Hoje, eu aqui me confesso

Hoje, eu aqui me confesso. O convite para me associar a uma colectividade, O Insurgente, deixou-me algo perplexo.

Em primeiro lugar, porque o processo convencional, em vigência em terras lusas, é outro: a associação é involuntária e obrigatória, subtilmente implícita neste contrato social que nos ajoelha ao invés de nos erguer. É uma forma de coercividade paternalista em que alguém — altruisticamente zelando pelo nosso próprio bem — nos absolve da pesada responsabilidade de escolher. Foi uma surpresa, portanto, que me tenham perguntado a minha opinião sobre o assunto.

Não menos importante, porque esta não é uma colectividade convencional, daquelas instituições vigentes a que estamos habituados. É uma colectividade precária. Senão, vejamos. Carece de uma forte e prudente burocracia que estatize os seus membros. Abdica de alguns instrumentos de escrita, especialmente o lápis azul. Não tem um comité central que dite linhas editoriais. Padece de uma ausência de consenso — imagine-se que os membros constituintes têm linhas identitárias autónomas e distintas e por vezes estão em desacordo. Não tem cargos vitalícios nem contratos sem prazo. Por fim, é uma colectividade que não beneficia de subsídios e que, pior ainda, é tão ineficiente a arrecadar uma pequena e indolor receita fiscal dos seus membros que depende das parcas receitas próprias.

Perante esta proposta, a de pertencer voluntariamente a um grupo cujo valor é acrescentado pela contribuição individual de cada um dos seus membros e não pela assimilação por parte dos colectivizados de uma ideologia e regência imposta, mas que se rege pelos princípios que enaltecem a liberdade individual, a livre ação e livre arbítrio, a ordem e a paz, recusar seria um erro não menor que a acomodação passiva das escolhas que os outros fazem por nós. Hoje decido eu.

MAL

17 pensamentos sobre “Hoje, eu aqui me confesso

  1. Pingback: Insurgência | O Comité

  2. Comunista

    “Não tem um comité central que dite linhas editoriais. Padece de uma ausência de consenso — imagine-se que os membros constituintes têm linhas identitárias autónomas e distintas e por vezes estão em desacordo.”

    – É um blog dos mais uniformes na opinião que eu conheço.

  3. Comunista

    Não Mário.

    É uniforme (ponto final). É dos mais uniformes que eu conheço. Há muito mais diferença no Cinco Dias do que aqui.

  4. Comunista, no Insurgente encontro liberais, conservadores, assim-assim, libertários, alguns a roçar o anarco-capitalismo, católicos, ateus e agnósticos, partidários, apartidários, portistas e benfiquistas. Se, ainda assim, é uniforme (ponto final), quem sou eu para discordar de si.

  5. Manuel Costa Guimarães

    Como lê os ditos posts com um filtro avermelhado, é óbvio que vê uniformidade onde ela não existe. Ponto final.

  6. Francisco Colaço

    Mário,

    A sua inserção nest colectivo duplica de uma assentada o seu valor. O do colectivo, claro.

    Quanto aos socialistas de serviço no resto do país, asseste os dardos, afie as lâminas e entre a matar.

  7. tina

    “8.Como lê os ditos posts com um filtro avermelhado, é óbvio que vê uniformidade onde ela não existe. Ponto final.”

    Só prova o extremismo dos comunas, que não conseguem distinguir diferenças no espectro normal.

  8. Comunista

    Sei que houve aqui um post que não tendo sido contra Israel questionou no entanto algumas coisas da política do governo de Israel. Entrou tudo em histeria. Se não me engano acho que o autor do post já saiu, ou se cá está pelo menos saiu temporariamente.

    Vocês têm a mania que são indivíduos originais mas não são. Bastava um a escrever e assinar com nomes diferentes que ia dar mais ou menos ao mesmo do que temos agora.

  9. Tiro ao Alvo

    O Comunista pensa que somos todos como os comunistas, a falar pela mesma cartilha, a ouvir a mesma cassete. Que lhe havemos de fazer?
    Mário Lopes, seja bem-vindo!

  10. Obrigado Francisco e Tiro ao Alvo. Mira alinhada! Penso que, regra geral, não será preciso muito.

    Ricardo, do lado do suposto MAL está, curiosamente, o bem. É que nem o capitalismo explicado por socialistas! 🙂

  11. Comunista

    “Penso que, regra geral, não será preciso muito.”

    – É a regra geral mais evidente para os adeptos do insurgentismo.

  12. Francisco Colaço

    Mário,

    Realmente, o alvo é grande como um mastodonte e é impossível de não acertar.

  13. Pingback: O contrato social – artigo 1º | O Insurgente

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