Cheque-Ensino: Uma Boa Notícia

A confirmar-se esta notícia publicada pelo jornal Público que refere que o governo vai abrir a porta ao cheque-ensino que permitirá às famílias escolherem a sua instituição de ensino pública ou privada no ensino básico e secundário, trata-se de uma excelente notícia.

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48 pensamentos sobre “Cheque-Ensino: Uma Boa Notícia

  1. PeSilva

    Desde quando é que a entrega de dinheiro ao estado para este fazer a redistribuição é uma boa notícia?
    Que cobrem somente a quem quer utilizar o serviço público e que deixem os outros em paz (sem necessidade de lhes passarem cheques).

  2. Francisco Colaço

    PeSilva,

    Imagine um pai que, por vicissitudes da vida, não pode ter os seus filhos a estudar, porque não tem dinheiro. Pode haver desemprego, doença ou simplesmente os pais não conseguirem fazer face às despesas e aos impostos. À criança deve ser negada a possibilidade de estudar porque os pai é trolha no desemprego e a mãe faz limpezas para sobreviver?

    O cheque-ensino permite que todos estudem, mas neste caso na instituição onde querem estudar. Por que raio é que o filho do pobre tem de ir para o ensino (!) público, onde como sabemos, os professores são motivados, competentíssimos e capabilíssimos ao extremo, diligentes e entregados? Porque é que não podem ser os pais a escolher as escolas dos filhos? Os professores, esses pre-fis-so-nais (ouçam a “pre-nún-cia” do Nogueira nestas palavras), não terão estímulo para mudar a menos que os pais lhes possam fazer um real manguito. Se eu, Colaço, quiser fazer uma escola de elite, com os meios que são dados ao sorvedouro que é a escola pública posso-a fazer e refazer.

    As escolas devem, por mim, ser cooperativas de professores e de funcionários, com fins lucrativos e distribuição de lucros/incentivos. Se não se entenderem, então que sejam privatizadas. O Grupo Melo, segundo o meu cunhado, que trabalha no corpo clínico no Amadora-Sintra, geria o hospital melhor do que a administração presente. Todos os funcionários tinham prémios de produtividade, e trabalhavam para esses prémios. Desde que os incentivos monetários se foram, estão-se cabalmente a borrifar para o trabalho. Fazem o mínimo que podem para não parecer mal.

  3. PeSilva

    Francisco Colaço,

    Quer no ensino quer e outra qualquer área, eu não comungo da ideia de solidariedade á força, até porque está por provar que seja a mais eficiente forma de solidariedade.

  4. silver

    Francisco, o cheque-ensino é a manutenção da situação actual,por outras vias,Não vejo as diferenças

  5. Francisco Colaço

    PeSilva,

    Quantos filhos tem? Nunca adormeceu com o credo na boca? Nunca teve medo de, no caso de falência completa, não os poder fazer continuar a estudar no sistema livresco-extorsionário que temos? Nunca teve receio de que os seus professores sejam mais ignorantes na língua portuguesa do que você? Nunca temeu que a escola um dia lhe dissesse «olhe, vamos dar falta de material ao seu filho porque ele não tem o devido e caríssimo livro da maioria das disciplinas»?

    Se eu adormeço todos os dias com o credo na boca, dou graças sinceras ao Criador ter tido o suficiente para que os meus três filhos tenham tudo para estudar. Há famílias que por vicissitudes várias se encontram na mais completa penúria. E a culpa não é deles, das famílias ou das crianças. Pode ser uma doença. Pode ser um acidente de trabalho. Pode ser uma dissonância familiar, como a morte de um dos progenitores e a completa depressão do outro. Pode ser simplesmente o desemprego, o qual é primordialmente culpa do Estado sanguessuga e do clima de medo que deste socialismo promana.

    O ensino neste momento custa mais ou menos 6MM euros. Metade é gasto com os alunos e outra metade com os desfuncionais estruturais do Mentistério da Inculcação. Assuma, por generosidade 4MM de euros, quando o mentistério estiver reduzido à expressão mínima de um exauror de curricula escolares e um relator de exames. Cada português teria de pagar (assumo 5 milhões de contribuintes, para simplificar) por ano, 800 euros para o sistema escolar. Não é assim tanto, dados os benefícios que temos de um ensino universal até ao Secundário.

    Para mim, todo o ensino deveria ser profissional. Mais vale uma pessoa com o 12º ano e uma profissão na mão, podendo seguir depois para a universidade, se o entender, que uma pessoa com o 12º ano na mão sem hipótese senão de seguir para a universidade. O meu filho está neste momento a entrar no 10º ano e vai tentar (temos a possibilidade de reversão até 31 de Dezembro) um curso profissional, de Eletrónica, Robótica e Computadores. Temo que tenham avacalhado o ensino profissional, à boa e ineludível maneira lusa, e por isso salvaguardo o meu filho. De qualquer forma, vou-o treinar pessoalmente em Matemática A, física e química (e a alguns outros rapazes que me pediram também isso), para que possa sem mais percalços entrar no ensino superior.

    Quanto à universidade, que cada um trate de si, que também eu trabalhei por turnos para pagar o curso na Universidade Católica Portuguesa.

  6. PeSilva

    Francisco Colaço,

    Se está tentado a dizer-me que as minhas ideias (ou ideais) são devidas ao facto de não passar necessidades ou de não precisar da solidariedade dos outros, convém antes pensar se não defende a solidariedade forçada por ser um dos seus beneficiados.
    O jogo dá para os dois lados …

  7. Rúben Lopes

    FENPROF: “OH NÃO! Já não podemos doutrinar todas criancinhas com o politicamente correcto e com o xuxalismo!”

  8. silver

    Fancisco, para isso existem escolas públicas de qualidade,que podem resolver o problema.Porquê esse preconceito e nojo contra o público?

  9. Jorge Araujo

    está-se mesmo a ver o Saint Julians a levar com a malta do cheque barraca !!! enfim, o tipo de coisa que funciona bem nos nórdicos e que aqui conduzirá a uma PPP, com poucas diferenças do sistema actual

  10. PeSilva

    “Mas já agora, quantos filhos tem?”, Francisco Colaço

    Não é minimamente importante para a discussão.
    O importante é, para mim, é que em toda e qualquer solidariedade forçada pelo estado, apenas uma pequena fatia do bolo se pode dizer que é empregue em solidariedade, a grande fatia é roubada, entregue a quem não precisa, gasto em burocracias desnecessárias, etc.
    E o problema não é “este” estado ou “estas” pessoas, o problema é ter uma entidade ou pessoas a gerirem o que não é delas e ao mesmo tempo poderem exigir sem limites a quem paga, assim como ter pessoas a receberem sem qualquer tipo de compromisso.

  11. Francisco Colaço

    «para isso existem escolas públicas de qualidade,que podem resolver o problema»

    Nos rankings das classificações nos exames nacionais, pouco se notam. A primeira escola pública aparece na posição vinte e muitos, e é de grandes centros populacionais. Nenhuma escola pública de qualidade é na região que escolhi para viver. Está a ver onde quero chegar, ao ponto onde a liberdade de escolha me seria beneficiária enquanto pai, enquanto cidadão?

    Não pretendo retirar os meus filhos da escola pública. Pretendo que os professores dos meus filhos sejam de tal forma acossados de medo que resolvam colocar um pouco mais deles no trabalho. É claro que os meus filhos têm também no meio da mediania professores excelentes. Ora, porque é que eles não podem ganhar mais do que os outros?

  12. Carlos

    O cheque ensino sempre é melhor do que o que temos actualmente. Isto significa menos poder para as escolas (produtores do serviço) e mais poder para os pais (consumidores da educação). É bem vindo a qualquer liberal. Por não ser ideal, não quer dizer que seja mau.

  13. jhb

    “Pretendo que os professores dos meus filhos sejam de tal forma acossados de medo que resolvam colocar um pouco mais deles no trabalho.”

    Incentivos e prémios de produtividade no privado e acosso no público. Nao é assim, Francisco Colaço?

  14. jhb

    “consumidores da educação”
    Nao sabia que a educação se consumia… Com um bom espumante, concerteza.

  15. Francisco Colaço

    jhb,

    Vou ter que me repetir:

    «As escolas devem, por mim, ser cooperativas de professores e de funcionários, com fins lucrativos e distribuição de lucros/incentivos. Se não se entenderem, então que sejam privatizadas.»

    O que está mal é a escola pública. Como defendo o fim da escola pública como a conhecemos (e não me assusta a palavra cooperativa), o seu ponto é vão.

    Não sei o que está a consumir com o seu espumante, mas educação não é de certeza. ;D

  16. A notícia é animadora e de certo surpreendente, dado o não reformismo vigente.
    Porém, haverá que examinar os resultados com um grão de sal para que as desilusões não sejam pesadas. A educação é um setor em que as pessoas estão dispostas a pagar mais para terem menos — pagarem mais em propinas para terem menos educação real, embora queiram educação nominal certificada por diplomas.
    No início vão aparecer escolas que vão apostar na educação nominal e que serão como os fabricantes que empacotam produtos medíocres em caixas vistosas. Daí um pé para fazer recuar esta reforma.

  17. Surprese

    Não estou a entender:
    – Até agora deduzíamos na colecta do IRS as despesas de educação, até um certo montante. Isso acabou este ano.
    – E agora propõem que esse montante que deduzíamos na colecta é nos dado via cheque ensino?
    – Então e quem não paga impostos agora também recebe?

    A isto chamo subsídio à socialista:
    – até agora só quem pagava era beneficiado (por ser pagador), de futuro todo o evasor fiscal também passa a ser beneficiado.

  18. silver

    Nos rankings das classificações nos exames nacionais, pouco se notam. A primeira escola pública aparece na posição vinte e muitos, e é de grandes centros populacionais. Nenhuma escola pública de qualidade é na região que escolhi para viver. Está a ver onde quero chegar, ao ponto onde a liberdade de escolha me seria beneficiária enquanto pai, enquanto cidadão?”
    Não posso deixar de dizer que é em grande parte verdade o que diz.Mas isso deve-se a razões sociais e geográficas, externas ao meio escolar, e não ao meio interior..As grandes escolas privadas são frequentadas por alunos de classe alta que possuem uma tradição de acesso ao conhecimento , bem como têm outras condições de aprendizagem(financeira,o cerne da questão é o dinheiro) que os alunos mais pobres nâo têm.Por exemplo, têm dinheiro para financiar apoios escolares,como explicações,essenciais para o sucesso escolar.O director do São João de Brito,prestigiadissimo colégio como saberá,disse que a maior parte dos alunos são de classe média-alta.
    Geográficas porque, os colégios no topo do ranking situam-se na maioria, na zona litoral,uma zona mais próspera que o interior do pais, como presumo que saberá também
    Mas a solução ai não será votar ao abandono o ensino público.É melhorá-lo.Melhorando o ensino,exigindo mais aos alunos e aos professores,e incentivicando-los, por via financeira pro exemplo.

  19. silver

    No entanto,como não sou dogmático,sou adepto de experimentar a implementação do cheque-escolar, nem que seja,para esclarecer qual o caminho que no médio longo prazo deve ser seguido

  20. Francisco Colaço

    Silver,

    Não há razão nenhuma para que uma escola de província não seja a melhor do país. A Academia de Sócrates não se encontrava em Atenas. O Ginásio de Arquimedes era em Siracusa, no Sul da Itália.

    A escola é feita para famílias, alunos, empresas e comunidade, administradores, professores e directrizes, NESTA ORDEM. Para o sindicracia reinante, a escola existe apenas para providenciar emprego a perrofessores, não para servir os alunos as famílias ou a comunidade. O mau professor ganha tanto como o bom, e ainda é gozado pelos colegas. A razão de as escolas privadas terem melhores resultados (também as há más) não reside nos alunos, mas no preciso facto de que a escola privada não pode ser má, ou fica sem alunos. Ficar em bicos de pés é o que faz o mercado livre. O indolente, o mediano e o ignaro são afastados, se não conseguirem ou não quiserem melhorar e superar a concorrência.

    O mal do nosso mercado livre (como se o tivéssemos!) é que as emperresas do arregime parretidário não se preocupam em superar a concorrência, mas em suprimi-la. A disfunção pública é apenas a maior emperresa do país, um estado dentro de um estado em muito mau estado.

    Mas como parece que o cheque ensino é afinal um terruque adeministerrativo para suprimir as deduções à colecta, terei de ler mais sobre esta implantação em particular para saber se não se trata de mais uma aboletada.

  21. jorge araujo

    bom se o cheque ensino consiste em neo tontos solteiros e rabetas passarem a pagar-me o colégio que já escolhia de qualquer maneira para os 3 rebentos , pois é perto de casa e nunca olhei para raking nenhum, mas como estou num bairro bom, já sei que está nos 10 primeiros , acho bem que se experimente , vou escolher á brava

    gandas malucos

  22. silver

    Não há razão nenhuma para que uma escola de província não seja a melhor do país. A Academia de Sócrates não se encontrava em Atenas. O Ginásio de Arquimedes era em Siracusa, no Sul da Itália.”
    Os tempso não têm comparação possivel Francisco.Provavelmente Siracusa seria uma zona mais próspera naquele tempo.Mas mesmo que não fosse, esse exemplo não é extrapolável aos dias de hoje.A verdade é que o ranking denuncia que no topo estão escolas situadas na faixa litoral do Pais, que coincidem, com as zonas mais ricas de Portugal.Não estou a exprimir a minha simples opinião, está ratificado,quer nos rankings, quer pelos organismos encarregues da estatistica, como é o INE.Se o Francisco conhecer alguém do iNE, ou do organismo responsável pelo ranking das escolas, terá a oportunidade de discutir esse assunto.,
    Passando adiante.o seu raciocinio está mais asssente em preconceitos e teorias,do que em dados demonstrados,.Como o que os Americanos tinham em relação aos negros, e ao que Hitler tinha pelos judeus.Ou o que os comunistas têm pelo mercado livre.A situação não é tão simples e linear como o senhor apresenta.As escolas privadas .
    Faço-lhe a seguinte pergunta retórica: Desde quando é que a prática confirma as teorias?? O mundo não é preto e branco,é complexo.
    Mas vamos ao debate: o senhor baseia-se num pressuposto(a meu ver errado),que o sucesso escolar apenas é influenciado pelo meio interno da escola, ignorando, que um meio externo existe,e de que,as notas são resultado do real esforço do professor e do aluno, enão de uma.. inflacção da nota,uma nota de teste mais alta do que devia ser,se é que me entende Posto isto, é verdade que a exigência no ensino,e a eficácia de quem ensina, são importantes no desenvolvimento do aluno.Estarei de acordo consigo neste ponto.,.Mas neste ponto,já estive em ambas os ensinos, e não vi grande diferença entre os niveis de docência.
    Voltando atrás, a verdade é que se é importante o professor ser eficaz na forma como ensina e explica, é também importante o aluno , ser disciplinado, e sobretudo estar aplicado.E muitas vezes,o aluno está se a borrifar para as notas, não estuda,porta-se mal, desrespeita os professores.Não têm noção da vida.Conclusão: o trabalho do professor de pouco vale, se o aluno não se aplicar.É o que acontece.
    Mas sobretudo, os mais pobres não têm dinheiro para comprar livros, para recrutar explicadores, no sentido de melhorar as suas performances.Tudo isso é fundamental.
    Por alguma razão Francisco, nas décadas de 50 e 60, muito poucos chegavam ao Secundário, e só os mais ricos é que iam á Universidade.Porque não tinham dinheiro para financiar os estudos.Era um luxo Francisco, um luxo!
    Mas..para tornar a minha réplica, mais politicamente incorrecta,vou-lhe contar uma coisa que um ex-professor de uma escola privada(não vou dizer qual, como é óbvio) me contou.Que os paizinhos, na maior parte ricos, pagavam aos professores,para aumentarem artificialmente as notas.Ou seja,para subirem um 10 para um 14.Não por mérito do aluno,mas..na secretaria,pela força financeira dos paizinhos.
    Sabe, as mensalidades numa Escola Privada,são bastantes altas.E o dinheiro que pagam tem que ser bastante bem compensado.É uma prática comum.Chame-lhe o que quiser,gratidão ou corrupção, mas foi exatamente o que me tem sido veiculado várias vezes.E faz todo o sentido, para ser honesto.
    Nem tudo o que parece é Francisco…

  23. Se a medida é o que parece finalmente temos um ministro da educação a trabalhar como tal! retiro o meu desanimo com o investigador Crato! e que encarregue o responsavel de recursos humanos para discutir com os sindicalistas! um ministro tem assuntos importantes a tratar. já imagino a Brigada das Colheres abater com elas no tacho vazio! preparem os tampões para os ouvidos!

  24. Francisco Colaço

    Os rankings são os dos exames nacionais, iguais para todos. A prática da notinflação tanto existia nas escolas públicas, como (e essencialmente) nas privadas. Mas o facto de serem exames nacionais serve de aferição.

    Por isso mesmo é que defendo que a nota do secundário conte zero vírgula zero zero no acesso à Universidade. Assim, é no exame que as escolas mostram os seus alunos, e a inflação de notas não terá qualquer razão de ser.

    Mas o cerne da questão tem a ver com professores encostados contra organizações actuantes. Quem está no mercado tem de actuar. Quem tem o emprego seguro e o ordenado certo só actua se quer. Os nossos sindicatos são a prova provada que se pode viver de palavrório, sem trabalhar um dia que seja. Na escola pública, um bom professor é uma boa surpresa. Na escola privada é uma necessidade.

    Como disse, a palavra cooperativa não me faz espécie. Defendo mesmo que é, com alguma adaptação dos cooperantes, a forma jurídica que mais se adequa a uma escola. Uma cooperativa com fins lucrativos, onde lucros ao fim do ano sejam distribuídos pelos professores e funcionários. Mais, defendo que o Estado majore em 10% o financiamento à escola em cada distrito com melhores resultados nos exames nacionais em cada grau de ensino, e que um prémio de um salário seja dado aos dez melhores professores do distrito em cada grau de ensino. Era o que faria se fosse ministro da educação. E pode crer que iria ser o início de uma revolução.

  25. silver

    Os rankings são os dos exames nacionais, iguais para todos. A prática da notinflação tanto existia nas escolas públicas, como (e essencialmente) nas privadas. Mas o facto de serem exames nacionais serve de aferição.”
    Não.Porque os pais dos alunos do público não têm dinheiro para pagar o extra.A diferença é essa e é muito simples.
    E no Público, os professores não são obrigados a cederem aos paizinhos! Sãon obrigados a aumentar as notas,sob pena de os paizinhos irem embora.Ou seja, ganha-se muito mas se calhar o ensino até é pior do que no público.Por alguma razão existe a expressão “governar para as estatisticas”
    Quem está no mercado tem de actuar. Quem tem o emprego seguro e o ordenado certo só actua se quer. Os nossos sindicatos são a prova provada que se pode viver de palavrório, sem trabalhar um dia que seja. Na escola pública, um bom professor é uma boa surpresa. Na escola privada é uma necessidade.”
    E como eu lhe expliquei com aquele exemplo.,essa necessidade no privado não é assiim tão evidente,nem a surpresa é tão rara no publico.Não tenho queixa dos meus professores no publico.O Francisco é um crente em teorias, eu sou um observador da realidade,sem nenhuma crença.
    Apesar disso, antes que me chame esquerdista,trotskista e o diabo a sete, como pessoas aberta que sou, até não desgosto da ideia da criação das cooperativas.Quando é que vai formar um partido ? Pode ser que eu ponha a cruz ao lado da sua formação 🙂

  26. silver

    Uma refomulação.Vi agora a sua referência a exames nacionais.Mesmo assim,os alunos das classes mais baixas,não têm os meios económicos e a disponibilidade(enfim, as condições) que os de classe mais alta têm.As divisões sociais existem.O dinheiro é a base da nossa sociedade

  27. Francisco Colaço

    Silver,

    As notas dos rankings são as dos exames nacionais. Se há inflação de notas em privado ou público é porque compensa: a nota do secundário conta 2/3 (acho que é isso) no acesso à universidade. Isso foi uma medida (ou merdida) xuxalista e xuxal-democrata.

    Por mim, não haja nenhum peso do secundário. Afinal, o exame nacional é que afere o secundário. Mais vale que seja este a decidir quem entra na Universidade.

    Isso nada muda a classificação das escolas, já que o exame é igual para todos. A primeira escola pública nasce no lugar 27 e nos primeiros 50 existem apenas 11 escolas públicas. Nos últimos 50, cerca de uma dezena de escolas são privadas, quase todas escolas profissionais que apenas vivem dos dejetos do ensino público e não estão interessadas em ensinar pêvea. porque recebem, quer ensinem quer não, desde que tenham inscritos e os finjam passar administrativamente.

    É tudo uma questão de estímulos. O Silver tem de colocar os olhos nos rankings e ver o que eles dizem. Mais uma vez lhe lembro: os rankings são dos exames nacionais, universal e igual para todos. Compara-se o comparável.

  28. silver

    Francisco, sim eu já reparei,e ia reformular o meu comentário, mas a sua resposta chegou primeiro.
    Mas.. de qualquer forma os meus argumentos mantêm-se.O exame é igual para todos, mas nêm todos têm as mesmas oportunidades de ter sucesso.A escola e o ensino são elementos importantes no sucesso escolar,mas não são os únicos factores.A disponibilidade do aluno para se aplicar também é importante,porque nas classes mais baixas,muitos acabam por ter de ir trabalhar,,e também é fulcral haver apoio extra,quer via de explicações,por exemplo a matemática,e através de outros meios como livros.E nem todos têm disponibilidades financeiras para tal.Porque os exames são preparado também cá fora.A escola é certamente importante não é a única garantia de sucesso.Não é.
    E como já lhe disse, no top 25 as escolas situam-se no litoral.Um litoral que é rico, ao contrário do Interior.Grande coincidência não é?
    A questão é que o papel dos estimulos não chega para haver sucesso.É preciso ter muita preparação cá fora,igualmente..Muito Estudo e muito apoio extra..Ninguém dá ajuda de borla.O seu pressupostos é em grande medida,errado no meu ponto de vista.Simplista.
    Oiça-me Francisco,vou lhe contar a minha história: eu próprio, tive que comprar livros e pagar explicações .Fi-lo porque? Porque graças a deus, os meus pais tinham condições.Outros não tinham.Num antigo colégio privado,que frequentei no pré-preparatório,a maior parte dos meus colegas eram ricos, e os que não eram, tinham condições financeiras para se prepararem.
    Imagine um puzzle: uma peça é o papel da escola,outros é o do apoio externo.Só não vê quem não quer

  29. silver

    Isso não é relacionado com a entidade.Relaciona-se com a quantidade de população, o seu estrato social.É preciso um olhar sociológico para analisar detalhadamente esta questão Francisco.Sabe, eu adoro a sua cultura, noutras coisas concordo,enfim.Mas não posso estar de acordo neste ponto.É preciso analisar melhor.

  30. Francisco Colaço, deixo de momento apenas duas ou três notas que me ocorrem:
    1. acredita mesmo que um miúdo da Azinhaga dos Besouros, portador de um cheque-ensino, conseguirá entrar no Planalto (por ex.)? Se assim não for, onde está a liberdade de escolha?
    2. o Francisco tem real conhecimento das notas de excelência que muitos alunos do ensino público obtêm nos exames nacionais?; talvez assim caísse por terra esse seu mito de que as escolas privadas prestam um ensino de qualidade e as públicas o seu contrário; o Francisco parece basear-se apenas nos rankings, mas estes mascaram bastante a realidade (tente conhecer o sistema por dentro…);
    3. estou convicto que o cheque-ensino só vem reforçar desigualdades e não resolverá os problemas do insucesso escolar, como já sucedeu noutros países onde foi implementado (Suécia, por ex.);

  31. Pisca

    O Francisco é um génio, como é que ninguém se lembrou ainda de tal medida para aumentar a productividade ?

    “Pretendo que os professores dos meus filhos sejam de tal forma acossados de medo que resolvam colocar um pouco mais deles no trabalho”

    Só espero que não tenha nenhuma daquelas empresas da trêta para mamar subsidios e ter uns papalvos, com muito medo, a receber quando recebem, que os carrinhos dos géniozinhos lá de casa não podem faltar

    É com cada besta que se encontra nestes blogues ….

  32. Francisco Colaço

    Ramila,

    Mascaram ou não mascaram, os rankings são comparáveis, porque comparam em igualdade de circunstâncias a prestação nos exames nacionais. Aliás, o exame nacional é o que é realmente comparável, pois o que vem nas pautas do secundário pode bem ser ponderado.

    Nas empresas onde estive, uma ratoeira boa é aquela que apanha ratos. O meu administrador nunca quis saber se por acaso tive de ir a um bordel comprar motosserras ou se tive de ir buscar parafusos a um velho tanque soviético para desenrascar uma montagem (ambas são verdadeiras). O que interessa é que, mesmo estando desconfortável nas duas situações (a primeira por não ser exactamente um ambiente natural para mim, e a segunda pela possível existência de minas) os lenhadores tinham de trabalhar e as máquinas de funcionar. A empresa não trabalha com boas intenções. Trabalha com motosserras e com máquinas de construção.

    Na vida também é assim: os resultados é que conta, e o metodo é apenas balizado por considerações morais. Ora, se os rankings mascaram ou não mascaram (e não devem mascarar, pois são os exames iguais para todos), estou-me completa, perfeita, cabal, plena e totalmente a borrifar.

    Silver,

    Reconheço, e sempre reconheci, que a família é essencial para o sucesso escolar. No meu caso, mandei as explicações às malvas (ie, nunca as contratei), e sempre me arranjei por mim. Tento ser independente na minha vida, não depender de outros para fazer o que fiz. Conquanto compreendo quem precise de ajuda, e não tenho peias em a pedir quando todos os meus recursos falham, esse não é geralmente meio como consigo os meus pergaminhos (e tenho bastantes, mas não falo deles). Ao contrário, ajudo os outros: é impossível ensinar sem aprender duas vezes. As boas notas que tive no ensino superior devem-se precisamente a ajudar os que não compreendiam a matéria: muitas vezes também eu não discernia nada do assunto, mas depois de ter explicado poderiam-me chamar um catedrático na área. 😉

    Ao contrário de si, não dou tanto valor ao ambiente externo do indivíduo. É importante (um miúdo que esteja a ser abusado ou cujo não tome o pequeno almoço por incúria familiar não vai ter rendimento escolar pleno às suas capacidades), mas numa família comum e funcional, o indivíduo é que conta. na verdade, não são os mais talentosos e inteligentes que têm sucesso, mas os mais diligentes e constantes. Na escola e fora dela. A força de vontade é tudo.

    Sócofles era gago, e decidiu vencer a gaguez. Quem foi o maior orador da Grécia Clássica? George Albert Smith (um profeta mórmone, com mensagens da minha preferência, especialmente no domínio escatológico) tinha caligrafia que era assemelhada a pegadas de galinha. Em poucos anos transformou de tal modo a sua letra que era convidado e pago para redigir convites de casamento para famílias abastadas. Lance Armstrong tinha cancro; e, doping ou não, venceu várias voltas a França (há que ser ingénuo para pensar que ele era o único a dopar-se).

    Uma pessoa do meu conhecimento não tinha do pai herdado nem «um metro de terreno» (sic). Tem a quarta classe. Quando voltou da Guerra de África, começou com o irmão uma pequena serralharia civil. Hoje, grande parte das caixas de recolha de lixo nos camiões são feitas por eles, para Portugal e para o exterior. Segundo a nossa mentalidade vigente, o homem não poderia ser bem sucedido, e no entanto foi.

    O melhor do cheque ensino é indirecto: vai obrigar a escola pública a melhorar. Aliás, isso já existe por causa das escolas profissionais. As escolas secundárias vão hoje às escolas básicas falar com os alunos do 9º ano, e as escolas públicas também o começaram a fazer. É excelente notícia. Assim como a ameaça do Linux obrigou a Microsoft a melhorar o Windows (e eu continuo a usar Linux), a ameaça do privado vai obrigar a melhorar as escolas públicas. O resultado apenas virá quando as escolas receberem por aluno inscrito, e os professores tiverem de lutar pelos alunos, os quais, dada a regressão demográfica que nos há-de matar, começam a ser um bem muitíssimo escasso.

  33. Francisco Colaço

    Pisca,

    Qualquer imbecil de meia tigela sabe que as pessoas ou vão pela cenoura ou pelo chicote. Os diligentes têm a cenoura dentro de si, os medianos precisam da cenoura, os indolentes avançam à frente do estalo do chicote. Quem não compreende isso não pode ser de modo algum um crédito para o seu nome familiar. Deve ser portanto lisboeta.

    Repare que nem todos os lisboetas são completos imbecis. Mas, via densidade populacional, o número de imbecis é maior em termos absolutos em Lisboa que no resto do país. Ora, como o acesso ao poder depende do quadrado da distância física, com constante proporcional dependente da cor política vigente (primeira Lei de Colaço), podemos com segurança concluir que este país está a ser governado por imbecis de Lisboa.

    A Segunda Lei de Colaço é «não faças em hardware o que podes realizar em software».

    A Terceira Lei de Colaço é «não mijes contra o vento pois acabarás a dançar».

    E se pensar bem, todas estas leis são metáforas da situação presente. Se não for de Lisboa chega lá de certeza.

  34. silver

    Francisco: Acho que todos tentam ser independentes, mas.. a dura verdade é que muitas vezes o auxilio de quem técnicos competentes na matéria.Por exemplo: imaginemos que sou um aluno, tenho Matemática A, tento perceber pelos meios próprios meios a matérias,mas não consigo.Nesse cenário, o auxilio de algúem, que perceba bastante da matéria em causa(neste caso, de um matemático)é necessária.Pois este irá complementar o trabalho da escola.Irá explicar a matéria com mais tranquilidade e rigor,melhorando substancialmente o rendimento do aluno. Não o conheço a si, mas a julgar pelo que leio dos seus comentários, parece-me evidente que o Francisco faz parte de uma minoria , muito restrita de génios,um Einstein no tempo dos Ipads.
    Depois, eu não desvalorizo o ambiente interno nem a força de vontade.O que digo é que a força de vontade de cada um de nós, sendo inegavelmente importante, por si só é claramente insuficiente para o sucesso.O Realismo impôs-se ao Romantismo e ao Idealismo.Assim o concreto sobrepôe-se ao abstracto.Terá que ser complementada com outros factores,nomeadamente financeiros,e também de disponibilidade.A força de vontade é certamente indispensável, mas não é condição suficiente..Mas dir-me-á: individuo A ou B conseguiram.Como lhe disse, haverá sempre alguns génios no mundo, que deixaram marcas para a história.Mas são apenas algumas árvores,numa floresta de árvores normais, que fazem a grande maioria do mato.Esta é a realidade, por muito que nos custe, e o Francisco parece neste ponto, ter uma dificuldade imensa para aceitar a realidade e os limites do ser humano..Não basta querer,tem que ser possivel .Eu também queria hoje ir comprar um Ferrari, uma mansão na Quinta da Marinha, mas…,não posso porque não tenho meios financeiros para tal.Só se me sair o Euromilhões.
    Eu apoio o cheque-ensino por uma questão de liberdade.Porque defendo que as pessoas escolhem o que consideram melhor para si.Mas pelas razões que lhe enumerei(existência de outros factores), não tenho dúvidas que não vai mudar um número sequer,no ranking..Costuma-se dizer: vira o disco e toca o mesmo.Muda-se uma coisa,para se manter a mesma situação.
    Bom Fim de Semana

  35. Francisco Colaço

    Silver,

    Não sou génio. Isso deveria saltar à vista de todos! Sou teimoso. Nisso há uma diferença. 😉

    Não estou em desacordo absoluto consigo. Apenas acho que muitas das necessidades educacionais externas às escolas se devem à má prestação da maioria dos professores, embrenhados no pântano da mediocridade e do salário certo. Não de todos os professores, que os há excelentes e dedicados (digamos 25%). O que desejo é criar um sistema que, tendo de competir entre escolas, públicas e privadas, reforme ou expulse os maus e, mais importante, recompense os bons, para que sirvam de exemplo. E, como já disse, com recompensas monetárias. E porque não? Viola algum princípio desconstitucional de igualdade tratar diferentemente o que é marcadamente diferente?

    O mundo mudou e a escola mudará. No presente sempre os mesmos idiotas não querem que a escola mude. Mas o mundo muda e está-se a borrifar para a escola que os imbecis querem na torre de marfim. Daqui a dez anos provavelmente metade das universidades estarão on-line, e oferecerão pelo menos os cursos de papel e lápis online. Muda tudo.

    Continuo a dizer que as escolas não devem ser públicas. Devem ser cooperativas de professores ou, se isso falhar (e vai falhar, estamos em Portugal), então sociedades por quotas ou anónimas. Nunca «afundações», que existem para se fingir privado aquilo que se quer que continue público e que não deve ser. Uma fundação tem a flexibilidade de um hipopótamo e a constância de um rato do campo. É tacho para administradores, escolhidos por causa da Primeira Lei de Colaço, aplicada claramente ao corolário «Sendo que todos os inteligentes evitam a proximidado ao escuro poder, este será povoado pelos imbecis mais próximos na ordem directa da sua imbecilidade».

    Uma cooperativa tem uma vantagem: todos têm de se vigiar. O mau professor será admoestado pelos próprios colegas. Afinal, uma batata podre num saco apodrece todas as outras se não for tirada. O que aconteceu nestes últimos anos for exactamente o apodrecimento da maioria das batatas porque na disfunção impúdica ninguém é despedido por indolência ou incompetência e reina o nacional-porreirismo. Há demasiadas batatas podres no saco. Apesar do meu optimismo antropológico, não sei se, com a massa humana presente, é possível reformar a escola. É verdade que apanhei muitas empresas em muito mau estado e lhes dei a volta (sou líder natural e seguem-me ao inferno, vendo que não tenho problemas em descarregar cimento ou mudar rodas com as minhas mãos). Acha mesmo que se nos dessem, a si e a mim, a gestão de uma escola, onde quer que seja, com os alunos que fossem, quero lá saber!, não a transformaríamos numa escola de elite em três anos? Também me disseram que não era possível recuperar um grupo de empresas multinacionais em África. E no entanto em questão de meses… saiu-me do coiro, mas a ratoeira apanhou ratos.

    Por mim, e defendo isto há mais de quinze anos, todos os curricula do básico e secundário deveriam ser harmonizados ao nível da CPLP e da Europa (excepto História, por razões óbvias). Um português deveria poder ir para uma escola de Angola, do Brasil ou de Espanha sem ter de tratar de «equivalências». Mas de qualquer forma, saúdo o cheque ensino. Se não for mais um truque contaldrabístico para fingir que se faz o que não se tem coragem de fazer.

  36. silver

    É mesmo um génio Francisco.A teimosia,por mais abundante que seja, não garante por si só os objetivos.É um jogo com muitos peões.
    Mas,folgo em ver que não está em desacordo total comigo.Mas ao contrário de si,não acho que o apoio externo se justifique por uma alegada ineficácia do apoio interno(os professores),mas sim,porque o sistema é assim mesmo, indepedentemente da qualidade dos professores.Na faculdade,tive disciplinas relacionadas com Organizações e Gestão, e um dos principios mais importantes que aprendi,foi que as pessoas e as organizações são condicionadas pelo factor interno, e pelo externo.Assim é com as escolas.Simplesmente,o trabalho dos professores não é suficiente, nem vice-versa, (simplesmente só estudar e não ir ás aulas e estar atento).É apenas um sistema,perfeitamente natural.Uma não vive sem a outra, e vice-versa.
    Continuo a achar que as suas ideias estão assentes num pressuposto,pouco verdadeiro e preconceituoso,em que o publico é mau e o privado,bom.Uma narrativa politicamente correcta,que , de acordo com a minha própria experiencia(andei tanto no público como no privado),só posso dizer que não é muito verdadeira.Nem os professores no público são assim tão maus(apanhei muito bons,quase todos e isso deve significar muito), nem no privado são assim tão bons.Aliás já lhe expliquei o que é que costuma acontecer no privado..Até lhe digo mais: o mercado não está tão presente quanto isso.A qualidade do ensino , senão for a mesma, é semelhante.Os professores em Portugal,são eficazes na sua profissão,m na minha opinião.Não acho que as batatas sejam más , sinceramente :).Não Francisco, não são as escolas que são diferentes, os alunos, esses sim, é que são diferentes,de todos os tipos e variações.Simplesmente, não é por ai que o gato vai ás filhozes.Quer dizer,claro que o factor mercado-livre terá alguma influencia,alguma maior preocupação, mas nem o ensino difere tanto assim,nem os alunos têm as mesmas oportunidades.Portanto, o cheque-ensino apenas mudará o modelo de financiamento, apenas isso.Os resultados não irão mudar.Mas como lhe digo, gosto de liberdade,e da autonomia de cada um decidir o melhor para si e para os seus,sem barreiras.

  37. Francisco Colaço

    Se os professores fossem eficazes, não havia quem os insultasse nas aulas. Os mesmos alunos que faltavam ao respeito aos outros faltaram-me ao respeito… uma vez. Certo, eram adultos, ou deveriam sê-lo. Mas uma vez que as feras se dominem, as mentes fantásticas aparecem.

    Silver, se a escola portuguesa fossem boa, ninguém falava mal da escola pública. Diz que a maioria dos seus colegas eram excelentes. Acha mesmo? Digo que 1/4 dos professores da escola pública são excelentes, e deveriam ser recompensados e distinguidos por isso. 1/4 será completamente indigno de estar no ensino (baixas sucessivas, desinteresse, casos esporádicos de embriaguez, incapacidade de ensinar), e deveria mudar de carreira. Metade, o que resta, é mediano, e tal como a Igreja em Esmirna, no Apocalipse de S. João, não são frios nem quentes. São mornos, medianos, interessados em passar de dia 22 a dia 22 com o mínimo de chatices, fazendo o mínimo exigido, procurando não dar muito nas vistas, indo para casa mal acabam as aulas, não se envolvendo em actividades extracurriculares. Este grupo, que tal como a Igreja de Esmirna, é avisado que se não mudar será vomitado pela boca divina, tem capacidade de melhorar e pouco estímulo para o fazer.

    Mas no fundo o que me leva a dizer categoricamente que no geral a escola privada é melhor que a pública é exactamente os rankings. Veja que nem todas as escolas privadas escolhem os seus alunos. Há muitos concelhos onde a escola privada é uma escola profissional, para onde vai a ralé da ralé. E no entanto, como a terra entretanto se move!, também lhe citei as cinquenta escolas mais baixas nos rankings onde, surpresa!, figuram apenas uma dezena de privadas. Escolas profissionais. Onde vão os desistentes. E que apesar de tudo não ficam piores que as escolas públicas.

    Silver, acha que teria uma opinião tão crítica da função pública se 1) não tivesse feito parte da pandilha, 2) não tivesse dados para consubstanciar e corroborar o que digo?

    Continuo a dizer: um bom professor deveria ser recompensado, mesmo monetariamente. A corrida ao guito e o apelo do pilim farão mais pela educação que milhões de decretos e de avaliações completamente encalavradas.

  38. Henrique Figueiredo

    Caro Pedro Morgado,

    Até dou ao desbarato que este não é o sistema ideal, pois o Estado – detentor do dinheiro – fica sempre com o “poder”. Mas, para mim, mais vale um subsídio às famílias (e não aos privados, já quem podem escolher se querem escola pública ao privado) do que financiar directamente escolas que pouco tem que fazer para apresentar qualidade. Assim pode ser que escolas – tanto públicas com privadas – se mexam e procurem incrementar qualidade para atraírem utentes. E assim temos três princípios bem liberais (reitero que o sistema não é perfeito): concorrência, liberdade de escolha e até descentralização.

  39. silver

    Se os professores fossem eficazes, não havia quem os insultasse nas aulas. Os mesmos alunos que faltavam ao respeito aos outros faltaram-me ao respeito… uma vez. Certo, eram adultos, ou deveriam sê-lo. Mas uma vez que as feras se dominem, as mentes fantásticas aparecem.”
    Isso acontece em todo o lado,com a mesma frequencia.Incluindo no privado,

    “iz que a maioria dos seus colegas eram excelentes. Acha mesmo? Digo que 1/4 dos professores da escola pública são excelentes, e deveriam ser recompensados e distinguidos por isso. 1/4 será completamente indigno de estar no ensino (baixas sucessivas, desinteresse, casos esporádicos de embriaguez, incapacidade de ensinar), e deveria mudar de carreira. Metade, o que resta, é mediano, e tal como a Igreja em Esmirna, no Apocalipse de S. João, não são frios nem quentes. São mornos, medianos, interessados em passar de dia 22 a dia 22 com o mínimo de chatices, fazendo o mínimo exigido, procurando não dar muito nas vistas, indo para casa mal acabam as aulas, não se envolvendo em actividades extracurriculares. Este grupo, que tal como a Igreja de Esmirna, é avisado que se não mudar será vomitado pela boca divina, tem capacidade de melhorar e pouco estímulo para o fazer.”
    E eu contraponho-lhe que não foi nada disso que vi ao longo da minha vida.É uma visão algo preconceituosa,que carece profundamente de base empirica(provas).Desculpe-me a sinceridade, mas é o que concluo..Mas qual é afinal, a base em que sustenta essas afirmações? Tem provas? Testemunhou alguma coisa?

    “Veja que nem todas as escolas privadas escolhem os seus alunos. Há muitos concelhos onde a escola privada é uma escola profissional, para onde vai a ralé da ralé. E no entanto, como a terra entretanto se move!, também lhe citei as cinquenta escolas mais baixas nos rankings onde, surpresa!, figuram apenas uma dezena de privadas. Escolas profissionais. Onde vão os desistentes. E que apesar de tudo não ficam piores que as escolas públicas.”
    Eureka! Para já, o senhor disse sem querer um dos aspectos negativos do cheque-ensino: é que os alunos podem não poder entrar nas escolas que pretendem porque essas mesmas escolas podem rejeitar a sua admissão.
    Quanto ao resto, não percebi muito bem a sua mensagem tenho que confessar, mas vendo melhor,talvez isso aconteça porque essas escolas situam-se numa zona mais pobre ou então desabitada do Pais.O Francisco esquece-se de contextualizar a situação.

    Silver, acha que teria uma opinião tão crítica da função pública se 1) não tivesse feito parte da pandilha, 2) não tivesse dados para consubstanciar e corroborar o que digo?”
    ??? E o que é para si a pandilha? Sempre trabalhei no privado, tanto por conta de outrém, como própria.Sempre!!! O que de facto nos separa é o seguinte: daquilo que tenho observado,a situação da nossa função pública, é semelhante ao que acontece nos outros paises da europa, em termos de vantagens e problemas.Por exemplo: na saúde e na educação,na maior parte das vezes, o serviço pareceu-me tão bom ou melhor do que no privado.Enfim, existem áreas onde o Privado é melhor do que no público, e vice-versa.Chama-se a isto economia social de mercado, que é o modelo económico vigente nos paises mais ricos da Europa.Bem, eles não cometeram muitos erros de que nós cometemos, lá isso é verdade.
    Mas sobretudo,sintetizando o que lhe disse, sendo os estimulos importantes,não são tudo na nossa vida.O contexto externo também existe,e produz consequencias.Nesse aspecto, da importância dos estimulos o senhor está a aproximar.se perigosamente do perimetros dos Seguros e dos Semedos
    Numa coisa estamos de acordo: os professores deviam ser premiados financeiramente.Mesmo pelo Estado.Em vez de termos a avaliação dos professores da Lurdinhas,tinhamos um estimulo que certamente melhoraria a qualidade de ensino.Já é positivo concordamos neste ponto 🙂
    O que faço é dar o meu ponto de vista como cidadão portugues,que foi utente da escola pública, e da escola privada.
    Bom Fim de Semana

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