Humor involuntário

É difícil permanecer sério quando se lê José Pacheco Pereira a repreender Medina Carreira e (principalmente) João César das Neves pela “popularização da economia” e a meter todos os seus opositores (reais ou imaginários) no “saco” do neoliberalismo.

Parece que agora o seu paradigma é o respeitável (sem ironias) João Ferreira do Amaral. Não sei se JPP imagina que a saÍda do Euro irá reduzir ou evitar a austeridade que diária e inconsequentemente critica. É que até o habitualmente irresponsável Francisco Louçã resolveu vestir a pela de economista e recordar que esta alternativa é capaz nos fazer passar por algumas agruras. Provavelmente também será merecedor repreendido por andar a “popularizar” a economia.

(acho que desta náo vou ser linkado)

31 pensamentos sobre “Humor involuntário

  1. Miguel Noronha

    Este já não disserta sobre a impossibilidade da reprodução homossexual dos coelhos. Ou então é o JPP que está à esquerda de Loução. Um retorno às origens, talvez.

  2. Uma pergunta que poderá ter uma resposta surpreendente se seriamente respondida: Como estariamos (os portugueses) se não tivessemos entrado no euro?
    Os alemaes estariam onde estao penso eu. Mas e nós, sem os 210 mil milhoes que já entraram, 1/3 a fundo perdido? Talvez os que querem saude, educaçao, justiça gratuita e redução de impostos fossem em numero dez vezes menos do que sao hoje. E assim acredito que teriamos viabilidade para entrar no euro agora.

  3. Miguel Noronha

    “Uma pergunta que poderá ter uma resposta surpreendente se seriamente respondida: Como estariamos (os portugueses) se não tivessemos entrado no euro?”

    É sempre um exercício arriscado. Mas recordo-me de discutir há uma semanas um estudo do Jorge Costa que indicava que só passamos a adoptar práticas mais “saudáveis” (a nível orçamental e monetário) a partir do momento em que passou a existir a expectativa de aderirmos a uma (futura) moeda transeuropeia. Até lá era o total descontrolo.

    Ironicamente (ou tragicamente) a partir do momento em que aderimos ao euros voltamos ao descontrolo orçamental. Na parte monetária (felzimente) deixamos de ser soberanos.

    Penso que são boas pistas para adivinhar o que sucederia se não tivessemos aderido ao euro e o que sucederá se (ou quando) sairmos.

  4. não me parece que JPP tenha apresentado a “popularização da economia” como uma coisa má (pelo contexto, até fiquei com a ideia de que ele achava isso como uma das coisas boas associadas à crise); creio que o que ele não gosta em MC e JCN é as ideias em si, não o estarem a popularizá-las.

    Pelo menos é o que eu deduzo desta passagem: “A primeira aquisição da crise no debate público foi uma popularização forçada da economia, incluindo processos macroeconómicos, condicionantes, contradições, mecanismos, desde a “economia caseira”, até à economia pública. Como de costume, há muita tralha de “economês”, ou seja economia politica e ideologia disfarçada de linguagem cientifica, quer em versões eruditas, quer populistas, mas mesmo assim, muita gente aprendeu mais de economia nestes últimos anos do que em toda a vida. É pena que não haja “crises culturais” (o mais perto disso é o debate sobre o Acordo Ortográfico) para se popularizar literatura, arte e cultura.

  5. Miguel Noronha

    “não me parece que JPP tenha apresentado a “popularização da economia” como uma coisa má ”

    Eu li e reli o texto e continuo com a mesma impressão. Enfim…

  6. Luís

    Medina Carreira diz muitas verdades que em Portugal ninguém discute. A globalização, a queda da natalidade ou o petróleo caro tornam insustentável o Estado Social, não só por cá mas em toda a Europa Ocidental. Adiar a solução do problema só o irá agravar ainda mais.

  7. Luís

    Pacheco Pereira é um intelectual respeitável mas a História mostra-nos que muitos génios da Literatura, Filosofia ou das Artes nunca foram gestores responsáveis das suas contas. Imaginem se gerissem o dinheiro dos outros.

  8. Comunista

    Luis, Desde o sec XX, no ocidente ao menos, que maior parte dos que geriram de forma ruinosa o dinheiro dos outros eram formados em alguma forma de ciências económicas. Na crise americana do sub-prime o que não faltava era génios em econonomia a tomar decisões que levaram à ruina de muita gente que não foi tida nem acahada no processo.

  9. tina

    JPP é um camaleão, veste diferentes peles e consegue enganar aqueles que têm má memória e não se lembram do que ele defendia antes. Ele tem uma única obsessão, que é deitar o governo abaixo, começou ainda antes do PSD ter ganho as eleições. Acha que os outros são todos estúpidos, mas ao ver as figuras tristes que ele faz às vezes, já não se sabe quem é o mais estúpido.

  10. tina

    “A primeira aquisição da crise no debate público foi uma popularização forçada da economia, incluindo processos macroeconómicos, condicionantes, contradições, mecanismos, desde a “economia caseira”, até à economia pública. ”

    ahahaha, quando JPP dizia que o modelo social europeu era insustentável, o que queria então ele dizer com isso?

  11. Miguel Noronha

    “no ocidente ao menos, que maior parte dos que geriram de forma ruinosa o dinheiro dos outros eram formados em alguma forma de ciências económicas.”

    Nas intervenções cirurgicas a maior parte dos erros é praticada por alguém formado em medicina ou enfermagem

  12. Comunista

    Exactamente. Portanto não vale a pena vir falar de filósofos e de historiadores quando quem tomas as decisões ruinosas são formados em economia ou similares – como é o caso do vosso Vitor Gaspar.

  13. tina

    Quando JPP vestia a pele de liberal dizia coisas assim:

    “orçamento (de 2005) devia ser recusado porque precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial. Sem mais “crise” (das que falava Schumpeter) e sem mais “boa” insegurança, não somos capazes de mudar. O Estado tudo faz para nos poupar a essa insegurança, e, como toda a Europa, afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar.

  14. Miguel Noronha

    Exacto. Principalmente os que dizem que aumentando a despesa pública atingimos a prosperidade. Ou os que querem imprimir dinheiro para pagar as contas.

  15. lucklucky

    Uma visão incapaz, redutora, de não incluir a economia, os números, as contas como parte da cultura.
    Recusa um dos pilares fundamentais da cultura ocidental.
    O populismo de esquerda é assim, JPP quer a economia enterrada para lá só a ir buscar quando convém.

  16. Luís

    «Uma visão incapaz, redutora, de não incluir a economia, os números, as contas como parte da cultura.
    Recusa um dos pilares fundamentais da cultura ocidental.
    O populismo de esquerda é assim, JPP quer a economia enterrada para lá só a ir buscar quando convém.»

    Nem mais. E quem o faz é «merceeiro».

  17. Comunista

    Nos paises europeus onde a qualidade de vida é a mais elevada, os nórdicos, não há nem nunca houve preconceito contra o investimento público, contra a propriedade pública, tal como nunca houve o desprezo do capital pelos trabalhadores que se vê em Portugal – e não falo só de salários.

  18. Miguel Noronha

    Certamente será uma questão de preconceito ou então será do clima mediterrânico.
    Ou então será porque esses países produzem mais riqueza e os estrago provocado por esses colectivismos tem menos impacto.

    Mas provavelemnte se aumentarmos os salários para níveis nóridicos o resto virá por arrasto.

  19. Luís

    Os nórdicos não são iguais a nós. Têm uma cultura totalmente distinta, aceite isso caro Comunista. Implementar modelos económicos ou sociais importados do Norte em países latinos dá asneira. Portugal ou Espanha são a prova disso. Cada país ou nação tem de ter um Regime adaptado à sua cultura.

  20. Luís

    As décadas recentes demonstram que não temos talento para lidar com o dinheiro dos contribuintes. Mas olhando para o século XIX concluímos que o problema é mais profundo. Somos assim e estas coisas não se mudam por decreto. Portanto o melhor é manter o Estado pequeno e defender impostos mínimos. O que funciona na Suécia não funciona por cá, nem tem de funcionar. Somos melhores que os suecos e a nossa desgraça é apenas termos levado com umas elites medíocres e provincianas, que não sabem pensar pela cabeça nem defendem o bem comum. Andamos nisto há 200 ou 300 anos e para piorar a situação instalou-se na sociedade portuguesa e nas elites que nos governam o comunismo e o socialismo, como bem denuncia o blogue Porta da Loja.

  21. Comunista

    Nos países nórdicos dificilmente um banqueiro viria dizer que o povo aguenta a pobreza porque os mendigos aguentam, nem sequer viria sugerir que ele corre tantos riscos de acabar um sem abrigo como outro português qualquer. Nos países nórdicos dificilmente se veriam constantemente representantes do capital, desde empresários a políticos, a sugerir que o povo português só quer viver à sombra da bananeira. É disto que eu falo. As elites não respeitam o povo, os trabalhadores. São paternalistas. Merecem escárnio e conflitualidade social e portanto aí a têm.

  22. Luís

    Parte preocupante das nossas elites não aprecia o capitalismo, a liberdade, a concorrência. A História demonstra-o e é dever do Estado zelar pelo bem comum, portanto pelas liberdade individuais, incluindo o plano económico. Esse banqueiro que refere ficou chocado há umas semanas após o PM não ter declarado mais um aumento de impostos. Penso que está tudo dito sobre a individualidade em questão e sobre as suas opções ideológicas. «Neo-liberal» não é certamente!

  23. Ainda sobre a intenção do Pacheco Pereira; é difícil eu estar a tentar interpretar o que alguém quer dizer (e sobretudo os juízos de valor implícitos em juízos de facto), mas lendo o post anterior ao da popularização da economia (pelo menos anterior no blogue; é possivel que na Sábado a ordem seja diferente, o que pode alterar o sentido), mais me parece que ele está a apresentar a “popularização” como uma coisa positiva:

    ” A crise que atravessamos não tem sido negativa para o espaço público, embora sejam incomparáveis os custos e as vantagens. As anomalias, as perturbações, resultam sempre em qualquer forma de “dinamite cerebral”, na tentativa de as explicar, interpretar, explorar ou contrariar e uma parte do debate público passa por aí, em livros, artigos, ensaios, comentários. Mesmo que ele possa parecer circunstancial, e seja muitas vezes ligeiro e superficial, no seu conjunto tem sido um momento positivo para o pensamento político e para o debate público.”

  24. Carlos

    ‘Comunista’, os países nórdicos até 1950 tinham impostos mais baixos que os EUA. Em 1950, apenas a Finlândia tinha impostos um pouco mais altos que os EUA (cerca de 20% da economia). A partir de 1950/60, começa o ‘investimento público’ e com ele a subida de impostos para o financiar e a partir de 1970, um conjunto de regulamentações anti-empreendimento é implementado de forma bastante rápida – é de notar, também, que a despesa do estado sueco também era financiada com inflação (tendo atingido valores de 15,5% em Outubro de 1980). Durante este período, enquanto o sector privado perdia emprego, o sector público aumentava enormemente, sendo que desde 1960 até 1990, a percentagem de trabalhadores no público foi de cerca de 20% até mais de 40%. Isto tinha de acabar, e acabou no início dos anos 90, quando um conjunto de reformas foram iniciadas, destruindo as bolhas que foram criadas durante o período dos 80s. O sector privado sofreu perdas significativas de emprego, e desta vez o governo tinha de reformar o sector público também. O sector público durante este período, perdeu cerca de metade do emprego que foi criado durante o anos 80s. O desemprego alastrou-se, indo de menos de 2% em 1990, até quase 10% em 1996, sendo que estes números podiam ir bem mais longe, pois os governos são criativos em encontrar formas de esconder o desemprego, podendo o desemprego ter chegado a 2 ou 3 vezes mais do que o reportado. Neste período, as taxas de juro chegaram a atingir 500%, e como os bancos tinham feito largas quantias de maus empréstimos, uma crise bancária foi iniciada, sendo que o governo teve de dizer que iria resgatar os bancos que necessitassem de financiamento, evitando assim o colapso bancário. A Suécia nunca voltou ao que era a meio do século passado, e continua bastante grande, apesar de que tem estado a fazer um conjunto de reformas, principalmente ao nível das regulamentações e impostos a empresas desde então. Para não dizer que as principais empresas suecas foram criadas antes de 1960, só para se ver a mobilidade. E eles têm problemas de imigração, onde os países de leste europeu e médio oriente vão para a Suécia para se aproveitarem do ‘estado social’. A alta despesa vai acabar por matar a Suécia novamente, apenas esperar para ver.

  25. migspalexpl

    carlos,

    http://www.indexmundi.com/sweden/gdp_real_growth_rate.html
    http://www.indexmundi.com/sweden/unemployment_rate.html

    A Suécia teve um desempenho bastante bom nos anos 80 e 90. Mas os primeiros conseguiram a proeza de associar ao crescimento um desemprego bastante baixo. Nos inicio dos 90 houve a crise bancária sueca e o desemprego nunca mais voltou aos baixos niveis de 1990. Mas porquê isto? “Isto tinha de acabar, e acabou no início dos anos 90, quando um conjunto de reformas foram iniciadas, destruindo as bolhas que foram criadas durante o período dos 80s”? Estás a dizer que isto http://en.wikipedia.org/wiki/Swedish_banking_rescue foi criado pelo tamanho do estado sueco nos anos 80?

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