E após uns largos milhões desperdiçados…

Subsídios para criação de capacidade, subsisídos à produção e agora, subsídios para o encerramento de um projecto ruínoso.

38 pensamentos sobre “E após uns largos milhões desperdiçados…

  1. dervich

    “Projeto ruínoso”?!… Qual projeto ruínoso?…
    Continuo à espera que alguém me explique como é que os resultados de exploração de uma central de renováveis podem alguma vez na vida ser negativos ( a “matéria prima” é grátis e quase não há custos de pessoal nem de manutenção, é a empresa “ideal”).
    Entretanto, em Portugal, este setor já representa quase 40% da produção energética, representando teoricamente uma redução correspondente no nosso défice energético com o exterior, o qual, dizia-se, era uma das razões para o nosso crónico desequilíbrio da balança de pagamentos.
    Entretanto, o preço da eletricidade antigamente subia porque tínhamos de pagar mais caro o fuel das termoelétricas ou a falta de água das barragens, enquanto agora sobe na mesma, não porque o sol, o vento ou as marés estejam mais caros, mas sim por causa de subsídios ou encargos abusivos que não têm razão de ser (ou seja, alguém se continua a encher pelo meio com o negócio).
    Como sempre neste país (e um pouco em Espanha também), não é a ideia ou o conceito que está errado, é o modo como essa ideia ou esse conceito é posto em prática, e a responsabilidade disso é de quem assinou as cláusulas dos contratos, provavelmente em benefício próprio.

  2. Nuno

    “Entretanto, em Portugal, este setor já representa quase 40% da produção energética, representando teoricamente uma redução correspondente no nosso défice energético com o exterior”.

    Falso e ingénuo. As empresas, ao pagar electricidade mais cara (que o é, digam o que disserem, caso contrário não necessitaria de subsídios) perdem competitividade e por conseguinte têm menor produção e emprego.

    Desconfio que quando isto falir de vez nem subsídios ao encerramento vai haver. Pura e simplesmente fecham.

  3. Francisco Colaço

    Dervich,

    o Dervich deve ser engenheiro, como eu. Eu, porém, tive o cuidado de aprender contabilidade mal saí do curso como parte da formação pessoal. Complementa muito um engenheiro, acredite-me.

    A matéria prima, como diz, ou parte dos factores de produção podem ser essencialmente gratuitos. Contudo as rendas aos donos dos terrenos, as licenças e mais importante, as amortizações de equipamentos e os respetivos serviços de dívida não o são. ( Também as contribuições aos partidos não o devem ser.)

    Portugal não é um país de vento. E por isso o custo de cada Kwh é maior do que por exemplo na Inglaterra. A biomassa, o nuclear e o solar deveriam ser, nesta ordem específica, considerados antes de se colocar uma ventoinha no cimo de um monte.

  4. Aqui ao Sul!

    Portugal é um país com 2 regimes de vento muito favoráveis: o oeste-sudoeste de inverno e o norte-noroeste de verão. Vento é o que não nos falta.

    O dervich tem toda a razão. Temos matéria prima gratuita. Temos é péssimos contratos feitos em proveito próprio. E aqui não entra o Estado, entram os corruptos que assinam contratos em nome do Estado ao mesmo tempo que administram empresas privadas.

    Na Biomassa ainda há trabalho de investigação a fazer.

  5. JPT

    O Eng.ª/Dr. Colaço tem razão (excepto na questão do vento, que francamente…): dado o colossal investimento necessário, não há contratos que consigam tornar imediatamente competitivas as energias renováveis (por muito que, poeticamente, o Dervich associe “vento” a “gratuito”). E, enquanto os períodos com mais vento corresponderem aos de menor consumo (ou seja, para sempre) e persistir a impossibilidade de armazenar os excessos, a eólica não resolve os nossos problemas. Mas, ao contrário dos talibã do “liberalismo”, esta é uma área em que entendo que se justifica o investimento público, pois, ao contrário dos agentes económicos, tem um interesse directo em reduzir a dependência externa e em melhorar o ambiente (dois efeitos directos da redução do consumo de combustíveis fósseis), para lá de que, mais cedo ou mais tarde, será a estas fontes que iremos ter de recorrer para obter energia (provavelmente, então, com tecnologias mais económicas e eficazes, mas pronto…), pelo que criar “know-how” nesta matéria seria um projecto de visão (ainda por cima com recurso a fundos europeus). Claro que, na Ibéria, “investimento público” acaba sempre com os contribuintes e consumidores a pagar rendas aos amigos dos políticos, para estes lhes pagarem depois a eles (via lugar no Board ou Jacinto Capelo Rego)… mas isso já é outra conversa.

  6. Nuno

    “esta é uma área em que entendo que se justifica o investimento público”

    Só é pena que as hipotecas que uns “entendam” fazer tenham de ser pagas por outros.

    De resto, a subsidiação pública desincentiva o R&D na matéria porque o défice é pago pelo contribuinte. Reitero: se a oportunidade de negócio fosse assim tão boa não era necessário ser promovida pelo Estado.
    Não percebo qual é o problema de ir buscar energia mais barata ao estrangeiro. Não é diferente de uma qualquer outra MP que as empresas, na prossecução do seu interesse próprio, importam, acrescentam valor e vendem e/ou exportam. Desde quando é que a autarcia é propícia à prosperidade?
    Podíamos, por decreto governamental, usar paus 100% nacionais para abastecer as nossas fábricas mas duvido que fosse muito eficiente…

  7. Lucas Galuxo

    Um sobrecusto de 60 milhões de contos por ano para mais de 50% de autossuficiência? Acho barato.

  8. Francisco Colaço

    JPT,

    Lembro-me de ter visto uma carta europeia de ventos há alguns anos. Portugal está muito mal classificado por lá. Os ventos mais favoráveis estão na Holanda, na Irlanda, na Dinamarca e na Escócia. (encontrei: procure a figura 2.2 da tese «Atlas do Potencial Eólico para Portugal Continental» de Paulo Alexandre da Silva Costa. O Google é vosso amigo).

    Por outro lado, com quase duas mil horas de sol descoberto anual, Portugal é um bom captador de Sol. E de biomassa, o que indirectamente captura a energia solar cresce muito bem e muito depressa em Portugal. Já há centrais a biomassa a funcionar, mas sinceramente não conheço os seus contratos.

  9. Miguel Noronha

    “Um sobrecusto de 60 milhões de contos por ano para mais de 50% de autossuficiência? Acho barato”
    Então oferece-se para pagar a minha parte do sobrecusto?

  10. Luís Lavoura

    Francisco Colaço,
    a biomassa é um disparate. É preciso recolhê-la e transportá-la para a central, o que basicamente gasta tanta energia quanta a que é produzida pela queima.
    Creio que há uma central elétrica a biomassa em Mortágua, mas a sua motivação é sobretudo a limpeza das florestas para evitar fogos. Não é realmente a produção de eletricidade.
    A biomassa é boa é para alimentar cabras e para nos aquecermos no inverno. Para produzir eletricidade, não.

  11. Aqui ao Sul!

    é por isso que temos de estudar melhor a biomassa. A gestão florestal é muito importante para modelar os efeitos climáticos.

    e andam aqui a citar atlas de vento dos anos 80 quando o ineti tem simulações muito mais recentes e fiáveis…

  12. Francisco Colaço

    Luís Lavoura,

    A biomassa não é um disparate. Há mais centrais do que as de Mortágua, e com diferentes tecnologias. A Biomassa tem um PCI de ~5500 MJ/Kg, o que a torna bastante apelativa. Um camião que leve 10 toneladas pode alimentar uma pequena cidade durante um dia. Se lhe dissesse que já houve carros experimentais a gás de madeira (syngas), acreditar-me-ia?

    Dizer que a recolha da biomassa gasta tanto quanto é produzido é o mesmo que dizer que um camião que leve trinta toneladas de gasóleo e percorra 200 Km gasta tanto quanto a energia que se encontra no gasóleo. Afinal, está-me a dizer que um camião que percorra 30 Km com a biomassa gasta tanto quanto o que se produz com ela. Sabe bem que isso não é verdade. Esse camião (se quiser faço-lhe as contas) gastará cerca de 1,2% da energia que transporta (60 litros de gasóleo gastos ida e volta, e estou a ser muito generoso!). O gasto de energia na recolha deve duplicar esse valor energético, digamos que para 4%.

    Quem lho disse ou não sabe fazer contas ou confia que o Lavoura nunca as irá fazer. Esse energúmeno com agenda não conhece o Colaço.

  13. Francisco Colaço

    PCI = 5,5 Mj/Kg e não 5500. As contas foram bem feitas, apenas tinha indicado o valor mal.

  14. Francisco Colaço

    Aqui ao Sul!

    Se as tem, pois apresente-as. Eu limitei-me a apresentar o que tinha na memória. Ninguém apresentou mais nada, a não ser paleio insubstanciado. Nem o Aqui ao Sul!, apesar de não se ter poupado a criticar. 😀

  15. dervich

    Francisco Colaço,

    “o Dervich deve ser engenheiro”
    Acertou (mas não com base em nenhuma equivalência, acho que nem havia na altura)

    “Contudo, as rendas aos donos dos terrenos, as licenças e mais importante, as amortizações de equipamentos e os respetivos serviços de dívida não o são (gratuitos)”
    Pois, diz bem, mas…não é suposto existir um mínimo estudo de viabilidade económica?!
    Os fatores que referiu geram encargos perfeitamente conhecidos na altura do arranque de um empreendimento destes pelo que, acertando com um mínimo de eficiência qual o rendimento mensal/anual expectável, teria sido possível avaliar se esses projetos teriam ou não algum grau de viabilidade.
    Eu que sou um simples engenheiro, como você diz e bem, faço alguns cálculos básicos (nem que seja no guardanapo do restaurante) quando penso num projeto deste género. Aparentemente aqui ninguém não os fez ou não quis fazer.
    Em suma, parece que o problema não está tanto do lado da falha no cálculo do rendimento expectável de uma eólica ou de um painel solar, mas sim na falha, na omissão ou no encobrimento de exorbitantes custos de investimento e rendas de exploração que nada têm a ver com as renováveis mas sim com o modo como alguma gente neste país gosta de meter dinheiro dos outros no seu (deles) bolso.
    “Portugal não é um país de vento. E por isso o custo de cada Kwh é maior do que por exemplo na Inglaterra.”
    Pois, não sei, admito que sim…Mas, mais uma vez, admito também que esperava que quem fez (?) esses estudos económicos soubesse o que estava a fazer…

  16. Martelo

    Estes gajos culpam os “contratos”, mas porra, será que não percebem que sem esses contratos de generosas rendas não havia ventoinha nenhuma a ser montada. Porra, que esta gente ou são burros ou intelectualmente desonestos que pensam que os outros são todos burros.

  17. Parabéns! Este post näo podia ser mais claro sobre a “roubalheira” da “máfia verde”.

    Só faltou acrescentar que este processo foi promovido pelos Alemäes, com a conivência da UE e do BEI, para passar para a periferia os custos políticos da negociata com o partido dos verdes sobre o abandono do nuclear.

    Há muitas áreas em que a culpa da crise é exclusivamente nossa, mas nesta a culpa tem de ser partilhada com a Senhora Merkel.

  18. lucklucky

    “mas sim com o modo como alguma gente neste país gosta de meter dinheiro dos outros no seu (deles) bolso.”

    Esqueceu-se de colocar na lista todos os países malvados.

  19. Lucas Galuxo

    ““Um sobrecusto de 60 milhões de contos por ano para mais de 50% de autossuficiência? Acho barato”
    Então oferece-se para pagar a minha parte do sobrecusto?”

    Escolho de bom grado pagar esse sobrecusto em vez combustível importado equivalente para produzir essa energia. Até porque este alimentará cadeias de valor duvidosas algures nas Arábias ou em África e aquele é dinheiro que não sai do país, excepto quando essas empresas são vendidas à pressa a estados estrangeiros, como o chinês.

  20. Lucas Galuxo

    E sobre a biomassa. Só que fosse para acabar com os incêndios florestais justificava outros 60 milhões de contos de sobrecusto.

  21. Miguel Noronha

    “Escolho de bom grado pagar esse sobrecusto em vez combustível importado equivalente para produzir essa energia.”
    Para onde é que lhe envio a minha factura?

  22. Lucas Galuxo

    Diz lá de quanto é que é a factura. Quanto representa a sutracção do valor dos combustíveis fósseis que se evaporam do país num período de 5 anos, usados para produzir a electricidade que esses 60 milhões de contos por ano permitem, por este valor. Acrescenta a este também o valor das tecnologias exportáveis que possibilitou criar.A sério que gostava de saber.

  23. Miguel Noronha

    O sobrecusto (que significa custo a mais) são os tais 60 milhões. Como acha barato fico à espera que me dê os seu elementos para os passar a minha ao meu fornecedor de energia eléctica.

  24. JPT

    Caro Colaço, o facto de haver mais vento nos locais que citou (e há, confirmo por experiência própria) não implica que haja vento mais do que suficiente em Portugal. Asseguro-lhe que há muito mais sol em Assuão que em Albufeira, mas isso não quer dizer que não haja muito sol em Albufeira. Dito isto, o que concluo desta interessante troca de argumentos, é que há quem ache que só o mercado basta para assegurar o progresso e que do mercado resultam, necessariamente, as melhores opções para o desenvolvimento sustentável de uma sociedade. Isso, sinceramente, só a ignorância ou a ingenuidade explicam e só se trata com estudo e/ou vida. É, no fundo, uma crença, tal como a crença da daqueles que vêem o mercado como a fonte de todos os males e o estado como solução para todos os problemas. No Século XX, o estado (especialmente o estado motivado, por exemplo, por uma guerra) foi, de longe, o maior instigador de progresso tecnológico (como comprador, empregador ou financiador). Não estou a falar do Iphone4, mas do computador, do avião a jacto, da exploração espacial, da transmissão televisiva, da internet, da penicilina, da vacinação, da energia nuclear, das energias renováveis, todos tiveram a sua génese em instituições públicas ou fortemente apoiadas pelo estado. O investimento era demasiado grande e a recompensa demasiado longínqua para ser o mercado o motor do desenvolvimento. Dou-lhe um exemplo mais próximo: se os nossos monarcas estivessem à espera do mercado, nunca tínhamos ido à Índia. Por outro lado, se não fossem as forças do mercado, também nunca tínhamos ido à Índia.

  25. Miguel Noronha

    “Dou-lhe um exemplo mais próximo: se os nossos monarcas estivessem à espera do mercado, nunca tínhamos ido à Índia. Por outro lado, se não fossem as forças do mercado, também nunca tínhamos ido à Índia.”
    Acho que está muitissimo enganado. Um dos principais motores do descobrimentos foi precisamente o lucro gerado pelo comércio de especiarias. E as viagens eram bem lucrativas.

  26. Tantos anos passaram desde que Bastiat detectou a falacia do que “e’ visto e do que e’ nao visto” e, 150 anos depois, continua viva. O JPT olha para todas essas coisas boas e conclui que, nao tivesse sido o estado a “investir”, pura e simplesmente, nao teriamos essas coisas. Portanto, o “investimento publico” e’ uma coisa boa.
    O JPT so consegue vislumbrar o que e’ visto e, claro esta, nem pensa no que nao e’ visto. Tivesse a riqueza roubada pelos politicos ficado nas maos dos seus legitimos proprietarios, tivesse o estado nao “investido”, nao “regulado”, nao protegido por monopolios, nao desperdicado grande parte dessa riqueza em “projectos” que nao deram em absolutamente nada, que incriveis tecnologias, medicamentos, meios de transporte, de comunicacao poderia a humanidade dispor hoje em dia?
    Os estatistas provavelmente pensam que, tivesse o estado nao “investido”, a humanidade ainda andaria a correr atras das gazelas, com as flechas na mao. Os amantes da liberdade pensam que seria um admiravel mundo novo.

  27. JPT

    Meu caro, eu escrevi “se não fossem as forças do mercado, também nunca tínhamos ido à Índia”, portanto se estou “muitissimo enganado” não foi por discordar que “Um dos principais motores do descobrimentos foi precisamente o lucro”. O que eu também escrevi (e não estou “muitissimo enganado”, pois são factos), foi que “o investimento era demasiado grande e a recompensa demasiado longínqua para ser o mercado o motor” desse projecto. Foi o estado a reunir os meios humanos e materiais essenciais para a tarefa (o mesmo estado que já antes tinha plantado o pinhal de Leiria e conquistado Ceuta, passos essenciais para assegurar matéria-prima para as naus e segurança das rotas). Sem prejuízo é no contexto da expansão que vemos uma das primeiras PPP: a concessão a Fernão Gomes do monopólio comercial do Golfo da Guiné em troca de uma renda fixa e da obrigação de continuar a explorar a costa, e inúmeros privados acompanhavam a carreira das Índias, tal como eram privados aqueles que distribuíam as mercadorias pela Europa. Ora, eu vejo a aposta nas energias renováveis tal como as descobertas (salvaguardadas as devidas proporções): um interesse público que, dados os custos do investimento inicial, dificilmente seria prosseguido pelo mercado (aliás, não era). Interesse público porque a redução da dependência dos combustíveis fosseis é do interesse geral dos portugueses (e não só no longo prazo ou por razões ambientais), ou seja, conforma o género de interesse para o qual não me importo de pagar impostos. É penosamente óbvio que, no caso ibérico, a coisa serviu para negócios entre os “monopólios naturais”, as construtoras, os bancos e os partidos no poder, à custa do consumidor. Mas do facto de existir corrupção no estado, não resulta que o problema seja o estado, e não a corrupção. O estado existe para prosseguir interesses da comunidade política, que vão além dos que o mercado, pela sua natureza, pode garantir. O mercado tem como preocupação o próximo trimestre, o estado tem como horizonte a eternidade. Não nego até onde nos levou este raciocínio levado ao extremo, mas o extremo inverso é igualmente obtuso (apesar de, concedo, menos perigoso, pela simples razão de que é, comprovadamente, irrealizável).

  28. JPT

    Tenho, de facto, o problema de só ver (e com óculos!) aquilo que é visível. Os factos e os números escravizam-me. Cinco mil anos de experiência humana registada comprimem-me as meninges. De facto, não tivessem o estado sumério feito leis, o estado egípcio feito canais, o estado chinês feito muros, o estado romano feito estradas e pontes e aquedutos, “que incríveis tecnologias, medicamentos, meios de transporte, de comunicação poderia a humanidade dispor hoje em dia?” Sob o peso do cartesianismo, tenderia a buscar a resposta a esta pergunta olhando para os bosquímanes, os aborígenes australianos ou os índios amazónicos. Tacanhez minha, obviamente.

  29. Miguel Noronha

    “. O mercado tem como preocupação o próximo trimestre, o estado tem como horizonte a eternidade. ”
    O estado é governado por anjos e as empresas por homens. Deve ser isso.

    E o estado na altura dos descobrimentos seria mais parecido com uma grande empresa familiar do que com uma comunidade politica. Não foi um acaso que a expansão tenha começado por Ceuta. Era um ponto nevrálgico no comércio de especiarias.

  30. fernandojmferreira

    “Não nego até onde nos levou este raciocínio levado ao extremo, mas o extremo inverso é igualmente obtuso (apesar de, concedo, menos perigoso, pela simples razão de que é, comprovadamente, irrealizável).”

    Ja houve um tempo e’ que esta frase poderia ter sido perfeitamente aplicada a nocao de escravatura humana. No tempo em que toda a economia mundial tinha como base fundamental o uso dos escravos como mao d’obra, de certeza que houve muito bela gente que deve ter dito:

    “Bem, talvez tenhamos levado o uso da escravatura um bocado ao extremo, mas a questao e’ que a economia sem escravatura e’ irrealizavel. Quem e’ que vai trabalhar nos campos se nao tivermos escravos? Completamente impensavel!”.

  31. Francisco Colaço

    JPT,

    Nalgumas coisas o JPT tem razão. Diz que nvestigação pura apenas pode fazer-se nos laboratórios do Estado. Por isso o transístor foi inventado numa universidade europeia e no estatista Bell Labs. O primeiro microprocessador nasceu dos laboratórios da Intel, um ramo, como sabe, do Estado Americano.

    Os irmãos Orville e Wilbur inventaram o avião com dinheiros do Estado e (oh!) a Marie Curie inventou a radioactividade também com dinheiros do Estado na banheira de um hotel. Esqueci-me de que também a metralhadora Maxim foi inventada no Estado.

    JPT, é verdade que as iniciativas estatais inventam muita coisa (não, não me refiro ao sarcasmo anterior!). Dou-lhe razão que por vezes um pouco de Estado acelera muita coisa. O problema, porém, é de ineficiência, e não de ineficácia. As organizações privadas tendem a ser mais parcimoniosas e cautelosas em relação a custos, e mais direccionadas no que toca à aplicação dos seus esforços. Se o microprocessador tivesse sido feito no Estado (já lhe dou um exemplo de um que foi), nunca o teríamos tido.

    Tive nas minhas mãos um fantástico e incrível microprocessador feito em 1983 com a potência de cálculo de um Pentium IV de 2002 ou 2003. Foi feito na União Soviética, num laboratório militar na Sibéria. Nesse tempo, na URSS encomendava-se dez computadores IBM PC para uma unidade agrícola e nove eram desviados para os militares. Esse processador mandava metade dos supercomputadores Cray da época chupar no dedo, e no entanto nunca foi fabricado em massa. Este é um exemplo entre muitos que tive em mãos, provavelmente o mais emblemático de todos os brinquedos que o corpo de engenharia do Exército Vermelho produziu nos seus laboratórios (e quantos outros eu não conheço por nunca terem sido inventariados!)

    Provavelmente, se esse processador tivesse sido inventado por uma companhia privada norte-americana, teríamos tido um avanço de quase vinte anos na ciência computacional. Repare que não estou contra o Estado proporcionar organizações como o CERN, aliás lugar em que já estive a trabalhar. A ciência pura de hoje é a aplicada de amanhã. E muito embora ainda estejamos por ver algo que provenha directamente daquilo que o CERN investiga nas nossas vidas diárias, é indubitável que o conhecimento da física atómica e nuclear permitem aos investigadores de hoje melhorar e encurtar os ciclos de investigação de produtos existentes.

    Consegui explicar-me claramente quanto àquilo que considero ser a grande diferença? Isto dava um ensaio, porém confio descansadamente na sua inteligência para poder entreler o que não consigo em tão poucas linhas esmiuçar.

  32. Francisco Colaço

    JPT,

    Em termos de PIB do país, as energias renováveis, na versão cabeça de vento, são bem mais que todo o esforço das descobertas. E já agora, o Pinhal de Leiria não foi plantado para qualquer gesta marítima. Foi plantado para conter as areias que provinham do mar e assoreavam os campos com sal.

    O Rei mandou plantar mas não plantou. O esforço foi maioritariamente local, não da coroa. No fundo o que o Rei Dinis disse foi: estão ali os terrenos reais, plantem à vontade. Se o Pinhal foi plantado foi por lucro a poucos anos (nos terrenos agrícolas). Ninguém tinha em mente fazer-se barcos, embora os portugueses já fossem nesse tempo tão longe como Novgorod, na Rússia, comerciar sal e azeite.

  33. Francisco Colaço

    Aqui ao Sul!,

    Continuamos em pulgas à espera do tal computacionadíssimo e moderníssimo estudo do INETI.

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