Conversas com professores

Transcrevo aqui uma conversa verídica tida ontem com uma professora de ensino especial (crianças com deficiência) a leccionar no ensino público que, tanto quanto sei, é uma excelente profissional. Teve recentemente de leccionar em Sintra (reside no Norte) na sequência do regime de mobilidade especial.

— “Eu acho muito bem que os professores se estejam a manifestar! É inaceitável o que está a acontecer. Acho muito bem esta greve!”
— MAL: “Então? O que é que reivindicas?“
— “As 35 horas e o regime de mobilidade especial. Mandar os professores de um lado para o outro!”
— MAL: “As 35 horas é uma questão de equidade entre funcionários públicos. À luz da lei deveremos ser, efetivamente, iguais. Mas vocês só trabalham 35 horas?”
— “35? Trabalhamos bem mais do que isso. Temos aulas para preparar e exames para corrigir.”
— MAL: “Então, na verdade, isso não vos faz qualquer diferença. Se já trabalham mais de 35 horas, certamente que a alteração para 40 é meramente estética. É uma questão de princípio. De equidade.”
— “É… mas o regime de mobilidade especial é inaceitável!”
— MAL: “Eu concordo contigo. Até vou mais longe. O atual sistema público de educação é inadequado, antiquado e injusto. O sistema deveria ser descentralizado, experimentalista, e as escolas deveriam ter total autonomia, podendo decidir que professores contratar e despedir, como leccionar as aulas e ainda que conteúdos leccionar, com algumas bases em comum, naturalmente. Mais, o financiamento seria entregue aos encarregados de educação e não às escolas, permitindo assim que alunos pobres possam ter as mesmas oportunidades de acesso às melhores escolas. Hoje em dia, eles são obrigados a frequentar uma determinada escola, por muito má que ela seja. Não me parece justo. E assim diminuíam também os mismatches na mobilidade. Um professor que vai de Lisboa para o Porto ao mesmo tempo que um do Porto vai para Lisboa, quando ambos poderiam provavelmente permanecer na sua cidade.”
— “Oh, mas isso demora muito tempo a implementar. Não seria para agora.”
— MAL: “Ok. No curto prazo. Coloca-te no papel do Nuno Crato. Que farias? Existem três hipóteses. 1) Despedir mais uns milhares de professores; 2) Continuar a atribuir horários zero; 3) Transferir professores para onde eles são necessários.”
— “Horários zero, nem pensar. Deprime ficar sem fazer nada.”
— MAL: “Então, que farias?”
— “Pois, não sei.”

A conversa terminou subitamente, tendo-se desvanecido o tom exasperado com que se iniciara. Não sei se a convenci, mas tentei transmitir a perspectiva de quem está de fora. É compreensível que os professores — e qualquer outra pessoa, especialmente pais e alunos — estejam descontentes com as recentes reformas da educação. Mais burocracia e mais trabalho improdutivo que acrescenta zero à formação dos alunos. O objectivo do brilhantismo estatístico, para que Portugal figure num percentil bacano nas estatísticas europeias. Uma enorme entropia introduzida no sistema, que mina o trabalho dos professores, a aprendizagem dos alunos e a paciência dos pais. Pais que não podem escolher o futuro dos seus alunos. Em boa verdade, todos deveriam estar a fazer greve, mas por outros motivos.

40 pensamentos sobre “Conversas com professores

  1. Pois, o problema é que essa senhora não sabe mas há muitos que sabem. Sabem que lhes convém manter o estado actual de coisas para permanecerem com os seus “direitos” adquiridos, nos quais não se pode tocar. E ai de quem se atreva, que é logo visto como sendo do tempo da “outra senhora”, como eles gostam de dizer. Já fui um ingénuo que acreditava que os professores deviam ser colocados com base na nota de saída do curso e tempo de serviço. Hoje acho que as escolas deviam recrutar os professores com base no mérito e mais nada. Falo numa perspectiva geral e pessoal. Tivessem as escolas esse poder e eu, provavelmente, não teria tido necessidade de mudar a minha vida toda da Beira Baixa para o Oeste aqui há anos para poder continuar a dar aulas. Não quero com isto parecer presunçoso, mas tenho perfeita consciência de que sou melhor do que muitos acomodados em escolas por onde passei e que só agora protestam porque vêem as suas vidinhas regaladas serem postas em causa. Outro problema que foi aí referido é o dos conteúdos: enquanto não forem mudados muitos deles, isto não avança. As humanidades e as línguas estão cheias de conteúdos marxistas. O marxismo cultural domina nas escolas públicas. Os professores que hoje pertencem ao quadro, gente na casa dos cinquentas, é pessoal que tirou o curso na década de oitenta, em faculdades recheadas de professores marxistas que recomendavam como leituras obrigatórias manuais adoptados na URSS. Essa gente tem vindo há décadas a reproduzir a mensagem. Finalmente, os sindicatos: onze, doze, nem sei quantos são. Quantas vezes seguindo ordens superiores e agendas partidárias. Factores de imobilismo e não de diálogo, pouco preocupados com a escola pública e os seus actores. Volto a referir o meu caso pessoal: contratado há dezoito anos, nunca vi um sindicato propor, por exemplo, um dia de greve para resolver a situação de quem anda a arrastar-se pelo ensino desta forma. Só este ano, com as clientelas sindicais a serem afectadas decidiram avançar para estas greves. Enfim, já fui contra, agora só digo: cheque-ensino, privatização, seja o que for que possa retirar das mãos de sindicatos e apaniguados as escolas. Selecção rigorosa dos professores, alteração dos programas. Quem gosta do que faz, quem sabe o que faz, só pode agradecer tais medidas.

  2. joão, embora concorde consigo, não acho que devemos ou podemos personalizar, catalogando uns professores como bestas e outros como bestiais. Com escolas públicas que sempre premiaram o parasitismo, porque o acatavam como condição sine qua non do ensino público, como esperar que não haja quem não abuse do hóspede? Não despedindo, como era possível esperar que não existam muitas baixas médicas fraudulentas e laxismo? Isto passa, naturalmente, por uma reforma profunda do sistema de ensino, expondo as escolas públicas à concorrência do privado (e, numa segunda fase, permitindo a sua privatização, deixando ao Estado a incumbência das escolas cuja rentabilidade é negativa e, como tal, não assegurada pelo privado).

  3. Comunista

    Ó João que tal rever os direitos adquiridos do grande capital e da banca? Porque é que só os outros é que têm direitos adquiridos? Que tal verificarmos os teus e talvez até suspendê-los?

  4. Sim, o ensino tem de tudo, evidentemente. E o problema passa também por essa impossibilidade de despedir quem não tem mérito. Até porque tenho visto colegas com bastante mérito que se encontram na minha situação (e outros no quadro, obviamente). Gente que gosta e sabe o que faz e vai acabar por ser dispensada enquanto outros permanecem. Ma minha área, filosofia, já me cruzei com gente que usava as aulas para ensinar reiki e yoga e isso aos miúdos, que lhes dava resmas de fotocópias e eles que se desenrascassem, que se punha a dar Hegel sem qualquer contextualização, gente que diz que foi abandonada pela filosofia etc. Por outro lado também encontrei gente que lhes dava de facto filosofia. O problema é que os maus exemplos não podem ser corridos do sistema. Os bons, os melhores que encontrei por onde passei, eram contratados, à excepção de um ou dois. E esses nunca podem dar continuidade a um trabalho que é meritório. Mas como é que podemos mudar isto com a resistência de tantos sindicatos e interesses instalados?

  5. Ó comunista, estamos a falar do ensino e não do capital e da grande banca. A falta de argumentos é típica. Quando não existem desvia-se a conversa para outro lado. Se tivesse uns conhecimentos básicos de lógica sabia que está a ser falacioso. O seu comentário é a demonstração de que o sistema de ensino falhou consigo, lá está. Ou então foi você que não esteve com atenção nas aulas, por estar a pensar em Marx e na revolução ou assim.

  6. Comunista

    Se o sistema de ensino falhou comigo terá sido por ter professores como você – idiotas chapados que se queixam da precaridade enquanto atacam os sindicatos que sempre lutaram contra a precaridade. Idiotas chapados que preferem atacar outros profesores por terem um vínculo mais estável a atacar o sistema e as escolhas políticas de sucessivos governos que os conduziram à precaridade de que se queixam. Idiotas chapados que falam de cheque ensino como se fosse pelo ensino, quando essa ideia vem de empresários que querem encher a mula à custas da educação. Gostaria de saber como é que num sistema privatizado se fariam com justiça a selecção dos alunos? Se os mais alunos do que a capacidade da escola se inscrevem nessa escola, quem é que faz a selecção? Sabe quem é que faz, caro idiota útil, a corrupção. Quem tiver um dinheirinho para juntar ao cheque ensino fica com o filho na escola quem não tiver, azar.

  7. Comunista, num sistema privado a seleção é feita por mérito: os melhores (e não necessariamente os mais ricos) ficariam. Os restantes teriam de ir para a second best ou aplicar-se mais. É o que acontece em muitas Universidades nos EUA. Pode ter muito dinheiro, que se Harvard não encontrar potencial em si, não fica lá. Eles querem reputação académica e isso certamente não vem do dinheiro.

    Atualmente, não há qualquer seleção. Os pais têm de se contentar com a “mediocracia” (democratização da mediocridade) que a escola local proporcionar, e os mais pobres não têm forma de sair desse círculo vicioso, enquanto que os ricos podem pagar para fazê-lo, colocando os filhos em escolas privadas. Não me parece muito mais justo. Os pobres deveriam também poder frequentar as melhores escolas privadas. Seria provavelmente o melhor trampolim para fugir da pobreza.

  8. Comunista

    É engraçado que você fale nas universidades privadas americanas – e só fala das melhores sem referir também os apoios públicos que recebem – e não fale nas nossas e das licenciaturas duvidosas a que se permitem para satisfazer o poder. Em Portugal é a universidade pública que mostra uma superioridade completa em relação ao privado.

    “Os pobres deveriam também poder frequentar as melhores escolas privadas. Seria provavelmente o melhor trampolim para fugir da pobreza.” Isto é de uma hipocrisia que o deveria fazer corar de vergonha. As melhores escolas privadas estão reservadas para os que têm dinheiro- se houver lá pobres é uma pequena amostra para algum efeito quer queiram cumprir para receberem dinheiros do Estado ou coisa assim.

  9. Comunista, é verdade, as melhores escolas estão reservadas aos que têm dinheiro. É precisamente essa a injustiça do modelo atual. Se fossem os alunos e não as escolas a ser financiados (e, já agora, somente aqueles que não o podem fazer por sua conta e não este sistema universalista que majora pela média), o nível de riqueza não interferiria na escolha da escola. Como referi, neste sistema atual o aluno pobre está sujeito à sorte (ou azar) do local onde nasceu e às escolas que por lá estão.

  10. Francisco Colaço

    Mário,

    Se as escolas fossem cooperativas de professores e funcionários, ou em alternativa escolas privadas, haveria competição entre escolas. A competição assegura a excelência, nem que seja pelo arredo do mercado dos incompetentes. Se eu, director de escola, tiver um professor ignaro e o mantiver nos dias de hoje, nada me acontece; se esse professor afugentar alunos da minha escola, pois ganho o mesmo. No cheque-ensino, uma cooperativa de professores sabe que a boca de todos depende da prestação de cada um. E o imbecil seria arredado em prol da sobrevivência da escola e do restante que lá trabalha.

    Engraçado que quem não leu Marx mas se considera marxista irá logo fazer um escarchel do que disse no parágrafo anterior. Pelo que Marx deixou escrito, se ele voltasse hoje à terra trataria muito marxista marxiano à bolachada.

  11. Rui Sousa

    Eu acho que a melhor resposta é a da sua amiga: “Não sei”. Ninguém sabe qual é a melhor opção relativamente aos professores. Uma coisa é certa: entre os funcionários públicos, são o grupo profissional mais criticado e atacado. Muitas vezes sem razão. E transformam-se em bodes expiatórios de tudo o que está mal no País. Também sem razão. O grande mal são os sindicatos: descredibilizam por completo uma luta justa dos docentes.

  12. Francisco, eu concordo consigo, e dá para perceber pelas minhas respostas que essa é a minha inclinação natural. Mas mais importante que as privatizar é tornar a educação um sistema livre em que, como refere, escolas competem entre si e novas metodologias e pedagogias daí emanam. Um liberal é, antes de mais, “pró free-enterprise” e não “pro business”. A privatização seria o passo lógico seguinte, mas não o primeiro.

  13. Francisco Colaço

    Rui Sousa,

    Muitas vezes sem razão, muitas vezes com razão. Os meus filhos têm excelentes professores, professores medíocres e professores sofríveis. Todos ganham o mesmo, de acordo com os seus anos de serviço. O Rui se calhar até é um dos excelentes professores que nunca serão suficientemente reconhecidos. Deverá ser o primeiro a reconhecer que boa parte dos professores que temos (não direi a metade, mas por lá perto andará) deveria, para bem dos alunos e para bem próprio, tentar a vida noutro lado.

    Quanto à outra metade ou mais de metade, mantenha-se na escola, que faz muito bem. Um professor não produz nada, mas prepara quem irá produzir. Sem o treinamento, um homem é simplesmente um bruto. Com os conhecimentos e as competências necessárias, transforma-se num técnico, num artista, num sabedor ou num inventor. Raros são aqueles que se conseguem ensinar a si próprios. Os professores não são profissões mais nobres que as outras (isso não existe!) São no entanto o ponto de partida para todas as profissões modernas, sobejamente carecidas de saber e de capacidade intelectual nos indivíduos.

    Um mau professor desmotiva e caustiza a inteligência e o progresso pessoal. Perante uma escola pública que nem os incompetentes tem competência para despedir, compete ao bom senso acabar com a escola pública como ela está. Se o Estado simplemente cumprir um putativo dever de custear a educação individual em vez de andar a fingir administrar escolas, os bons professores sobressairão. E das duas uma, ou os maus afinam o acto e passam a ser bons, ou então terão de tirar da arca no sótão o maillot já esquecido de ballet e tentar viver de uma vez por todas o seu sonho secreto.

  14. Francisco Colaço

    Mário,

    Na Beira Interior, as escolas já competem pelos alunos. A quebra populacional (numa década o número de alunos do 9º ano caíu para menos de metade, ao que me foi dito), leva as escolas de 10º ano a fazer périplos nas escolas básicas (EB23) para captar alunos.

    O primeiro passo já aí está. Aqui, quero eu dizer. Aqui, na Beira, e aí, sei lá o quê (raio de língua portuguesa!).

  15. Rui Sousa, não sei se a estratégia José Régio, de não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí, seja a melhor aproximação ao problema. Não basta gritar contra algo, é preciso ter sugestões e alternativas exequíveis de como resolver os problemas. Se os professores discordam do regime de mobilidade de especial — e estão no seu direito de discordar — que proponham alternativas compatíveis com este regime de contratação centralizada.

  16. Comunista

    Francisco,

    Você pensa que é possível um sistema de ensino em que sobrem escolas em sistema de concorrência e que, portanto, em cada área de residência existam N escolas em concorrência em que as piores ficam vazias e as melhores cheias e que se as melhores ficarem piores e as piores melhores, como as mercearias, os alunos voltarão para as primeiras e por aí fora. Como se a tendência da privatização não fosse a de criar monopólios ou grande concentração da propriedade em que garantido o rendimento pelo cheque ensino lá se ia o dito incentivo que tanto apregoam.

    O melhor, a meu ver, é descentralizar. Dar maiores responsabilidades às câmaras municipais tornando assim as eleições autárquicas também sobre a avaliação do trabalho com a educação por parte das comunidades locais.

  17. Comunista

    “O grande mal são os sindicatos: descredibilizam por completo uma luta justa dos docentes.”

    – o grande mal são pessoas como você que de um lado fala da justa luta dos docentes e do outro diz que o mal é dos sindicatos. Você oensa que sem sindicatos os professores eram ouvidos para alguma coisa? Sem sindicatos pare serem ouvidos os professores tinham que ir queimar peneus e chocar com a polícia na rua.

  18. jhb

    “35? Trabalhamos bem mais do que isso. Temos aulas para preparar e exames para corrigir.”
    MAL: “Então, na verdade, isso não vos faz qualquer diferença. Se já trabalham mais de 35 horas, certamente que a alteração para 40 é meramente estética. ”

    Todo um programa liberal de erosão de direitos.

  19. rmg

    Comunista

    As Câmaras Municipais ?
    V. vive num meio urbano razoávelmente grande , quase de certeza .

    Eu vivi em Lisboa até aos 45 anos , estava cheio de teorias .
    Depois passei 20 anos a viver (por razões profissionais) em concelhos de 15 mil habitantes no máximo , vivi em 4 , do Alentejo a Trás-os-Montes .

    As eleições autárquicas em 80% dos concelhos não são avaliação de nada , se fossem não se perpetuavam lá os mesmos ou , no seu impedimento , os seus seguidores .
    Há que viver mesmo no país profundo , fica-se logo sem teorias .

  20. Pingback: Conversas com alunos | O Insurgente

  21. Rui Sousa

    Comunista: sim, os principais culpados pelo mau nome que os professores possuem hoje em dia são os sindicatos. Transformam lutas justas em guerrinhas políticas patrocinadas pelo “querido líder” Jerónimo, que beneficiam mais o ego do Mário Nogueira do que propriamente os docentes.

  22. Comunista

    Não são avaliação de nada porque o poder continua muito centralizado. Se as autarquias responderem mais pela qualidade das escolas e do ensino concerteza que esse tema fará parte da agenda do debate local. Se você fala de locais sem crianças, aí é difícil fazer alguma coisa pela educação antes de atrair população para o concelho.

  23. Comunista

    Ok Rui Santos, continue a culpar os sindicatos…se eu fosse o Crato ou qualquer outro ministro que quisesse abusar do poder ficaria muito agradecido pela sua posição.

  24. Comunista, você tem argumentos extremamente válidos. Quem não concorda é idiota chapado e tal. Consigo e com os seus a mandarem no ensino, se pudessem, lá teríamos novamente o saneamento dos professores reaccionários. É uma chatice isso ainda não ser possível.

  25. Comunista

    Não. Quem anda aqui armado em juiz dos professores é você. Quem quer sanear é você. Todo o seu discurso é um discurso de saneamento de professores a partir de uma bitola que você presume que um sistema privatizado tenha e que seja tipo a última cocacola no deserto.

    A minha posição é de respeito pela classe dos professores. Isso não impede no entanto que você seja mesmo reacionário. Você de um lado queixa-se de andar há 18 anos como precário e de outro volta-se contra os que não são precários, ou seja, de um lado você é contra a precaridade (a sua) e de outro e favor da precaridade (a dos outros); ou como os sucessivos governos introduziram a precaridade no sistema, precaridade essa de que você se queixa, e a meu ver com razão, a sua solução é precarizar todo o sistema. Porque, não nos enganemos, a privatização do sistema de ensino levaria logo por institucionalizar a precaridade universal da profissão.

    Portanto se você não é um idiota as suas posições nesta matéria são idiotas.

  26. As 35 horas, ou mais, segundo os professores, são uma média que incluem as pausas lectivas? As aulas terminaram no dia 14/06/2013 e vão ter reinício na primeira quinzena de Setembro. Quantas horas vão trabalhar os professores nesse período? 40, 30, 20, 10, 5?

  27. Comunista, ao menos você é coerente. Presumo que quem saiba o que é trabalhar com crianças e adolescentes seja a Nomenklatura que emanava do Politburo, algures num Comité a decidir a vida dos restantes. Esses sim, eram iluminados, conhecedores de todos os desejos e vontades, correcto?

  28. Francisco Colaço

    Mário Amorim Lopes,

    Quem sabe lidar com crianças é a calhauzada com olhos e rabo do Ministério da Incrustação, na 5 de Outubro, grande parte dessa malta lisboetas sem filhos e com carreiras desfuncionais.

    Situação análoga se encontra no Ministério da Ingrícola, onde uma réstea de nabos que nunca viram uma couve tenta comandar um grupo de cordeiros que pensam ter um par de tomates.

    Assim também na 5 de outubro (novo acordo!) um grupo de camelos tenta ensinar uma manada de burros sem grande sucesso a fingir-se alazões. Claro, um cavalo não é ensinado a ser cavalo por tais dromedários. O Ministério da Inculcação produz a mais ultimada cáfila a partir de uma récua que se julga uma tropa, sendo comandados e adoçados pela alcateia e pela pandilha do regime.

  29. Francisco Colaço

    almaiacorreia,

    E ser pai ou mãe, é fácil?

    Depende de ter ou não comprado o modelo com interruptor e controlo remoto. Os meus, para minha miséria, não vieram com interruptores instalados de fábrica nem encontro tal peça para eles.

  30. Maria Amaral

    Algumas questões… Em média, no privado, trabalham-se 37 horas. Onde está mesmo a equidade?
    Neste momento um professor do ensino público, com 20 anos de carreira, devido aos inúmeros congelamentos e taxas e sobretaxas, ganha menos 400 euros por mês que um professor do privado com o mesmo tempo de serviço… Querem equidade para…. Arranjar dinheiro para pagar a dívida que está nas mãos dos suspeitos do costume…

    Nos últimos anos, nos EUA, os custos da educação privada dispararam, a par dos da saúde. Isto é um filão em perspectiva para alguns… Mas quando estivermos todos na miséria vão ensinar a troco de quê? De feijões?

  31. Comunista, o que defendo é a precariedade para todos se, como tal, entender a possibilidade de despedir quem não é competente. Evidentemente que o defendo. Porque é inadmissível andar gente no ensino, no quadro, sem uma avaliação decente – não este simulacro de avaliação em que uns assistem a umas aulas e fica tudo em família. Claro que defendo a possibilidade de quem está no quadro ser despedido se não fizer um trabalho em condições. Contratos para toda a vida? isso é muito lindo. A privatização, o cheque-ensino, se levados a cabo de forma rigorosa não me afligem. Os contratos de um ano não me afligem, se souber que no fim vou ser avaliado como deve ser e não com base numa lista de tempo de serviço, nota de saída da faculdade que já deu o que tinha a dar. Já tive contratos renovados, já estive numa instituição onde me renovavam o contrato no final mas onde optei por sair. Portanto, não invejo a estabilidade dos outros. O que me faz espécie é o facto de eu e outros que são competentes estarem sujeitos á situação actual enquanto outros que pouco ou nada fazem continuarem alegremente nas escolas quando deviam ser de lá corridos se houvesse a tal avaliação séria do trabalho. É isso que me aborrece. Os que são do quadro e trabalham bem deixem-nos lá estar, pois como é evidente. Um último exemplo para o esclarecer: os alunos de uma pessoa da família, também professora no público – 1º ciclo, foram os que obtiveram melhores resultados nos exames do agrupamento onde está. sabe porquê? porque faz trabalho de sala com os alunos. Porque não alinha em folclore e exposições e actividadezinhas giras para aparecerem no jornal do agrupamento e no jornal local. Depois, essas pessoas têm alunos com notas de 1 e 2 nos exames. Não merecia esse trabalho ou pseudo-trabalho ser também avaliado com rigor e, depois, daí retiradas as devidas consequências?

  32. Pingback: Sobre a greve dos professores | O Comité

  33. Comunista

    João, o que há a fazer é começar por respeitar a função do professor e isto implica à partida duas coisas formação académica e vocacional exigente e conforto no exercício da profissão – e se você é professor (eu não sou) você sabe que há um conforto que ninguém pode dar ao professor e que é centro da sua actividade – a lide com os alunos. Portanto não se trata de confundir conforto com inactividade mas conforto no que rodeia o professor para que o professor possa concentrar o seu esforço e atenção no trabalho com os alunos.
    A avaliação dos professores vai ser sempre imperfeita. É muito mais difícil avaliar o trabalho dos professores do que avaliar se um parafuso está a ser bem feito.
    Contudo não concordo com a privatização e precarização como meio de introduzir pressão positiva no ensino. Veja uma coisa, a ideia de que em qualquer momento num sistema privado vão haver mais escolas do que as estritamente necessárias para que possa haver lugares a mais e portanto concorrência a sério é uma ideia…enfim…estapafúrdia. O sistema vai estabilizar numa estrutura de empresas instaladas que vão dominar o mercado até porque de outra forma esse mercado não funcionaria – você não pode ter uma escola pronta a receber alunos e depois não receber nenhum e ficar ali à espera do próximo ano para voltar a tentar. Quer dizer, isto não faz sentido nenhum. Então a concorrência que você espera não vai acontecer.
    A direita – eu leio jornais e blogs – desde há muito que anda com uma campanha insidiosa contra os professores e sabe porquê? Porque, para azar da direita, a maior parte dos professores são a favor da escola pública. Mas não fica por aqui, a direita depois tenta jogar com os pais e fala no cheque ensino dizendo que lhes garante a liberdade de escolha – mas suba um pouco e veja uma resposta que o Mário me deu –
    Cito:
    “Comunista, num sistema privado a seleção é feita por mérito: os melhores (e não necessariamente os mais ricos) ficariam.” (Mário Amorim Lopes)
    – sabe o que é que isto quer mesmo dizer? Quem escolhe os alunos são as escolas e não os pais, escolas essas agora privatizadas a receber cheques ensino em nome de liberdade de escolha dos pais que nunca seria posta em prática. Esta conversa do cheque ensino é uma campanha de marketing para empresas privadas. É marketing. A palavra liberdade é um slogan publicitário, como muito anúncio por aí.

  34. Francisco Colaço

    Neste momento é-se livre de se escolher a escola que escolhem para nós, de arcar com os professores, excelentes, competentes, incompetentes e misérrimos da mesma escola nas turmas dos nossos filhos, sem os escolher ou nisso ter palavra. Somos livres também de não poder fazer nada para mudar a situação, de termos queixas arquivadas em nome do nacional-porreiro-laxismo e de arcar com a vista grossa das autoridades escolares para aquilo que de ilegal se passa na escola.

    Santa liberdade!

  35. Francisco Colaço

    Na União Soviética também havia liberdade de expressão. Liberdade após a expressão, isso era coisa totalmente diversa.

    Sim, anedota soviética dos tempos do comunismo, atribuída a um discurso apócrifo de Krushev.

  36. Comunista

    Deixe lá que a URSS já acabou. Hoje você tem o Obama e sabe-se lá mais quem e o quê atrelado a ele dentro do seu computador. E o que diz o Obama assim como dizem também os republicanos? Que é para proteger o país dos inimigos do Estado, dos INIMIGOS DO POVO americano. Ring a bell? E onque é a doutrina da “preemptive war” senão um meio de difinir unilateralmente, antes de qualquer facto positivo, quem é ou não é inimigo do Estado? Como diz alguém, entra-se na era do combate ao pré-crime.

    Enjoy!

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