Hayek explica o Padrão Ouro

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14 pensamentos sobre “Hayek explica o Padrão Ouro

  1. aa2

    Antes de me darem na cabeça.

    Gosto do que leio neste Blog.

    Mas existe uma coisa que ainda não entendi.

    Os activos e passivos tem um valor.

    Sempre que trabalho contruo ou produzo crio valor.

    Entendo que o padrão-ouro seja o mais seguro, o menos contolavel pelos governos.

    A minha questão é:

    Não estamos a limitar o crescimento económico, uma vez que o padrão ouro estaria limitado a sua extração.

    Entendo que a parte da resposta será, que o Ouro não terá um valor fixo, e uma grama ao triplicar o valor estaria a aumentar a massa monetária.

    Tenho aqui pontas soltas que gostava que me ajudassem a atar.

  2. «uma grama ao triplicar o valor estaria a aumentar a massa monetária»

    É mais um menos isso. O crescimento económico num contexto de insuficiência de extracção cria uma “deflação benigna”. O mesmo dinheiro compra mais, que é o natural em prosperidade.

    Note que defender o padrão-ouro não é uma coisa literal. O ponto é que a moeda fiduciária é facilmente manipulável para defraudar quem poupa através do imposto escondido da inflação. Não tem de ser necessariamente ouro, pode ser, por exemplo, um conjunto de commodities.

  3. CN

    “Não estamos a limitar o crescimento económico, uma vez que o padrão ouro estaria limitado a sua extração”

    O crescimento económico (na sua definição mais pura: população e quantidade de moeda estável, pleno emprego) dá.se porque os custos e preços descem fazendo aumentar o poder de compra da mesma quantidade de ouro e assim concretizar o aumento da despesa em termos reais (ainda que com a mesma despesa nominal).

    Ou seja, crescimento e descida de preços reais são um e o mesmo fenómeno.

    Bem se sabe que parte da doutrina económica é confusa em relação a esta simples verdade, e parte porque mistura outros factores na mesma análise sem os isolar: crises com recursos não usados, variações na procura de moeda (ex. crescimento significativo da população), etc.

    É por isso que depois define a “estabilidade de preços” como objectivo, e como que dizendo que é assim que o crescimento é melhor potenciado.

  4. “Sempre que trabalho construo ou produzo, crio valor”
    Tristemente, isto nem sempre é verdadeiro.
    O trabalho só resultará em valor se outrem se interessar pelo que resultar desse trabalho e lhe der esse valor.
    Se produzir uma camisa e não precisar dela, a mesma só terá valor se alguém a comprar.
    Se limpar um espaço que não necessitava de mais limpeza, o trabalho aí despendido não terá valor nenhum.
    Se alguém assegura um determinado trabalho e vier alguém com quem repartirá o esforço, nada se acrescentará. Pois serão dois a fazer aquilo que um dava conta (programas de estágios e emprego jovem).

  5. Fábio

    Já que estão a aceitar dúvidas académicas, também tenho uma. Não é a moeda única como o Euro uma espécie de padrão-ouro nos países envolvidos? Se sim, e se uma das consequências do euro foi acentuar as diferenças das economias envolvidas (houve uma difusão de euros/ouro dos importadores para os exportadores), não aconteceria o mesmo no padrão-ouro? Não será nesse caso uma opção mais segura ter o câmbio totalmente livre para que desequilíbrios sejam corrigidos automaticamente? E claro assumindo que ao contrário do que foi dito, não se usa o banco central para manipular artificialmente o valor da moeda.

  6. ricardo saramago

    O efeito do padrão ouro mais notável a longo prazo é que cria um ambiente em que poupar, investir e produzir riqueza se torna a melhor forma de prosperar.
    A variação do nível de preços (do valor da moeda) tende a traduzir o aumento ou diminuição da riqueza produzida.
    Criar dinheiro atravès de emissão monetária ou dívida, sem correspondente aumento de produção de riqueza, é imediamente insustentável e foi por este motivo que aos políticos do passado foi tão tentador a substituição do padrão ouro pela sistema fiduciário.
    Tal como hoje não se quer compreender que os problemas financeiros não são causas, mas apenas sintomas dos verdadeiros problemas das economias e que manipular e distorcer o valor, a quantidade e o funcionamento do dinheiro não é solução.
    Cada nova intervenção só aumenta o custo económico futuro do colapso do sistema actual.

  7. CN

    “Não é a moeda única como o Euro uma espécie de padrão-ouro nos países envolvidos? ” Sim,

    “Não será nesse caso uma opção mais segura ter o câmbio totalmente livre para que desequilíbrios sejam corrigidos automaticamente?”

    Os preços podem fazer isso.

    Quanto ao câmbio “totalmente livre” é uma ilusão. Os países pequenos com moeda própria tendem a ter que estabilizar a taxa de câmbio com os maiores, uma das razões sendo que precisam de endividar-se em moeda de zonas monetárias maiores (de onde importam e moeda onde existem mais credores potenciais), ou seja, vai ter de gerir reservas dessas moedas mais fortes, no final, as crises de balança de pagamentos dão no mesmo, potenciais crises de default de dívida em moeda externa.

    No final, os resultados são o mesmo, e para isso, mais vale usar uma moeda estável (pode ser uma moeda-mercadoria ou de uma zona monetária maior como o euro) e que disciplina sem a ilusão da taxa cambial e inflação. O Panamá que não tem moeda própria.

  8. Fábio

    Mas neste momento temos o tal “padrão-ouro” com o resto da Europa e os desequilíbrios são grandes, e eram enormes. Mesmo muito do reequilíbrio da balança foi alcançado em grande parte pelo aumento de impostos que reduziu as importações, certo? Não foi nenhum reequilíbrio natural da economia. Esteve dependente da ação política. Com uma moeda a flutuar livremente as balanças corrigem-se rapidamente porque os preços das importações aumentam e das exportações diminuem. A flutuação cambial não será mais rápida a corrigir desequilíbrios do que com o padrão ouro? Não era Friedman por exemplo a favor desse sistema por essa razão?

  9. O que acontece num cenário de padrão-ouro é que a criação monetária é reduzida e por isso na presença de desequilibrios o crédito seca. Com moeda fiduciária independente (como é o euro) há excesso de crédito pelo que demora mais tempo para que o “preço” do crédito repercuta o risco maior causado pelo desequilibrio. Mas acaba por acontecer, foi o caso de Portugal. Com moeda fiduciária própria, havendo desequilibrios vai-se imprimindo dinheiro, até este não valer nada.

  10. Surprese

    @ Fábio:

    Se estiver no padrão ouro “real”, para importar terá de ter ouro, pois os países fornecedores não aceitarão a sua moeda sem que a mesma possa ser trocada por ouro físico.

    Por isso é que na crise de 82 tivemos filas para gasolina e fome em Setúbal, pois não conseguíamos importar cereais e petróleo, pois ninguém aceitava pagamentos em escudos pois tínhamos abandonado o padrão ouro após o 25 de Abril.

    Se sairmos do Euro, é o que volta a acontecer (aceitaria um pagamento em kwanzas? Ou pede que lhe paguem em Euros?).

    Conclusão: a moeda não é causa de crescimento/recessão, é apenas uma forma de enganar os cidadãos por parte dos poderes políticos.

  11. Antonio

    A meio de Abril o ouro crashou +-15%. Logo de seguida os dois principais bancos alemães(comerzbank e deutschebank) fizeram aumentos de capital muito à pressa. Na minha opinião esses aumentos de capital foram feitos para compensar perdas nos portfólios em ouro. Na próxima queda, que deverá estar para breve, vamos ter surpresas. Claro que isto é a minha opinião.

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