a direcção geral da tutela e acompanhamento do mercado de laranjas

Sobre o mercado livre, escreve o leitor Rb: “Mas porque é que a balança na sua banca de fruta dá um peso inferior à minha? Não deve ser certificada”. O nosso leitor sugere que a falta de tutela e de vigilância pública conduzem inevitavelmente à fraude e ao prejuízo dos consumidores. Para o evitar, sugere a intervenção reguladora e fiscalizadora do poder público. É uma crítica e uma posição muito comuns ao mercado livre, que merecem alguns comentários. Aproveitando a metodologia proposta por Rb, vamos fazê-los sob a forma de algumas hipóteses práticas.

1ª Hipótese: Num mercado de laranjas dez vendedores oferecem os seus produtos aos consumidores. Os consumidores são absolutamente livres de comprar as laranjas que entenderem, aos vendedores da sua preferência. Para tanto, comparam os preços, a qualidade dos diferentes produtos e a seriedade dos vendedores. Se numa banca um desses vendedores vender meio quilo como se fosse um, falseando os pesos da sua balança, o que fará um consumidor? Certamente que, apercebendo-se do logro, comparando com as compras de outros consumidores, optará por qualquer um dos outros vendedores que estejam na praça. O vendedor que praticou a fraude, insistindo nela, rapidamente ficará sem clientes e sairá do mercado.

2ª Hipótese: Para evitar o tipo de fraudes acima referidas, o poder público local cria uma licença para os vendedores, sendo que apenas os vendedores licenciados poderão entrar no mercado de laranjas. O que sucede, então? Primeiro, os custos das licenças e da burocracia serão pagos, num primeiro momento, pelos vendedores. Logo, o preço dos seus produtos aumentará para incorporar esses custos, com prejuízo dos consumidores, a quem esses custos serão repassados no preço final. Segundo, o licenciamento condicionará a entrada de vendedores no mercado, sendo que os pequenos vendedores terão mais dificuldades em entrar no circuito. Consequências: o mercado tenderá a fechar-se e a concorrência diminuirá. Os vendedores que consigam manter-se no mercado ficarão mais à vontade para manipularem preços e condições de venda das suas laranjas. Poderão, inclusivamente, cartelizar o mercado, fixando preços rígidos e acima do valor a que outros concorrentes os obrigariam a chegar se houvesse concorrência. O consumidor será sempre o verdadeiro prejudicado.

3ª Hipótese: Não satisfeito com os resultados obtidos pela medida anterior, o poder público criará uma burocracia que fiscalizará o mercado de laranjas. Consequências. Primeira, o custo da burocracia será sustentado pela venda das laranjas, o mesmo é dizer, pelos seus consumidores, que assim pagarão, por cada quilo de laranja comprado, os preços do produtor e do vendedor, o preço das licenças de venda e o preço dos serviços burocráticos. Por outro lado, um vendedor mais expedito, perante um fiscal menos exigente e mais permissivo, poderá sempre defraudar os pesos das suas balanças oferecendo, digamos, um quilo de laranjas, por semana, a esse fiscal. O preço desta corrupção burocrática será duplamente pago pelo consumidor, quando o vendedor repassar o quilo das laranjas oferecidas no preço de venda do produto e quando pagar meio quilo “certificado”, ao preço de um quilo real.

4ª Hipótese: O poder público local é exigentíssimo e não permite que os fiscais sejam corrompidos. Para esse efeito, cria uma Direcção Geral da Tutela e Acompanhamento do Mercado de Laranjas. Contrata um grupo de altos funcionários formados nas mais exigentes Faculdades de Direito do país, com salários suficientemente compensadores para que eles não se deixem corromper. Dota-os de todos os meios necessários ao desempenho das suas novas funções, demite e processa judicialmente todos os fiscais corruptos e contrata outros em sua substituição, também estes com melhores salários do que os anteriores, pelas mesmas razões. Consequências. O mercado de laranjas começa a ganhar mau nome no país. Surgem mesmo alguns comentadores que sugerem que a venda de laranjas seja proibida, até se apurarem todos os factos ilícitos que eventualmente envolvam o negócio. Pressionado pela opinião publicada, o poder público suspende a venda das laranjas até ao fim do inquérito em curso. Nasce um mercado clandestino de venda de laranjas. Os consumidores pagam preços especulativos por cada laranja comprada (o quilo deixou de ser referência de venda), e muitos sujeitam-se mesmo a comprar laranjas podres ou em péssimas condições de conservação. Ao fim de alguns meses o mercado é reaberto com as seguintes condições: só podem vender laranjas os comerciantes autorizados e que paguem uma elevada taxa para entrarem no negócio; serão feitas fiscalizações diárias do mercado por fiscais supervisionados pelos inspectores que reportam à Direcção Geral da Tutela e Acompanhamento do Mercado de Laranjas; cada laranja será selada antes de ser posta à venda, com o necessário selo fiscal, que incluirá a taxa do serviço prestado pelo poder público. A venda de laranjas passa a ser um mau negócio e os produtores fecham as suas empresas e os vendedores praticamente desaparecem. Apenas os grandes grupos podem manter-se no mercado. Os preços sobem e apenas os consumidores mais endinheirados conseguem comprar laranjas.

Conclusão: Querem laranjas de qualidade, a preço justo? Deixem o mercado livre funcionar!

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81 pensamentos sobre “a direcção geral da tutela e acompanhamento do mercado de laranjas

  1. Pedro Pais

    Rui, creio que estás a ser um pouco demagógico e simplista. Em teoria entendo o ponto que estás a fazer, na prática não é tão simples porque raramente o vendedor vende meio quilo como se fosse 1. Na verdade vende 0,55kg como se fosse 0,5kg. A exigência de “certificações” resulta de nem sempre ser possível ao consumidor aferir se está a ser enganado ou não de forma prática e económica. Ora a alternativa prática é cada um de nós ter uma balança particular que podemos usar para aferir se o vendedor nos está a enganar ou não… assim sendo é mais económico haver uma entidade certificadora (seja o estado, seja uma entidade privada que vende esse serviço).

  2. Henrique Gama Pinto

    5ª Hipótese (a Portuguesa):
    Os vendedores de laranja combinam entre si os preços de venda ao publico, esmagam a margem dos produtores fazendo com que muitos deixem de produzir, elevando o preço da laranja ainda mais, e se alguém tentar entrar no mercado, incendeiam-lhe a banca e ainda lhe metem um processo em tribunal pelo fumo causado.
    Infelizmente, não é piada…

  3. Gosto muito da argumentação, utilizas bem os raciocínios e as palavras, mas este assunto é um pouco dúbio ou não? Acho que facilmente arranjavas também situações plausíveis em que o mercado livre seria nocivo para o cidadão.
    Por fim chego ao final do texto com a ideia de que o mercado livre é bom e uma aproximação à anarquia também, não sei se é fácil de verificar esta última.
    De qualquer das formas não procuro contra-argumentar nem entrar em ideologias, só acho os argumentos bem estruturados mas com aspecto de uma moeda de duas faces – facilmente contados numa outra história.

  4. rui a.

    Pedro,
    Compreendo as objecções (os dois textos foram intencionalmente escritos de forma muito simples), mas a vida das pessoas, as suas acções, motivações e objectivos são sempre muito mais simples do que aquilo que alguns teóricos pretendem. Com excepção da “Hipótese 4”, que coloquei apenas como exemplo extremo a que o intervencionismo pode conduzir, todas as outras estão bem patentes na nossa realidade do dia a dia, ou será que estou enganado?

  5. Ricardio

    Não sei se a primeira hipótese está bem desenvolvida. Em mercado livre não existe qualquer impedimento a que se criem instituições privadas de certificação de vendedores de laranjas. Os mesmos problemas burocráticos podem acontecer até com essas mesmas instituições que com a do Estado. A diferença é que num mercado de laranjas, como de empresas certificadoras, existe o escrutínio do consumidor e o chamado ‘voto’ com a carteira, enquanto que as instituições públicas respondem apenas perante outras instituições públicas que por sua vez respondem perante políticos que por sua vez estão sujeitos ao escrutínio do muíssimo eficiente mecanismo de selecção chamado voto democrático. Ou seja, é possível, mesmo em mercado livre, centralizar-se a monitorização da qualidade dos produtos. O problema é que talvez algumas pessoas não vejam essa possibilidade e, mesmo as que a vêem, talvez depositem demasiada fê na democracia (ou a tomem como um imperativo moral absoluto, mesmo reconhecendo a sua ineficiência).

  6. fernandojmferreira

    “…respondem perante políticos que por sua vez estão sujeitos ao escrutínio do muíssimo eficiente mecanismo de selecção chamado voto democrático.”

    Ricardio, pode elaborar? Como e’ que votar de 4 em 4 anos e’ um “escrutinio muitissimo eficiente”? So’ se for para rir…

  7. jhb

    Caro Rui A.,

    Vejo que você está contra a certificação das balanças comerciais, uma atividade que tão somente pretende que um quilo medido na balança A corresponda à mesma quantidade de matéria que um quilo medido na balança B. Obviamente, isto para si é um ataque à liberdade do comerciante (ou melhor, do proprietário da balança) em definir a que quantidade de matéria corresponde um quilo, consoante as suas necessidades de ou simpatias por certos e determinados tipos de matéria em detrimento de outros. Que a batalha contra a certificação de balanças deve estar no centro das preocupações de um liberal, está mais que claro pelo exposto no anterior.

    Vejo também um pouco suspeita a radical mudança de atitude entre os vendedores de laranjas de um mercado livre e não regulado, onde os vendedores primam pela honestidade e pelo respeito absoluto pelas leis (não escritas, é claro) da concorrência leal e os mesmos vendedores que na presença do estado supressor da liberdade comercial se transformam em verdadeiros facínoras prontos a enganar, a manipular e a corromper para obter mais um grama de lucro. É verdadeiramente espantosa a transformação obrada nesses homens e mulheres pela simples introdução de uma taxa. Pensando bem, não devia estar surpreendido: sempre que vejo um polícia na rua, dá-me logo vontade de assaltar alguém.

  8. Rb

    Caro rui a.,

    Nem me passou pela cabeça que o intermediário de mercado da fruta fosse o Estado. Existe mais mundo para além do estado pois este não precisa de executar, controlar toda e qualquer actividade, mas tão somente focar-se no poder de regulação, judicial, economica e ambiental.
    .
    Na verdade, numa economia de mercado, a garantia de concorrência leal é condição essencial.
    .
    Não está em causa se existem leis a mais ou a menos, se o estado está mais ou menos presente, o que está em causa é garantir que o mercado, como um todo, tem as mesmas regras entre todos os players.
    .
    Existe um preço a pagar para lograr obter essa garantia de fairness?
    .
    Claro que existe. Existe um preço que os consumidores pagam por essa garantia, que pode e deve ser o mais eficazmente reduzido possível, mas existe um preço imensamente maior, em género e qualidade, que os consumidores pagariam se a não tivesse.
    .
    Rb

  9. danielmartins1982

    Se as laranjas forem amargas, podemos esbofetear o vendedor que nos prometeu a melhor das doçuras?

  10. manel z

    Rui,
    Não serão necessárias muitas hipóteses. Basta colocar a questão inversa ao Rb: quem é que garante que a certificação do Estado é menos fraudulenta para o consumidor? Isto deveria ser provado pelos defensores do Estado.

  11. Francisco Colaço

    Ricardio,

    Se o voto democrático é assim tão eficaz, ora por que raio passamos o tempo a queixar-nos da nossa classe política? Somos, afinal, nós que os elegemos.

    Sejamos claros: o voto democrático não é uma panaceia. Compramos com o voto um político Mercedes SL, com brilho de cera e gaja de bikini, e sai-nos afinal um Fiat 600 com problemas de motor, e a gaja tem herpes e celulite. O chato é que não existe nada melhor, ou menos mau, que o voto democrático. Qualquer outra solução tende a escolher sempre os piores, ou pelo menos bem piores do que os votados em eleições livres.

    É sintomático de que as nações mais afluentes e justas são também democracias. Votemos, pois assim pelo menos escolhemos a forma pela qual seremos lixados.

  12. Francisco Colaço

    Rui A.,

    Repare que há uma premissa da economia de livre mercado que não é respeitada: o consumidor e o produtor têm informações perfeitas e simétricas. A verdade é que um vendedor de laranjas sabe mais sobre laranjas que o Rui, a menos que o Rui seja produtor de laranjas ou académico da área.

    Não estou de todo contra haver um controlo de balanças ou um controlo de aspetos técnicos que saem da esfera de conhecimentos do consumidor padrão (como se houvesse um consumidor padrão, ó que fui dizer!) Não digo que esse controlo tenha se ser realizado pelo Estado. Penso que deve ser universal e compulsivo.

    Por exemplo, pode um idiota juntar refrigerante de motor para adicicar o vinho e dar-lhe o sabor de velho. Ora, se deixarmos tudo ao mercado, a tramóia acabará por ser descoberta: alguns consumidores ficarão cegos, um dos efeitos secundários de se ingerir refrigerante de motor. É claro que o produtor será arredado do mercado, mas isso será apenas DEPOIS de haverem vítimas irreversíveis e vidas destruídas. E custos futuros em incapacidades e em tratamentos para o SNS e a economia. Mesmo se fosse o produtor a suportá-los por indemnizações, ora que raio!, a vida já está destruída.

    O Estado deve assegurar que os contratos são executados como contratados, seja na fase da execução, seja no conflito judicial. Ora, nem sempre o consumidor sabe o que está a contratar. Sabe o Rui A. o que é hexametilfenilanina? Sabe que praticamente todos os alimentos têm doses de ácido hidrónico, cujo entra directamente no seu corpo e lá permanece horas? Sabe do que estou a falar? (Se souber, vai-se rir)

    Não deverá haver uma entidade (não necessariamente pública, não necessariamente uma única) que se responsabilize por certificar produtores alimentares e fabricantes de produtos que potencialmente possam tolher vidas ou incapacitar pessoas ou provocar danos à saúde POR desconhecimento de pormenores técnicos do consumidor? Não falo obviamente de escolhas: quem quer fumar sabe no que se mete. O mesmo não é beber vinho e acabar cego.

  13. Francisco Colaço

    Manel Z,

    A Bureau Veritas, cuja não é do Estado, certifica e analisa. Para mim, desde que confie na Bureau Veritas (e confio, que são bem piores do que os fiscais camarários), aplico a primeira lei da confiança:

    – a confiança goza da propriedade transitiva.

  14. O que aqui está em questão, parece-me, é mostrar que não se instala nenhum caos quando o Estado deixa de homologar e certificar, e que as próprias pessoas (o mercado, isto é), que são agentes racionais, têm mecanismos para se certificarem que não estão a comprar gato por lebre. Nem sempre é assim, e existem situações mais complicadas, mas a verdade é que mesmo com homologações e certificações, a ASAE encontrou carne de cão em restaurantes chineses, pelo que fica a questão se essas certificações e homologações compensam aquilo que custam.

  15. Alexandre

    Mercado livre, compro as laranjas todas e vendo-as ao preço que entender. Porque sou o único que as tenho.

  16. Alexandre, acontecendo isso, alguém vai-se aperceber da oportunidade de rentabilidade e do monopólio e vai começar a produzir laranjas. A beleza do mercado livre é que, entregue a si mesmo, acaba por convergir para o equilíbrio entre produtores e consumidores. Não é sempre assim, mas é-lo garantidamente no mercado das laranjas.

  17. Rb

    A questão é, digamos, básica. Porque é que v.exas. consideram importante que as empresas cotadas em BOLSA sejam fiscalizadas ou auditadas???
    .
    Quando responderem a esta questão percebem que o mercado das laranjas, bem como o de capitais, precisa de uma garantia prestada por terceiros onde assenta a confiança dos consumidores.
    .
    Dirão alguns que caberá a cada comprador no mercado de capitais avaliar a bondade das contas (ou das balanças) de cada empresa e ‘acraditar’ que são boas e fieis. Ora, não é assim. O mercado, como quem diz, as pessoas, precisam de confiar que o que estão a comprar é realmente aquilo que é anunciado em venda.
    .
    Rb

  18. Francisco Colaço

    Rb,

    Por uma vez tenho de concordar consigo. Ora, diga-me lá uma coisa: na sua opinião necessita de ser obrigatoriamente o Estado o prestador dessa garantia?

  19. Francisco Colaço

    Numa coisa o Mário tem razão: sem barreiras administrativas à entrada, o monopólio só pode acontecer por preceitos técnicos (por exemplo, custos de investimento ou conhecimentos especializados). Uma corporação que desejasse controlar o mercado de laranjas teria de fazer aprovar uma socialíssima lei que impedisse quem não fosse arbitrariamente certificado de produzir ou de importar laranjas. E de, de alguma forma, definir uma barreira à entrada na produção ou comercialização de laranjas, quer seja uma caução, uma licença ou um pormenor técnico (zonas agrícolas de produção de laranjas, por exemplo).

    O problema do nosso mercado livre é que ele não existe. Um alvará é um atentado ao mercado livre e uma barreira à entrada de concorrentes. Uma licença é uma barreira à entrada, mais a mais porque sabemos que são tão mal decididas que até faz dor de cabeça. Uma caução, como as que existem nas empresas de transporte, é uma barreira à entrada.

    Como sempre disse, quando as leis são feitas para os pequenos se defenderem do poder discricionário dos grandes, tudo vai bem. Quando as leis são feitas para os grandes se defenderem da concorrência dos pequenos, a pulga torce o rabo.

    Por que raio tem hoje uma botica de esquina de comprar os legumes que vende com certificação e em comerciantes autorizados? Porque não pode comprar ao Sr. Zé do Lado, pequeno agricultor, se calhar em troca de géneros da própria mercearia?

  20. Alexandre

    Este ano compro as laranjas todas a todos os produtores e vendo ao preço que quiser, como tenho uma empresa cotada em bolsa e grandes lucros compram as minhas acções que valorizaram muito. No ano seguinte vendo as acções que restam antes das laranjas, não compro laranja nenhuma e aqueles que apostaram na possibilidade de vender laranjas com lucro perdem as suas poupanças porque a laranja tá cara e nínguem as compra. Os produtores não escoam completamente as laranjas porque estão mais caras do que no ano anterior e têm prejuízos. Eu como ganhei uma pipa de massa especulando, compro um carro fabricado no estrangeiro e vou passar férias lá fora. É fantástico o mercado livre, não produzi uma laranja, não criei emprego mas consegui ganhar muito dinheiro sózinho, quantos empregos tinha o amigo no departamento da tutela?

  21. Os mercados tradicionais de Luanda são um bom exemplo. Estão todos, por enquanto, longe das teias da certificação estatal, e não é que têm clientes e vendedores com fartura?! E não é que funcionam?! Quem compra só quer saber de duas coisas: preço e qualidade. Quem vende só tem que se preocupar com isso. A quitandeira que aldrabe na venda das laranjas tem como certo ser xingada em público pelo comprador e ver o seu negócio comprometido.
    Há 30 anos em Portugal também era assim e não ficámos mais ricos, nem com melhores laranjas, devido à certificação das balanças…

  22. Alexandre,
    “Este ano compro as laranjas todas a todos os produtores”.
    Ainda bem. É porque eles tiveram liberdade para vender e gostaram do preço oferecido.
    “vendo ao preço que quiser”.
    Num mercado livre duvido muito disso. Vende ao preço que quiserem comprar.

  23. Alexandre

    Uma coisa é um país que nem rede de esgotos tem, outra um país relativamente desenvolvido. Não há comparação possível, as exigências advêm do tipo de consumidor que vamos servir. O meu pai vende legumes e não é certificado e não enriquece à custa deles, mas também NÃO quer enriquecer e o problema esta nos que querem ENRIQUECER à custa da laranja.

  24. Alexandre

    Pois mas sou eu que faço os preços e tenho capital suficiente para me aguentar até dar lucro chorudo.

  25. Francisco Colaço

    Alexandre,

    Consegue comprar TODAS as laranjas a TODOS os produtores do Mundo? É que se as laranjas custassem uma pipa de massa até as laranjeiras que agora produzem para deixar cair (isto é, que servem as necessidades domésticas e depois o excedente cai no chão) seriam tratadas, colhidas e postas à venda.

    A menos, claro, que haja no mercado um dispositivo distorcionista: por exemplo, certificação compulsiva de produtores.

    Deve haver uma entidade que colha uma laranja de um lote e que a analise para ver se tem tóxicos. Uma entidade não necessariamente estatal, não necessariamente única, mas credível.

    Se a Bureau Veritas ou um laboratório da esquina (que tem tudo a perder em mentir) me diz que o vinho é seguro para beber, ainda assim não o beberei, porque deixo a bebida para os nossos juízes; os que ela parecem mais abusar e apoiar. Mas irei usar esse vinho com segurança para cozinhar uma chanfana que faz tremer as pernas dos que a cheiram. Ou molho de francesinha. Ou coq au vin. Ou pato assado à minha moda.

  26. Francisco Colaço

    Porque não fui claro na última submissão, esclareço que certificar um PRODUTO não é o mesmo que certificar um PRODUTOR.

    Como eu não como produtores de laranja, como apenas laranjas (venham de lá as piadas!), estou-me per-fei-ta-men-te a borrifar se a laranja vem de Trás os Montes da Quinta da Bela Bosta ou da Herdade dos Brejeiros. Quero saber se a laranja está pronta para comer, e isso é simples: colhe-se uma amostra, analisa-se de acordo com as normas em vigor e publicam-se os resultados. Venha a laranja da quintela do Tio Pinto ou da Herdade do Santo Latifúndio.

  27. Alexandre

    Troca as laranjas por petróleo e vê quem o paga mais caro no mundo, troca as laranjas por casas e vê quantas estão na posse do capital à espera de comprador troca as laranjas por leite que é pago aos produtores a 14 céntimos o litro e vendido a 55 céntimos. Pergunta porque ainda não há alternativas às gasolinas? Quem controla? Sabes quantas peças tem um motor de combustão, centenas. E um motor eléctrico. Poucas dezenas. Tapa-me os olhos e diz-me que é melhor vender carros a combustão. Eu controlo os preços dos combustíveis e a produção de alternativas é esmagada. O que aconteceria se os carros deixassem de consumir combustíveis fósseis? Para onde ia o preço do petróleo? Não me tapem os olhos com as laranjas.

  28. Alexandre,
    “Uma coisa é um país que nem rede de esgotos tem, outra um país relativamente desenvolvido”
    Não vejo o que uma coisa tenha a ver com a outra. Ou você acredita que é a intervenção estatal que conduz ao desenvolvimento? Este é um argumento perigosíssimo, pois é com esta cantiga que cada vez mais nos entram nos bolsos e cerceiam a nossa liberdade de escolha. Os consumidores não são somos acéfalos e tolinhos.

  29. Alexandre

    Tem toda a razão, um engenheiro idealiza e constrói, o economista é que estabelece se é viável ou não e se dará lucro. Por isso é que os comboios, o metro, as escadas rolantes, os elevadores, o TGV, são todos a combustíveis fósseis economicamente são mais rentáveis. Faz revisões ao seu carro. Sabe que manutenção tem um carro eléctrico? Por mim o petróleo devia ser caríssimo, a ver se não começavam a produzir eléctricos aos milhões. Para isso é que existem quotas de mercado e os estados obrigam as companhias a procurar alternativas.

  30. Francisco Colaço

    Alexandre, qual é o verdadeiro problema da tracção elétrica? Porque é que esta é utilizada na indústria e nas instalações fixas e não nos veículos automotores. Não acha que se fosse o caso de a putativa conspiração de que insiste em palrar realmente existir, não houvesse rede elétrica e a sua casa fosse alimentada a geradores?

    Não acha que se parar para pensar verá que, algures a montante ou a jusante da tracção eléctrica, haverá qualquer coisa que a torne pouco atractiva para máquinas automotoras?

    Alexandre, é obviamente jovem. Deixe de se enganar com conspirações que não existem e concentre-se, sei lá, em melhorar a tecnologia de armazenamento de carga elétrica, tanto em termos de densidade de carga como em tempo de vida.

  31. Alexandre

    Das seguintes opções seleccione a correcta.
    Uma empresa tem como objectivo:
    A) Criar postos de trabalho
    B) Gerar riqueza para o país.
    C) Criar produtos inovadores que ajudem as pessoas.
    C) Dar lucro.

  32. Alexandre, você tem piada. Uma empresa tem como objectivo principal D), obviamente. O motivo lucro. Para o conseguir, tem de fazer C) também, ou seja, criar produtos inovadores. Caso contrário, as pessoas vão à empresa do lado. Para fazer C), precisa da ajuda de A). No final, mesmo que esse não fosse o objectivo, acaba por criar A).

    Esta é a diferença entre o capitalismo e o socialismo. O socialismo vive de intenções. O mundo seria melhor se as empresas fossem instituições de caridade e todos trabalhássemos para alimentar o vizinho. E todos fossemos vegetarianos, gays e, já agora, de mãos dadas. O capitalismo vive de resultados. Independentemente das boas ou más intenções, os resultados são, de facto, a riqueza para o país.

    Roubando a tagline do Raposo, eu sei que dói, especialmente a um socialista fabiano, que quer mudar o mundo e está cheio de boas intenções. Mas é a verdade.

  33. Francisco Colaço

    C2. Dar lucro. Ninguém cria uma empresa para ela não dar lucro. Cria-se porque o que se lá põe é inferior ao que se de lá tira.

    Tudo o resto são benefícios colaterais. Sem o agrado do pilim, o chamar dos carcanhóis e o apelo da guita ninguém cria produtos inovadores que ajudem as pessoas (ou se os cria, não so coloca no mercado). Não se gera por isso riqueza para o país nem se criam postos de trabalho.

    Por isso, Alexandre (e acredite que eu também outrora fui ingénuo e acirrado), se um governo quer criar empregos e gerar riqueza para o país, encolhe-se e deixa o mercado funcionar.

    Na União Soviética as empresas existiam para criar empregos. A sua produtividade sempre esteve a 1/3 da da indústria americana. Há vários estudos que o comprovam.

    Desafio o Alexandre a nomear-me dez produtos de uso corrente (produtos inovadores que ajudam as pessoas) inventados atrás da Cortina de Ferro entre 1917 e 1991. Quando conseguir nomear dez, laudarei a sua perspicácia, pois ei nem um consigo. Nomear-lhe-ei então cem americanos do mesmo período, incluindo o computador que o Alexandre usa para glosar a maldade do capital e a falência da economia de mercado.

  34. Mário e Francisco,
    Permitam-me discordar, mas o objectivo de uma empresa não é o lucro, este é uma consequência e só será atingido se primeiro ficarem preenchidas as lacunas do mercado; este sim, objectivo primeiro de qualquer empresa. Como não preencha as lacunas existentes o lucro será uma miragem.

  35. jhb

    “Sem o agrado do pilim, o chamar dos carcanhóis e o apelo da guita ninguém cria produtos inovadores que ajudem as pessoas (ou se os cria, não so coloca no mercado).”

    Wrong.

    “When news of the vaccine’s success was made public on April 12, 1955, Salk was hailed as a “miracle worker,” and the day “almost became a national holiday.” His sole focus had been to develop a safe and effective vaccine as rapidly as possible, with no interest in personal profit. When he was asked in a televised interview who owned the patent to the vaccine, Salk replied: “There is no patent. Could you patent the sun?”[4]”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Jonas_Salk

  36. jhb

    “Desafio o Alexandre a nomear-me dez produtos de uso corrente (produtos inovadores que ajudam as pessoas) inventados atrás da Cortina de Ferro entre 1917 e 1991.”

    Para quem se gaba de conhecer a Rússia e a União Soviética tão bem, você desaponta-me.
    A política industrial soviética sempre esteve virada para a produção de maquinaria industrial pesada e não para a produção de bens de consumo como nos Estados Unidos. Você está a comparar alhos com bugalhos.

  37. Alexandre

    Ingenuidade é pensar que o mercado livre funciona.
    Só se for para si, a teclar no seu computador fabricado na China, por pessoas que trabalham 12 horas por dia e dormem no local de trabalho.
    Por empresas que não têm NENHUMA preocupação ambiental.
    Em condições que o amigo consideraria desumanas, a ganharem de ordenado o que o meu amigo gasta em cafés por mês ou talvez esteja a escrever do seu telemóvel que custa 2 anos de salário a um trabalhador do Bangladesh, que tem medo que o tecto e o resto dos colegas lhe caiam em cima, enquanto produz a camisa que vocé usa, que custou 100 euros e poderia ter sido produzida em Portugal por uma familiar sua que perdeu o emprego porque abrimos as portas ao mercado livre, pelas empresas textéis que já não existem, que davam emprego a milhares de pessoas em Portugal.
    Salutar seria entregar as suas tarefas que realiza profissionalmente a um sub-contratado na China ou na Indía, pagar-lhe um vigêsimo do seu salário e ficar com o restante para pagar a prestação do meu iate fabricado nos EUA, que me diz. Substituímos toda a gente por operários chineses, que aceitariam trabalhar por muito menos do que vocé ganha.

    Mercado Livre.

    Sou empresário e tenho dinheiro para investir.

    Contrato 3 pessoas e eu próprio.
    Negócio, importar sapatos da China.
    Funções.

    Eu: Compras e importação
    Empregado 1 Armazenamento
    Empregado 2 Distribuição e vendas
    Empregado 3 Contabilidade

    Ganho bem e vou passar sempre férias ao estrangeiro. O meu carro é fabricado na Alemanha e a carrinha que uso para trabalhar é feita na Coreia do Sul.
    Quantos artigos compro feitos em Portugal, tirando a alimentação, quase nada, tudo é produzido fora.

    Proteccionismo

    Crio uma empresa de calçado, duas linhas de produção, 200 trabalhadores, alta qualidade e qualidade média. Vendo para Portugal e para o estrangeiro o produto com melhor qualidade a compradores que não se importam de pagar caro por causa dos impostos taxados no país de importação. As peles, vindas de animais portugueses são curtidas em Portugal, o design é 100% português. Ganho o suficiente para passar férias no Algarve e ter uma casa no Norte de Portugal onde vou de 2 em 2 meses, tenho várias carrinhas montadas em Portugal pela Toyota e um carro fabricado pela AutoEuropa, com componentes de várias empresas portuguesas.

  38. jhb, que maquinaria pesada russa é que você conhece? Eu só conheço marcas italianas, alemãs e americanas, mas pode ser problema meu. Fico à espera da sua lista. Da próxima vez que comprar um Caterpillar ou um John Deere, envie-me o catálogo dos russos por favor.

  39. Alexandre

    Já agora, segundo um estudo americano, os gays geralmente preocupam-se muito mais com a aparência movimentando muito mais a economia do que os chamados não gays.

  40. rui a.

    “Só se for para si, a teclar no seu computador fabricado na China, por pessoas que trabalham 12 horas por dia e dormem no local de trabalho.”
    Que interessante! Então a China não era um país com uma economia integralmente controlada pelo estado? Como é que o estado não foi capaz de criar bem-estar e desenvolvimento para esses milhões de pessoas, se tinha todos os poderes para o fazer? E, já agora, quer dissertar um pouco sobre as condições de vida (para aquelas pessoas que conseguiam sobreviver, claro) dessas pessoas que trabalham o que você diz, antes de terem essa oportunidade de trabalhar? Já pensou que se essas pessoas se sujeitam a isso é porque a vida que tinham antes era muito pior? E de quem era a culpa da miséria em que viviam? Seria do mercado e dos capitalistas que não existiam na China?

  41. Alexandre, essa sua história do proteccionismo económico é muito engraçada. Presumo que durante o Estado Novo, em que proteccionismo era abundante, toda a gente vivesse bem e tivesse carros fabricados em Portugal e casas no Norte. Mais, quando a China se isolou durante décadas, após a dinastia Ming, tudo correu pelo melhor e a China tornou-se uma economia próspera. Ou quando Cuba se isolou. Ou quando a Jugoslávia se isolou. Consta que os carros fabricados lá, os Yugos, eram muito bons e económicos. Imagine-se que serviam para, entre outras coisas coisas, fazer grelhados (de carne humana) e para pisa papéis. Para andar é que já não.

    A vantagem comparativa, que Ricardo explica bem, demonstra porquê que dois ou mais países têm toda a vantagem em fazerem trocas económicas e não se isolarem. Historicamente, os períodos de mais prosperidade coincidiram, também, com períodos de trocas livres entre países. Recomendo-lhe que leia sobre isso.

    Mas não critico o seu lirismo. É fruto da idade, da inocência, ou de uma mistura dos dois.

  42. Alexandre

    E quem lhe disse que eu era comunista? E porque antes a vida era pior agora sujeitam-se ao que os seus avós tiveram de sujeitar para vocé poder comprar um telemóvel de 700 euros correcto. Ou usar calças de 150€ certo.

  43. O último? Qualquer produto da Apple. É que ao contrário do que os marxistas e alguns socialistas pensam, o resultado da produção não é só gerado pelos trabalhadores. A China está repleta de (potenciais) trabalhadores, mas foi a Apple, uma empresa americana, bem capitalista, a desenhar, projetar e inventar os produtos. Depois fê-los na China. Mas no futuro vai fabricá-los nos EUA [1]. Tal como a Google (daí ter comprado a Motorola).

    [1] – http://www.forbes.com/sites/johnmcquaid/2012/12/06/why-apple-is-bringing-manufacturing-back-to-the-united-states/

  44. Alexandre, a Raquel Varela deu-lhe a volta à cabeça. Perceba uma coisa: a China só começou a ter pessoas a trabalhar e a gerar riqueza a partir do momento que o Deng Xiaoping, braço direito de Mao, inverteu tudo o que ele fez e introduziu algum capitalismo e mercados [1]. Até lá, morreram 45 milhões de Chineses, pelo menos, nos campos coletivos.

    Resultado? O crescimento de dois dígitos, ano após ano. Milhões de pessoas que saíram da miséria. Pessoas que agora recebem para trabalhar, quando dantes nem trabalho havia.

    Perceba uma coisa: a China não vai, miraculosamente, passar para uma economia desenvolvida, com SS, benefícios, regalias, pensões e salários de 4 dígitos sem primeiro gerar essa riqueza, sem primeiro ganhar salários de 2 dígitos e depois de 3. É terrível, é uma chatisse, é desumano, mas é a realidade e não há atalhos. Chama-se crescimento económico.

    [1] – http://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_economic_reform

  45. jhb

    Pois Mário, é verdade que o exército vermelho derrotou os alemães com paus e pedras, animados pelo vodka. Nao havia indústria pesada na União Soviética.

  46. jhb

    Vendendo-os a alguém. Mas nem é isso que está em questão. Ou você acha que um Mig é um bem de consumo corrente?

  47. Alexandre

    Chatice e não chatisse. 75 mil trabalhadores mais 2000 subcontratados. Eu não quero que a China se desenvolva, nem a Coreia do Norte, nem Cuba, quero trabalho para mim, para a minha mulher e um futuro para os meus filhos. O mercado livre só interessa às empresas que me vendem produtos que eu não preciso.

  48. Alexandre,
    Você cada vez está melhor…
    “O mercado livre só interessa às empresas que me vendem produtos que eu não preciso.”
    Então acredita que as empresas que lhe vendem produtos que você precisa o fazem por caridade para consigo?!

  49. Alexandre

    Diga-me do que é que eu preciso basicamente para viver que não possa ser feito em Portugal, por portugueses invés de ser feito por escravos chineses ou escravos cubanos, porque certamente do seu ponto de vista e a ganhar o seu ordenado um operário que ganhe o que vocé gasta em perfumes por mês é um escravo, correcto?

  50. Alexandre,
    Teoricamente tudo pode ser feito em Portugal, que seja rentável e/ou competitivo já é outra história. As nações trocam bens entre si porque o custo de fabricar tudo apenas para consumo interno (que egoísmo!) é demasiado elevado, pelo que cada uma troca aquilo onde é competitiva. Há imperfeições no sistema? Claro que há, mas sem intervenções estas tendem a ser corrigidas naturalmente.

  51. Francisco Colaço

    jhb,

    Está-me a dizer que os garfos, os rolamentos, os televisores e as arcas frigoríficas na União Soviética eram comprados do Ocidente. Como dizia o outro, Olhe que não! Havia fábricas disso tudo.

    Eles faziam cópias manhosas dos produtos de consumo. Produziram-se na URSS automóveis sofríveis com excepção notável das fabulosas e avançadas limusinas. Os bulldozers e as retroescavadoras, o que chamamos maquinaria pesada, esses sim, vinham do Ocidente.

  52. Francisco Colaço

    «Ingenuidade é pensar que o mercado livre funciona.
    Só se for para si, a teclar no seu computador fabricado na China, por pessoas que trabalham 12 horas por dia e dormem no local de trabalho.»

    Homessa! O Alexandre está porventura a usar telepatia para comunicar com a rede mundial de computadores? Não está a usar um teclado feito na China como eu?

    Eu ao menos não tenho a hipocrisia de morder a mão da qual como! Na minha casa não se comem legumes estrangeiros por convicção. Na sua casa falam-se contra os chineses com produtos chineses comprados provavelmente em lojas chinesas.

  53. Alexandre

    Lamento informá-lo, mas o Alexandre emigrou para a Suiça, onde vai fazer serviço de trolha, a mulher vai para as limpezas e com sorte os filhos vão conseguir ter um futuro melhor do que em Portugal. A empresa onde o Alexandre trabalhava despediu-o devido à concorrência chinesa e aos preços escandalosamente competitivos praticados. A prima do Alexandre que limpa retretes na Suiça e era advogada em Portugal arranjou-lhe lá emprego. O colega economista que trabalhava com o Alexandre foi substituido por 3 chineses mandados vir pelo patrão da empresa. Um é economista,o outro tradutor português-chinês e o terceiro advogado e os 3 cumprirão as funções do colega despedido do Alexandre mas os 3 ganharão metade do que ele ganhava, mas o patrão ainda lhes desconta no ordenado as viagens de vinda da China. Adeus e au revoir.

  54. Francisco Colaço

    Mário Amorim Lopes,

    A Chetra sempre fez bulldozers e retroescavadoras boazinhas (não boazonas como as Cat), mas mesmo dentro da URSS era sempre considerada uma pária. Só depois do fim da URSS é que pôde crescer.

    Não é uma má compra. Custa metade das ocidentais e as peças, dizem-me, são quase todas John Deer (uma cópia, portanto). Já vi uma a funcionar (uma Tê-qualquer-coisa), mas nunca a pude ver desventrada. Não fiquei impressionado. Pelo barulho do motor, parecia ser um motor Perkins, ou uma cópia destes. Talvez os mesmos usados num T-34 ou num T-55.

  55. Alexandre,
    Para a Suiça? Boa escolha. Sempre pensei que preferisse Cuba ou a Coreia do Norte.
    Leve na bagagem algo de Smith, Hayek ou Friedman. Verá que não dói nada.

  56. Vasco

    Alexandre, “Por mim o petróleo devia ser caríssimo, a ver se não começavam a produzir eléctricos aos milhões”.
    De onde é que você pensa que vem grande parte da energia eléctrica??

  57. rui a.

    “O mercado livre só interessa às empresas que me vendem produtos que eu não preciso.”
    Então você compra produtos de que não precisa? E se não compra e ninguém compra também por, tal como você, não precisar deles para nada, como é que sobrevive a empresa e como é que paga os custos de produção e comercialização desses produtos. Atente, se faz o favor, nesta ideia: “A economia de mercado é a soberania do consumidor”. Por outras palavras: não são os empresários, mas os consumidores seus clientes, quem determina a produção. Isto num sistema de economia de mercado, claro está. Em Cuba ou na Coreia do Norte a produção é planificada pelo governo central. Costuma dar excelentes resultados, como sabe.

  58. Alexandre

    Ó André quem te pagou o curso e a escolaridade obrigatória, foi o estado social. Já te expulsaram do hospital público por não acreditares no estado social quando fostes em urgência, chamas a polícia ou um escritório de advogados quando tens acidentes de viação. Estás disposto a cuidar dos teus familiares quando eles forem velhos e borrarem as fraldas ou pedes ajuda ao estado social. Se por azar tivesses alguém na família deficiente a precisar de cuidados especiais e caros arcavas com os tratamentos ou pedias ajudas ao estado. Quando pagas os benefícios que usufruíste desde que nasceste.

  59. Francisco Colaço

    «Quando pagas os benefícios que usufruíste desde que nasceste.»

    Paga. Chamam-se impostos. Ora, alguns de nós prefeririam que esses serviços fossem provistos por privados (não necessariamente custeados). Já na substituição de público por privados em concorrência (e não em concessão, coisa que apenas ajuda compinchas do partido) se poupam umas coroas valentes aos que pagam impostos.

    Por mi, prescindo da Segurança Social, e a Segurança Social, como não fica com todas as minhas quotizações até ao momento em capitalização, não me fica a dever nada. De qualquer forma, manda a demografia que nunca me chegue a pagar. Por que direito adquirido de outros tenho eu o dever de pagar à ponta d’arma e de confisco para não chegar a receber?

  60. Francisco Colaço

    Desde quando é que uma doença «dá lucro»? Sinceramente, Alexandre, parecia-me novo e ingénuo. Neste momento parece que não sabe o que são os mais básicos conceitos económicos. Certamente assim, se era economista, o seu patrão deve ter ficado mais satisfeito com três chineses.

    O Alexandre fala de conspirações que não existem, porque não conhece tecnologia mecânica o suficiente para saber que o que impede a adopção do carro eléctrico é a tecnologia de baterias. Fala de doenças que «dão lucro», em vez de quando muito justificação económica, ou relação custo-benefício. Fala de chineses que foram para o seu lugar. Se o Alexandre fosse realmente bom no que faz, ou mostrasse ter mais do que queixas e lamúrias na sua escrita, o Alexandre provavelmente teria sido complementado com um tradutor em part-time.

    Da última vez que me substituíram (foi saída por mútuo acordo), foram TRÊS pessoas fazer o que estava a fazer. E nem assim acertaram.

  61. Alexandre

    As empresas farmacêuticas não dão lucro?
    Quem disse que um carro eléctrico tem de usar baterias, onde estão as baterias do metro, do comboio, do eléctrico? Os carros eléctricos para sua informação já existem há mais de 100 anos. Informe-se. A maioria das deslocações são feitas numa área de 30 km e até a bateria do seu carro acoplada a uma bicicleta tem autonomia para fazer isso.
    Eu não me lamento só acho que o mercado livre não é a solução e já agora tanto saber, porque não são os economistas capazes de apresentar soluções. Tantos livros escritos, tantos estudos e são completamente inaptos para resolver problemas reais. Que empresa pode vocé criar que fabrique artigos suficientemente competitivos para competir com 1 100 000 000 de chineses e 700 000 000 de indianos, esfomeados?

  62. Francisco Colaço

    Alexandre,

    Elétricos, comboios e metros têm catenárias. Quanto aos carros, você ouve falar deles, eu já construí um protótipo. De qualquer forma, ninguém o impede de ir buscar um carro eléctrico ao mercado. Já são construídos. Mas a AUTONOMIA e A VIDA DAS BATERIAS são os obstáculos à sua adopção.

    Automação e robótica! É a solução da indústria contra a mão de obra barata. Sorte a minha, que programo robôs ABB e Fanuc, e programo vários tipos de autómatos.

    Alexandre, sabe de tecnologia como eu sei mongol. Lei cirílico (russo), mas isso não significa que possa falar mongol, apesar de terem o mesmo alfabeto e terem os mesmos fonemas. Por isso, quando me falam em mongol, confesso a minha ignorância ou calo-me. Se tentasse falar em mongol iria cair no ridículo. No seu caso, já devia estar claro que está a ficar um bocado mongolizado (grafia intencional!) aos nossos olhos com essa conversa sem nexo.

  63. Alexandre

    Ou seja eliminam-se todos os postos de trabalho e ficam a trabalhar os programadores de robós. E um sistema similar para carros é completamente inconcebível para si. Correcto.

  64. rmg

    Francisco Colaço

    Gabo-lhe a paciência , boa vontade e espírito pedagógico .
    Eu tinha-me “passado” de vez quando se chegou às baterias do metro , do combóio e do eléctrico , meios de transporte pouco vulgares …
    Até aqui um dos meus netos (com 12 anos) ainda está divertido com a ideia .

  65. Alexandre

    Das 55 maiores empresas do mundo, 11 vendem petróleo e 5 constroem carros, agora diga-me se eles têm vontade de mudar?
    19 são instituições financeiras.
    E você ainda acha que controla alguma coisa?

  66. Francisco Colaço

    Alexandre,

    Deixe a sua maledicência e lamúria e envide os seus esforços e diligência para a prossecução de uma bateria com longa vida e boa densidade de carga. No momento presente existem algumas baterias experimentais que fazem esperar um caminho para se poder eventualmente (veja a cadeia de conceitos, é intencional!) produzir essa bateria. A bateria Li-Oxigénio e avanços em supercondensadores fazem pensar que há ali uma esperança.

    Outra coisa é a geração de potência elétrica no veículo através de meios ainda pouco claros. As células de combustível prometem, mas são empeçadas pelo circuito de tratamento de combustível para se produzir hidrogénio. O hidrogénio, tendo uma massa molar de 2, não se pode armazenar economicamente, senão em tanquer de muito alta pressão (500 atm), no fundo uma bomba em potencial cada um deles. Já o imagino a perguntar porque é que não se liquefaz o hidrogénio para lhe diminuir o volume. Respondo-lhe que qualquer tabela de propriedade do gás lhe dirá quão difícil isso é.

    Eu tentei pessoalmente em outros tempos guardar hidrogénio nos radicais de uma proteína, libertando o protão aquando da imposição de calor e falhei miseravelmente. Infelizmente, este método, o mais promissor de todos, não tem dado resultados palpáveis.

    Deixe-se de conspirações, que absolutamente não existem. Quem pouco sabe em pouco acerta. Quem muito fala e pouco sabe faz papel ridículo. No seu caso, eu não imagino um maior inimigo do Alexandre que o Alexandre. Está em tudo a dar razão ao seu antigo patrão, e por aqui devem estar muitos a rir até às lágrimas.

  67. Francisco Colaço

    Entre um robô em Portugal e uma importação da China prefiro o primeiro. A automação e o robô libertam o homem de trabalhos repetitivos, perigosos ou monótonos, permitindo que se concentre em trabalhos dignos de humano. O Alexandre nunca deve ter estado numa linha de produção, realizando os mesmos movimentos dia após dia após dia. É fácil falar quando se está de fora.

    O Alexandre é uma boa pessoa. Nota-se à distância. Mas mesmo boas pessoas cometem imbecilidades de vez em quando, e mesmo pessoas excelentes acreditam em algumas completas asinices. A diferença entre uma asneira e uma coisa boa é a realidade, consubstanciada em números, factos e resultados.

    A revolução industrial aumentou o emprego disponível. O Sr. Ludd e os seus seguidores bem andaram a partir teares mecânicos e spinning jennies. Apesar da sua oposição, a revolução industrial (não confundir com a revolução trauliteira de Rússia de 1917) triunfou, e deu-nos um nível de conforto, de prosperidade, de afluência e de cultura nunca antes atingido na história da humanidade. Se o Sr. Ludd tivesse ganho, ainda haveria escassez para mim e para si, as doenças seriam prevalecentes, as fomes devastadoras. Não haveria aspirina, ensino universal, livros baratos, alimentação assegurada, transporte rápido ou roupas acessíveis. Um mero sobretudo no Sec. XVIII era deixado em herança e arrolado nos testamentos. Hoje custa muito menos que um ordenado semanal.

  68. Alexandre

    Burro não é quem não sabe é quem não quer aprender.

    Já olhou para as etiquetas da sua roupa? Sabe em que condições foi feita? Quais as qualificações e condições de trabalho que os operários tinham? Também sei que não se importa e está-se marimbando. É bom falar de cima de um emprego bem pago e com boas regalias e não olhar para baixo, para aqueles que nos suportam para chegar ao cimo. A revolução na Rússia, só trouxe morte e desgraças e nenhum benefício, se fosse o Chico a fazê-la, com toda a sua sabedoria, tinha corrido melhor concerteza. E a revolução industrial foi a melhor coisa que aconteceu à humanidade. Pelo menos vista daí da sua casa no Algarve, onde chegou no seu carro classe média-alta para passar as suas duas semanas de férias.
    Sim a vida agora é melhor do que há vinte, trinta ou quarenta anos. Temos tudo, bons carros, boas casas, bons telemóveis, boas televisões, boas roupas, bons perfumes. Somos felizes.

  69. Francisco Colaço

    Quinta no Zêzere. Não passo férias no Algarve. Não tenho casa no Algarve. Já trabalhei como operário numa empresa industrial. Paguei o curso de engenharia assim numa universidade de elite, e pode crer que sei qual é a vida de um operário. Hoje sou profissional liberal, não tenho «um bom emprego», embora já tenha trabalhado na função pública (como professor numa universidade pública). E se se refere por «bom emprego» a ser regiamente pago para nada fazer, nunca o tive, nem o quero vir a ter.

    Etiquetas da roupa: camisa, made in Portugal. Idem para os boxers, as calças e as sandálias. As meias que usava hoje de manhã antes de trocar para as sandálias foram compradas na Holanda, mas não sei onde foram feitas. Os sapatos são portugueses.

    E já agora, assim como não lhe chamo Alex, Xaninho ou Xanote ou Xanado, preferia que tivesse a cortesia de me tratar por Francisco. Assume demais sobre uma pessoa. pessoas há que sofreram discriminação mais que o Alexandre, mas não andam por aí a fazer de Calimero e a insultar «o sistema», seja o que isso for. Alguns usam as provações e as dificuldades para se fortalecerem e serem melhores amanhã do que ontem foram.

  70. Francisco Colaço

    Por falar nisso, se alguém souber de uma posição para um engenheiro mecânico numa empresa que queira crescer, que faça o favor de me avisar, escrevendo para francisco.colaco@gmail.com

    Gosto particularmente de apanhar empresas na quase falência e de lhes dar a volta. A formação simplesmente não dá o que dava antes, e o nível de calotes é preocupante.

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