favores políticos e para fazer favores a políticos, que era supostamente tutelado por órgãos fiscalizadores do estado que falharam gravemente essa função, e cuja inevitável falência certamente traria consequências negativas para os seus clientes, acabou por comportar consequências gravíssimas para todos os contribuintes, em virtude de uma decisão política que, quando foi tomada, foi anunciada como inócua. Tem sido o que se vê…

O princípio da cooperação social, sobre o qual se suporta a ordem social liberal, é também falível, ao ponto de poder transformar uma ordem pacífica numa desordem violenta. Nem todas as pessoas agem de boa fé com as outras, nem todas pretendem a cooperação humana, mas o conflito, e o liberalismo não comete a ingenuidade de o ignorar, conforme pretendem os seus detractores.  Numa ordem de mercado, todavia, estas pessoas não conseguirão sucesso fácil, porque acabarão por ser afastados pelos seus concorrentes e clientes. Numa ordem política, estas pessoas podem chegar ao poder e decidir sobre o destino de milhões de seres humanos. Numa ordem de mercado Adolf Hitler teria provavelmente sido um empresário falido. Num estado soberano e de poder ilimitado, Adolf Hitler provocou a desgraça e a morte de milhões de seres humanos.

Os liberais não desconhecem a História e sabem que a política é uma condição imanente à natureza humana. Os interesses que nela se cruzam não se esgotam em somas simples de deve e haver. Ela envolve outro tipo de sentimentos, em razão do que poderá provocar conflitos, guerra, destruição e miséria. Onde o mercado predomina e a soberania é limitada pelos interesses das pessoas, a paz é mais firme e duradoura. Existe mesmo uma velha regra paradigmática das relações internacionais, que afirmava, ainda há poucos anos, que nunca dois países com restaurantes McDonald’s se tinham envolvido em conflitos militares…

De resto, o que sucedeu na Europa das últimas décadas tem sido a mais exemplar demonstração da superioridade da ordem de mercado como garantia da paz e da cooperação social. Durante séculos, a Europa organizou-se em pequenas e, depois, grandes unidades políticas soberanas, que nunca se cansaram de se guerrear entre si. Quando, no fim da 2ª Guerra Mundial, exausta e exangue, a Europa olhou para si mesma e viu um continente e a sua população destruídos, concluiu que não poderia deixar de pôr termo a séculos de conflitos tão prejudiciais. Mas, como fazê-lo, se toda a política e toda a diplomacia de séculos tinham falhado?

Foi nessa altura, que um socialista francês chamado Jean Monnet, homem habituado às virtudes do comércio da sua região natal (Monnet era de Cognac e descendia de uma família de comerciantes de bebidas), sugeriu que a Europa só poderia aproximar-se se as pessoas o fizessem para além dos estados, através da mais nobre profissão a que se podem dedicar: o comércio. Para isso, propôs a criação de um mercado comum do carvão e do aço, que geraria (ou não…) os necessários mecanismos integradores para se alargar à generalidade da produção e do comércio, como veio, de facto, a suceder. Hoje, quase setenta anos volvidos e apesar das suas derivas socialistas e construtivistas que a estão a condenar, o Mercado Comum da União Europeia mantém a profecia de David Ricardo: “Num sistema de total liberdade de comércio, cada país consagra o seu capital e a sua indústria da forma que lhe parecer mais útil. Os objectivos do interesse individual conjugam-se perfeitamente com o bem universal de toda a sociedade”. É isto mesmo.

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21 pensamentos sobre “os erros do mercado

  1. Pingback: os “erros” do mercado | BLASFÉMIAS

  2. O sistema capitalista está sendo posto em risco por aqueles que mais o defendem porque não querem ver os excessos que tem sido cometidos em nome de uma liberalismo, quase inocente, que só serve os interesses de alguns sectores, nomeadamente as finanças. Alguns artigos em
    baixo para uma perspectiva diferente do capitalismo actual e qual é o caminho para salvar o capitalismo:
    http://www.forbes.com/sites/stevedenning/2013/08/01/milton-friedman-and-the-fallacy-of-good-intentions/
    http://www.economonitor.com/lrwray/2013/07/22/how-wall-streets-rent-seeking-vampire-squid-sucks-all-life-out-of-the-economy/

  3. lucklucky

    Mas para os soci@listas de todas as cores, o comércio é algo imoral.
    A única razão porque os soci@listas toleram o comércio é porque ganham dinheiro com o dito via impostos para depois o usarem para corromperem ao criarem dependência.

    Quando um soci@lista fala de um merceeiro, ou de um negócio é com desprezo.
    Um Soci@lista é um Burguês que se quer tornar Aristocrata.

    Quer chegar à Aristocracia fazendo parte do Estado, onde o que conta são as manobras de bastidores, compra e troca de favores.
    É ainda onde está cada vez mais o dinheiro dos outros -incluíndo dos que não são soci@listas*- para se comprar muitos votos, muitos apoios.
    Isto dá~lhe o seu sonho: controlar os outros.

    O paradoxo é que sem dinheiro, que os soci@listas desprezam e desvalorizam para mais facilmente ficarem com ele fica muito difícil haver soci@lismo.

    *Os soci@listas nunca tiveram problemas em usar a força do estado para tirar dinheiro a quem não concorda com eles e usarem-nos para o seus proveitos.

  4. jhb

    O mais engraçado é que os liberais continuam a dizer o mesmo que há duzentos anos atrás e
    o discurso soa sempre a gente com muita propriedade privada a tentar manter-la e acrescentá-la.

    O resto da humanidade vai entretanto evoluindo…

  5. Jónatas

    Desde já, aplaudo o facto do Rui ter abordado esta questão. É um acto que não é normal e que tem, por isso, a minha concordância.

    A verdade, Rui, é que não tenho tantas certezas. Não tenho tantas certezas, por exemplo, quando o Rui diz que a economia de mercado é o melhor dos sistemas. É inegável que as economias capitalistas provocaram um avanço económico, tecnológico e cultural sem paralelo na história recente. No entanto, parece que todos esses avanços beneficiaram apenas uma pequena elite e não tanto o resto da população desses países.

    Já referi que, por exemplo, nos Estados Unidos, 20 por cento da população detém mais de 80 por cento de tudo o que é gerado no País. Dou-lhe outro exemplo prático: o salário mínimo federal norte-americano era em 1968 de 1,60 dólares. O que, ajustado aos preços de 2012, dá 10,51 dólares. Hoje, o salário mínimo federal está nos 7,25 dólares. Ou seja, de 1968 até 2012, o salário mínimo federal perdeu 3,26 dólares. E o salário pago hoje está ao nível do salário pago em 1960.

    A verdade é que 59 por cento dos trabalhadores norte-americanos recebe o salário mínimo. E a verdade é que o seu rendimento baixou quando comparado com um trabalhador de 1960. Isto apesar do PIB per capita norte-americano ter mais do que duplicado de 1960 até 2012. O que ajuda bem a colocar em perspectiva o enorme aumento de rendimento dos tais 20 por cento da população mais rica de 1960 até hoje.

    Por cada BPN gerido por políticos que você refere, respondo-lhe com os inúmeros banqueiros a trabalhar no sector público. Conhecendo os bons resultados quer de uns quer de outros, é fácil de perceber que não é só quem vem do público que não percebe patavina do que está a fazer. E ambos sabemos que não foram políticos que estavam à frente do Lehman Brothers, do Bear Sterns ou do Northern Rock.

    Em relação à sua citação do David Ricardo, devolvo-lhe uma do Greenspan a propósito, exactamente, do interesse individual e da sua incapacidade para se conjugar com o bem universal da sociedade quando o móbil é o lucro : “I made a mistake in presuming that the self-interests of organisations, specifically banks and others, were such that they were best capable of protecting their own shareholders and their equity in the firms.”

  6. Carlos

    Jonatas, o mercado apenas significa pessoas a trocarem livremente. Roubo, fraude, mentira, agressao, não é mercado. Qualquer pessoa hoje em dia vive melhor que os reis do principio do seculo passado. Alem disso, os eua nao sao exemplo, já que estao sucessivamente a afastar-se do livre mercado, principalmente desde 1913 e mais incisivamente nos anos 30.

  7. Joaquim Amado Lopes

    “No entanto, parece que todos esses avanços beneficiaram apenas uma pequena elite e não tanto o resto da população desses países. ”
    Sim, porque quase ninguém tem automóvel, televisão, computador, microondas, acesso à Internet, vacinas, raios-X, quimioterapia ou pílulas contraceptivas ou viaja de avião. A maioria da população nos países capitalistas cozinha em fogueiras, faz as necessidades em buracos abertos no chão e depende das notícias transmitidas de boca em boca, porque não sabe ler nem escrever.

    Realmente, já não há pachorra.

  8. Comunista

    O Lucklucky sonha com um sistema onde apenas o capital tem cidadania, onde todos os que não detiverem capital tenham apenas duas opções ou conseguem capital ou obedecem a quem o conseguiu.

  9. Jónatas

    Não há é grande pachorra para o Joaquim e para as suas leituras à pressa e descuidadas.

    Se lesse tudo do princípio ao fim, eu digo que há, sim senhor, esse avanço todo. Para partir para a questão : se há esse avanço todo em tudo o que é tecnologia, porque é que não é acompanhada por um aumento do salário mínimo, por exemplo? Se há um aumento do PIB de 1960 para 2010, onde incluo, como é óbvio, tudo o que refere, como é que é possível o salário mínimo baixar?

    A mim parece-me paradoxal. A si, não o preocupa que as pessoas ganhem menos do que em 1960 porque há raios-x e internet. Haja paciência.

  10. Jonatas,
    O salario minimo nao aumentou desde 1960 porque os politicos americanos fartaram-se de imprimir papelinhos verdes aos quais eles chamam dinheiro. Estivessem eles privados de o fazer, talvez os actuais $7.25 do salario minimo tivessem o poder de comprar de $7.25 dos anos 60 ou mesmo mais. Mas a populaca nao se importa, eles querem e’ ver o numero de dolares do seu salario “aumentar” mesmo que com esse numero comprem menos do que compravam com um menor numero de dolares. Os politicos adoram essa ignorancia da populaca; os politicos adoram o poder de imprimir dinheiro.

  11. Joaquim Amado Lopes

    Jónatas,
    Se “parece que todos esses avanços beneficiaram apenas uma pequena elite e não tanto o resto da população desses países” é o resultado de uma escrita “à pressa e descuidada”, só tem que o dizer e corrigir AS SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS. Mas pretender que não o escreveu é ridículo.

    “se há esse avanço todo em tudo o que é tecnologia, porque é que não é acompanhada por um aumento do salário mínimo, por exemplo?”
    “Se há”?! “SE HÁ” o avanço tecnológico?!
    O Jónatas não pensa um segundo antes de escrever estes disparates, pois não?

    E por que razão o salário mínimo (que nem sequer devia existir) deve estar indexado à evolução tecnológica? O que é que tem a microbiologia ou a electrónica a ver com quanto é suposto pagar a uma ama, a um porteiro ou a um ordenador de vacas?

    Quanto à relação entre a evolução do PIB e o salário mínimo, por acaso julga que as empresas
    de um país são todas iguais? Ou, num país em que floresçam grandes empresas com facturação e lucros altos, as empresas que fornecem produtos ou serviços de baixo valor acrescentado e que têm facturação reduzida devem ter que pagar mais aos seus trabalhadores?
    E, só por curiosidade, está a defender que o salário mínimo em Portugal devia ter descido nos últimos anos para acompanhar a evolução do PIB?

    Quanto ao último parágrafo, é melhor nem lhe responder. Melhor ainda, vou deixar de lhe responder de todo.

  12. Jónatas

    E falar só sobre aquilo que escrevi e não sobre aquilo que você pensa que escrevi, não? É que isso de esmiuçar o acessório, a palavrinhazinha e o seu entendimento e esquecer o principal, pensei que fosse um privilégio socialista. Até isto vocês nos tiram, sacanas.

  13. jaquestowaki

    “onde todos os que não detiverem capital”

    Comunista,

    TODOS temos capital, isto é todos que têm principalmente um cérebro, e eventualmente um par de mãos, olhos, etc. É claro que uns terão mais capital do que outros, porque para além das dádivas supracitadas têm conhecimentos e/ou “skills”. Outros ainda têm dinheiro, ferramentas, propriedades, etc.

    O chamado “capitalista” apenas é um indvíduo que agrega o capital dos outros, juntamente com o dele e disponibiliza a possibilidade de cada um por o seu capital em prática. Que eu saiba não “obriga” ninguém a obedecê-lo. Apenas o Estado pode obrigar alguém a exercer trabalhos forçados.

    Há pouco referia “trabalhar como uma besta” mas se é esse o único trabalho para o qual está habilitado a trabalhar o que havemos de fazer. Ele é livre para procurar adquirir outro nível de conhecimentos para se livrar desse trabalho bestial, que provavelmente concordaria comigo que é indigno para um ser humano, dado que as bestas realmente não detêm o capital que qualquer ser humano tem!

    A maior limitação ao exercício do capital do indivíduo é o assumir-se como vítima. A vítima enfiou todo o seu capital inato para dentro do buraco que cavou para si. Uma vez ultrapassada essa barreira tudo é possível. Note que eu não disse “tudo é fácil” apenas “tudo é possível–nada é fácil. E isso não vem de cassette nenhuma…só se for a cassette da minha própria família!

  14. Para o Jónantas, apesar de ele comparar os salários mínimos, tendo em conta a inflação, seria bem melhor comparar aquilo que cada salário mínimo podia comprar. E acredite que, eu com dois salários mínimos em Portugal tenho menos poder de compra que alguém com o salário mínimo nos EUA. Veja só a diferença que fica em IVA.

  15. Carlos

    Não há ‘uns’ que têm capital e ‘outros’ não. Qualquer pessoa através de trabalho, poupança e investimento consegue ter o ‘capital’ (material), num livre-mercado. Incomoda-me que questões de economia sejam decididas por democracia. Se a física, química ou matemática fosse decidida através de democracia, ainda estávamos na idade da pedra, como estamos em termos económicos, onde um Prémio Nobel da Economia diz barbaridades como ‘desastres naturais são bons para a economia’ ou ‘precisamos de um ataque de aliens para recuperar a economia’. Qualquer indivíduo da idade da pedra acharia estas afirmações ridículas, no entanto são deste tipo de conclusões a que os actuais ‘economistas’ chegam.

  16. Comunista

    jaquestowaki,

    Não vale a pena vir com essa conversa do fazer-se de vítima, porque está no próprio conceito de capitalismo que o capital pertence a uma minoria e o trabalho à maioria. Uma sociedade onde todos detenham capital, ou seja, onde o capital é colectivo e, portanto, onde não há assalariados é uma sociedade comunista. Você pode ter a certeza que enquanto houver capitalismo é necessário, nem que seja há força, que a minoria detenha os meios de produção – o Estado que vocês fingem que combatem é a maior garantia que o capitalismo tem.

  17. Filipe Silva

    O Jónatas revela ignorância sobre a Teoria do Valor, não percebe que algo vale o que outro está disponível para pagar.

    Numa relação de troca, por exemplo, venda de maças o que ocorre é que o vendedor quer trocar as maças pelo dinheiro, e o comprador o contrário. O negócio irá realizar-se se o preço for do agrado de ambos, isto é, para o vendedor o preço vale mais que a maça, e para o comprador o preço vale menos do que a maça.

    No salário passasse o mesmo, dado que o salário é um preço como outro qualquer, sendo que neste caso é o preço do trabalho.

    Logo a troca, só irá ocorrer se os dois chegarem a acordo.

    O preço que será acordado irá depender de inúmeros factores, se o salário mínimo for imposto, leva ao desemprego, dado que os que estariam dispostos a trabalhar por um preço inferior ficaram arredados do mercado, e os que estariam dispostos a contratar não o farão.

    Thomas Sowell explica com a sua história de vida, esta lei da economia.

    Um pobre nos USA hoje tem acesso a carro, telemóvel, comida(as miticas senhas de alimentação), etc…

    O conceito de pobreza é relativo, e depende de país para país.

    Segundo consta a grande maioria dos trabalhadores portugueses ganha acima do salário mínimo,

    Já agora convêm analisar a situação do Obamacare e como esta legislação levou a milhares de americanos a perderem salário, dado que os patrões os passaram para tempo parcial.

    O inferno esta cheio de pessoas com boas intenções

  18. comunista,

    Aí é que discordo consigo. Uma vez que o capital não é apenas dinheiro, ele está nas mãos de cada indivíduo. Muitos temem que o individualismo levado ao extremo acabe no atomismo, mas eu defendo que não é esse o fim que o individualismo se propõe, mas sim aquilo que eu chamo de “molecularismo” (por desconhecer um termo melhor para este conceito). Isto é, não há força no universo que obrigue aos átomos a juntarem-se da forma que o fazem. Eles juntam-se por atracção mútua. Assim também as pessoas se juntam voluntariamente para colaborar e colocar ao seu próprio serviço e ao serviço dos outros o seu capital.

    Eu trabalhei muitos anos por conta de outrem, mas nunca senti que estava a trabalhar para “eles”. Sempre senti que eles estavam a proporcionar-me a oportunidade para eu trabalhar e ganhar algum. Sempre trabalhei com zelo e entusiasmo, da mesma forma que o faço hoje na minha própria empresa. Se me sentisse “obrigado” a trabalhar em qualquer situação, se não tivesse alternativa, continuaria lá mas sem energia, sem vontade de contribuir, apenas “going through the motions” para assim dizer. Felizmente, nunca tive essa situação perfeitamente desumana e nunca me vi sem a alternativa de dizer adeus caso essa situação se verificasse.

    O capital também se junta desta forma “molecular”. E tenho dito muitas vezes, sem qualquer pretensão de sarcasmo, porque é que os senhores desse lado da bancada, que segundo Miguel Tiago, até são mais do que nós, os sindicalistas, e etc. etc. não juntam o vosso capital, que por pouco que seja individualmente, há-de ser alguma coisa colectivamente e fundam uma empresa ou organização, implementam TODOS os ideais que apregoam, podem fazer lucro ou não, ou distribuir os lucros pelos trabalhadores ou até trabalhar no break even para não fazerem lucro…como queiram. E depois demonstram ao mundo aquilo que é possível fazer…o tal novo modelo, para o resto emular…Nesse dia, eu teria que repensar todas as minhas premissas…e estou disposto a fazê-lo!

    Quanto ao Estado, falando apenas por mim, não o combato. Apenas quero que me deixe em paz para prosseguir aquilo que me interessa logo que não esteja a prejudicar ninguém. Que seja mais como o meu pai por quem tenho grande respeito e amor, mas que desde que me tornei adulto, deixou de mandar em mim. Continuo a ouvir os seus conselhos quando é necessário e ele mos quer dar, mas decido por mim. Tendo eu um pai, não necessito de outro…

  19. lucklucky

    “Se há um aumento do PIB de 1960 para 2010, onde incluo, como é óbvio, tudo o que refere, como é que é possível o salário mínimo baixar?”

    Porque é que julga que a “crise” das dívidas aconteceu?
    Porque o estado cobra cada vez mais por pessoa e os privados devido à sua eficiência cobram cada vez menos.
    O aumento do PIB, que é contado em dinheiro estagnou na prática porque os privados fazem mais por menos.

    Do outro lado temos o Estado que como é obvio não consegue reagir às mudanças na economia, já que os seus gastos são políticos. E cobra mais e mais no jogo da compra de votos.

    Se algo custa menos e torna-se mais barato, o PIB desce mesmo que se viva melhor.
    Se um carro dura em boas condições mais anos, porque é um melhor produto o PIB desce.

    O problema é o PIB e como se mede o PIB.

    O Estado Soci@lista cobra cada vez mais caro e tudo o que os privados fazem é mais barato.

    Compare com 1980. Quanto custava uma licença camarária na altura? – e se até era preciso-

    Agora compare com um electrodoméstico? hoje consegue comprar um aspirador por 50-100 euros. 1/4 do salário minímo e já com 23% de imposto em cima, fora os que não conhecemos.

    Hoje para fazer qualquer coisa com uma licença camarária paga um ordenado minímo ou perto disso.

    1/1

    Se os raios X e a aspirina tivessem o dobro do preço você teria talvez o “crescimento económico” que todos os soci@listas ambicionam…

  20. andre

    Os EUA foram o paraíso do capitalismo até ao sécXIX, logo usar os EUA como exemplo é totalmente descabido.

    O Socialismo acabou na medida em que vive do dinheiro dos outros e como este mundo está hiperendividado, acabou.

    O capitalismo por seu lado está em risco de sofrer um rude golpe pois é mais uma vez usado como bode expiatório da crise. Não digo que também não tenha tido responsabilidades, pois os bancos usaram demais o seu poder.Mas os principais culpados são osmpoliticos corruptos e nós, iletrados, que não conseguimos perceber como funciona o mundo.

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