Álvaro Santos Pereira: no good deed goes unpunished

António Pires de Lima, a confirmar-se como minustro da economia, poderá vir a ser um excelente ministro. Mas não posso deixar de lamentar que, na anunciada remodelação governamental, Álvaro Santos Pereira vá sair do governo, ainda para mais num governo que tem tanta gente que prestaria um bom serviço ao país se, enfim, não estivesse no governo mas a tratar das suas vidas sem recurso ao dinheiro dos contribuintes. Álvaro Santos Pereira fez pouco (e já chego ao que é ‘fazer’ no léxico de um ministro da economia decente), mas o poucochinho que fez foi tudo na direção certa – e poucos ministros deste governo poderão merecer tal elogio. E além do trabalho apresentado – relevante, quando comparado com a maioria dos seus colegas ministros -, Álvaro Santos Pereira tem ainda a recomendar-se ser dos poucos ministros não socialistas do atual governo (logo, e muito importante, conseguindo ver soluções que não tenham o estado no epicentro) e o facto de, no país dos salamaleques e das mediocridades que se consideram predestinadas por terem um cargo prestigiante obtido através de nomeação (e voltamos aos salamaleques, se não mesmo à graxa descarada), ter mantido a cabeça fria e a simplicidade e informalidade do professor de Economia.

Isto dito, e como recado ao novo ministro, reafirmo que, para um ministro da economia, o trabalho que urge não é fazer, é desfazer.

9 pensamentos sobre “Álvaro Santos Pereira: no good deed goes unpunished

  1. Carlos Ferraz

    Pires de Lima um bom ministro da Economia? Alguma vez? Quando a Maria João finalmente se encontrar com a realidade… 🙂
    (faz falta um partido liberal…)

  2. Luís Lavoura

    um governo que tem tanta gente que prestaria um bom serviço ao país se, enfim, não estivesse no governo mas a tratar das suas vidas sem recurso ao dinheiro dos contribuintes

    Não entendo. António Pires de Lima anda a tratar da sua vida sem recurso ao dinheiro dos contribuintes, e a Maria João vai elogiá-lo por ele ir para o governo?! Ele fará precisamente o oposto daquilo que a Maria João gostaria que os governantes fizessem!

  3. JP

    O nosso Álvaro já estava a durar muito e a altura nem é má para entrar na carroça. Pires de Lima será, quase certamente, um homem do sistema. E um espantalho para outros Álvaros que por aí andam.

  4. Francisco Colaço

    Carlos Ferraz,

    Se faz falta um partido liberal, pois crie-o. A democracia também dá para estas coisas.

  5. Por António Ribeiro Ferreira,

    E assim acaba a aventura de um emigrante que sonhou ser possível mudar Portugal:

    «Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão logo que percebeu que neste país em que o mercado é uma ficção e a concorrência um crime sem perdão, cortar as rendas excessivas na energia, leia-se na EDP, e nas poderosas PPP que tanto dinheiro deram e dão a ganhar a construtores civis, bancos, consultores financeiros, escritórios de advogados e partidos políticos do arco da governação é um suicídio político. Álvaro ficou e deixou sair o seu secretário de Estado da Energia, expulso do paraíso por quem manda de facto no país.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando quis combater a burocracia do Estado, que começa nos gabinetes do poder, passa pelas direcções- -gerais, institutos, agências do ambiente, comissões de coordenação regional e acaba no mundo autárquico e percebeu que era um combate desigual, impossível de vencer num país em que o Estado foi há muito aprisionado pelos partidos que assim controlam os investimentos, os negócios e os empresários. E quando percebeu que a burocracia é o ganha pão de milhões e o fermento da corrupção que grassa no país.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando percebeu que os parceiros da concertação social vivem há anos à sombra do Estado e das migalhas que caem da mesa do orçamento. Odeiam o risco, o investimento e qualquer sinal de mudança é motivo para escândalo e pedidos lancinantes de intervenção de poderes supremos que ponham na ordem quem quer mexer e agitar as águas do pântano há muito instalado.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando percebeu que falar em Portugal de reindustrialização, crescimento económico e investimento é motivo de escárnio e maldizer. Álvaro Santos Pereira devia ter percebido que em Portugal um bom ministro da Economia é o que dá negócios aos empresários do regime e os protege de qualquer tipo de concorrência.

  6. Vivendi

    Por António Ribeiro Ferreira,

    Um emigrante que sonhou ser possível mudar Portugal

    E assim acaba a aventura de um emigrante que sonhou ser possível mudar Portugal

    Álvaro Santos Pereira chegou ao governo sem padrinhos do PSD ou do CDS. Agora sabe que a economia real, a sério, é uma miragem neste país.

    A remodelação do governo, em curso, que ficará fechada a meio da semana se Cavaco Silva aceitar o novo acordo sólido e irrevogável proposto por Passos Coelho e Paulo Portas até 2015, deixará pelo caminho Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia e Emprego. É fácil, é barato e não provocará o rasgar de vestes de ninguém. Independente a sério, sem clientelas do PSD ou do CDS, emigrante no Canadá, aterrou em Lisboa com uma bagagem cheia de sonhos. Sonhos que passavam por muita mudança na economia, na real, na que implica mercado, concorrência, regras de jogo transparentes e iguais para todos, e um Estado regulador, facilitador e afastado de empresas e negócios.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão logo que percebeu que neste país de doutores e aspirantes a doutores é um pecado mortal alguém ter a ousadia de pedir com humildade que o tratem por Álvaro.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão logo que percebeu que neste país em que o mercado é uma ficção e a concorrência um crime sem perdão, cortar as rendas excessivas na energia, leia-se na EDP, e nas poderosas PPP que tanto dinheiro deram e dão a ganhar a construtores civis, bancos, consultores financeiros, escritórios de advogados e partidos políticos do arco da governação é um suicídio político. Álvaro ficou e deixou sair o seu secretário de Estado da Energia, expulso do paraíso por quem manda de facto no país.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando quis combater a burocracia do Estado, que começa nos gabinetes do poder, passa pelas direcções- -gerais, institutos, agências do ambiente, comissões de coordenação regional e acaba no mundo autárquico e percebeu que era um combate desigual, impossível de vencer num país em que o Estado foi há muito aprisionado pelos partidos que assim controlam os investimentos, os negócios e os empresários. E quando percebeu que a burocracia é o ganha pão de milhões e o fermento da corrupção que grassa no país.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando percebeu que os parceiros da concertação social vivem há anos à sombra do Estado e das migalhas que caem da mesa do orçamento. Odeiam o risco, o investimento e qualquer sinal de mudança é motivo para escândalo e pedidos lancinantes de intervenção de poderes supremos que ponham na ordem quem quer mexer e agitar as águas do pântano há muito instalado.

    Álvaro Santos Pereira devia ter pedido a demissão quando percebeu que falar em Portugal de reindustrialização, crescimento económico e investimento é motivo de escárnio e maldizer. Álvaro Santos Pereira devia ter percebido que em Portugal um bom ministro da Economia é o que dá negócios aos empresários do regime e os protege de qualquer tipo de concorrência.

    Dois anos depois de ter chegado do Canadá, Álvaro Santos Pereira está de saída do governo sem que uma luminária empresarial ou política do regime verta uma lágrima por este professor de Economia.

    Álvaro Santos Pereira sai do governo e nos obituários políticos do costume vai aparecer a história do Álvaro, dos pastéis de nata e da omissão imperdoável de um ministro ter estado dois anos no governo sem ter decretado, com a devida solenidade, que a economia portuguesa ia crescer por vontade do governo e do Estado.

  7. “o trabalho que urge não é fazer, é desfazer”.
    Cara Maria João concordo plenamente com seu artigo acima, mas presumo que o Santos Pereira já foi capturado há muito pelo lobby do subsidio ao promover a fantasia da re-industrializaçao.

    Agora mesmo na TV estavam dois dos meus antigos colegas de Universidade (Augusto Mateus e Neto da Silva), que foram responsáveis pela ideologia que presidiu aos subsidios ao sector produtivo em Portugal, a fazer a apologia da re-industrialização.

    Há quarents anos eu próprio fiz a minha de Mestrado sobre estratégias de industrialização e o meu grande amigo e orientador de tese foi o pioneiro da contestação da des-industrialização em Inglaterra. Também, tenho a minha própria quota-parte de responsabilidade pelo processo pois inscrevi no orçamento comunitário a linha especifica para o famigerado PEDIP.

    Porém, a idade e a experiência mostraram-me como é inevitável que qs ideias, mesmo quando boas, sejam imediatamente capturadas pelos interesses dos empresários do subsídio.
    Não me surpreende pois que estes uma vez passada a onda das energias alternativas e das novas tecnologias estejam agora à procura de um novo engôdo, seja ele o mar, a ferrovia ou a re-industrialização. Se, como tudo indica, sucederem o resultado será o mesmo de sempre. Mais desperdicio e distorção da concorrência financiados com os nossos impostos.

    Divulgue o seu post anterior mas não o associe ao Santos Pereira ou qualquer outro ministro. Parabéns!

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