Grécia e TV Pública

Estados totalitários não fecham televisões públicas. Fecham televisões privadas. Não deixará de ser interessante ver se, com a continuação das emissões através da internet, os jornalistas da TV pública aprenderão que se pode trabalhar com contenção de custos.

31 pensamentos sobre “Grécia e TV Pública

  1. Jónatas

    Portanto, está muito bem terem fechado a televisão pública que você não vê problema nenhum com isso, certo?

  2. Rui Sousa

    Encerrar uma empresa em menos de 12 horas, despedindo (literalmente) do dia para a noite 2700 pessoas não é ético. Não se despede primeiro para reestruturar depois. Neste caso, o governo grego fez tudo mal. Quanto à existência do serviço público: já vi melhores programas realizados por canais privados. Nem tenho de ser eu a contribuir para a manutenção de um serviço público que não me serve de nada

  3. Carlos Duarte

    Caro Rui Sousa,

    Podemos discutir o “modelo” (e acho que não despediram ninguém, que eu saiba) mas o conteúdo (fecho da televisão) nada contra. A televisão é como uma outra qualquer empresa: se eu amanhã resolver fechar a minha, desde que cumpra os preceitos legais referentes ao fecho de contas e indemnização dos funcionários, ninguém tem nada a ver com isso. Moralmente pode-se discutir, legalmente, não.

  4. Jónatas

    O serviço público de televisão faz sentido. Podemos discutir se a RTP como está cumpre ou não a sua missão de serviço público de televisão. E se calhar, até chegamos a conclusões semelhantes. Mas achar que o serviço público de televisão é substituível pelos privados é não perceber, de todo, o que é que constitui um serviço público de televisão e a sua importância para um País que se quer democrático.

  5. Rui Sousa

    O espanto é este: não estamos a falar de uma simples empresa privada, mas de uma empresa estatal, em que no mesmo dia se apanha de surpresa 2700 trabalhadores. Não me digam que foi apenas em 24 horas que o Governo ficou a saber que tinha de cortar despesas com o serviço público. O processo de encerramento da estação cheira-me a esturro. Já a importância de se acabar com tal serviço público é outra conversa.

  6. Carlos Duarte

    Caro Jónatas,

    Sinceramente sou ambivalente nesse campo. E a fazer sentido, fá-lo-á num regime de não-entretenimento (excepção eventual para programas para crianças) – ou seja, a RTP2 – e com um financiamento limitado em termos de meios e recursos (nunca com mais pessoal que um canal regional). Obviamente que deveria ser feito um esforço para manter o acervo da RTP, podendo o mesmo ficar a cargo da Torre do Tombo. Mais do que isso, não me interessa para nada uma TV pública.

  7. Carlos Duarte

    Caro Rui Sousa,

    A mim não me espanta, até porque me parece que, neste caso, é a única maneira de resolver o problema. Se quiser – e com uma magnitude diferente – é a mesma coisa caso saíamos do Euro, decide-se do dia para a noite para não pode haver reacção ou manobras dilatórias.

  8. Jónatas

    A minha grande questão com este post é estar lá plasmado esse cliché liberal de que os jornalistas são uns esbanjadores. Como se fosse a redacção de uma televisão (e não o entretenimento ou o desporto) o responsável pelos gastos excessivos de qualquer orçamento de uma televisão. Aquele “aprenderão” é, apenas e só, conversa de café.

  9. jsp

    Se a grega se assemelhava à paroquial rtp , então o encerramento foi uma medida meramente higiénica…

  10. dervich

    Eu acho estas discussões fantásticas! Só a título de exemplo:

    Carlos Duarte, para que raio você quer conservar o acervo da RTP?
    Afinal, se a RTP nunca tivesse existido, não haveria acervo nenhum. Se a RTP fechar amanhã, em 2030 você só terá o acervo da SIC E TVI, ou melhor, terá esse “acervo” (deve ser óptimo qualitativamente) se essas entidades assim o entenderem, pois as imagens serão privadas e não públicas (como é óbvio).

    Eu cá não vejo problema nenhum no fecho da TV estatal grega porque não tenho por hábito acompanhar a radiotelevisão e a radiodifusão gregas, aliás, nem falo grego…

  11. dervich

    jsp,

    Antes a paróquia do que a pocilga da “casa mais vigiada do país” ou do que a sua piscina mais imunda…

  12. Carlos

    Porque razão alguém que não tem interesse em televisão, tem de pagar pela manutenção de uma empresa pública?! Esta história de que as pessoas querem obrigar-me a pagar pelo que pensam ser o melhor para mim (ou sociedade) é muito engraçada. Quem achar que precisa de uma empresa televisiva que se junte com os demais e financiem uma empresa dessas, mas não obriguem os outros a financiar o que vos agrada. E isto em relação a praticamente tudo, educação, saúde, segurança social, etc. Apenas protecção de propriedade privada é justificável em relação ao papel do governo, tudo o resto é um ROUBO.

  13. JLeite

    Serviço público.
    Se houver mercado para ele os privados fornecê-lo-ão de bom grado, caso contrário para quê pagar?

  14. Fernando S

    Rui Sousa,

    Portanto, pelo que percebo, concorda que ha razões para acabar, ou pelo menos reestruturar, um sector publico (no caso grego tenho alguma relutancia em chamar “serviço publico” tendo em conta o que fazia e que era visto por menos de 3% da audiencia nacional) de radio e televisão.

    O seu problema é com o método.
    Repare que a maior parte dos despedimentos, individuais ou colectivos, nomeadamente no privado, são também anunciados de surpresa aos interessados : uma convocação, uma carta, etc… Não é “do dia para a noite” … é no espaço de alguns segundos ou minutos.
    Os anuncios de fechos de empresas também não são normalmente diferentes. O fecho é anunciado e a actividade é imediatamente paralizada (com algumas excepções economicamente justificadas, por exemplo quando ha produção ainda em curso).
    O que é algo de particuar no caso de cadeias de radio e/ou televisão, é o corte da emissão.
    Este corte justifica-se pelanamente tendo em conta que a emissão representa um custo de funcionamento importante e que os jornalistas da ERT, ou pelo menos os mais miliitantes, se preparavam para continuar a ir para o ar apesar da decisão governamental.
    De resto, apesar do método parecer à primeira vista inutilmente brutal, justifica-se perfeitamente tendo em conta que, conhecendo-se o que se tem passado em situações semelhantes e o militantismo e capacidade de disturbio do pessoal em causa, era previsivel que um processo de reestruturação não pudesse ser conduzido em condições normais e com um minimo de rapidez e eficacia. Veja-se o que ja esta a acontecer, com o cerco e a ocupação das instalações. Não seria certamente diferente, para melhor, se a reestruturação fosse feita com a empresa aberta e a funcionar.
    Eu até acho que este método, que, ao contrario do que se tem dito por ai, não tem nada de ilegal nem de anti-democratico (é uma decisão de gestão publica dum governo legitimo), poderia e deveria servir de exemplo e modelo noutras situações semelhantes e noutros paises. Incluindo o nosso !…
    Ja é tempo de fazer algo para não deixar que minorias activas sejam capazes de sistematicamente condicionar, boicotar e prejudicar decisões tomadas por governos democraticamente legitimados e que, no fim de contas, dizem respeito a toda a sociedade !

  15. Hugo

    Abaixo o socialismo e a ideia do bem comum!
    Abaixo os pobres e os analfabetos!
    Abaixo a informação pública!
    Abaixo a saúde pública!
    Abaixo a educação pública!

    Se não podem pagar a saúde, desenrasquem-se nas vossas doenças de pobres!
    Se não podem pagar a educação, é porque são burros e de fraca estirpe!

  16. Hugo

    “Ja é tempo de fazer algo para não deixar que minorias activas sejam capazes de sistematicamente condicionar, boicotar e prejudicar decisões tomadas por governos democraticamente legitimados e que, no fim de contas, dizem respeito a toda a sociedade !”

    LOL

  17. Jónatas

    Quanto mais conheço liberais e as suas ideias mirabolantes para as vidas de todos nós, mais percebo porque é que nunca são levados a sério. Em eleições e fora delas.

  18. Lobo Ibérico

    @Jónatas,

    “Quanto mais conheço liberais e as suas ideias mirabolantes __para as vidas de todos nós__ (…)”

    O Jónatas tem noção de que isto não faz sentido algum?

  19. Pingback: Menos livres? Talvez o contrário | BLASFÉMIAS

  20. Lobo Ibérico

    Jónatas, não desconverse.
    Um liberal não se mete nas “vidas de todos nós”.
    Um libertário, ainda menos.
    Se o Jónatas precisa de um governo, é consigo. Não fale por mim.

  21. jhb

    “Um liberal não se mete nas “vidas de todos nós”.
    Um libertário, ainda menos.”

    Diga isso à Maria Joao Marques…

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