PSD, o partido morno

Após Cavaco Silva, o PSD, por culpas inteiramente próprias, não tem conseguido em eleições legislativas obter mais do que uma maioria relativa, mesmo depois de situações limite criadas pelo PS, como foram Guterres fugir dizendo que havia criado um ‘pântano’ e sócrates falir o país. Isto sucede porque o PSD não é nem carne nem peixe, não tem um ideário político que se distinga do do PS, não consegue ir ao encontro dos eleitores mais jovens de direita (que, se sentirem socialistas, evidentemente votam no PS), pretende tanto quanto o PS aproveitar-se do estado em benefício próprio e, efetivamente, não representa os valores políticos dos eleitores que ainda lhe permanecem fiéis. O PSD persiste em ser um partido apolítico do centro, se tiver de escolher proclama-se de centro-esquerda e ofende-se se lhe disserem ser de direita e, quando no governo, como o Rui A. dizia noutro dia, o PS não ousa governar tão à esquerda quanto o PSD, a espaços, o faz.

Ora para partido socialista já temos um que se assume como tal e os eleitores, que não são parvos, preferem votar num partido que percebem o que é e reservam o voto (em quantidades comedidas) para o PSD apenas para quando querem dar ao PS uns (poucos) anos de abstinência do poder, só para que não criem ainda mais vícios

Posto isto, o PSD tem duas opções para ganhar eleições e governar. A primeira: definir-se politicamente como partido de centro-direita e apresentar-se aos eleitores com um projeto coerente e em rutura com a cultura socializante do atual PSD. Ao contrário do que apregoam os socialistas do PSD, tal permitiria regressar a uma ou outra maioria absoluta e governar sozinho.

A segunda: enquanto o PSD não se definir como de centro-direita, resta-lhe contar com os votos e o apoio do CDS para poder formar um governo maioritário. Ora se necessita do CDS – e vai continuar a necessitar, porque não se prevê que o PSD queira deixar a social-democracia – é bom que tenha noção que não se pode tratar o parceiro de coligação como um apêndice a ser tolerado e, até, a ser punido pela necessidade que o PSD teve (que no partido se vê como contra-natura) de se coligar com um partido de direita. As humilhações mais ou menos públicas que Passos Coelho foi impondo ao CDS e a Portas nesta legislatura são fruto de uma sobranceria que o PSD já devia ter entendido não se poder dar ao luxo de usar.

3 pensamentos sobre “PSD, o partido morno

  1. JMS

    Se é verdade o que diz em relação a alguns dirigentes do PSD o mesmo não aconteceu nesta legislatura. Quem tentou (com muitos erros é certo) fazer uma reforma do estado e redução de despesa foi o PSD.
    Enquanto os liberais continuarem a acreditar nos mitos de uma suposta ala liberal do CDS e no “partido dos contribuintes” não vamos a lado nenhum.
    O CDS é e continua a ser um partido de ultramontanos que se situam não se sabe bem onde. Ora governam com o PSD ora com o PS. Só se lembram de aparecer para se opor às “questões fracturantes” enquanto o peso do estado “fractura” o país inteiro.

  2. pedro viegas

    Tenho uma pergunta…o CDS eh o que? Direita? Liberal? Capaz de apresentar efectivamente algum corte na despesa e no estado? Ou temos andado muito distraidos mas nao vi do lado do CDS nenhuma proposta efectiva de reforma (ie corte) no grande estado que domina Portugal….nem proposta nem vontade….zero….Mas nao ha problema sai o Passos esse patife (sera que vai estudar para Paris ??) e vem o ZE TO que nao so por decreto vai promover o crescimento como vai ser um fartote de reformar e cortar no estado. Ai sim a malta liberal e de dirrreita podem entao dedicar se ao que sabem fazer melhor estar na oposicao a comentar e a blogar blogar

  3. JPT

    O CDS, depois destes últimos dois anos, já não volta a enganar “os eleitores mais jovens de direita” (incluindo a minha pessoa, e não é só por ter passado os quarenta). Isso acabou. Acabou pelas bocas dos Drs. Bagão e Pires de Lima e Xavier, que só se abriram contra as reformas do Estado (e, no primeiro caso, a favor da reforma dele próprio), sem sequer terem a desculpa do ódio dos Pachecos e dos Capuchos. Acabou pela conduta do Dr. Portas, que só se viu e ouviu a empatar, e que culminou neste momento paroxístico do lamentável estado da nossa Democracia. Os “jovens de direita” vão tapar o nariz e votar PSD (ou ficar em casa), porque se é para meter ministros num governo PS, antes meter muitos do que poucos. Reitero: a única coisa que se pedia aos adeptos do Sr. Portas era um silêncio comprometido, coisa que, aliás, quase todos têm cumprido. Até o próprio teve a fineza de se sumir para debaixo de uma pedra qualquer. Eu, por mim, não me arrependia tanto do meu voto desde que, com 18 anos, votei no Jorge “Bigodes” Gonçalves.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.