a direita a que temos direito

O André Azevedo Alves pergunta, com pertinência, a que direita me referia neste post, que, temporariamente interrompido o meu dicionário elementar sobre tão transcendente matéria, aqui deixei, não por acaso, para avivar as memórias. No seu post imediatamente editado a seguir ao meu, o André dá-nos a resposta: uma direita (que está no poder) e que, num momento de grave crise nacional que ela bem conhece, nos brinda com propostas da mais elementar demagogia esquerdista saída do PCP, do Bloco ou da CGTP (o PS não iria tão longe). Ainda por cima, uma direita onde estão alguns dos protagonistas de uma coisa chamada «Ala Liberal» do CDS, que por aí andou, há uns tempos, a perorar sobre os malefícios do intervencionismo estatal. Ou seja, para além de direita é também liberal, o que torna ainda mais pitoresco o cenário. Esta é, contudo, a direita a que Portugal tem direito, e é assim desde que existe direita em Portugal. Não é, ao invés do que se possa pensar, somente a direita deste regime, a direita destes últimos anos, ou apenas a direita que se reune nestes dois partidos, mas a direita deste país. Não por acaso, os filhos não saem às pedras dos montes, e esta «direita liberal» que assinou o ignóbil documento mais não fez do que manter as suas tradições. Por isso perguntei, e volto a perguntar, quem defende os valores da direita quando a direita está no poder?

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7 pensamentos sobre “a direita a que temos direito

  1. JMS

    Reformulo a sua pergunta: “quem defende os valores da direita quando a esquerda católica está no poder?”

  2. António Carlos

    Caro Rui A.,
    Deixo aqui, mais uma vez, uma sugestão que me parece interessante. Porque não convidar estes representantes da “direita”, “liberais”, que agora no poder subscrevem tal manifesto, para um debate (presencial ou virtual) de forma a confrontá-los (salvo seja) com estas questões?
    De certo que o convite estaria facilitado pelos laços comuns blogosféricos.

  3. Fernando S

    Bom … esta tomada de posição desta “ala liberal” do CDS (que, no fundo, sistematiza e consolida declarações e posições mais contidas que vinham a ser tomadas desde ha ja bastante tempo e a contribuir para uma certa fragilidade da coligação governamental) não representa nem esgota, longe disso, toda a “direita que esta no poder” (seja la o que for !..) !…

    Dito isto, serão mesmo os “valores da direita” (?!…) que estão em questão nesta tomada de posição ?…
    Não é antes uma incompreensão manifesta do que são os verdadeiros problemas de fundo da economia portuguesa e do papel da austeridade na reforma do modelo economico vigente até agora ?…
    Esta direita até parece querer dar prioridade ao que pode ser apontado como um “valor” da “direita” liberal”, a diminuição dos impostos.
    Mas não basta defender “valores” em abstrato e descontextualizados.
    A compreensão da realidade é uma condição necessaria !

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