O Gato Portas de Schrodinger

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Na experiência hipotética de Schrodinger, um gato encarcerado numa caixa opaca vê o seu destino ditado por uma pequena partícula subatómica que está sujeita a um fenómeno quântico de superposição. Nesta situação, a partícula existe em qualquer dos seus estados teoréticos (partícula, onda, etc.). É um determinado estado que vai ditar o destino do gato: se a partícula entrar em decay, um medidor de Geiger irá detectar a energia e libertar um gás que matará o gato. Caso não esteja em decay, o felino permanece vivo. A interferência de um observador dita o destino da partícula e, consequentemente, do gato. No entanto, até que a caixa seja aberta, o estado do gato é uma consequência do estado da partícula que, por sua vez, está em vários estados ao mesmo tempo. Ergo, o gato está vivo e morto ao mesmo tempo.

Schrodinger não poderia antever que, volvidos tantos anos após a sua hábil interpretação de Copenhagen, iria surgir alguém num pequeno reduto especializado na cultura republicana de bananas, que não apenas tem tantas vidas quanto um gato, está também em vários estados. E tudo ao mesmo tempo.

Senão, vejamos. Da partícula subatómica, Paulo Portas herda a propriedade de poder estar em vários estados ao mesmo tempo. A de estar dentro e fora do Governo. A de tomar decisões que são irrevogáveis e revogáveis. A de não ser Ministro da Economia e subitamente sê-lo, ainda que oficiosamente. A de ser o próprio partido que encabeça, e a de não ser, caso o próprio partido que ele encabeça, assim não o deseje.

Do gato, Portas levou claramente a infinitude de vidas e a habilidade de, caia como cair, se reerguer. Fintando o inexorável dos destinos, Portas sai de cena e retorna, que nem Sebastião caiado. Estilo mais tordo ou acinético, o seu regresso é mitigado por um revisionismo histórico que pinta e repinta os acontecimentos, com tantas de-mãos que no final ninguém se recorda bem da gravidade dos ditos.

O objectivo de Schrodinger era demonstrar que uma lei da mecânica quântica é incoerente quando analisada à luz da física Newtoniana dos grandes objectos. Embora a partícula esteja simultaneamente em vários estados, o gato não está. Pelo menos neste universo. Tal como a partícula, Portas depende da interferência do observador. Esperemos que o observador mate o gato.

Adenda: um comentador acusou-me de ter plagiado este artigo do Carlos Fiolhais, que foi publicado em Maio no Público. Desconhecia por completo esse artigo ou qualquer outro que fizesse uma metáfora com o gato de Schrodinger. Até porque a metáfora apropria-se perante a dualidade revogável/irrevogável, situação que, pelo menos no contínuo espaço-tempo onde vivo, só ocorreu agora.

11 pensamentos sobre “O Gato Portas de Schrodinger

  1. Ricardo G. Francisco

    Singularmente brilhante.

    Como Maquiavel espero que o gato continue. O gato diverte e entretém-nos.

  2. Jorge

    Não tem vergonha pelo plágio descarado?!É necessário indicar o blogue em que apareceu exactamente a mesma coisa,Fiolhais diz-lhe algo…

  3. Jorge

    Foi plagiado pelo “outro” a anteriori…nunca tinha ouvido falar!
    O artigo e a ideia plagiada tem a data de 15 de Maio 2013!!!
    Esperava de si,pelo menos,a assumpção do “erro”.

  4. Onde está o artigo “plagiado”? Procurei no Google e não encontrei. Em segundo lugar, as ideias têm monopólio? Que eu saiba as patentes ainda só são sobre invenções e não sobre ideias.

    Reitero o que disse: não houve nenhuma outra inspiração ou cópia ou plágio deste artigo.

  5. Não há aqui qualquer discussão. Não leio o Público, não sigo o blog do Carlos Fiolhais, e não sou omnisciente, portanto não posso saber tudo o que é escrito a toda a hora.

    E embora a ideia seja a mesma — mera coincidência — o estilo é bem, bem diferente. Para além de que o que é relevante na minha parábola com o gato de Schrodinger, nomeadamente o ser revogável e irrevogável, ainda não tinha acontecido em Maio. Que eu saiba.

  6. Jorge

    Desde já as minhas desculpas e,prometo não fazer qualquer outro comentário aos seus “artigos”.
    Só lhe recordo que ainda recentemente,na Alemanha,alguém que também não era omnisciente e tinha um estilo bem,bem diferente,se teve de demitir por um lapso semelhante.

  7. Não o censurei, mas também não admito acusações displicentes que, mais a mais, são mentira. Em todos os meus artigos eu cito as minhas fontes. Sempre o fiz, sempre o farei.

  8. Francisco Colaço

    Mário,

    A partícula subatómica verdadeiramente portuguesa é o pelintrão, uma partícula sem massa e que aguenta toda a carga.

    Nem imagina qual a partícula que está a ser descoberta pelo Seguro e pelo Portas. Dou duas pistas: é ideologicamente neutra e apenas tem existência com a massa dos outros. Sim, é o militão.

  9. Eheh, Francisco, já estava com saudades das suas tiradas. Até fui ao Remoques, mas o último artigo é de Junho. Compreendo que com tanta azáfama, já ninguém tenha tempo para se manter actualizado.

    Sim, eu percebi que isto era uma manifesta tentativa de atacar o mensageiro. Ainda assim, gosto de deixar as coisas bem claras. Embora o Fiolhais, enquanto físico, esteja bem mais qualificado do que eu para falar de mecânica quântica, a verdade é que a metáfora só fica perfeita depois dos acontecimentos dos últimos dias.

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