António José Seguro sabe o que é uma média ?

Li a notícia, mas não quis crer que António José Seguro tivesse dito tamanho disparate: Seguro quer desemprego nos Estados-membros abaixo da média da UE em 2020

O secretário-geral do PS propôs hoje, em Paris, que a União Europeia (UE) estabeleça como objetivo que, em 2020, não existam países com uma taxa de desemprego superior à média europeia, atualmente nos 11%.

Apesar de não ter ouvido as declarações, face à magnitude do disparate imputado ao líder do PS, fiquei mais descansado quando li este post do LA-C:

Há pouco, ouvi as declarações dele na televisão. Não ouvi a declaração que o jornal lhe imputa. Apenas ouvi que Seguro propõe que quando um estado tem um desemprego acima da média, que parte dos subsídios de desemprego sejam financiados pelas instâncias comunitárias.

Mas há pouco, alertado por um amigo, descobri que no site oficial do PS consta a seguinte notícia e voltei a ficar preocupado: A criação de emprego tem de ser a “primeira das prioridades”

“Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia”, afirmou António José Seguro, na sua intervenção no Fórum dos Progressistas Europeus, que juntou na capital francesa líderes dos partidos socialistas de países do sul da Europa.

PS_Seguro_desemprego
(clique para aumentar)

Em que ficamos?

Pela minha parte, gostaria de ser esclarecido, já que atribuo alguma importância a saber se o líder do PS – e possível futuro primeiro-ministro de Portugal – compreende ou não o conceito de média (continuo a querer acreditar que sim, mas como a notícia aparece no próprio site oficial do PS, parece-me perfeitamente legítimo colocar a dúvida).

Por outro lado, o facto de este caso não ter gerado até ao momento qualquer impacto mediático significativo parece-me um sinal evidente, na interpretação mais benigna, de que a maioria dos jornalistas – ou pelo menos dos jornalistas com responsabilidades editoriais – não compreende o conceito de média.

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22 thoughts on “António José Seguro sabe o que é uma média ?

  1. Socialismo do Séc XXI
    Seguro apela ao fim da austeridade e aponta emprego como prioridade
    “Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia”

    Aqui temos mais um boneco socialista a querer ficar bem na fotografia.
    Frase bonita mas rigor económico é 0.
    Mas vou dar uma sugestão de política económica de crescimento a quem achar que este caminho alternativo socialista tem ponta por onde se lhe pegue.

    Construam a 3ª auto-estrada entre Porto e Lisboa mas não adjudiquem para a construção os amigos da mota-engil (pois os portugueses ainda vão ter de andar a pagar umas faturas por décadas) convoquem todos os desempregados do país.

    Para a “dura” jornada laboral não será preciso maquinaria pesada nem uma foice ou um martelo bastará uma colher para escavar e esqueçam essa história de produtividade ou prazos porque o que é preciso é ter o povo a trabalhar empregado.

    Quanto ao salários esqueçam também essa treta do salário mínimo, salários nunca abaixo de 1.000 € pois é preciso é o povo com dinheiro para consumir e puxar pela economia segundo as teorias económicas dos vários paineleiros que frequentam a TV e assim ainda aproveitam ao mesmo tempo para angariar arrebanhar milhões de votos para a próxima eleição.

    Fica aqui a minha modesta sugestão para um verdadeiro socialismo do séc XXI . Uma verdadeira política onde ninguém ficará excluído, e mesmo quem esteja empregado poderá sempre despedir-se e juntar-se a esta grande empreitada*.
    Boa sorte!
    * nenhuma garantia de sucesso económico

  2. É possível, mas parece-me imprescindível que fosse explicitado, ainda para mais tratando-se de um critério perfeitamente arbitrário.

    Como escrevi, não quero acreditar que AJS não saiba o que é uma média – e daí ter tomado como bom o esclarecimento do LA-C – mas quando vejo o mesmo disparate reproduzido no site oficial do PS creio que a dúvida é legítima e que se imporia um esclarecimento rápido.

  3. Nelson

    O miguel madeira tem toda a razão… o “atual” está implicito…. e se ouvissem quando ele proferiu tais palavras, percebia-se perfeitamente… mas infelizmente estamos num país onde se fala sem ter certezas… onde se faz e depois se vê… onde se diz e depois se pensa… e onde se corre antes de saber andar…

  4. Carlos

    É mais uma forma de abraçar a famosa ‘igualdade’. Querem pôr todos com a mesma taxa, só pode. Mas é curioso, que as únicas alternativas que eu vejo em relação a estes senhores é exigir que a UE mande mais dinheiro.

  5. Hugo

    Obviamente que se refere à média actual de 11%. É perder tempo neste género de coisas sem qq interesse…

    Agora sobre algo que realmente interessa… Vocês sabem que andam a viver o sonho do neo-liberalismo em Portugal desde o 25 de Abril não sabem? O aumento da divida pública ao estrangeiro é o selo de qualidade das políticas americanas no nosso país.

    Adjudicar obras aqui e acolá aumentando os empréstimos à banca estrangeira não conta como viver num estado socialista/comunista/democrático ou seja lá contra o que vocês se opõem.

    É só para pôr alguma ordem na casa, sabem isto não sabem?

  6. Carlos

    Hugo, onde é que vê liberalismo, pois eu nunca o vi em Portugal. Dívida não é liberalismo, é intervenção na economia, é algo que os socialistas adoram. Aliás, um país socialista não consegue sobreviver sem se endividar, qualquer um. E os Estados Unidos há muito tempo (desde o princípio do século passado) que não são liberais (liberais no sentido de liberalismo). Liberalismo é o mínimo de intervenção na economia. Baixos impostos, despesa reduzida, nada de subsídios nem resgates, nada de nacionalizações ou empresas estatais, nada de socializações ou criação de monopólios através de regulamentações, nada de défices públicos ou impressão de dinheiro (sound money). Basicamente, defesa da propriedade privada. Você vê isso em Portugal. Há-de-me emprestar os seus óculos…

  7. Hugo, pelo contrário: o que está a acontecer não é de todo liberalismo, é, isso sim, um tipo de socialismo/esquerdismo estranho que o Henrique Raposo define bem: a ideia de que os mercados são os maus da fita, mas nós até gostamos/precisamos deles. É a ideia de que os mercados (e a banca, com os empréstimos que refere) deve servir a Economia e as Pessoas, e não o contrário (como diria o Zé Sócas ou o Tozé…). Ainda por cima de uma forma obscena (que é a de que o Estado não tem mais dinheiro para políticas e despesa pública, já não o consegue arranjar de forma “oficial”, “obrigando” – a troco de benefícios, claro – os bancos a continuarem a financiar aquilo que em condições normais já não “emprestariam”).

    A Troika e o FMI chegaram 2 anos atrasados, estamos e vamos pagar bem caro esses 2 anos (para além de tudo o que pagamos pelas escolhas do actual Governo e pelas de todos os outros antecessores).

    Quanto à questão do Tozé e da média, vi as declarações da RTP (penso que até num sítio qualquer da Net) e a ideia que fiquei é a de que o desemprego em 2020 não deveria ser superior à actual média europeia em nenhum dos países da UE. Foi precisamente por isso (encontra outra razão?) que referiu precisamente o valor da actual média europeia. Não sou socialista mas, a mantermo-nos no Euro, parece-me a única ideia possível dada a incapacidade que temos/teremos de pagar a nossa dúvida sem que aconteça uma catástrofe. É chato/triste dizer que os outros têm de nos ajudar a sair do buraco em que caímos, mas sozinhos parece-me impossível de sairmos (saiamos ou, sobretudo, fiquemos no Euro). E a ideologia não se pode se sobrepor à realidade e ao contexto…

    A diferença é que o Tozé quer que o resto da UE pague aquilo que foram os nossos erros, para poder continuar a errar. Não sei o que é que o Governo pretende, honestamente, mas penso que esta ideia até poderia resultar se fôssemos em simultâneo obrigados a cortar na despesa pública e a ser “avaliados” externamente (caso contrário, vamos continuar no mesmo… a malta sonhando sequer que há dinheiro para gastar é só ideias para benemérito do País… pagas pelo País, claro, e mais tarde pelos de fora; o desenvolvimento é caro mas não pode parar…)

  8. lucklucky

    “O aumento da divida pública ao estrangeiro é o selo de qualidade das políticas americanas no nosso país.”

    Tipico do Pravda! Newspeak tão bem retratado por Orwell.

    Algum dos partidos do regime soci@lista defendeu défice zero?
    É preciso lembrar a reacção aos 3% do défice de Maastricht?

  9. “Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia”, lê-se ainda no site do PS. É claro que pelo menos o redactor do texto – e os jornalistas que o reproduziram nesta forma, sem pestanejar – não sabem o que é uma média.

  10. Bento Norte

    Nada de surpreendente. Seguro é um repetido disparate. E a comunicação social está na maré de lhe passar a mão pelo pêlo.

  11. Francisco Colaço

    António José Seguro é mais esperto do que se diz. Quando ele diz que não quer nenhum país da União Europeia com desemprego superior à média (uma possibilidade matemática real numa determinada circunstância particular), está a falar de uma pol+ítica fantástica para Portugal: a expulsão de desempregados.

    Justificação Matemática

    De acordo com a definição de média, se qualquer que seja x pertencente a X, a média de X é x se todos os elementos de X tiverem valor igual. Seja a média de 0, 10%, 18% ou 100%, isso verifica-se.

    Ora bem: como Portugal está acima da média europeia, teremos de exportar os nossos desempregados. Os países que estão abaixo da média europeia no tocante a taxa de desemprego terão de receber os desempregados portugueses, espanhóis e italiano, por forma a que a média seja perfeitamente igual.

    Reacção de Seguro

    Quando António José Seguro foi confrontado com a hipótese de estar a advogar uma emigração forçada, mudou de assunto e comentou o tempo de chuva que lhe está a atrapalhar as mini-férias que estava a prever realizar nestes dias.

    Repercussões Internacionais

    Ângela Merkel, avisada deste facto, está de momento internada com uma crise de apoplexia motivada por uma barrigada de riso compulsivo, não se conhecendo no momento o seu quadro clínico. A expressão ‘Dummkopf Seguro’ foi ouvida muitas vezes nos corredores da chancelaria em Berlim, de acordo com as nossas fontes muito bem informadas. Esperam-se nos próximos dias retaliações diplomáticas por aquilo que é considerado um atentado à vida da Chanceler.

    Paulo Portas, assegura-se, irá partir para Berlim imediatamente, para debelar as tensões. De acordo com as fontes no Palácio das Necessidades, Paulo portas irá munido de uma cópia do certificado de habilitações de António José Seguro e de Passos Coelho, com a menção das universidades onde tiraram os cursos, assegurando a Chanceler que o conceito de média aritmética não é ensinado algoritmicamente nesses establecimentos de ensino.

    Contactado Durão Barroso, foi encontrado a assobiar para o ar. O PS Europeu está também indisponível para comentar o que o Seguro diz («nous ne comprendons pas la langue portugaise, comme vous savez, et donc nous n’avons pas quelque partie avec de ce que Mr. Seguro veut toujours blaguer!»)

  12. Joaquim Amado Lopes

    “Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia”
    Têm a certeza que, com “nenhum país”, o Tó Coiso se refere aos país membros da União Europeia?

    O Tó Coiso não é propriamente um modelo de inteligência mas tem que saber o que significa “média”. Assim, terá noção de que, para que nenhum país esteja acima da média, todos teriam que ter a mesma taxa de desemprego e, como esta é dinâmica, teria que evoluir da mesma forma e ao mesmo tempo em todos os países. Isto é manifestamente impossível e o Tó Coiso, mesmo sendo socialista, sabe disso.
    Também não acredito que o Tó Coiso se referisse à média actual, de 11%. É que com isso estaria a dizer que 11% de desemprego é aceitável e, como o socialismo aponta para o pleno emprego (no sentido literal e não no “sentido económico”, segundo o qual o “pleno emprego” admite uma taxa de desemprego relativa à mobilidade), o Tó Coiso não pode de forma alguma defender esse nível de desemprego.

    Assim, resta uma hipótese: o “nenhum país” quer dizer “nenhum país FORA da União Europeia”.
    Ou seja, o Tó Coiso defende que o desemprego na União Europeia suba até que a média seja superior à taxa de desemprego de qualquer outro país no Mundo. O que até é coerente com as políticas que o Tó Coiso (e a Raquel Varela) propõe(m): dificultar ao máximo a actividade económica e o investimento, de modo a que o desemprego FORA da União Europeia diminua.

  13. A frase pode estar mal transcrita, ou ter sido mal dita, mas o que me parece é que a acusação é fácil quando é alimentada pelo sentimento, neste caso, de repulsa pelo líder (goste-se ou não) socialista (goste-se ou não).
    Lendo a frase,
    O secretário-geral do PS propôs hoje, em Paris, que a União Europeia (UE) estabeleça como objetivo que, em 2020, não existam países com uma taxa de desemprego superior à média europeia, atualmente nos 11%.
    o que eu percebo é que, em 2020, não haja países com uma taxa de desemprego superior a 11% (média actual). Naturalmente a média europeia em 2020 será inferior a 11%, ou igual, no caso limite de todos os países terem a mesma taxa, de 11%.

  14. nnico

    Eu li três linhas:
    “Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia”, afirmou António José Seguro
    Não sei se estou maluco, mas a única maneira disso acontecer e todos os países da UE terem a mesma taxa, porque senão haverá países sempre com uma taxa superior, não é?

    Mas destes socialistas nada me espanta mais.

  15. politologo

    Pois é , um SEAF que não distingue 9% de 109$ e agora o futuro PM que não sabe o que é uma média !… E há 35 anos que esta amostra de País está entregue a cola-cartazes !…

  16. Seguro foi modesto no pedir. Sugiro a Seguro que proponha oficialmente que sejam aprovadas na UE regras que proibam:

    1) Pobreza acima da média da UE.

    2) Rendimentos abaixo da média da UE.

    3) Crescimento do PIB abaixo da média da UE.

    Assim se conseguirá a verdadeira igualdade, porque se nada pode ser acima da média, automaticamente nada pode ser abaixo da média e vice-versa. Ou então a média muda e temos de andar a correr atrás da média.

    (do meu blog: Será que os anjos têm sexo?)

  17. Hugo

    Caro Manuel Costa Guimarães,

    É o veneno que faz aumentar a desigualdade entre as classes sociais.

  18. Francisco Colaço

    Já estou à espera que do PS venha a meta de aumentar o coeficiente de inteligência médio dos portugueses para 110 em 2020 através das Novas Oportunidades Renovadas.

    Se não entenderam a ironia, vejam como é calculado o coeficiente de inteligência.

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