Não gozareis com as camisolas da Catarina Martins

Parece que um senhor chamado António Fernandes Nabais se zangou pelas possibilidades que eu aventei sobre a agora famosa Inês pró-grevistas Gonçalves. E parece também que a esquerda pode gozar com o português rústico de Cavaco Silva, com a sua falta de elegância a comer bolo-rei em frente às câmaras de televisão, com o sotaque e tudo o resto do rapaz do programa do Relvas de cujo nome já não me recordo, com o Martim do prós e prós, mas ai Jesus se alguém ousa ironizar sobre a gente do bloco, almas maiores cujos meros mortais não devem presumir poder ridicularizar. (Também parece que está muito bem insultar bloggers, mas alto lá quanto à falta de reverência pela alegada camisola da Catarina Martins. Critérios.) Além de falta de sentido de humor – típico do bloco, que prefere o estilo inquisitorial ao irónico – há que reconhecer que outras falhas ficam evidentes.

Em primeiro lugar, excelentíssimo e sisudíssimo senhor Nabais, lamento que não tenha percebido que o meu post não era nem pretendia ser uma resposta à alegada ou real Inês. Era mesmo para lembrar, à boleia do texto do Vítor Cunha (que tinha também piada), e pegando nos preparos em que a Catarina Martins se apresentava na AR e nos atentados totalitários contra a liberdade individual existentes em todos os países e partidos com ideologia próxima do bloco, onde nos leva a ideologia da extrema-esquerda. E por isso não vale a pena responder-lhe na linha do que pacientemente fez o Vítor.

Em segundo lugar, e muito importante. Ri-me imenso com o uso que dá ao adjetivo ‘fútil’. Sou uma feroz defensora do direito das mulheres à futilidade (e dos homens). Não tenho nada contra mulheres fúteis. As mulheres que eu não suporto são mesmo aquelas que se levam demasiado a sério para dispensarem uns minutinhos do dia a pensar no que vão vestir e calçar de forma a não acabarem fazendo as figuras que Catarina Martins fazia, demasiado preocupadas com coisas importantes para aplicarem um gloss nos lábios, demasiado ocupadas com a revolução que há-de vir para fazerem uma manicure. E dos homens que não percebem que uma mulher pode cuidar da aparência, ser vaidosa e ainda assim emitir opiniões políticas mais acertadas do que os sisudos do bloco, tenho a dizer que são burros. E, além de burros, machistas.

Em terceiro lugar, lamento que a Catarina Martins se apresentasse daquela forma descuidada na AR e ainda permitisse que as televisões a entrevistassem. De facto também não imagino o que lhe passou, e durante tanto tempo, pela cabeça. Fazia figura de quem acordava, vestia uma camisola (tricotada em casa por alguém sem talento para o tricot) que estivesse enrolada nos pés da cama e pronta que estava para a AR, mas, lá está, a culpa não é minha. E já que estamos na imagem da Catarina Martins, deixe-me que lhe diga que a imagem atual, ui, que sensaborona, indicia uma personalidade pouco imaginativa e também não é lá muito apelativa. Não há uma cor mais viva a realçar os seus olhos bonitos, um colar que surpreenda, um corte mais atrevido, parece uma avó (sem ofensa para as avós). Olhem que estão a ser ultrapassados pelo PCP, que tem a Rita Rato e a Raquel Varela, que são muito visíveis. Para ver como eu sou caridosa e não gosto que outras senhoras não explorem o seu potencial, aqui vão para Catarina Martins umas sugestões de reinterpretações de vestidos chineses, algo que ficaria sempre bem numa extremista de esquerda e lhe daria um ar, enfim, que não fizesse lembrar uma arca de cânfora.

Por último, agradeço-lhe a referência à Pepa Xavier e à carteira Chanel (novamente como se fossem insultos, escapa-me a razão), mas eu já passei a idade em que achava que tinha de me vestir de forma sóbria para me levarem a sério no trabalho; agora, que já provei o que tinha a provar, sou bem mais descontraída e, nessa linha, prefiro carteiras coloridas e, de preferência, com sentido de humor (sim, há carteiras com mais sentido de humor do que os bloquistas). Uma carteira Chanel 2.55 ficaria lindamente na senhora minha Mãe, mas eu prefiro carteiras nesta linha:

Anya Hindmarch(da Anya Hindmarch, e só a título de exemplo, que os impostos que me cobram para pagar as políticas socialistas dificultam estas compras).

23 pensamentos sobre “Não gozareis com as camisolas da Catarina Martins

  1. Pingback: Futilidades – Aventar

  2. Cfe

    .” Para ver como eu sou caridosa e não gosto que outras senhoras não explorem o seu potencial…”

    Muito bom.

  3. João

    Brihante Maria João!

    Muito elegante.

    “For me, elegance is not to pass unnoticed but to get to the very soul of what one is”
    – Christian Lacroix

  4. JS

    Com todo o respeito, gostava mais do insurgente antes dos tópicos de lavagem de roupa suja, “ataques” “semi-“pessoais e “debates” entre “blogs”. Com ou sem razão, este tipo de conversa não vos fica bem e sei que são capazes de muito melhor que isto. Ou espero que o sejam. Deixem este tipo de discurso para a Esquerda…

  5. Rafael Ortega

    Por mim tanto pode vir a Catarina Martins com as camisolas que trás, como de top muito decotado, de bikini, ou de sobretudo. é-me perfeitamente indiferente.

    Se ela gosta da camisola, tudo bem. Mais vale prestar atenção aos pensamentos perigosos que tem do que às camisolas, que acredito serão bastante inócuas para o meu bolso (já as suas perigosas ideias nem tanto)

  6. Jónatas

    Comparar gostos por camisolas com gente que come com a boca cheia a falar para jornalistas (e para todos aqueles que votaram nele) é, sem dúvida, uma comparação excelente.

  7. lucklucky

    O Jónatas pode escrever um tese sobre o caso: A boca cheia do Presidente e as camisolas da Deputada – Impacto sociológico e estratégias cooperativas. Aproximação ou Separação?

    Depois concorra uma bolsa para “trabalhar” com Boaventura.

    Pago com os impostos claro…

  8. A. R

    Mas afinal a Inês trabalha ou só colecciona causas para quando chegar a adulta ser sustentada por quem trabalha? Mas é giro ver como o Martim arruinou a reputação da esquerdalha e Raquel Varela School of Economics

  9. jhb

    “Sou uma feroz defensora do direito das mulheres à futilidade (e dos homens).”

    “E dos homens que não percebem que uma mulher pode cuidar da aparência, ser vaidosa e ainda assim emitir opiniões políticas mais acertadas do que os sisudos do bloco, tenho a dizer que são burros. E, além de burros, machistas.”

    Maria Joao Marques, a fa nº1 do Berlusconi!

    Com deputadas assim, a audiência do canal parlamento bateria todos os records

  10. A. R

    “Com deputadas assim, a audiência do canal parlamento bateria todos os records” Machismo destemperado . mais um traço do comunismo badalhoco

  11. Pingback: Do direito à futilidade – Aventar

  12. Maria Amaral

    Que discurso mais idiota! A falta de ideias é a nova marca do insurgente. Esta gentalha de direita é do piorio. É melhor não se esquecerem da Maria Antonieta e do que lhe aconteceu à cabeça. Abusem dos pobrezinhos se querem ver do que eles são capazes. Ainda acaba a comer asadas que comprou.

  13. Maria Amaral

    Queria dizer que ainda pode ter que engolir as malas que comprou. Não menosprezem os que são em maior número. Pode correr muito mal para todos e a maria joão ainda acaba os seus dias a tricotar as malas para as poder usar.

  14. Jónatas

    “Machismo destemperado . mais um traço do comunismo badalhoco”

    Está a pensar em Berlusconi, esse marialva de esquerda? Esse baluarte italiano do Maoismo? É que eu estava.

  15. Pingback: Resposta a outro não-militante do bloco | O Insurgente

  16. migspalexpl

    nunca ouvi ninguém no bloco defender a impossibilidade de “uma mulher (…) cuidar da aparência, ser vaidosa e ainda assim emitir opiniões políticas mais acertadas”.

    mas por outro lado, defender o contrário, que uma mulher deve cuidar da aparência para poder ser levada a sério, acabei de a ler aqui.

    esta intolerância relativamente a uma decisão pessoal que é a maneira de vestir, vai contra os valores liberais que este blogue é suposto defender. chamo a atenção aos membros liberais do insurgente para este post vergonhoso.

  17. Lobo Ibérico

    “Esta gentalha de direita é do piorio. É melhor não se esquecerem da Maria Antonieta e do que lhe aconteceu à cabeça. Abusem dos pobrezinhos se querem ver do que eles são capazes. Ainda acaba a comer asadas que comprou.”

    Desprezando igualmente Esquerda e Direita, tenho imparcialidade para dizer isto:
    a Esquerda adora “o povo”; o pior é que odeia “a pessoa”.

  18. Pingback: As camisolas e as ideias da extrema-esquerda caviar | O Insurgente

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