Note to self: dar graças a Deus logo à noite pela existência de Raquel Varela

Graças a José Meireles Graça, lá fui visitar o 5 Dias, coisa que já não fazia há uns tempos e, vejo agora, com grande perda para o meu nível diário de gargalhadas. Não só reparei na minha vontade de despedir toda a gente que trabalha lá na empresa – vontade que, se entregue apenas a mim própria, sem as palavras sempre previdentes de Raquel Varela, eu nunca teria percebido existir dentro de mim – como fui alertada para outros perigos como despertares na China, país onde há poucos anos surgiu o pouco comunista (deve ser por isso a advertência) conceito de ‘chinese dream’. Ainda não sei como será feito todo o trabalho na empresa depois de eu despedir toda a gente, mas espero que a Raquel Varela me dê umas pistas, que serão com toda a certeza sensatas.

Mas o mais engraçado neste post é Raquel Varela considerar que o excedente dos salários, o que sobra depois dos gastos necessários para a subsistência, deve ser empregue em – tararam! – pensões (de outros, claro está). Não nos livros e brinquedos para a filharada, não em eletrodomésticos novos que poupem trabalho doméstico, nem na ocasional ida ao cinema, menos ainda num burguês jantar com a família num restaurante, nada disso: em pensões de outros. Bom, se é evidente que será necessário pagar pensões a quem descontou toda a vida laboral para as receber e, na maioria dos casos, não tem qualquer culpa por não termos um sistema de capitalização, não posso deixar de ver como curioso este destino exclusivo dado aos tais excedentes. É certo que a própria existência dos estados centrais se deveu aos excedentes de produção agrícola não necessários para a alimentação das populações, apropriados pelos estados sob a forma de impostos (em espécie), em troca de proteção face a outras populações, construção e manutenção de obras de irrigação e aí por diante. Mas, pensava eu, que estávamos já num nível em que, além da produção para as despesas de subsistência e para os impostos para o estado central, deveríamos ter sobretudo excedentes amplos para gastarmos ou pouparmos como bem entendêssemos. Ficamos a saber, graças a Raquel Varela, que não é assim: além de nos alimentarmos e vestirmos, a nossa obrigação é pagar as pensões alheias. Também é certo que as pensões parecem aqui metidas a martelo, só para assustar os desprevenidos. E que nas sociedades consideradas ideais por Raquel Varela e amigos, de facto não existiam lá muitos excedentes depois dos gastos para a subsistência, e muitas vezes nem para a subsistência chegava o que se produzia; contudo, é importante recordar que os comunistas nacionais não conseguiram chegar ao ponto de tomar o poder para nos empobrecer tanto quanto os comunistas que admiram o fizeram nos seus países.

O meu ponto é este: Raquel Varela e amigos que se cuidem, mudem lá de discurso, que não me parece que seja muito galvanizador prometer às populações apenas comida e pensões. Infelizmente para Raquel Varela e amigos, estamos já num ponto em que queremos todos abundância, e abundância para nós e para os nossos primeiramente. Mas, lá está, é por comunismo e natureza humana serem profundamente antagónicos que todas as experiências comunistas falharam e falharão.

13 pensamentos sobre “Note to self: dar graças a Deus logo à noite pela existência de Raquel Varela

  1. Floriano Mongo

    Os esquerdistas são os monopolistas da compaixão, têm sempre bons motivos e um coração de ouro. Essa bondade traduziu-se em mais de 100 milhões de mortos.
    Por isso, vivem insones com a democracia, jamais deixaram de sonhar com opesadelo.

  2. jhb

    “Infelizmente para Raquel Varela e amigos, estamos já num ponto em que queremos todos abundância, e abundância para nós e para os nossos primeiramente. ”

    Para a Raquel Varela e para o planeta Terra também, que isto de crescimento infinito num planeta finito é coisa de ficção científica.

  3. Maria João Marques

    ‘que isto de crescimento infinito num planeta finito é coisa de ficção científica’
    O Malthus dizia mais ou menos a mesma coisa.

  4. jhb

    O problema é mesmo mais e mais abundância e não uma questão de população. Uma família rural na Índia com 15 filhos tem uma pegada ecológica menor que uma família urbana indiana com 2 filhos + carro + tv’s + smartphones + viagens de avião + …

  5. Fascinado

    O CV dela é exemplar. Uma verdadeira líder da classe operária, farol para todos nós. Grande trabalhadora! Bendito capitalismo que alegremente suporta os seus detractores. Et pour cause…

  6. Falar seriamente em esquerda/direita ou comunismo parece-me tão desfasado da realidade como querer aplicar hoje regras pensadas para 15 seculos atrás! teoricamente pode dar umas tardes divertidas mas aplicar é um crime ! Vale a pena experimentar por V. Que tal um mês na Arabia Saudita?vão de certeza aprender muito!

  7. jsp

    Caso clínico , ou sólida, honesta e “doutorada” estupidez…
    Um típico produto pós-abrilino do” povo do caldo daportaria do convento”.
    E esta tipa encontra-se nas priimeiras filas…

  8. José Maia

    Que lindo MJM. É o que dá crescer num contínuo de superprotecção em colégios do catolicismo queque. Lá no fundo, os outros que se fodam,uma vez que o que importa é ser-se natural como um chimpanzé. Preciosa lição nos dá sobre como lidar com o próximo. Alguém insuspeito na blogosfera chamar-lhe-ía “fabricante de comunistas”.

  9. Carlos

    A segurança social vai acabar mal, mas até nem E socialista nem nada. Palhaçada. Este pessoal pensa que vivemos para sustentar os outros e não nós próprios.

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