Não julgareis as adolescentes do bloco segundo os padrões burgueses

Diz o Vitor Cunha sobre a menina que, aparentemente, anda a agitar o Facebook, exatamente com a idade certa para ser prejudicada pela greve aos exames mas que, ainda assim, defende apaixonadamente a causa dos professores grevistas: ‘Inês Gonçalves não gosta de música, TV, bikinis, motas ou verniz garrido para as unhas. Não gosta de rapazes, malta da televisão, actores de cinema ou praias.

Bom, há que dizer que – relembrando aqueles sacos tricotados que Catarina Martins levava para a AR, antes de ser sei lá o quê no BE com o João Semedo, e a que só bondosamente se poderiam chamar camisolas – talvez se deva assumir que para as adolescentes do bloco usar bikini, interessar-se por rapazes (em vez de pela causa) e, acima de tudo, usar vernizes de cores garridas são comportamentos burgueses; de adolescentes do sexo femino não emancipadas e que não entenderam ainda que agirem como objecto de desejo dos adolescentes masculinos é degradante para qualquer adolescente do sexo femino, um comportamento verdadeiramente feudal; que são próprios de gente descerebrada que coloca interesses individuais (como namorar) acima dos interesses colectivos (derrubar o regime existente e implementar o socialismo, se preciso for pela luta armada); que mostrar a sua própria fotografia no facebook é um imperdoável pecado de individualismo. E, portanto, tudo hábitos a serem erradicados. Mesmo antes da verdadeira implementação do socialismo e do surgimento do homem novo.

Não que a hipótese de trabalho do Vítor – tratar-se afinal de um trintão bigodudo – deva ser descartada. Mas temos de ter o espírito aberto e não fechar a porta a outras alternativas também elas prováveis. Como, só mais um exemplo, a Inês Gonçalves ser uma cábula que quer mais uns dias para fingir que estuda para os exames. Até porque, como acontecia na boa revolução cultural maoísta, os alunos entravam na universidade por mérito político (seu e dos seus pais) e não pelos burgueses critérios académicos – e não estudar para os exames deve ser encarado não como preguiça mas como luta pela adoção de boas práticas já testadas noutros países.

38 pensamentos sobre “Não julgareis as adolescentes do bloco segundo os padrões burgueses

  1. Luís Lavoura

    Eu não vejo o que é que a discussão sobre os gostos pessoais da Inês Gonçalves deva ter a ver com as suas opiniões políticas.
    Em minha opinião, é perfeitamente irrelevante para a discussão sobre a greve dos professores saber se a Inês Gonçalves gosta ou não gosta de pintar as unhas e de sair com rapazes.

  2. O que o Vítor Cunha diz é pura mentira, misturada com aselhice, vontade de caluniar e o ataque do costume a quem escreve e não ao escrito (e honra seja feita a quem nesta casa comentou o texto sem enfabular sobre a sua autoria).

    http://aventar.eu/2013/06/14/a-mentira-e-a-pose-natural-de-um-blasfemo-a-calunia-tambem/

    Claro que agora insiste em fingir que ainda não percebeu que errou, nem todos têm a honestidade que ainda há pouco tempo vi o Alexandre Homem Cristo aqui praticar.

  3. Preconceito sobre quem é diferente, ignorância sobre quem não é do meio a que pertence e desdém por valores que não são os seus. E uma série de lugares-comuns sobre a caracterização de um tipo. Parabéns, a Maria João Marques está lá.

  4. jhb

    Metedura de pata do Vítor Cunha. Espalhanço monumental. E a Maria Joao a amplificar… Ai estes liberais….

    É caso para perguntar porque é uma liberal haveria de questionar as opçoes de vida doutro individuo? O que é que aconteceu ao “live and let live”?

  5. Jónatas

    Portanto, resumindo : todos os estudantes têm de discordar da greve. Depois da conversa de alguém que substitua o Salazar como figura da direita, agora temos as opiniões magnânimas. A cada post, este blog está cada vez a ficar mais extremado.

  6. Joaquim Amado Lopes

    Luis Lavoura (1),
    “Em minha opinião, é perfeitamente irrelevante para a discussão sobre a greve dos professores saber se a Inês Gonçalves gosta ou não gosta de pintar as unhas e de sair com rapazes.”
    Concordo, até porque o texto em discussão podia perfeitamente ter sido escrito por um sindicalista quarentão e com bigode. Por uma estudante de 18 é que não foi, pelo menos não enquanto tal. A menos que tenha sido “educada” numa comuna “revolucionária” e “progressista”.

  7. Luís Lavoura

    João Miranda, Joaquim Amado Lopes,
    não li o texto da Inês Gonçalves e portanto não tenho qualquer opinião sobre ele.
    Mas faz-me muita espécie que num blogue sobre política, ainda por cima supostamente liberal, se ande a comentar aspetos dos gostos pessoais dos outros, em substituição de se comentar as tomadas de posição políticas.

  8. Luís Lavoura

    Foi a Maria João Marques quem, ainda há pouco tempo, escreveu neste mesmo blogue um post a dizer que não gostava que certos homens (supostamente muçulmanos) se comportassem para com ela de certa forma e criticassem a forma de estar na vida dela de certas formas?
    É que agora a Maria João Marques cai, mais ou menos, no mesmo pecado que ela criticou nesse post.

  9. “Pelo menos enquanto tal” ahahahahaha. O que será escrever um texto “enquanto estudante de 18 anos”? Tipo assim: ” eh pá, eu acho bué da mal que os profs façam greve aos exames, até, puque, ‘tas a ver, depois quero bazar para a praia. Que cena, meu! (passa ai o batón.)” Está mal, nem todos os adolescentes são iguais ao Martim, o mundo não é justo.

  10. Carlos Duarte

    Caro Joaquim Amado Lopes,

    Eu não duvido nada que tenha sido escrito por uma jovem de 18 anos.

    Conheci (nos meus tempos) muitos jovens de 18 e 19 anos (1º ano da Faculdade) que eram mais que capazes de escrever um texto desses e que tinham uma escola política muito boa e desenvolvida (a maior parte no PCP via JCP).

    Eu não concordava (e ainda não concordo) NADA com o que eles pensavam, mas que lhes tem de dar a mérito de saberem criar uma juventude politicamente activa, tem.

    A Direita (que é onde pertenço) é de um falhanço monumental neste campo.

  11. Comunista

    O Luis Cardoso que não faz mais do que repetir o que outros dizem sobre os comunistas presume que , ao contrário dos comunistas, pensa pela sua cabeça…pois bem, não pensa. É um mero um papagaio.

  12. Eu gosto mais da carta do estudante grego que circula por aí. É da mesma índole, mas com a preciosidade de incluir um apelo ao combate contra o “governo fascista” que controla a Grécia. Ou o rapaz é burro (apesar de se gabar das suas boas notas na carta) ou os fascistas tomaram conta do poder e poucos deram por isso.

  13. Maria João Marques

    Oh meus amigos, mas estais loucos?! Eu coloquei várias alternativas sobre a Inês Gonçalves, não sei qual é verdadeira nem me interessa, se alguma, sinceramente. A menina, se existir, pode ter os gostos e os comportamentos que quiser, não vejo bem onde estou eu a condicioná-la. E, oh Luís Lavoura, comparar um post irónico ao condicionamento que as mulheres vivem no mundo muçulmano é um bocadinho de mais.

    Quanto à substância: a) claro que é criticável, até porque se tratava também de uma afirmação política, a forma desmazelada como Catarina Martins se apresentava na AR; b) nada do que eu afirmei ser possível sobre a Inês Gonçalves veio do nada, fui buscar tudo à visão do que eram comportamentos certos e errados, e levaram a perseguições e mortes de muitas pessoas, do período maoísta, sendo que era uma visão partilhada por todos os países onde se viveu a ideologia que o bloco propõe e também pelos partidos políticos com ideologia semelhante ou próxima do bloco.

  14. Muito haveria para dizer sobre “forma desmazelada”, essa fantástica e mui liberal noção de que uns padrões de roupa são aceitáveis e outros não. Eu gosto do casaco de pele de cobra que o Nick Cage enverga no Wild at Heart, e não é propriamente por ser bonito.
    E fiquei a saber que existe um Bloco de Esquerda ML. Espero que já esteja legalizado pelo Tribunal Constitucional, ou vai-se a ver e é uma organização clandestina infiltrada na EDP.

  15. Maria João Marques

    Oh João José Cardoso, se calhar é melhor parar de alucinar com coisas que eu não escrevi. A Catarina Martins veste-se como quiser, dentro e fora da AR. E eu critico a forma dela vestir sempre que me apetecer. Não gosta? Paciência.

  16. Joaquim Amado Lopes

    João José Cardoso (8),
    As frases terminam no ponto, não na vírgula. Quando se “ignora” parte daquilo a que se responde porque “dá jeito” atribuir ao escrito um sentido diferente do que este claramente tem, está tudo dito.

    .
    Luis Lavoura (9),
    Antes de comentar devia ir realmente ler o texto da Inês. É um panfleto político “mascarado” de “testemunho pessoal de uma estudante de 18 anos”. A discussão tem a ver com o “mascarado”, não com aspectos pessoais de quem quer que seja.

    .
    Carlos Duarte (12),
    A Inês Gonçalves escreveu um panfleto político de apoio à greve dos professores. Apresentá-lo como o testemunho de uma estudante de 18 anos é como o sindicalista profissional Mário Nogueira escrever um panfleto semelhante e apresentá-lo como o testemunho de um professor.

  17. jhb

    Este liberais sao cá uma malta… Se uma miuda de 18 anos, estudante, escreve um texto sobre praia, copos e rapazes é… uma miuda de 18 anos e estudante. Mas se a mesma miuda de 18 estudante escreve um texto apoiando uma greve de professores (algo sobre o qual nao me espanta que escreva visto que é estudante) já nao é uma miuda de 18 estudante, mas uma perigosa infiltrada da esquerda no corpo de miudas estudantes de 18 que, segundo os nossos liberais, deveriam escrever sobre praia, copos e rapazes.

    Como brinde a juntar a toda esta imbecilidade, nao há que esquecer se o texto criticasse os professores grevistas em vez de o defender, a miuda de 18 anos estudante continuaria a ser uma miuda de 18 anos estudante, que em vez das outras miudas de 18 anos estudantes que so escrevem sobre praia, copos e rapazes (um resultado do pessimo sistema de ensino socialista que transforma os nossos jovens em cabeças ocas, diga-se), é uma das poucas que ainda mostra algum juízo. Um excepçao à regra, portanto.

    Triste. Mas nao surpreendente.

  18. Pingback: Respondam à Inês – Aventar

  19. Carlos Duarte

    Caro Joaquim Amado Lopes,

    E não pode? Por ter 18 anos não pode? Um panfleto político não é um testemunho (político) de quem o escreve? Como estou fartinho de dizer, não concordo (nem de perto nem de longe) mas dou os parabéns por o ter escrito e ainda mais parabéns pela divulgação. Tenho pena que do meu lado da barricada não há quem escreve “panfletos políticos” equivalentes (mas opostos, obviamente).

  20. “O perfil da “Inês Gonçalves” no Facebook não é o perfil típico de uma jovem de 18 anos e o texto que “ela escreveu” não é, nem de longe, típico de uma jovem de 18 anos, por muito inteligente, “informada” e socialmente envolvida que seja.
    Aquele é o exemplo perfeito de um perfil criado com um propósito político e o conteúdo, formato e contexto apontam para que o texto tenha sido escrito no âmbito de uma campanha política, com apoio de uma estrutura.” Isto escrevia Joaquim Amado Lopes às 13h no Blasfémias. Agora vamos no “pelo menos não enquanto tal.” mas assumir o erro, tá quieto. Os pontos estão bem?

  21. Joaquim Amado Lopes

    João José Cardoso (25),
    Não conheço a Inês. A parte visível do perfil da Inês no Facebook (que usou para divulgar o texto) é claramente político. Não é, de forma alguma, o perfil típico de uma jovem de 18 anos. E alguém que (parece que?) a conhece descreveu-a como “uma daquelas manifestantes profissionais dos movimentos que agora estão na moda”.

    A Inês criou e usa aquele perfil exclusivamente para fins políticos? Não sei. Se tiver sido essa a intenção, não o tentou disfarçar.
    O texto foi escrito pela Inês, sem “incentivo” nem “contribuições” de ninguém? Tenho sérias dúvidas. Parece um texto saído de um grupo político, escrito por uma ou mais pessoas e revisto por mais algumas.
    É o testemunho de uma estudante? Não, não é. É o texto de uma activista política a defender uma posição política e não a sua condição de estudante.E foi precisamente o facto de (de forma muito incompetente) ter tentado fazer passar um texto político de uma activista política pelo testemunho pessoal de uma estudante que gerou toda a polémica.

    Admitir um erro? Nunca tive quaisquer problemas em o fazer. Mas primeiro tenho que perceber se realmente o cometi. Uma “virgem” que se “ofende” com tudo o que vá contra a sua cartilha ideológica dizer que cometi um erro não chega.

  22. Pingback: Não sejam severos com as inêses | O Insurgente

  23. Joaquim Amado Lopes

    João José Cardoso (27),
    No título da notícia, escreveram “Coordenadora Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda” mal.

  24. Surprese

    É oficial: a Inês Gonçalves é uma activista política do Bloco.

    A máquina de propaganda foi apanhada.

  25. A. R

    O mal dos comunas é que não têm cabeça: encornam umas coisas quando são jovens e ficam naquele buraco negro a vida inteira. Bastava ver que em todos os países que pegam exterminam parte significativa da população e o resto fica numa pobreza abjecta. Venezuela .. 2 milhões de esfaimados

  26. Joaquim Amado Lopes

    João José Cardoso (31),
    “É oficial: há quem entenda que aquele artigo da constituição que assegura a liberdade de associação política está a mais.”
    Deve estar a referir-se ao número 4 desse artigo.
    De qualquer forma, quem nunca se deu muito bem com a liberdade dos outros foi a sua área política.

    A liberdade de associação está muito bem. O que não está bem é organizações políticas destacarem militantes para se multiplicarem em “associações” que, alegando representar quem não lhes passou qualquer procuração e com a cobertura de uma comunicação social acrítica e parcial, usam para impôr uma agenda partidária que é sistematicamente cilindrada nas urnas.

  27. Vi agora mesmo um leitão a utilizar com sucesso um velocípede e estou inteiramente de acordo. Não tem nada que ver com a conversa, mas nunca fui apreciador dessas estratégias partidárias, das pró-vidas às comissões de utentes, passando pelo associativismo das colectividades e a mania de as controlar.

  28. Pingback: Não gozareis com as camisolas da Catarina Martins | O Insurgente

  29. PT

    Aí está o comentário 34 como exemplo perfeito da táctica da esquerdalha de chutar para canto quando o rumo da conversa não lhes agrada. Obviamente que o ponto em discussão não tem nada a ver com liberdade de associação (nem com quem dela abusa constantemente, como se constata no ponto 33), mas sim de mascarar o personagem Inês como um@ simples estudant@ que se fartou de ver os professores a serem injustiçados, os coitadinhos. Mas só quando dava jeito, porque quando tocou a vez aos contratados, que não faziam parte da corporação de interesses instalados no topo da carreira de professor ou sindicalista/agitador profissional, aí já os sindicatos não rasgaram as vestes nem convocaram greves nacionais, e por conseguinte, @ jovem consciencios@ manteve-se em silêncio. Seria por falta de ordens superiores?

  30. #35 Táctica? explico-lhe devagarinho e tudo: o que ali está escrito é muito simples; concordo com o Joaquim Amado Lopes, que conheço da net desde o século passado e com quem ao longo desses anos fui trocando vários mimos, sempre em completo desacordo. Acontece, também não engraço com as associações disto e daquilo que não passam de destacamento partidários, sejam de esquerda ou de direita. Entendeu, ou tenho mesmo de soletrar?

    E já agora: desmascarar e mascarar (com a preposição de no seu devido lugar) são antónimos, sendo antónimo o contrário de sinónimo. Nem sei porque dou explicações de português a quem usa @ no lugar de letras, mas há sábados assim, de uma infinita tolerância.

  31. Pingback: Resposta a outro não-militante do bloco | O Insurgente

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