Uma derrota em toda a linha (2)

Os resultados da negociação concluída hoje entre os sindicatos dos professores e o ministério da Educação, aqui bem elencados pelo João Cortez, são a confirmação de um desfecho anunciado e um epílogo previsível tendo em conta toda a envolvente da greve de segunda-feira passada e do posterior adiantamento da marcação do exames que se iriam realizar em dia de greve geral.

Representam, sumariamente, um capitular em toda a linha de Nuno Crato face às reivindicações sectoriais dos professores.

Confirmou-se assim a sujeição do ministério aos expedientes que o próprio já tinha anunciado para torpedear as iniciativas do seu próprio governo, e para consumar uma fraude à lei que emana das suas próprias fileiras. Professores com horário zero promovidos a horário-qualquer-coisa para escaparem ao crivo da mobilidade especial. Professores a fazerem o mesmo com horário de 40 horas que fazem agora com horário de 35. Em última instância, na concessão de um estatuto de isenção e de exclusividade à classe profissional que tutela em relação às medidas que o governo anuncia como tendo destino toda a Função Pública, concedendo um privilégio que rapidamente será explorado por outras classes profissionais e que tornará muito difíceis as negociações e a acção do governo.

Mas Crato guardou afinal para si um privilégio. Ao ser o primeiro elemento do governo a anunciar uma medida para as calendas de 2015, o ministro da Educação ganhou para si o direito a ser o possuidor da medalha de iniciador oficial de discurso de fim-de-ciclo para o governo. Volvidos dois anos de ausência de medidas estruturais de fundo de combate à despesa do estado, assistimos assim ao primeiro membro do governo que assume que as não irá tomar no restante tempo regulamentar de manutenção do governo, e que já as remete para um calendário mais que provável de um novo governo. Um Crato que, mesmo medalhado, sai bastante enfraquecido de todo este processo, com feridas merecedoras de prognóstico reservado.

Quanto a Mário Nogueira, pode ir para férias com sentimento de dever cumprido, festejar o êxito retumbante. Afinal, o sindicalismo da Educação ainda come Cratos ao pequeno-almoço.

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7 pensamentos sobre “Uma derrota em toda a linha (2)

  1. Surprese

    Nuno Crato foi, é, e sempre será um Maoista.

    Desde o início percebeu-se que tinha o coração do lado dos professores, contra os pais, alunos e contribuintes.

    O pior Ministro da Educação desde Manuela Ferreira Leite.

  2. Rafael Ortega

    Mais uma vez se mostra que o ministério da educação é o ministério do emprego (dos professores).
    O ministro capitulou. Não faz mal. O contribuinte paga.

  3. Rúben Lopes

    Foi para isto que houve 1776? Foi para isto que houve 1789? Foi para isto que houve 1820? Parece que afinal, o estatuto de aristocracia não desapareceu, tendo permanecido mascarada com o estatuto de “funcionários públicos”.

  4. JMS

    Nada que não se tenha passado em governos anteriores (o corporativismo é “lixado”). Anda aqui muita falta de memória ou mesmo memória selectiva, o que é pior ainda…

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