exige-se novo líder ao CDS (2)

“A Presidência da República desmente que o Presidente tenha feito exigências relativamente a nomes que devessem integrar o Executivo”, referiu fonte oficial de Belém à Lusa. O esclarecimento de Belém não deixa contudo claro se o Presidente da República fez qualquer exigência a Passos, nomeadamente a presença do líder do CDS – não especificando o nome de Portas – no Governo ou de uma figura de primeira linha do partido democrata-cristão.” (via Diário Económico)

Na minha opinião, a mensagem velada do Presidente da República é muito simples: o líder do CDS tem de se manter na estrutura do Governo enquanto Ministro, mas esse líder não tem necessariamente de ser Paulo Portas.

Lida a imprensa dos últimos dias, não li um único “opinion maker” ou director de jornal a defender a actuação recente de Paulo Portas. Bem pelo contrário – quase todos o têm criticado severamente. Na rua, certamente no meu microuniverso, oiço igual. E até no seio do seu próprio partido, o CDS, se ouvem críticas públicas às consequências da sua demissão. Em suma, este líder deixou de ter condições para permanecer enquanto tal.

Ora, em face da gravidade da situação, se o CDS pretende fazer parte do Governo de Portugal, se pretende ser uma entidade política que construtivamente e institucionalmente contribua para o futuro de Portugal, em alternativa a um mero clube de amigos, é urgente que a clarificação política parta em primeiro lugar do próprio CDS. É por isso que, neste contexto, o eventual adiamento do congresso do CDS, inicialmente marcado para este fim de semana, para daqui a 15 dias, representa um monumental erro táctico e estratégico. O congresso não deve ser adiado, sendo aliás crucial que surjam candidatos alternativos à actual liderança. Mais: Portas, em boa consciência, deveria escusar-se a participar numa eventual recandidatura à liderança. Assim, o novo líder que, democraticamente, os delegados do CDS escolhessem teria entrada directa no Governo já na próxima semana. A crise na coligação ficaria rapidamente resolvida. O Governo manter-se-ia em funções. E eleições só em 2015, como constitucionalmente deveria suceder.

Acontece, porém, que o mais provável é que o congresso seja adiado. Pelo que, a indefinição vai manter-se, e ou Portas dá uma grande pirueta, voltando ao Governo com Maria Luís Albuquerque sentada ao seu lado (o que parecerá mal), ou a coligação se fragilizará irremediavelmente, forçando (e, nestas circunstâncias, bem) o Presidente da República a convocar eleições antecipadas. Nessas eleições, todo o CDS, e não apenas o seu líder, morrerá politicamente – de forma bem merecida.

Mas o pior será mesmo a paralisia na qual Portugal cairá. Serão pelo menos 4 meses até termos Governo, pelo menos 6 meses até termos Orçamento de Estado, e provavelmente um ano até retomarmos a confiança dos credores, desperdiçando o único grande feito de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque. Tudo isto decorrerá numa altura em que Portugal não tem tempo a perder. Fica, pois, uma dupla interrogação: é esta auto destruição do País, e do partido, que os membros do CDS pretendem?

17 pensamentos sobre “exige-se novo líder ao CDS (2)

  1. Rúben Lopes

    Visto que talvez perca a liderança do CDS e que há 2 anos atrás sentia-se “à esquerda”, Paulo Portas talvez vá para o PS como o seu antigo camarada, Freitas do Amaral.

  2. paam

    O que é impressionante no meio de toda esta confusão é que até na sua última previsão, na sua carta de demissão, o ministro Gaspar falhou redondamente:

    “É minha firme convição que a minha saída contribuirá para reforçar a sua liderança e a coesão da equipa governativa.”

  3. Manuel Costa Guimarães

    O problema é que Paulo Portas é egocêntrico ao ponto de destruir o próprio partido que (ainda!) lidera e levar o país de arrasto.

  4. Brytto

    Caro falcão,
    O dilema ainda é mais profundo: O CDS sem Portas desaparece, o CDS com Portas desaparece.

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